quinta-feira, dezembro 08, 2005

Lennon

Faz hoje 25 anos que morreu John Lennon. Nunca fui fã dos Beatles, ou sequer da carreira a solo de Lennon, mas uma coisa reconheço [como qualquer melómano reconhecerá, de resto]: com os Beatles, Lennon revolucionou a música popular e o modo como se passou a ouvir música de então para cá. É realmente espantoso que, quase 40 anos depois do fim dos Beatles, ainda hoje o grupo de Lennon, McCartney, Harrison e Starr continue a ser citado por tantos artistas da área do pop / rock [e não só].

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Para mim, que cresci a ouvir derivados do punk-rock, os hippies, de quem os Beatles foram o maior estandarte musical, eram uns frouxos idealistas que pensavam ser possível mudar o mundo com umas quecas e amor livre. Na minha fase de maior radicalismo - aí pelo final dos anos 80 - costumava dizer que "um Beatle bom, é um Beatle morto". Referia-me a Lennon, obviamente. Lennon, apesar do seu idealismo, sempre me pareceu um punk-rocker antes do tempo.

Ano de colheita: 1980 [nota]

Se passarem por aqui, notem a quantidade de capas onde predomina o preto e branco. Sintomático para uma década que, pelo menos na sua primeira metade, iria ser marcada pelos tons cinzentos do urbano-depressivo...

Ano de colheita: 1980

Back In Black, AC/DC
In The Flat Field, Bauhaus

The Birthday Party, The Birthday Party
Scary Monsters [And Super Creeps], David Bowie
Sandinista!, The Clash
Seventeen Seconds, The Cure
Freedom Of Choice, Devo
Searching For The Young Soul Rebels, Dexy's Midnight Runners
Fresh Fruit For Rotting Vegetables, Dead Kennedys
Lightning to the Nations, Diamond Head
Crazy Rhythms, The Feelies
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Iron Maiden, Iron Maiden
Closer, Joy Division
Double Fantasy, John Lennon & Yoko Ono
Ace of Spades, Motörhead
Pretenders, The Pretenders
Dirty Mind, Prince
Second Edition, Public Image Ltd.
The River, Bruce Springsteen
Remain in Light, Talking Heads
Boy, U2

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quarta-feira, dezembro 07, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 17

Cocteau Twins, Treasure [4AD, 1984]

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Ivo / Lorelei / Beatrix / Persephone / Pandora [For Cindy] / Amelia / Aloysius / Cicely / Otterley / Donimo

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Nunca um disco foi tão bem baptizado. Treasure é, ainda hoje, um verdadeiro tesouro musical. Um tesouro belo e hipnótico. Os Cocteau Twins formaram-se em Grangemouth na Escócia [em 1980] e viriam a tornar-se num dos mais encantadores projectos musicais dos anos 80. Robin Guthrie, Simon Raymonde [que substituiu o elemento original Will Heggie] e Elizabeth Fraser gravaram este disco no período de maior criatividade da banda [que vai de 84 a 86]. Treasure vive essencialmente das guitarras planantes de Guthrie e, especialmente, da voz de Liz Fraser. Aquela espantosa voz! Em Treasure, como em outros trabalhos, as palavras cantadas por Liz são praticamente indecifráveis mas a intensidade do seu canto é tão poderosa que nos prende e enleia do primeiro ao último instante.
Recordo-me perfeitamente da primeira vez que ouvi os Cocteau Twins. Foi, só podia ter sido, no Som da Frente de António Sérgio quando saiu o EP Aikea-Guinea em 1985 e a rendição foi imediata. Só depois descobri Treasure. Depois os Cocteau Twins ainda compuseram mais uma obra prima em formato de álbum [Victorialand] e conseguiram um bom disco com Blue Bell Knoll, mas a partir daí jamais conseguiram recapturar o toque mágico do período compreendido entre 84 e 86.
Etéreo era um dos adjectivos que se costumavam "colar" à música dos Cocteaus Twins. Eu sempre prefiri hipnótica.

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Em 1984, ano da edição de Treasure, Portugal era um país triste, com salários em atraso e falava-se de fome no distrito de Setúbal. Os milhões da então CEE só começariam a jorrar alguns anos depois e a A1 ainda não ligava Lisboa ao Porto. Musicalmente, vivia-se a ressaca do "rock português" e estávamos ainda longe da rota das digressões internacionais. À generalidade das lojas de discos não chegava o que de melhor se fazia lá fora e o que chegava, por via da importação directa, atingia preços incomportáveis para o cidadão médio. Na rádio, venerava-se com naturalidade António Sérgio e o seu Som da Frente [fonte inesgotável de temas para gravações caseiras - sei de quem gravou dezenas e dezenas de programas nas velhinhas cassetes]. Industria musical era coisa que não havia por cá. Os Xutos & Pontapés, por exemplo, eram um grupo de culto restrito e só conseguiam nesse ano editar um single [excelente, aliás: Remar Remar / Longa Se Torna A Espera] na Fundação Atlântica [de Miguel Esteves Cardoso e Pedro Ayres de Magalhães, entre outros].

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sexta-feira, dezembro 02, 2005

Bom fim de semana

Coimbra - Leiria - Alcobaça - Tomar.

Afinal, quantos são?

Tenho andado distraído. Parece que há mais um candidato a Belém. É professor universitário e quer que Guimarães volte a ser capital do reino, perdão da República, enfim, de Portugal. Especificamente, quer que a residência oficial do presidente da República passe a ser no Paço dos Duques de Bragança em Guimarães. Não haverá aqui uma contradiçãozita, caro Ribeiro?...

Poder local

Os génios que mandam na cidade onde moro resolveram há uns meses semear pelas ruas uns obstáculos à circulação a que resolveram dar o nome de "passadeiras elevadas". Tão bem feita ficou a obra que há quatro dias vieram arrancar uma dessas aberrações da rua onde moro. Acontece que há quatro dias que a rua está transformada num beco sem saida porque as obras de remoção e substituição não andam nem desandam. É o poder local em todo o seu esplendor.

Entretanto, soube que cada um dos mamarrachos espalhados pelas ruas cá da terra custou à volta de 5 mil euros [mil contos em contas antigas]. Pergunto-me quanto custará agora corrigir os erros que a imbecilidade local fez construir em tudo quanto é rua e beco da cidade.

The bride wore yellow [*]

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[*] Post absolutamente inútil # 2. Porque me está a apetecer rever Kill Bill, volumes 1 e 2 de seguida.

Uma [*]

Thurman

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[*] Post absolutamente inútil. Só porque ontem revi Pulp Fiction.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

SIDA

Portugal continua a não saber combater a SIDA. Todos os dados disponíveis, indicam que o número de infectados com o VIH continua a crescer a um ritmo alucinante. Seremos apenas descuidados, ou será que não está a ser feito tudo o que pode ser feito?

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Fascismo higiénico [2]

1. Para os mais distraídos, a OMS é uma organização das Nações Unidas com sede em Geneva na Suiça.

2. Segundo dados da própria OMS, em todo o mundo, 47,5% dos homens e 10,3% das mulheres fumam. São muitos milhões de pessoas que jamais terão a possibilidade de ser contratadas pela OMS. Porque fumam.

Fascismo higiénico

A Organização Mundial de Saúde decidiu deixar de contratar trabalhadores que sejam fumadores. A partir de agora, quem se candidatar a um emprego na OMS terá que responder à pergunta "É fumador?". Em caso afirmativo a sua candidatura será imediatamente desclassificada.
Leio
a notícia e pasmo.
Não vou aqui entrar em polémicas sobre os malefícios do tabaco, por de mais conhecidos, nem sobre a batida questão do "fumo em segunda mão".
Fumar ou não fumar é uma opção individual. Todos temos a liberdade de optar por fumar ou não fumar e a
OMS terá a sua liberdade de contratar quem muito bem entende, segundo os critérios que achar convenientes. Agora, deixar de contratar alguém apenas porque é fumador é um acto discriminatório que eu considero intolerável e um sinal preocupante para o futuro. Os fascismos começam sempre com pequenos passos. Quem deixará a OMS de contratar no futuro? Seropositivos?

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Feriado nacional

Em 1143 Afonso Henriques transformou um condado numa nação. Alguns séculos depois, Nun'Álvares Pereira salvou-nos dos castelhanos ali para os lados da Batalha. Mais tarde vieram os Filipes de Espanha e durante oitenta anos este rectângulo perdeu a sua soberania. Em 1640, um grupo de conjurados expulsou os espanhois do rectângulo, matou Miguel de Vasconcelos e tudo voltou à normalidade. Hoje, 862 anos volvidos sobre a data fundadora e 365 sobre a restauração da independência, olho para o lado e pergunto-me se teremos assim tantas razões como isso para comemorar o golpe de 1 de Dezembro de 1640...

quarta-feira, novembro 30, 2005

Uma campanha triste

A pré-campanha para as presidenciais decorre com tristeza confrangedora.
Cavaco procura esconder a todo o custo que é apoiado por dois partidos políticos [PSD e CDS], facto que a própria comunicação social tem, deliberada ou acidentalmente. omitido. O homem que fez de conta que reformou Portugal de 85 a 95, ainda não mostrou uma ideia que fosse [provavelmente porque nada tem para mostrar], tem-se limitado a trivialidades e tenta convencer o povo de que com ele em Belém o país encontrará a salvação. O povo, creio bem, vai ter uma desagradável surpresa.
Mário Soares tenta distanciar-se do PS e, entre vacuidades e ideias batidas, não desiste de atacar Cavaco. Ainda ninguém percebeu porque se candidata Soares. O único motivo que o "pai" da democracia portuguesa continua a repetir até à exaustão é a necessidade de impedir que Cavaco seja eleito. A mim parece-me pouco.
Também não se percebe o que move Manuel Alegre. Despeito talvez. Depois de ter sido convidado - ou pelo menos aliciado - por Sócrates para avançar, sentiu-se justamente traido pelo partido que ajudou a construir e por um amigo de longa data [Soares]. Entretanto, a guerilha entre Alegre e o PS teve mais um desenvolvimento: Alegre faltou à votação final do Orçamento de Estado e o PS ataca-o alegremente. Como bem notou um reporter, parece que Alegre quer usufruir dos direitos de ser deputado sem ter de cumprir os deveres inerentes ao cargo.
Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã continuam a sua guerra particular pelo maior número de votos à esquerda do PS. Jerónimo não quer que o PCP perca para o BdE e Louçã quer superar o PCP. Tudo o que digam sobre as presidenciais é retórica.
Depois há ainda os outros, com Garcia Pereira - conhecido e bem pago advogado que se candidata com o apoio do PCTP/MRPP - à cabeça. Não contam para nada e ponto final.
Contas feitas, resta-me continuar a apoiar a candidatura do banana Vieira. Esse ao menos não se leva a sério e vai alegrando esta triste pré-campanha.

Ano de colheita: 1979

The B-52's, The B-52's
Lodger, David Bowie
London Calling, The Clash
Armed Forces, Elvis Costello & The Attractions
Three Imaginary Boys, The Cure
Dragnet, The Fall
Entertainment, Gang of Four
Unknown Pleasures, Joy Division
Overkill, Motörhead
Bomber, Motörhead
Unbehagen, Nina Hagen Band
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Metal Box, PIL
The Wall, Pink Floyd
Regatta de Blanc, Police
The Specials, The Specials
The Raven, The Stranglers
Fear of Music, Talking Heads
154, Wire
Live Rust, Neil Young & Crazy Horse
Rust Never Sleeps, Neil Young & Crazy Horse
Joe's Garage, Frank Zappa
Sheik Yerbouti, Frank Zappa

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terça-feira, novembro 29, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 16

Pixies, Surfer Rosa [4AD, 1988]

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Bone Machine / Break My Body / Something Against You / Broken Face / Gigantic / River Euphrates / Where Is My Mind? / Cactus / Tony's Theme / Oh My Golly / Vamos / I'm Amazed / Brick Is Red

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Ah, os Pixies!... Ao contrário do que alguns dos meus amigos pensam não sou um GRANDE fã da banda de Charles Thompson a.k.a. Black Francis, Joey Santiago, Kim Deal e David Lovering. Foram - continuam a ser - uma banda admirável, mas nunca nutri pelos Pixies aquele tipo de devoção que nos leva a perdoar algumas infelizes decisões musicais [no seu caso, refiro-me a demasiados temas de Bossanova ou Trompe Le Monde]. Come On Pilgrim, Surfer Rosa e Doolittle são três albuns excepcionais e os seus temas resistem intactos à passagem dos anos. Surfer Rosa é o meu álbum de eleição dos Pixies. Ouvi-o pela primeira vez na íntegra, numa cassete gravado pelo P.S., juntamente com Doolittle [de 1989, se calhar tão bom como Surfer Rosa] no final dos anos 80 e o seu impacto em algumas das minhas convicções musicais foi imenso. Provavelmente, o que me terá atraiado em primeiro lugar para a música do quarteto foi a sua faceta punk, o desregramento vocal de Francis e as guitarras estridentes de Santiago. Logo a seguir deixei-me seduzir pela voz cristalina de Kim Deal e pelas suas inconfundíveis linhas de baixo e, finalmente, pelos ritmos certeiros de Lovering.
O que têm, ainda hoje, os Pixies de tão excepcional? Canções. Muitas canções. Quase todas grandes, enormes, canções. Tome-se Surfer Rosa como exemplo: pelo menos 11 dos 13 temas do disco são clássicos absolutos no espólio da banda - só Something Against You e Brick Is Red destoam - e muito ligeiramente - do altíssimo padrão de qualidade das restantes. Praticamente o mesmo se pode dizer de Doolittle.
Tive a felicidade de ver os Pixies em duas ocasiões. A primeira em 91, num memorável concerto no Coliseu do Porto que acabou com Where Is My Mind? a ser tocado com as luzes da sala já acesas. A segunda em Agosto passado no Festival de Paredes de Coura, onde Francis e companhia deram aos novatos que por lá tocaram uma verdadeira lição de como fazer música.

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[Texto recuperado do post sobre Daydream Nation dos Sonic Youth, 21.07.2005] Este disco saiu num ano [1988] em que eu me arrastava pelas salas de aula da FLUC aprendendo o que rapidamente esqueceria e do qual recordo principalmente os concertos de Pop Dell Arte com Mão Morta e de Peter Murphy no Porto, de Woodentops em Matosinhos, de Jesus and Mary Chain e Nick Cave em Lisboa e de Duruti Column e A Certain Ratio em Coimbra. Foi ainda nesse também que conheci a então ainda fervilhante Ribeira portuense. Nesse ano os Estados Unidos eram abalados pelo escândalo Irão-Contras [que envolvia altas patentes militares como John Poindexter ou o caricato Oliver North] e George Herbert Walker Bush era eleito sucessor de Ronald Reagan; a União Soviética aceitava retirar-se do cemitério afegão após anos de luta contra os rebeldes [parece que Bin Laden andava por lá, a soldo dos... Estados Unidos]; um milhão de mortos depois, o Iraque e o Irão punham fim à guerra que os opunha; na Escócia, terroristas líbios [a soldo de Khadafi, ao que consta, agora amigo da... União Europeia] faziam explodir o voo Pan Am 103 em Lockerbie fazendo 270 mortos e no Brasil era assassinado, por encomenda de proprietários de terras na Amazónia, o activista Chico Mendes. Por cá, vivia-se ainda a euforia dos primeiros anos do cavaquismo e dos fundos estruturais da CEE que, ao que nos diziam, haveriam de fazer de Portugal um país desenvolvido e civilizado. No Verão, a 28 de Agosto, o Chiado ardia.

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Ivo Watts-Russel

O fundador da 4AD.

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A propósito da 4AD, deixo aqui este link para um excelente site sobre aquela editora britânica. Uma verdadeira enciclopédia.

As primeiras edições

Da Axis, que se viria a transformar na 4AD.

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[The Fast Set: Junction One, Bearz: She's My Girl; Shox: No Turning Back; Bauhaus: Dark Entries]

Um quarto de século

Alguma da melhor música dos últimos 25 anos saiu na casa de Ivo Watts-Russell, a 4AD. Um quarto de século é, no mundo da música, muito tempo. E se considerarmos os sempre elevados padrões de qualidade da 4AD, mais significativo se torna este aniversário. Algumas imagens de 25 anos de discos.

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segunda-feira, novembro 28, 2005

Lembram-se?

No dia 4 de Março de 2001 caiu a ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios [Castelo de Paiva]. Dezenas de pessoas morreram naquele domingo à noite. Muitos dos corpos nunca chegaram a aparecer. Mais de quatro anos depois, o juíz de Instrução Criminal do Tribunal de Castelo de Paiva decidiu que vai haver julgamento [a menos que algum recurso volte a adiar tudo]. Dirão alguns que se começa a fazer justiça. Pessoalmente, parece-me que justiça tão lenta não é justiça.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Food for thought

Isto devia-nos fazer pensar um bocadinho. No Rocketbottom de Amanda Congdon.

Vai um cigarrinho?

20 boas razões PARA FUMAR. N'A Fonte.

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Graham Swift

Ando com saudades de ler um livro de Graham Swift. Não é um autor referenciado pelas elites culturais, mas é um autor cujos livros sempre me deram muito prazer. A começar por Waterland.

Bolas ao poste

O futebol português teve esta semana uma prestação ao seu nível habitual. O SLB, segundo Luís Filipe Vieira o melhor clube do mundo, empatou - quando precisava de ganhar - com uma mediana equipa francesa e ainda por cima a jogar praticamente em casa. O FCP, ex-campeão europeu e mundial, empatou - quando precisava de ganhar - com uma equipa de um campeonato onde só existem dois clubes [Escócia]. O VFC empatou - quando precisava, humm, de ganhar - com uma mediana equipa do campeonato inglês. Ainda acham que o futebol português é competitivo? Spare me!... Lamentável. Triste e lamentável.

terça-feira, novembro 22, 2005

Há dúvidas?

O PS, diz quem conhece bem essa "família", sempre foi pródigo em intrigas e traições. Aliás, nisso o PS será como os outros partidos políticos. Com maior ou menor frequência, com mais ou menos pormenores, lá vamos tendo conhecimento de quem intrigou contra quem, quem traiu quem. Por vezes essas histórias são apenas rídiculas; outras vezes são ilustrativas do tipo de políticos que temos. No caso da mais recente "zanga de comadres" socialistas, trata-se de uma dessas histórias que contribuem para que se perceber melhor que políticos temos. É uma história exemplar. Manuel Alegre diz que foi convidado pessoalmente por José Sócrates para avançar com uma candidatura à presidência da República; Sócrates desmente Alegre; Alegre desmente o desmentido de Sócrates. Um dos dois mente. Eu não tenho dúvidas sobre qual dos dois mente...

segunda-feira, novembro 21, 2005

Ainda a praxe

«Desde há séculos que existe e impera uma "tirania" na Academia Coimbrã: chama?se PRAXE ACADÉMICA. [...] Praxe que existe actualmente em Coimbra não vai além do corte do cabelo, da mobilização do caloiro e de umas ?festas'' às unhas dos infractores [...]»
Com aspas ou sem aspas, tirania é sempre tirania e as "festas" às unhas dos infractores costumam doer. Tudo o que está à volta deste excerto é retórica. Ou, mais simplesmente bullshit. Tretas.

Praxe

Não gosto de praxes. Nunca gostei. Nunca fui praxado. Nunca praxei. Sempre achei a praxe uma imbecilidade, por vezes violenta e sempre humilhante, e nunca entendi porque tantos caloiros [detesto esta designação quase tanto como a própria praxe] se sujeitam alegremente a esses rituais de humilhação públca. Fico contente por saber que alguns dos meninos que violentaram uma caloira da Escola Agrária de Santarém vão ser julgados em tribunal.
Poupem-me aos batidos argumentos a favor da praxe. A praxe não integra os caloiros no mundo universitário - a praxe humilha. A praxe não estabelece laços de camaradagem entre os universitários - a praxe violenta.
O caso de Santarém, ao que sei o primeiro que será julgado em tribunal, não é um caso isolado. Poderá ter sido um caso extremo, mas não é caso único em instituições do ensino superior português. Só não vê quem não quer.

Até pode ser o melhor podcast do mundo...

... mas para mim, isto é chinês. Isto já não é bem chinês. mas na maior das vezes anda lá perto.

Os melhores blogs do mundo

Segundo a Deutsche Welle, este é o melhor blog do mundo. Este é um dos melhores e é em Português.

Oh, Zé Maria, pá!

Disseram-me - ou li algures, já não me lembro - que este senhor também quer candidatar-se à presidência. Estás a gozar com o pagode, não estás?

Oh Sampaio, pá!

Estás a gozar com o avôzinho, não estás?

domingo, novembro 20, 2005

Do Braga desde pequenino

Na época passada, o Sporting de Braga andou na luta pelo título de campeão nacional. Este ano é, há várias jornadas, líder isolado do campeonato. Ontem bateu o campeão nacional em título por 3 a 2. Mais importante que esse facto, ontem o Sporting de Braga jogou em casa com o Benfica, algo que eu nunca me recordo de ter visto. Em Braga, como em muitas outras cidades, o Benfica - e, menos, o Sporting e o Porto - joga sempre em casa. Ontem poderá ter-se começado a inverter essa situação e pode ser que, a prazo, passe a haver adeptos "desde pequeninos" de outros clubes que não os três cada vez menos grandes.

Fútbol

Já uma vez aqui tinha que não tenho a mínima simpatia pelo Real Madrid. E menos ainda tenho quando Real e Barcelona se defrontam. Ontem - em Madrid - os "galácticos" foram literalmente atropelados pela máquina de jogar futebol liderada por Ronaldinho.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Mais choques

"O Governo vai criar mais gabinetes de trabalho para professores e investir em mais equipamentos tecnológicos nas escolas [...]" pode ler-se no Diário Digital. Gosto particularmente da promessa de mais investimento em "equipamentos tecnológicos".
Que me perdoem os profetas e os apóstolos das novas tecnologias, mas o problema mais grave da educação em Portugal não é a falta de "equipamentos tecnológicos". Há escolas onde não há aquecimento - conheço umas quantas. Há escolas onde chove nas salas de aula - sei de algumas. E há escolas com tectos a cair, cadeiras e mesas degradadas por décadas de utilização, ginásios decrépitos e espaços de convívio exíguos. Há escolas com bibliotecas desactualizadas e onde faltam obras essenciais. Depois ainda há escolas cheias de alunos e alunas cujas famílias não valorizam a educação e que, portanto, não têm a mínima vontade de aprender seja o que for. Há também um corpo docente desmotivado, que se sente perseguido, mal pago e pouco ou nada respeitado.
A senhora ministra até pode achar que despejando meia dúzia de computadores nas escolas resolve alguma, mas eu sei que isso não resolve nada. Rigorosamente nada. E quem acha que resolve só ajuda a que o insucesso escolar português se eternize. Para que servem "equipamentos tecnológicos" em escolas onde os alunos não sabem ler, escrever e fazer contas e onde demasiados professores não os sabem - e alguns não querem saber - utilizar adequadamente?

Choques

José Tavares demitiu-se do cargo de coordenador do plano tecnológico que iria implementar o salvífico choque tecnológico prometido por Sócrates durante a campanha eleitoral que o haveria de levar ao cargo de primeiro ministro. José Tavares fartou-se das indefinições do governo na aplicação do plano. O novo coordenador chama-se Lebre de Freitas e veremos quanto tempo aguenta as socráticas "indefinições".
Por algum estranho motivo, parece-me que este choque tecnológico vai ter o mesmo triste fim de todos os outros choques, planos, reformas, regenarações e revoluções anunciados à nação nos últimos séculos. Mas claro que eu sou um eterno pessimista...

quarta-feira, novembro 16, 2005

As candidatas

Manuela Magno e Carmelinda Pereira. Apesar do meu apoio a Vieira, confesso que gostaria de ver uma mulher a ocupar o Palácio de Belém. Mas não era nenhuma destas que tinha em mente...

Leitura obrigatória

Por favor, leião a declarassão de cãdidatura do çenhor Nélson. Vão comcerteza gustar das propostas do çenhor.

Olha mais dois...

... candidatos presidenciais. São eles os senhores Luís e Nélson. Sejam bem vindos, mas o meu preferido continua a ser o Vieira. Além disso, acho que quer o senhor Luís quer o senhor Nélson não levam a coisa muito a sério. Ao contrário de Garcia. E de Vieira, naturalmente.

terça-feira, novembro 15, 2005

Fuck them and their law

É uma colectânea dos The Prodigy, uma das bandas que no início dos anos 90 fundiu a música de dança com o espírito rebelde do rock'n'roll, facção punk: Their Law - The Singles 1990 - 2005.

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Pressão alta

Coação, na realidade. Não me parece que esta vergonhosa situação se resolva com umas multas.

Abanões

Amigo Francisco: em vez de abanar a malta, o melhor não seria distribuir pela população uns "cigarrinhos para fazer rir"? Já que o país anda [é? está?] triste...

Infantilidades

Este é provavelmente o mais imbecil blog da história da blogoesfera em Portugal.

Discriminações

Garcia quê?

Ele está de volta

Manuel João Vieira. Finalmente um candidato a sério, quer dizer, a brincar. Ou não. Seja como for, agora sim as presidenciais ganham interesse.

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segunda-feira, novembro 14, 2005

O mundo ao contrário

[ou o fim do mundo como o conhecemos]
[ou o que é que eu perdi nos últimos tempos?]


Ribeiro e Castro, ao que sei líder do CDS, elogiou uma proposta da CGTP. Há aqui algo que não bate certo. O líder do CDS elogia a CGTP?

sábado, novembro 12, 2005

Subsolo

O metropolitano é um meio de transporte fascinante. Pelo menos para mim. Sempre que entro numa estação de metro, seja onde for, e se tiver comigo uma máquina fotográfica não resisto a guardar umas imagens. Annie Mole sofre da mesma doença. Confiram aqui as suas viagens no underground londrino.

Um post na aparência sobre futebol

Vasco Pulido Valente escreve no Público de hoje sobre futebol, facto por si só extraordinário. Mais concretamente sobre a crise do futebol português. E sugere uma solução: fundir a Federação Portuguesa de Futebol com a Espanhola. Por mim aplaudo a ideia. Aliás, por mim fundia pura e simplesmente Portugal com Espanha. Parece-me que essa é, cada vez mais, a única solução viável para este país. Como VPV, duvido é que Espanha esteja interessada nesse negócio.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Politicamente incorrecto, talvez

Alan Moore sobre a guerra contra o terrorismo [via LinkMachineGo]: "You have to remember that over here there were teenagers being taken out of cellar bars in separate carrier bags all through the '70s and '80s because of the war in Northern Ireland. In that case, the IRA were largely being supported by donations from America. That was why I was a bit worried when George Bush said he was going to attack people who supported terrorism, I thought, oh my god, Chicago is going to be declared a rogue state and they'll hunt down Teddy Kennedy."
Entrevista na Publisher Weekly, aqui.

Nostalgia

Conspirações

A derradeira obra de mestre Will Eisner:
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Silêncio

Não entendo esta ânsia de ouvir o que a Esfinge tem para dizer. Estão à espera de quê? Surpresas? Novidades? Ideias?

quinta-feira, novembro 10, 2005

Silêncio, tabus e ruido

Cavaco Silva, dizem alguns, tem uma estratégia de campanha cuja base de sustentação é o silêncio. Dizem esses criticos e adversários da Esfinge que o homem prolonga assim a estratégia do tabu. Eu acho muito bem que quem não tem ideias para o país se remeta ao silêncio. O exemplo do candidato que não é político profissional deveria ser seguido pelos restantes candidatos, que insistem na estratégia do ruido. Teriamos seguramente uma pré-campanha muito mais higiénica.