sexta-feira, dezembro 09, 2005

Clubismos

Aqui há umas semanas fiz aqui um post ironicamente intitulado "Do Braga desde pequenino". Não sou do Braga desde pequenino e, aliás, não sou de nenhum clube português desde pequenino. Quando era pequenino, e morava na Bélgica, o meu clube de eleição era o Royal Sporting Club Anderlecht. Nessa altura brilhavam por lá nomes que nunca mais esqueci: Van der Elst, Vercauteren e o holandês Rensenbrink.

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Pieter Robert Rensenbrink era o meu ídolo. Na sua selecção - a famosa laranja mecânica holandesa dos anos 70 - jogou ao lado do magnífico Johan Cruyff e esteve em dois campeonatos do mundo [Alemanha 74 e Argentina 78], jogando todos os jogos a titular e, em 1978, marcou o golo número mil da história dos mundiais de futebol num jogo com a Escócia. Nesse mesmo mundial, no jogo da final com a Argentina, Rensenbrink atirou uma bola ao poste a um minuto do fim. O jogo estava empatado a um golo. Aquele remate deve ser a sua mais amarga recordação: houve prolongamento e a Holanda acabou por perder por 3 a 1. Tivesse aquela bola entrado, a Holanda teria sido campeã do mundo e Rensenbrink teria sido o melhor marcador da prova [Kempes marcou um golo no prolongamento e ultrapassou o holandês].
Rensenbrink não era um fora-de-série como o foram Cruyff, Van Basten ou Gullit mas era um magnífico avançado e hoje em dia poucos, exceptuando os holandeses e os adeptos do Anderlecht, saberão quem é Rensenbrink. Jogava o "suficiente" para o terem apelidado de Von Karajan do Anderlecht.

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Voltando ao clubismo. Hoje, o Anderlecht é quase só uma memória de infância. Provavelmente por influência paterna, após a mudança para Portugal o meu coração pendeu para outras cores, mas continuo a acompanhar a carreira do clube belga. E, por causa de Rensenbrink, a selecção holandesa continua a ser a minha segunda selecção de futebol.

A propósito de gestos...

... lembrei-me deste disco dos meus tempos de incondicional headbanger:

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O gesto é tudo

Cristiano Ronaldo, ao ser substituido no estádio da Luz, esticou o dedo médio da mão direita e mostrou-o aos adeptos do Benfica que o assobiavam, o que motivou um coro de protestos vindos, principalmente, dos adeptos do SLB. Neste fait-divers nada me choca ou surpreende. Nem o gesto do prodígio madeirense nem a reacção dos adeptos encarnados. Aliás, no mundo do futebol nada me choca embora haja coisas que ainda me surpreendem [os dribles de Ronaldo, Ronaldinho, ou Quaresma, por exemplo].
Porém, não resisto a umas provocaçãozinhas: quantos dos "ofendidos" com o gesto de Ronaldo não desculparam os mimos que João Vieira Pinto [o tal que passou de "menino de oiro" a "mergulhador" quando foi para Alvalade depois de ser "dispensado" por Vale e Azevedo] dirigia aos árbitros quando era capitão do SLB e jogador da selecção nacional de futebol? Quantos fizeram de conta que não viram o gesto de Nuno Gomes para um jogador do Braga? Quantos dos "ofendidos" nunca chamaram "filho da puta", "cabrão" ou "gatuno" a um árbitro de futebol ou a um jogador adversário?

Entretanto...

... Cavaco Silva propôs um "compromisso para a qualidade" do turismo no Algarve. É impressão minha ou o Cavaco que propõe agora "qualidade" para o turismo no Algarve é o mesmo que governava este país quando foram cometidos os maiores atentados à paisagem algarvia ? [Não é preciso explicar que não há "turismo de qualidade" sem paisagens de qualidade, pois não?] O problema é que desses pormenores já ninguém se lembra. O homem foi promovido à condição de herói nacional, salvador da pátria e novo D. Sebastião e não há nada a fazer. Entretanto, também gostava de saber como se propõe o Professor Cavaco salvar o turismo no Algarve. Irá propor a demolição de todos os atentados que por lá se construiram? É que enquanto aquele "ordenamento do território" se mantiver, não há volta a dar-lhe nem qualidade que resista.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Lá estive a ver...

... mas só aguentei até ao fim da primeira parte. Tinha mais coisas mais interessantes que fazer.

Estamos cá para ver

Mais um longo bocejo, logo à noite. Desta vez na RTP1. As televisões e os candidatos chamam-lhes debates...

Lennon

Faz hoje 25 anos que morreu John Lennon. Nunca fui fã dos Beatles, ou sequer da carreira a solo de Lennon, mas uma coisa reconheço [como qualquer melómano reconhecerá, de resto]: com os Beatles, Lennon revolucionou a música popular e o modo como se passou a ouvir música de então para cá. É realmente espantoso que, quase 40 anos depois do fim dos Beatles, ainda hoje o grupo de Lennon, McCartney, Harrison e Starr continue a ser citado por tantos artistas da área do pop / rock [e não só].

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Para mim, que cresci a ouvir derivados do punk-rock, os hippies, de quem os Beatles foram o maior estandarte musical, eram uns frouxos idealistas que pensavam ser possível mudar o mundo com umas quecas e amor livre. Na minha fase de maior radicalismo - aí pelo final dos anos 80 - costumava dizer que "um Beatle bom, é um Beatle morto". Referia-me a Lennon, obviamente. Lennon, apesar do seu idealismo, sempre me pareceu um punk-rocker antes do tempo.

Ano de colheita: 1980 [nota]

Se passarem por aqui, notem a quantidade de capas onde predomina o preto e branco. Sintomático para uma década que, pelo menos na sua primeira metade, iria ser marcada pelos tons cinzentos do urbano-depressivo...

Ano de colheita: 1980

Back In Black, AC/DC
In The Flat Field, Bauhaus

The Birthday Party, The Birthday Party
Scary Monsters [And Super Creeps], David Bowie
Sandinista!, The Clash
Seventeen Seconds, The Cure
Freedom Of Choice, Devo
Searching For The Young Soul Rebels, Dexy's Midnight Runners
Fresh Fruit For Rotting Vegetables, Dead Kennedys
Lightning to the Nations, Diamond Head
Crazy Rhythms, The Feelies
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Iron Maiden, Iron Maiden
Closer, Joy Division
Double Fantasy, John Lennon & Yoko Ono
Ace of Spades, Motörhead
Pretenders, The Pretenders
Dirty Mind, Prince
Second Edition, Public Image Ltd.
The River, Bruce Springsteen
Remain in Light, Talking Heads
Boy, U2

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quarta-feira, dezembro 07, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 17

Cocteau Twins, Treasure [4AD, 1984]

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Ivo / Lorelei / Beatrix / Persephone / Pandora [For Cindy] / Amelia / Aloysius / Cicely / Otterley / Donimo

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Nunca um disco foi tão bem baptizado. Treasure é, ainda hoje, um verdadeiro tesouro musical. Um tesouro belo e hipnótico. Os Cocteau Twins formaram-se em Grangemouth na Escócia [em 1980] e viriam a tornar-se num dos mais encantadores projectos musicais dos anos 80. Robin Guthrie, Simon Raymonde [que substituiu o elemento original Will Heggie] e Elizabeth Fraser gravaram este disco no período de maior criatividade da banda [que vai de 84 a 86]. Treasure vive essencialmente das guitarras planantes de Guthrie e, especialmente, da voz de Liz Fraser. Aquela espantosa voz! Em Treasure, como em outros trabalhos, as palavras cantadas por Liz são praticamente indecifráveis mas a intensidade do seu canto é tão poderosa que nos prende e enleia do primeiro ao último instante.
Recordo-me perfeitamente da primeira vez que ouvi os Cocteau Twins. Foi, só podia ter sido, no Som da Frente de António Sérgio quando saiu o EP Aikea-Guinea em 1985 e a rendição foi imediata. Só depois descobri Treasure. Depois os Cocteau Twins ainda compuseram mais uma obra prima em formato de álbum [Victorialand] e conseguiram um bom disco com Blue Bell Knoll, mas a partir daí jamais conseguiram recapturar o toque mágico do período compreendido entre 84 e 86.
Etéreo era um dos adjectivos que se costumavam "colar" à música dos Cocteaus Twins. Eu sempre prefiri hipnótica.

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Em 1984, ano da edição de Treasure, Portugal era um país triste, com salários em atraso e falava-se de fome no distrito de Setúbal. Os milhões da então CEE só começariam a jorrar alguns anos depois e a A1 ainda não ligava Lisboa ao Porto. Musicalmente, vivia-se a ressaca do "rock português" e estávamos ainda longe da rota das digressões internacionais. À generalidade das lojas de discos não chegava o que de melhor se fazia lá fora e o que chegava, por via da importação directa, atingia preços incomportáveis para o cidadão médio. Na rádio, venerava-se com naturalidade António Sérgio e o seu Som da Frente [fonte inesgotável de temas para gravações caseiras - sei de quem gravou dezenas e dezenas de programas nas velhinhas cassetes]. Industria musical era coisa que não havia por cá. Os Xutos & Pontapés, por exemplo, eram um grupo de culto restrito e só conseguiam nesse ano editar um single [excelente, aliás: Remar Remar / Longa Se Torna A Espera] na Fundação Atlântica [de Miguel Esteves Cardoso e Pedro Ayres de Magalhães, entre outros].

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sexta-feira, dezembro 02, 2005

Bom fim de semana

Coimbra - Leiria - Alcobaça - Tomar.

Afinal, quantos são?

Tenho andado distraído. Parece que há mais um candidato a Belém. É professor universitário e quer que Guimarães volte a ser capital do reino, perdão da República, enfim, de Portugal. Especificamente, quer que a residência oficial do presidente da República passe a ser no Paço dos Duques de Bragança em Guimarães. Não haverá aqui uma contradiçãozita, caro Ribeiro?...

Poder local

Os génios que mandam na cidade onde moro resolveram há uns meses semear pelas ruas uns obstáculos à circulação a que resolveram dar o nome de "passadeiras elevadas". Tão bem feita ficou a obra que há quatro dias vieram arrancar uma dessas aberrações da rua onde moro. Acontece que há quatro dias que a rua está transformada num beco sem saida porque as obras de remoção e substituição não andam nem desandam. É o poder local em todo o seu esplendor.

Entretanto, soube que cada um dos mamarrachos espalhados pelas ruas cá da terra custou à volta de 5 mil euros [mil contos em contas antigas]. Pergunto-me quanto custará agora corrigir os erros que a imbecilidade local fez construir em tudo quanto é rua e beco da cidade.

The bride wore yellow [*]

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[*] Post absolutamente inútil # 2. Porque me está a apetecer rever Kill Bill, volumes 1 e 2 de seguida.