sexta-feira, dezembro 09, 2005

Em 1974 foi assim...

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Johan Neeskens

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Paul Breitner

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Gerd Müller

É pó mundial!

Mais logo há sorteio para o Mundial que se realiza para o ano na Alemanha. Desejo ardentemente que a Alemanha chegue à final do torneio. Desejo ainda mais ardentemente que a Holanda lá chegue e faça o que Cruyff, Neeskens e Rensenbrink não fizeram em 1974.

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Portugal? Com Scolari ao leme teremos muita sorte se passarmos a primeira fase...

Internet 2

Em tantos anos de navegações, nunca me tinha passado pela cabeça introduzir na barra de URL alguns endereços óbvios.

http://www.internet.com.
http://www.internet.org
http://www.internet.net
http://www.inter.net

De vez em quando, o tempo livre é tão abundante que me dá para estas inutilidades...

Internet

tinha chegado ao fim da Internet [várias vezes]. Até já tinha tentado desligá-la. Agora descubro que a Internet é uma merda...

Clubismos

Aqui há umas semanas fiz aqui um post ironicamente intitulado "Do Braga desde pequenino". Não sou do Braga desde pequenino e, aliás, não sou de nenhum clube português desde pequenino. Quando era pequenino, e morava na Bélgica, o meu clube de eleição era o Royal Sporting Club Anderlecht. Nessa altura brilhavam por lá nomes que nunca mais esqueci: Van der Elst, Vercauteren e o holandês Rensenbrink.

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Pieter Robert Rensenbrink era o meu ídolo. Na sua selecção - a famosa laranja mecânica holandesa dos anos 70 - jogou ao lado do magnífico Johan Cruyff e esteve em dois campeonatos do mundo [Alemanha 74 e Argentina 78], jogando todos os jogos a titular e, em 1978, marcou o golo número mil da história dos mundiais de futebol num jogo com a Escócia. Nesse mesmo mundial, no jogo da final com a Argentina, Rensenbrink atirou uma bola ao poste a um minuto do fim. O jogo estava empatado a um golo. Aquele remate deve ser a sua mais amarga recordação: houve prolongamento e a Holanda acabou por perder por 3 a 1. Tivesse aquela bola entrado, a Holanda teria sido campeã do mundo e Rensenbrink teria sido o melhor marcador da prova [Kempes marcou um golo no prolongamento e ultrapassou o holandês].
Rensenbrink não era um fora-de-série como o foram Cruyff, Van Basten ou Gullit mas era um magnífico avançado e hoje em dia poucos, exceptuando os holandeses e os adeptos do Anderlecht, saberão quem é Rensenbrink. Jogava o "suficiente" para o terem apelidado de Von Karajan do Anderlecht.

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Voltando ao clubismo. Hoje, o Anderlecht é quase só uma memória de infância. Provavelmente por influência paterna, após a mudança para Portugal o meu coração pendeu para outras cores, mas continuo a acompanhar a carreira do clube belga. E, por causa de Rensenbrink, a selecção holandesa continua a ser a minha segunda selecção de futebol.

A propósito de gestos...

... lembrei-me deste disco dos meus tempos de incondicional headbanger:

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O gesto é tudo

Cristiano Ronaldo, ao ser substituido no estádio da Luz, esticou o dedo médio da mão direita e mostrou-o aos adeptos do Benfica que o assobiavam, o que motivou um coro de protestos vindos, principalmente, dos adeptos do SLB. Neste fait-divers nada me choca ou surpreende. Nem o gesto do prodígio madeirense nem a reacção dos adeptos encarnados. Aliás, no mundo do futebol nada me choca embora haja coisas que ainda me surpreendem [os dribles de Ronaldo, Ronaldinho, ou Quaresma, por exemplo].
Porém, não resisto a umas provocaçãozinhas: quantos dos "ofendidos" com o gesto de Ronaldo não desculparam os mimos que João Vieira Pinto [o tal que passou de "menino de oiro" a "mergulhador" quando foi para Alvalade depois de ser "dispensado" por Vale e Azevedo] dirigia aos árbitros quando era capitão do SLB e jogador da selecção nacional de futebol? Quantos fizeram de conta que não viram o gesto de Nuno Gomes para um jogador do Braga? Quantos dos "ofendidos" nunca chamaram "filho da puta", "cabrão" ou "gatuno" a um árbitro de futebol ou a um jogador adversário?

Entretanto...

... Cavaco Silva propôs um "compromisso para a qualidade" do turismo no Algarve. É impressão minha ou o Cavaco que propõe agora "qualidade" para o turismo no Algarve é o mesmo que governava este país quando foram cometidos os maiores atentados à paisagem algarvia ? [Não é preciso explicar que não há "turismo de qualidade" sem paisagens de qualidade, pois não?] O problema é que desses pormenores já ninguém se lembra. O homem foi promovido à condição de herói nacional, salvador da pátria e novo D. Sebastião e não há nada a fazer. Entretanto, também gostava de saber como se propõe o Professor Cavaco salvar o turismo no Algarve. Irá propor a demolição de todos os atentados que por lá se construiram? É que enquanto aquele "ordenamento do território" se mantiver, não há volta a dar-lhe nem qualidade que resista.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Lá estive a ver...

... mas só aguentei até ao fim da primeira parte. Tinha mais coisas mais interessantes que fazer.

Estamos cá para ver

Mais um longo bocejo, logo à noite. Desta vez na RTP1. As televisões e os candidatos chamam-lhes debates...

Lennon

Faz hoje 25 anos que morreu John Lennon. Nunca fui fã dos Beatles, ou sequer da carreira a solo de Lennon, mas uma coisa reconheço [como qualquer melómano reconhecerá, de resto]: com os Beatles, Lennon revolucionou a música popular e o modo como se passou a ouvir música de então para cá. É realmente espantoso que, quase 40 anos depois do fim dos Beatles, ainda hoje o grupo de Lennon, McCartney, Harrison e Starr continue a ser citado por tantos artistas da área do pop / rock [e não só].

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Para mim, que cresci a ouvir derivados do punk-rock, os hippies, de quem os Beatles foram o maior estandarte musical, eram uns frouxos idealistas que pensavam ser possível mudar o mundo com umas quecas e amor livre. Na minha fase de maior radicalismo - aí pelo final dos anos 80 - costumava dizer que "um Beatle bom, é um Beatle morto". Referia-me a Lennon, obviamente. Lennon, apesar do seu idealismo, sempre me pareceu um punk-rocker antes do tempo.

Ano de colheita: 1980 [nota]

Se passarem por aqui, notem a quantidade de capas onde predomina o preto e branco. Sintomático para uma década que, pelo menos na sua primeira metade, iria ser marcada pelos tons cinzentos do urbano-depressivo...

Ano de colheita: 1980

Back In Black, AC/DC
In The Flat Field, Bauhaus

The Birthday Party, The Birthday Party
Scary Monsters [And Super Creeps], David Bowie
Sandinista!, The Clash
Seventeen Seconds, The Cure
Freedom Of Choice, Devo
Searching For The Young Soul Rebels, Dexy's Midnight Runners
Fresh Fruit For Rotting Vegetables, Dead Kennedys
Lightning to the Nations, Diamond Head
Crazy Rhythms, The Feelies
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Iron Maiden, Iron Maiden
Closer, Joy Division
Double Fantasy, John Lennon & Yoko Ono
Ace of Spades, Motörhead
Pretenders, The Pretenders
Dirty Mind, Prince
Second Edition, Public Image Ltd.
The River, Bruce Springsteen
Remain in Light, Talking Heads
Boy, U2

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quarta-feira, dezembro 07, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 17

Cocteau Twins, Treasure [4AD, 1984]

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Ivo / Lorelei / Beatrix / Persephone / Pandora [For Cindy] / Amelia / Aloysius / Cicely / Otterley / Donimo

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Nunca um disco foi tão bem baptizado. Treasure é, ainda hoje, um verdadeiro tesouro musical. Um tesouro belo e hipnótico. Os Cocteau Twins formaram-se em Grangemouth na Escócia [em 1980] e viriam a tornar-se num dos mais encantadores projectos musicais dos anos 80. Robin Guthrie, Simon Raymonde [que substituiu o elemento original Will Heggie] e Elizabeth Fraser gravaram este disco no período de maior criatividade da banda [que vai de 84 a 86]. Treasure vive essencialmente das guitarras planantes de Guthrie e, especialmente, da voz de Liz Fraser. Aquela espantosa voz! Em Treasure, como em outros trabalhos, as palavras cantadas por Liz são praticamente indecifráveis mas a intensidade do seu canto é tão poderosa que nos prende e enleia do primeiro ao último instante.
Recordo-me perfeitamente da primeira vez que ouvi os Cocteau Twins. Foi, só podia ter sido, no Som da Frente de António Sérgio quando saiu o EP Aikea-Guinea em 1985 e a rendição foi imediata. Só depois descobri Treasure. Depois os Cocteau Twins ainda compuseram mais uma obra prima em formato de álbum [Victorialand] e conseguiram um bom disco com Blue Bell Knoll, mas a partir daí jamais conseguiram recapturar o toque mágico do período compreendido entre 84 e 86.
Etéreo era um dos adjectivos que se costumavam "colar" à música dos Cocteaus Twins. Eu sempre prefiri hipnótica.

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Em 1984, ano da edição de Treasure, Portugal era um país triste, com salários em atraso e falava-se de fome no distrito de Setúbal. Os milhões da então CEE só começariam a jorrar alguns anos depois e a A1 ainda não ligava Lisboa ao Porto. Musicalmente, vivia-se a ressaca do "rock português" e estávamos ainda longe da rota das digressões internacionais. À generalidade das lojas de discos não chegava o que de melhor se fazia lá fora e o que chegava, por via da importação directa, atingia preços incomportáveis para o cidadão médio. Na rádio, venerava-se com naturalidade António Sérgio e o seu Som da Frente [fonte inesgotável de temas para gravações caseiras - sei de quem gravou dezenas e dezenas de programas nas velhinhas cassetes]. Industria musical era coisa que não havia por cá. Os Xutos & Pontapés, por exemplo, eram um grupo de culto restrito e só conseguiam nesse ano editar um single [excelente, aliás: Remar Remar / Longa Se Torna A Espera] na Fundação Atlântica [de Miguel Esteves Cardoso e Pedro Ayres de Magalhães, entre outros].

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sexta-feira, dezembro 02, 2005

Bom fim de semana

Coimbra - Leiria - Alcobaça - Tomar.

Afinal, quantos são?

Tenho andado distraído. Parece que há mais um candidato a Belém. É professor universitário e quer que Guimarães volte a ser capital do reino, perdão da República, enfim, de Portugal. Especificamente, quer que a residência oficial do presidente da República passe a ser no Paço dos Duques de Bragança em Guimarães. Não haverá aqui uma contradiçãozita, caro Ribeiro?...

Poder local

Os génios que mandam na cidade onde moro resolveram há uns meses semear pelas ruas uns obstáculos à circulação a que resolveram dar o nome de "passadeiras elevadas". Tão bem feita ficou a obra que há quatro dias vieram arrancar uma dessas aberrações da rua onde moro. Acontece que há quatro dias que a rua está transformada num beco sem saida porque as obras de remoção e substituição não andam nem desandam. É o poder local em todo o seu esplendor.

Entretanto, soube que cada um dos mamarrachos espalhados pelas ruas cá da terra custou à volta de 5 mil euros [mil contos em contas antigas]. Pergunto-me quanto custará agora corrigir os erros que a imbecilidade local fez construir em tudo quanto é rua e beco da cidade.

The bride wore yellow [*]

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[*] Post absolutamente inútil # 2. Porque me está a apetecer rever Kill Bill, volumes 1 e 2 de seguida.

Uma [*]

Thurman

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[*] Post absolutamente inútil. Só porque ontem revi Pulp Fiction.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

SIDA

Portugal continua a não saber combater a SIDA. Todos os dados disponíveis, indicam que o número de infectados com o VIH continua a crescer a um ritmo alucinante. Seremos apenas descuidados, ou será que não está a ser feito tudo o que pode ser feito?

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Fascismo higiénico [2]

1. Para os mais distraídos, a OMS é uma organização das Nações Unidas com sede em Geneva na Suiça.

2. Segundo dados da própria OMS, em todo o mundo, 47,5% dos homens e 10,3% das mulheres fumam. São muitos milhões de pessoas que jamais terão a possibilidade de ser contratadas pela OMS. Porque fumam.

Fascismo higiénico

A Organização Mundial de Saúde decidiu deixar de contratar trabalhadores que sejam fumadores. A partir de agora, quem se candidatar a um emprego na OMS terá que responder à pergunta "É fumador?". Em caso afirmativo a sua candidatura será imediatamente desclassificada.
Leio
a notícia e pasmo.
Não vou aqui entrar em polémicas sobre os malefícios do tabaco, por de mais conhecidos, nem sobre a batida questão do "fumo em segunda mão".
Fumar ou não fumar é uma opção individual. Todos temos a liberdade de optar por fumar ou não fumar e a
OMS terá a sua liberdade de contratar quem muito bem entende, segundo os critérios que achar convenientes. Agora, deixar de contratar alguém apenas porque é fumador é um acto discriminatório que eu considero intolerável e um sinal preocupante para o futuro. Os fascismos começam sempre com pequenos passos. Quem deixará a OMS de contratar no futuro? Seropositivos?

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Feriado nacional

Em 1143 Afonso Henriques transformou um condado numa nação. Alguns séculos depois, Nun'Álvares Pereira salvou-nos dos castelhanos ali para os lados da Batalha. Mais tarde vieram os Filipes de Espanha e durante oitenta anos este rectângulo perdeu a sua soberania. Em 1640, um grupo de conjurados expulsou os espanhois do rectângulo, matou Miguel de Vasconcelos e tudo voltou à normalidade. Hoje, 862 anos volvidos sobre a data fundadora e 365 sobre a restauração da independência, olho para o lado e pergunto-me se teremos assim tantas razões como isso para comemorar o golpe de 1 de Dezembro de 1640...

quarta-feira, novembro 30, 2005

Uma campanha triste

A pré-campanha para as presidenciais decorre com tristeza confrangedora.
Cavaco procura esconder a todo o custo que é apoiado por dois partidos políticos [PSD e CDS], facto que a própria comunicação social tem, deliberada ou acidentalmente. omitido. O homem que fez de conta que reformou Portugal de 85 a 95, ainda não mostrou uma ideia que fosse [provavelmente porque nada tem para mostrar], tem-se limitado a trivialidades e tenta convencer o povo de que com ele em Belém o país encontrará a salvação. O povo, creio bem, vai ter uma desagradável surpresa.
Mário Soares tenta distanciar-se do PS e, entre vacuidades e ideias batidas, não desiste de atacar Cavaco. Ainda ninguém percebeu porque se candidata Soares. O único motivo que o "pai" da democracia portuguesa continua a repetir até à exaustão é a necessidade de impedir que Cavaco seja eleito. A mim parece-me pouco.
Também não se percebe o que move Manuel Alegre. Despeito talvez. Depois de ter sido convidado - ou pelo menos aliciado - por Sócrates para avançar, sentiu-se justamente traido pelo partido que ajudou a construir e por um amigo de longa data [Soares]. Entretanto, a guerilha entre Alegre e o PS teve mais um desenvolvimento: Alegre faltou à votação final do Orçamento de Estado e o PS ataca-o alegremente. Como bem notou um reporter, parece que Alegre quer usufruir dos direitos de ser deputado sem ter de cumprir os deveres inerentes ao cargo.
Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã continuam a sua guerra particular pelo maior número de votos à esquerda do PS. Jerónimo não quer que o PCP perca para o BdE e Louçã quer superar o PCP. Tudo o que digam sobre as presidenciais é retórica.
Depois há ainda os outros, com Garcia Pereira - conhecido e bem pago advogado que se candidata com o apoio do PCTP/MRPP - à cabeça. Não contam para nada e ponto final.
Contas feitas, resta-me continuar a apoiar a candidatura do banana Vieira. Esse ao menos não se leva a sério e vai alegrando esta triste pré-campanha.

Ano de colheita: 1979

The B-52's, The B-52's
Lodger, David Bowie
London Calling, The Clash
Armed Forces, Elvis Costello & The Attractions
Three Imaginary Boys, The Cure
Dragnet, The Fall
Entertainment, Gang of Four
Unknown Pleasures, Joy Division
Overkill, Motörhead
Bomber, Motörhead
Unbehagen, Nina Hagen Band
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Metal Box, PIL
The Wall, Pink Floyd
Regatta de Blanc, Police
The Specials, The Specials
The Raven, The Stranglers
Fear of Music, Talking Heads
154, Wire
Live Rust, Neil Young & Crazy Horse
Rust Never Sleeps, Neil Young & Crazy Horse
Joe's Garage, Frank Zappa
Sheik Yerbouti, Frank Zappa

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terça-feira, novembro 29, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 16

Pixies, Surfer Rosa [4AD, 1988]

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Bone Machine / Break My Body / Something Against You / Broken Face / Gigantic / River Euphrates / Where Is My Mind? / Cactus / Tony's Theme / Oh My Golly / Vamos / I'm Amazed / Brick Is Red

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Ah, os Pixies!... Ao contrário do que alguns dos meus amigos pensam não sou um GRANDE fã da banda de Charles Thompson a.k.a. Black Francis, Joey Santiago, Kim Deal e David Lovering. Foram - continuam a ser - uma banda admirável, mas nunca nutri pelos Pixies aquele tipo de devoção que nos leva a perdoar algumas infelizes decisões musicais [no seu caso, refiro-me a demasiados temas de Bossanova ou Trompe Le Monde]. Come On Pilgrim, Surfer Rosa e Doolittle são três albuns excepcionais e os seus temas resistem intactos à passagem dos anos. Surfer Rosa é o meu álbum de eleição dos Pixies. Ouvi-o pela primeira vez na íntegra, numa cassete gravado pelo P.S., juntamente com Doolittle [de 1989, se calhar tão bom como Surfer Rosa] no final dos anos 80 e o seu impacto em algumas das minhas convicções musicais foi imenso. Provavelmente, o que me terá atraiado em primeiro lugar para a música do quarteto foi a sua faceta punk, o desregramento vocal de Francis e as guitarras estridentes de Santiago. Logo a seguir deixei-me seduzir pela voz cristalina de Kim Deal e pelas suas inconfundíveis linhas de baixo e, finalmente, pelos ritmos certeiros de Lovering.
O que têm, ainda hoje, os Pixies de tão excepcional? Canções. Muitas canções. Quase todas grandes, enormes, canções. Tome-se Surfer Rosa como exemplo: pelo menos 11 dos 13 temas do disco são clássicos absolutos no espólio da banda - só Something Against You e Brick Is Red destoam - e muito ligeiramente - do altíssimo padrão de qualidade das restantes. Praticamente o mesmo se pode dizer de Doolittle.
Tive a felicidade de ver os Pixies em duas ocasiões. A primeira em 91, num memorável concerto no Coliseu do Porto que acabou com Where Is My Mind? a ser tocado com as luzes da sala já acesas. A segunda em Agosto passado no Festival de Paredes de Coura, onde Francis e companhia deram aos novatos que por lá tocaram uma verdadeira lição de como fazer música.

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[Texto recuperado do post sobre Daydream Nation dos Sonic Youth, 21.07.2005] Este disco saiu num ano [1988] em que eu me arrastava pelas salas de aula da FLUC aprendendo o que rapidamente esqueceria e do qual recordo principalmente os concertos de Pop Dell Arte com Mão Morta e de Peter Murphy no Porto, de Woodentops em Matosinhos, de Jesus and Mary Chain e Nick Cave em Lisboa e de Duruti Column e A Certain Ratio em Coimbra. Foi ainda nesse também que conheci a então ainda fervilhante Ribeira portuense. Nesse ano os Estados Unidos eram abalados pelo escândalo Irão-Contras [que envolvia altas patentes militares como John Poindexter ou o caricato Oliver North] e George Herbert Walker Bush era eleito sucessor de Ronald Reagan; a União Soviética aceitava retirar-se do cemitério afegão após anos de luta contra os rebeldes [parece que Bin Laden andava por lá, a soldo dos... Estados Unidos]; um milhão de mortos depois, o Iraque e o Irão punham fim à guerra que os opunha; na Escócia, terroristas líbios [a soldo de Khadafi, ao que consta, agora amigo da... União Europeia] faziam explodir o voo Pan Am 103 em Lockerbie fazendo 270 mortos e no Brasil era assassinado, por encomenda de proprietários de terras na Amazónia, o activista Chico Mendes. Por cá, vivia-se ainda a euforia dos primeiros anos do cavaquismo e dos fundos estruturais da CEE que, ao que nos diziam, haveriam de fazer de Portugal um país desenvolvido e civilizado. No Verão, a 28 de Agosto, o Chiado ardia.

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Ivo Watts-Russel

O fundador da 4AD.

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A propósito da 4AD, deixo aqui este link para um excelente site sobre aquela editora britânica. Uma verdadeira enciclopédia.

As primeiras edições

Da Axis, que se viria a transformar na 4AD.

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[The Fast Set: Junction One, Bearz: She's My Girl; Shox: No Turning Back; Bauhaus: Dark Entries]

Um quarto de século

Alguma da melhor música dos últimos 25 anos saiu na casa de Ivo Watts-Russell, a 4AD. Um quarto de século é, no mundo da música, muito tempo. E se considerarmos os sempre elevados padrões de qualidade da 4AD, mais significativo se torna este aniversário. Algumas imagens de 25 anos de discos.

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segunda-feira, novembro 28, 2005

Lembram-se?

No dia 4 de Março de 2001 caiu a ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios [Castelo de Paiva]. Dezenas de pessoas morreram naquele domingo à noite. Muitos dos corpos nunca chegaram a aparecer. Mais de quatro anos depois, o juíz de Instrução Criminal do Tribunal de Castelo de Paiva decidiu que vai haver julgamento [a menos que algum recurso volte a adiar tudo]. Dirão alguns que se começa a fazer justiça. Pessoalmente, parece-me que justiça tão lenta não é justiça.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Food for thought

Isto devia-nos fazer pensar um bocadinho. No Rocketbottom de Amanda Congdon.

Vai um cigarrinho?

20 boas razões PARA FUMAR. N'A Fonte.

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Graham Swift

Ando com saudades de ler um livro de Graham Swift. Não é um autor referenciado pelas elites culturais, mas é um autor cujos livros sempre me deram muito prazer. A começar por Waterland.

Bolas ao poste

O futebol português teve esta semana uma prestação ao seu nível habitual. O SLB, segundo Luís Filipe Vieira o melhor clube do mundo, empatou - quando precisava de ganhar - com uma mediana equipa francesa e ainda por cima a jogar praticamente em casa. O FCP, ex-campeão europeu e mundial, empatou - quando precisava de ganhar - com uma equipa de um campeonato onde só existem dois clubes [Escócia]. O VFC empatou - quando precisava, humm, de ganhar - com uma mediana equipa do campeonato inglês. Ainda acham que o futebol português é competitivo? Spare me!... Lamentável. Triste e lamentável.

terça-feira, novembro 22, 2005

Há dúvidas?

O PS, diz quem conhece bem essa "família", sempre foi pródigo em intrigas e traições. Aliás, nisso o PS será como os outros partidos políticos. Com maior ou menor frequência, com mais ou menos pormenores, lá vamos tendo conhecimento de quem intrigou contra quem, quem traiu quem. Por vezes essas histórias são apenas rídiculas; outras vezes são ilustrativas do tipo de políticos que temos. No caso da mais recente "zanga de comadres" socialistas, trata-se de uma dessas histórias que contribuem para que se perceber melhor que políticos temos. É uma história exemplar. Manuel Alegre diz que foi convidado pessoalmente por José Sócrates para avançar com uma candidatura à presidência da República; Sócrates desmente Alegre; Alegre desmente o desmentido de Sócrates. Um dos dois mente. Eu não tenho dúvidas sobre qual dos dois mente...