sexta-feira, agosto 26, 2005

Jornalismo na desportiva

Ontem foi dia de sorteio da Liga dos Campeões e hoje há sorteio da Taça Uefa, mas não é esse o motivo deste post. Ocorre-me, nestas como em outras ocasiões, o vício que os jornalistas portugueses têm de se referir a equipas estrangeiras onde actuam jogadores portugueses como, por exemplo, o Manchester United de Cristiano Ronaldo e Carlos Queirós ou o Inter de Milão de Luís Figo. No Man United, treinado por um senhor chamado Alex Fergusson [que, não por acaso, até é "Sir"], joga gente como Gary Neville, Rio Ferdinand, Paul Scholes, Ruud van Nistelroy ou Ole Gunnar Solskjaer e no Inter, treinado por Roberto Mancini, dão pontapés na bola nomes como Francesco Toldo, Ivan Cordoba, Kily Gonzalez, Santiago Solari, Dejan Stankovic, Juan Sebastian Veron, Cristiano Zanetti ou Alvaro Recoba. Tudo jogadores de futebol de nível superior, internacionais pelas respectivas selecções, com variados troféus conquistados e, no caso do Man United, orientados por um dos maiores treinadores do mundo mas para os sempre atentos jornalistas portugueses essa malta não interessa nada. Eles querem lá saber dessa gente. O Manchester United é do Cristiano Ronaldo e do Carlos Queirós e o Inter é do Figo. E o Barcelona [que já foi do Figo, do Simão Sabrosa e do Ricardo Quaresma] é do Deco, o PSG [que já foi do Hugo Leal] é do Pauleta, o Standard Liege é do Sérgio Conceição, o Estugarda é do Fernando Meira e o Deportivo da Coruña [que já foi do Nuno Espírito Santo] é do Jorge Andrade [e por aqui me fico]. Serão esses jogadores superiores aos outros que andam por esses clubes só porque são portugueses? Sou só eu a achar esta jornalística mania irritante [para além de reveladora da pequenez de espírito que grassa por essas redacções]?
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Ano de colheita: 1974

Diamond Dogs, David Bowie
Burn, Deep Purple
Here Come The Warm Jets, Brian Eno
Autobahn, Kraftwerk

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Rock And Roll Animal, Lou Reed
Country Life, Roxy Music
Phaedra, Tangerine Dream

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Adendas a Paredes de Coura

Os links que ficaram a faltar [mesmo que alguns não os mereçam, chatos do caraças!] no meu Diário de Bordo sobre Paredes de Coura:

Sons & Daughters
The Stranglers
Death From Above 1979
!!! [alguém me ajuda com estes?]
Kaiser Chiefs
The Roots [nem os mencionei porque não os vi e vi-os muito ao longe e de qualquer modo não encontrei site dos senhores]
Foo Fighters
The Futureheads
Hot Hot Heat
The Arcade Fire
Queens of the Stone Age
Pixies
The National [help!]
Woven Hand
Juliete Lewis & The Licks
Vincent Gallo
Nick Cave & The Bad Seeds

Baldas: Killing Joke [cancelados]
E ainda, last but by no means the least, o site do festival

quinta-feira, agosto 25, 2005

Stand-up government [cont.]

«O urbanismo é, na maioria das câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptícia de transferir bens públicos para a mão de privados [...] Nas mais diversas câmaras do País há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais» [...] As estruturas corporativas são hoje muito mais fortes porque têm uma aparente legitimidade democrática. Se os vereadores do Urbanismo são os coveiros da democracia, os partidos são as casas mortuárias [...] Pressões e cunhas de dezenas de pessoas, da forma mais ostensiva, inclusive a nível governamental».

Paulo Morais, stand-up comedian e vice-presidente / vereador do Urbanismo da Câmara do Porto nas horas vagas à revista Visão

Mundo blog: polémicas

Suponho que à falta de melhor assunto, um número indeterminado de blog[ue]s lançaram-se numa discussão sobre o uso do anonimato e em outra sobre o poder da blogoesfera no agendamento mediático. A Coluna entra hoje nessas discussões, que até chegaram aos jornais. Talvez porque muitos jornalistas são simultaneamente autores de blog[ue]s.

1. O autor deste blog [e não blogue, desculpem lá os puristas da língua portuguesa, perdão, Língua Portuguesa] não usa o anonimato.

2. Estou-me cagando [citando o aparentemente esquecido Ferro Rodrigues] para o agendamento mediático.

3. Era só isto. E se calhar cheguei tarde à discussão. Fica para a próxima.

[Some of] the music that rocked my world # 11

Ministry, The Mind Is A Terrible Thing To Taste [Sire / WEA, 1989]

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Thieves / Burning Inside / Never Believe / Cannibal Song / Breathe / So What / Test / Faith Collapsing / Dream Song [*]

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No final dos anos 80 converti-me aos prazeres da fusão do industrial com o rock de feições metálicas. Principais culpados dessa conversão foram os Young Gods [primeiro] e os Ministry [logo a seguir]. Se relativamente aos Young Gods me falta[va]m palavras para descrever a relação que com eles mantenho, já com os Ministry encontro rapidamente uma: obsessão. A obsessão começou a desenhar-se com The Land Of Rape And Honey [fantástica perversão de uma expressão com que alguma América gosta de se descrever, para os mais desatentos: the land of milk and honey], consolidou-se com este The Mind Is A Terrible Thing To Taste [outra perversão, creio que de uma expressão anglo-saxónica: the mind is a terrible thing to waste] e tornou-se caso clínico com o vídeo In Case You Didn't Feel Like Showing Up [1990]. Ritmos tribais-repetitivos e.. obsessivos, um baixo cardiacamente minimal [cortesia do actualmente ausente Paul Barker], guitarras estridentes e a gritaria de Al[ien] Jourgensen [apoiado por nomes magnos da música industrial como Chris Connelly, William Rieflin ou David Ogilvie] fazem ainda hoje deste disco uma peça assustadora, grandiosa e incontornável [odeio este adjectivo].

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Em 1989 a velha ordem nascida da Segunda Guerra Mundial dava os últimos suspiros, com o momento mais simbólico a ocorrer a 9 de Novembro com a queda do infame Muro de Berlim. Em Janeiro o Japão saudava o seu novo imperador [Akihito] e as tropas cubanas começavam a retirar de Angola, falso alarme de paz em Angola, enquanto nos Estados Unidos, George Bush tomava posse como presidente e o serial killer Ted Bundy era executado na Florida; em Fevereiro, as últimas tropas soviéticas abandonavam Cabul [Afeganistão], no Paraguai caia mais uma das famosas ditaduras sul-americanas e o líder espiritual do Irão - o Ayatollah Khomeini - decretava a morte de Salman Rushdie devido aos Versículos Satânicos. Em Março o Exxon Valdez destruia a costa do Alasca, algumas semanas depois o Exército Vermelho massacrava 20 georgianos em Tbilissi e o Exército Chinês seguia-lhe o exemplo em na Praça de Tiananmen [fazendo mais vítimas, perante as câmaras de televisão] um dia depois da morte de Khomeini [Junho]. Nesse ano morreram ainda Salvador Dali, o realizador John Cassavets, o actor Laurence Olivier, a actriz Bette Davis, o maestro Herbert von Karajan, os escritores Samuel Beckett e George Simenon e os portugueses Fernando Namora e Adolfo Simões Muller [ambos escritores]. 1989 foi ainda o ano da estreia de Seinfeld, de Clube dos Poetas Mortos [vá-se lá saber porquê, o filme da vida de muita gente...], Histórias de Nova Iorque [de Woody Allen, Francis Ford Copolla e Martin Scorcese] e O Meu Pé Esquerdo [filme que deu fama a Daniel Day-Lewis]. Por cá, os dias corriam mansos e Camilo José Cela ganhava o Prémio Nobel da Literatura [o homem era galego, Galiza é menos espanhola que portuguesa, certo?!]. Eu mudava o rumo dos meus estudos académicos e em Dezembro, de férias na bela Antuérpia, via na televisão belga os cadáveres de Ceasescu e da mulher, que o Diabo os conserve em eterno tormento.

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[*] Este tema não consta na edição em LP

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quarta-feira, agosto 24, 2005

Stand-up government [cont.]

«Temos que saber que floresta queremos, de que maneira queremos organizar esse recurso fundamental. A reestruturação da floresta portuguesa está na ordem do dia e a partir de Setembro todas as energias têm que ser votada para este debate»

Jorge Sampaio, stand-up comedian e presidente da República nas horas vagas em espectáculo no Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Cívil

Stand-up government

«Isto tem que mudar. Temos de prestar contas do dinheiro gasto. E, a prazo, o que vemos é que somos os campeões dos incêndios e do número de ignições [...] Quero claramente passar a mensagem aos portugueses de que isto tem de mudar. Não haverá apoios financeiros para para replantar a floresta que foi feita aqté aqui. Não queremos mais floresta, queremos melhor floresta.»

Jaime Silva, stand-up comedian e ministro da Agricultura nas horas vagas no Público de hoje

O senhor ainda acrescentou, em jeito de punch-line, que os sistemas de incentivos vão ter em conta a selecção de espécies mais adaptadas, mais resistentes ao fogo, e vão exigir um «compromisso claro de que há uma gestão dessa floresta.»

Ano de colheita: 1973

Sabbath Bloody Sabbath, Black Sabbath
Aladdin Sane e Pin Ups, David Bowie
Paris 1919, John Cale
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Flying Teapot, Gong
Raw Power, Iggy And The Stooges
Lark's Tongues In The Aspic, King Crimson
New York Dolls, New York Dolls
Berlin, Lou Reed
Goat's Head Soup, The Rolling Stones
For Your Pleasure, Roxy Music
Closing Time, Tom Waits

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terça-feira, agosto 23, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 10

Nick Cave & The Bad Seeds, Tender Prey [Mute Records, 1988]

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The Mercy Seat / Up Jumped The Devil / Deanna / Watching Alice / Mercy / City of Refuge / Slowly Goes The Night / Sunday's Slave / Sugar Sugar Sugar / New Morning

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Tender Prey ou Your Funeral, My Trial? Fico sempre dividido entre estas duas obras-primas do anjo negro da Austrália, mas acabo invariavelmente por escolher Tender Prey, talvez por razões sentimentais: foi o disco que serviu de base ao seu primeiro concerto em Portugal [Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa]. The Mercy Seat, Deanna, Watching Alice, Sugar Sugar Sugar ou New Morning são clássicos absolutos na carreira de Nick Cave e poderiam figurar em qualquer best off. Em Tender Prey Nick Cave elevou a fasquia da sua obra a um ponto de difícil superação [quanto a mim, jamais o homem conseguiu editar um tão sólido conjunto de canções] e daí para a frente assinou alguns trabalhos [The Good Son ou Boatman's Call, principalmente] que eu considero pouco mais que lamentáveis se comparados com este disco [ou com Your Funeral, My Trial ou From Her To Eternity], construindo um trajecto algo irregular e regressando à boa forma apenas com Nocturama e Abbatoir Blues / The Lyre Of Orpheus.
Vi Nick Cave pela primeira vez em Dezembro de 1988 no Pavilhão Carlos Lopes [Lisboa] e mais tarde nos Coliseus do Porto [1992] e de Lisboa [1994] e, muito recentemente, em Paredes de Coura, mas na memória ficou-me sempre marcado o primeiro e nem a sua actuação em Paredes de Coura há menos de uma semana foi suficiente para macular essa memória.

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[Texto recuperado do post sobre Daydream Nation dos Sonic Youth, 21.07.2005] Este disco saiu num ano [1988] em que eu me arrastava pelas salas de aula da FLUC aprendendo o que rapidamente esqueceria e do qual recordo principalmente os concertos de Pop Dell Arte com Mão Morta e de Peter Murphy no Porto, de Woodentops em Matosinhos, de Jesus and Mary Chain e Nick Cave em Lisboa e de Duruti Column e A Certain Ratio em Coimbra. Foi ainda nesse também que conheci a então ainda fervilhante Ribeira portuense. Nesse ano os Estados Unidos eram abalados pelo escândalo Irão-Contras [que envolvia altas patentes militares como John Poindexter ou o caricato Oliver North] e George Herbert Walker Bush era eleito sucessor de Ronald Reagan; a União Soviética aceitava retirar-se do cemitério afegão após anos de luta contra os rebeldes [parece que Bin Laden andava por lá, a soldo dos... Estados Unidos]; um milhão de mortos depois, o Iraque e o Irão punham fim à guerra que os opunha; na Escócia, terroristas líbios [a soldo de Khadafi, ao que consta, agora amigo da... União Europeia] faziam explodir o voo Pan Am 103 em Lockerbie fazendo 270 mortos e no Brasil era assassinado, por encomenda de proprietários de terras na Amazónia, o activista Chico Mendes. Po cá, vivia-se ainda a euforia dos primeiros anos do cavaquismo e dos fundos estruturais da CEE que, ao que nos diziam, haveriam de fazer de Portugal um país desenvolvido e civilizado. No Verão, a 28 de Agosto, o Chiado ardia.

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segunda-feira, agosto 22, 2005

Diário de bordo

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Dia 1 [segunda feira, 15 de Agosto]: partida de Tomar na companhia do amigo L.S. às 16h00 e chegada a Paredes de Coura cerca das 20h00, com uma paragem na Mealhada para reabastecimento e cafés. Impressionante a passagem pelo concelho de Pombal completamente devastado pelos incêndios florestais.
À noite apanhamos o concerto dos Sons & Daughters que não aqueceu nem arrefeceu de tão morno [safou-se a versão de Nice'n'Sleazy dos Stranglers] e os discos de Trailer Trash e Zig Zag Warriors que apenas nos fizeram aumentar o consumo de imperiais.

Dia 2 [terça feira, 16 de Agosto]: amanhecer violento [às duas da tarde!]. Depois de algumas horas a recuperar energias e a normalizar o metabolismo, rumo à praia fluvial do Tabuão com expectativa moderada para os concertos de Death From Above 1979 e Kaiser Chiefs e expectativas elevadas para a actuação dos !!!. Vi os primeiros ao longe, confortavelmente instalado numa esplanada no topo do belo anfiteatro que acolhe o festival. Desci para os !!! que deram um dos concertos do festival [e do ano em Portugal!], superando as minhas mais optimistas expectativas e fiquei para os Kaiser Chiefs que acabaram por se revelar uma surpresa. A seguir tocaram uns tipos quaisquer de Nova Iorque [mas que gostavam de ter nascido britânicos...] e depois os Foo Fighters de Dave Grohl [o melhor que posso dizer é que o baterista é excelente... o concerto foi aborrecido]. Mais tarde ainda houve tempo para os MXPX que deveriam ter aberto o palco principal mas que acabaram por actuar no palco 2. Demasiado maus.

Dia 3 [quarta feira, 17 de Agosto]: O DIA. De Pixies, mas também de The Arcade Fire, a grande surpresa do festival, um excelente concerto a deixar água a boca. Dia ainda de The Futureheads que deram um agradável concerto e de Hot Hot Heat que não aqueceram nem arrefeceram [só com o single Goodnight aqueceram alguns ânimos]. Para muitos, este foi também o dia de Queens of the Stone Age que tocaram muito [muuuuito] alto e com um som sofrível. Não percebi a excitação em torno destes QOTSA. Fecharam a noite as vinte e tal canções - quase todas clássicos - dos Pixies. Uma verdadeira lição de como fazer e tocar rock num concerto que não apagou, mas que também não manchou, as memórias que deles tenho do Coliseu do Porto há uns 15 anos.

Dia 4 [quinta feira, 18 de Agosto]: amanhecer mais calmo que nos dias anteriores. Depois de um almoço de faca e garfo - o primeiro desde segunda feira... - rumo à praia fluvial para ser surpreendido pelos The National [ficou a vontade de os ouvir com mais atenção e de os voltar a ver num espaço mais adequado] e por Woven Hand, o projecto que substituiu Killing Joke no palco principal. Dois bons concertos antes do estrondoso erro de casting que foi a inclusão de Juliette Lewis & The Licks e do aborrecimento que foi Vincent Gallo [que me perdoem os seus admiradores]. A fechar Nick Cave & The Bad Seeds, que resolveu fazer uma espécie de concerto mais gospel que não me me impressionou. Aquele não é o Nick Cave diabólico que conheci. Mas o público [e a crítica] delirou, vá-se lá saber porquê.

Dia 5 [sexta feira, 19 de Agosto]: dia de regresso a casa [sempre na companhia do amigo L.S.], aproveitando as quatro horas de carro para comentar as incidências do festival. Chegámos a uma conclusão consensual: o problema de algumas das bandas que por lá passaram [The Bravery, The Futureheads ou Hot Hot Heat, por exemplo] é não terem mais do que uma ou duas verdadeiras canções, o que acaba por tornar os seus concertos algo aborrecidos. Problema que os Pixies, por exemplo, não têm. Por isso deram um dos melhores concertos de Paredes de Coura [a par de !!! e The Arcade Fire].

Para o ano há mais.

Lamentavelmente não conseguimos almoçar n'O Conselheiro... Fica para a próxima.

sábado, agosto 20, 2005

Regresso a casa...

... depois de alguns dias no melhor festival de música português [pelo menos...]: Paredes de Coura.

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Paredes de Coura by night

domingo, agosto 14, 2005

Férias II

Sim, continuo de férias. A partir de amanhã em Paredes de Coura. Acabou-se portanto o descanso... Até daqui a mais alguns dias.

sexta-feira, julho 29, 2005

Ano de colheita: 1972

The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, David Bowie
Ege Bamyasi, Can
Machine Head, Deep Purple
For The Roses, Joni Mitchell
All The Young Dudes, Mott The Hoople
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Neu!, Neu!
Transformer
, Lou Reed
Exile On Main Street, The Rolling Stones
Harvest, Neil Young

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É só um delírio

Em vez de se aprovar a limitação de mandatos para o exercício de cargos políticos, o que deveria fazer-se era criar provas de acesso à carreira política. Com exames, testes psicotécnicos, estágio profissional e tudo. Talvez assim se criasse um classe política profissional e minimamente competente.
E se não aparecessem portugueses competentes em número suficiente para preencher todos os cargos [governo, governos regionais, Assembleia da República, autarquias], não me chateava nada que mandássemos vir de fora. Olho para Espanha, Irlanda ou Finlândia e não me desagrada nada o que eles conseguiram fazer dos seus países. Nada mesmo.

Deliro, eu sei. Deve ser da falta de férias.

Limitação limitada

Ontem a Assembleia da República aprovou a limitação de mandatos para os autarcas. PS, PSD e BE votaram a favor, o PCP votou contra e CDS e Verdes abstiveram-se. Pretende-se, dizem eles, promover a renovação e não sei quê não sei que mais. É possível que muita gente ache esta uma boa medida. Eu não. Por vários motivos. Em primeiro lugar, não entendo porque se limita essa limitação [ limita essa limitação? Hmmm...] aos autarcas e não se estende a todos os cargos sujeitos a votos [ou há moralidade ou comem todos, não é o que diz o bom povo?]. Depois faz-me confusão que se afastem pessoas de cargos políticos com base num critério temporal quando o critério deveria ser o da competência [e da seriedade, honestidade, etc]. Além disso, se o portugueses querem continuar a dar o seu voto a autarcas notoriamente criminosos, desonestos, incompentes, simplesmente idiotas ou a Avelino Ferreira Torres, que o façam. Se rotundas e fontes luminosas os fazem felizes, paciência. Ou se dá ao povo o direito de escolher, ou não. Afinal, isto, quer dizer Portugal, ainda é uma democracia, correcto?

quinta-feira, julho 28, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 9

Hüsker Dü, Warehouse: Songs And Stories [Warner Bros, 1987]
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These Important Years / Charity, Chastity, Prudence and Hope / Standing In The Rain / Back From Somewhere / Ice Cold Ice / You're A Soldier / Could You Be The One? / Too Much Spice / Friend, You've Got To Fail / Visionary / She Floated Away / Bed of Nails / Tell You Why Tomorrow / It's Not Peculiar / Actual Condition / No Reservations / Turn It Around / She's A Woman [And Now He Is A Man] / Up In The Air / You Can Live At Home

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Aos anos que eu não ouvia este disco! Aliás, os Hüsker Dü não são uma das bandas que eu mais tenha ouvido nos últimos anos mas nunca deixaram de ocupar um lugar especial na minha discografia pessoal. Fui buscar Warehouse: Songs And Stories por causa do post sobre o primeiro álbum dos Young Gods.
Este trio [Bob Mould, Grant Hart e Greg Norton] de Minneapolis não chegou a durar uma década mas deixaram um legado único para o futuro do rock'n'roll, particularmente os álbuns Zen Arcade, Candy Apple Grey e este Warehouse: Songs And Stories. Por exemplo, sem os Hüsker Dü dificilmente a explosão grunge de princípios dos anos 90 teria acontecido.
Ouvi este disco duplo em cassete [gravada por mão amiga] em finais dos anos 80, pouco tempo depois da sua edição [o que era um feito se atendermos à dificuldade em encontrar certas edições no então exíguo mercado discográfico nacional e ao preço a que eram vendidas as importações]. Nunca mais esqueci as guitarras abrasivas, os ritmos sólidos e as melodias quase pop das canções [praticamente todas brilhantes] que compõem este álbum. Ah! E os textos, os poemas, de Grant Hart e Bob Mould [e as vozes]. Se tivesse que apontar apenas três álbuns de rock essenciais nos anos 80, este seria sem hesitação um deles [os outros seriam Daydream Nation dos Sonic Youth e Psychocandy dos The Jesus and Mary Chain].

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[Texto recuperado do post sobre o álbum de estreia dos Young Gods, 26.07.2005] 1987. No ano da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, eu concluia o 12º ano e rumava a Coimbra por onde ficaria até 1992, com uma mudança de curso pelo meio. Pelo mundo, Klaus Barbie era julgado em Lyon por crimes de guerra cometidos na Segunda Guerra Mundial e outro criminoso nazi, Rudolf Hess, enforcava-se na prisão de Spandau; o alemão Mathias Rust aterrava um Cessna na Praça Vermelha de Moscovo, invadindo o espaço aéreo da então União Soviética sem ser interceptado pela defesa aérea soviética; começava a escavar-se o Tunel da Mancha entre a França e a Inglaterra e no Médio Oriente começava a primeira Intifidada. 1987 foi ainda o ano dos filmes Full Metal Jacket de Stanley Kubrick e The Last Emperor de Bernardo Bertolucci e dos discos Kiss Me Kiss Me Kiss Me dos The Cure [talvez o seu último disco decente...], Introduce Yourself dos Faith No More [ainda longe do brilhantismo de edições subsequentes], Cleanse, Fold & Manipulate dos industriais Skinny Puppy ou Warehouse: Songs and Stories dos Hüsker Dü [um álbum que ainda por aqui há-de passar].

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quarta-feira, julho 27, 2005

Olha!

Mais um manifesto para a salvação da pátria [*].

Comove-me a fé que alguns ainda depositam no país... Eu cá sou mais da linha queirosiana [creio que também partilhada por Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares, para além da generalidade da população lúcida deste país]. Acho mesmo que esta "choldra" [como Eça se referia ao país] já não tem remédio.

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[*] Manifesto assinado por 13 [mau presságio...] "prestigiados" economistas portugueses: António Carrapatoso, António Nogueira Leite, José Silva Lopes, João Salgueiro, Fernando Ribeiro Mendes, Miguel Beleza, Henrique Medina Carreira, João Ferreira do Amaral, Augusto Mateus e Vítor Bento. É impressão minha ou muita desta tropa já exerceu funções governativas?...

Sonolência

Vai por aí [imprensa, TV, blogs, calhando até nas publicações cor de rosa...] uma inexplicável excitação com a putativa candidatura de Mário Soares à presidência da República. Pessoalmente não entendo essa excitação e muito menos as polémicas que por aí se têm gerado. Aliás, toda essa excitação, e polémicas associadas, apenas me provocam uma imensa sonolência. Mas isso deve ser da proximidade das férias...

Ano de colheita: 1971

Master of Reality, Black Sabbath
Hunky Dory e The Man Who Sold the World, David Bowie
Tago Mago
,
Can
Fireball, Deep Purple
LA Woman, The Doors
IV, Led Zeppelin [na realidade este álbum não tem título, apenas se convencionou designá-lo como IV por ser o quarto da sua discografia]
Blue, Joni Mitchell
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Meddle, Pink Floyd
Sticky Fingers, The Rolling Stones
Electric Warrior, T-Rex
Who's Next, The Who

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terça-feira, julho 26, 2005

Lance Armstrong e Eddie Merckx

A propósito de um comentário ao meu post de domingo sobre Lance Armstrong [nem um comentário à magnífica fotografia de Anton Corbijn?!...] recupero o post que há pouco mais de um ano aqui escrevi sobre Lance Armstrong e Eddie Merckx, este sim o maior ciclista de todos os tempos, apesar da inegável classe de Armstrong].

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«Um dos meus primeiros ídolos de infância era um senhor, belga, que habitualmente pedalava na sua bicicleta vestido com uma camisola amarela. Eddy Merckx. Hoje lembrei-me dele outra vez, a propósito de outro senhor que também tem o hábito de pedalar de amarelo. Hoje lá vestiu outra vez a amarela em França. E prepara-se para chegar a Paris em primeiro lugar pela sexta vez consecutiva, algo que nunca ninguém conseguiu antes. Já não tenho propriamente idade para ter "ídolos", mas se alguém merece ser um ídolo esse alguém chama-se Lance Armstrong.» [20 de Julho de 2004]

Já agora, vale a pena ler o comentário para o comprovar.

[Some of] the music that rocked my world # 8

The Young Gods, The Young Gods [LD Records, 1987]

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Nous De La Lune / Jusqu'au But / A Ciel Ouvert / Jimmy / Fais La Mouette / Percussione / Feu / Did You Miss Me / Toi Du Monde / The Irrtum Boys / Envoyé / Soul Idiot / C.S.C.L.D.

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Faltam-me palavras para descrever a minha relação com os Young Gods. Dizer que são um grande banda é pouco. Acrescentar que em 1987 foram revolucionários ainda não é suficiente. Com o homónimo álbum de estreia os Young Gods provaram que não era preciso utilizar guitarras [reais] para fazer um grande, imenso, álbum de rock. Sim, de rock. Mais do que uma banda electrónica [ou industrial como erroneamente já os vi serem classificados], os Young Gods são uma banda de rock. Sem guitarras, ainda que elas surjam frequentemente na sua música através de samplers. Escutem-se os riffs poderosos de Jimmy ou Envoyé para o confirmar. Sendo, na realidade, um álbum de rock, The Young Gods é mais do que apenas rock e foi a partir deste disco que eu me rendi à música electrónica [com a qual tinha, até então, tido apenas alguns flirts].
Após The Young Gods, acompanhei de perto a carreira destes suiços em disco e em concerto. Exceptuando TV Sky [um álbum menor, um equívoco talvez, na sua discografia] não há álbum pelo qual não me tenha apaixonado: L'Eau Rouge [provavelmente o seu melhor trabalho com "clássicos" como Charlotte, o magnífico Longue Route, o meu favorito pessoal L'Amourir ou Pas Mal], Play Kurt Weil [álbum de versões do compositor alemão, "parceiro" de Bertold Brecht], Only Heaven e o seu "irmão gémeo" Heaven Deconstruction, o psicadélico Second Nature ou o mais ambiental Music For Artificial Clouds. Perdi a conta aos concertos que vi dos Young Gods mas recordo o primeiro, fabuloso, em Coimbra [na Broadway!] onde não estariam mais de cinco dezenas de pessoas. Depois disso vi-os quase sempre que vieram a Portugal [apenas me tenho recusado a vê-los em Queimas das Fitas ou Semanas Académicas].

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1987. No ano da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, eu concluia o 12º ano e rumava a Coimbra por onde ficaria até 1992, com uma mudança de curso pelo meio. Pelo mundo, Klaus Barbie era julgado em Lyon por crimes de guerra cometidos na Segunda Guerra Mundial e outro criminoso nazi, Rudolf Hess, enforcava-se na prisão de Spandau; o alemão Mathias Rust aterrava um Cessna na Praça Vermelha de Moscovo, invadindo o espaço aéreo da então União Soviética sem ser interceptado pela defesa aérea soviética; começava a escavar-se o Tunel da Mancha entre a França e a Inglaterra e no Médio Oriente começava a primeira Intifidada. 1987 foi ainda o ano dos filmes Full Metal Jacket de Stanley Kubrick e The Last Emperor de Bernardo Bertolucci e dos discos Kiss Me Kiss Me Kiss Me dos The Cure [talvez o seu último disco decente...], Introduce Yourself dos Faith No More [ainda longe do brilhantismo de edições subsequentes], Cleanse, Fold & Manipulate dos industriais Skinny Puppy ou Warehouse: Songs and Stories dos Hüsker Dü [um álbum que ainda por aqui há-de passar].

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segunda-feira, julho 25, 2005

domingo, julho 24, 2005

Sete

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Lance Armstrong fotografado por Anton Corbijn

Arrábida fora da lei

«A Arrábida é uma das minhas paixões. Quem já tenha feito o percurso pelo topo da serra em direcção a Setúbal, nunca mais esquece. Mesmo depois de morrer.
A "minha" cidade, perdoem-me a vaidade e o egoísmo, tem de um lado a serra com aquelas paisagens que entusiasmam qualquer um. De outro, a simplicidade do estuário. E tudo tão belo que custa a crer. Por pouco, convertia-me. E a culpa seria do Sado.
O que me custa é sentir que as leis são apenas letras sobre papel. Criou-se um parque e uma reserva natural, para que restem alguns cantinhos a salvo do betão, da indústria e dos fumos. No entanto, alguns interesses falam mais alto do que as leis, falam mais alto que o rio e mais alto do que a serra. Tudo se atropela. Este site é o resultado da minha indignação. Do meu protesto.
As pedreiras continuam a comer a serra. Ontem, hoje e amanhã. Cada dia existe menos um bocado de serra. Até quando? Até não sobrar nada, a não ser um enorme buraco?
Então aproveitem e tapem-no com entulho. O último que feche a porta.»

Luís Rodrigues

A Arrábida é um Parque Natural. Com uma fábrica de cimento, pedreiras e construções ilegais lá dentro.

sábado, julho 23, 2005

Fogo [Portugal a arder]

Fotografia de 20 de Julho passado do Earth Observatory [Nasa]

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Hoje sou egípcio

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Lá está, os mortos não são dos "nossos"

A SIC Notícias deu por terminado o seu noticiário das 2 e nem uma referência aos 83 mortos dos atentados de Sharm el-Sheik.

O terror outra vez...

... só que desta vez os mortos não são dos "nossos". Segundo o Guardian, o body count já vai nos 83. Mas foi no Egipto, isso é lá muito longe e essa malta é toda muçulmana, talvez simpatizante da Al Qaeda e têm o que merecem...

O noticiário das 2 da SIC Notícias começou há 26 minutos e ainda não houve, de passagem que fosse, referência aos atentados que mataram, pelo menos, 83 PESSOAS no Egipto. Em Sharm el-Sheik. Há dois dias, as quatro bombas de Londres, que não mataram NINGUEM, foram destaque em tudo o que é orgão de comunicação social e deve ter havido poucos blogs que não se referiram ao assunto. Os mortos "deles" continuam a ser menos importantes que os "nossos". Mesmo que a AL Qaeda já tenha reivindicado os atentados.

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[Actualização, 20h04m: o body count subiu para 88]

sexta-feira, julho 22, 2005

Ainda a propósito dos Sonic Youth

Há várias mãos cheias de mp3 dos Sonic Youth [temas raros, versões alternativas e um tema exclusivo] no seu site. Passem por lá e bom proveito. Não é preciso dizer que vão da minha parte.

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Concertos em Portugal [segundo informações recolhidas aqui]:

14.07.1993 [Campo Pequeno, Lisboa]
08.08.1998 [Festival do Sudoeste, Zambujeira do Mar]
19.02.1999 [Aula Magna, Lisboa]
25.05.2005 [Coliseu dos Recreios, Lisboa]

Ano de colheita: 1970

Let It Be, The Beatles [só porque foi o último editado pelo bando dos quatro de Liverpool...]
Paranoid, Black Sabbath
Bitches Brew, Miles Davis
In Rock, Deep Purple
Morrison Hotel, The Doors
Band of Gypsys, Jimmy Hendrix
Pearl, Janis Joplin
Fun House, Iggy & The Stooges
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Led Zeppelin III, Led Zeppelin
Ladies of the Canyon, Joni Mitchell
Atom Heart Mother, Pink Floyd

Convenhamos que foi um ano mais fraquito que o de 1969...

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