Aqui há uns meses, num momento de irracionalidade em que passei mais de 20 minutos em frente a um aparelho de têvê [provavelmente num domingo...], deparei-me com um anúncio a uma cadeia de fast food em franco crescimento em Portugal [e um dia destes também no Médio Oriente...] no qual sobressaia a voz de um certo Pacman, vocalista e animador de festas dos Da Weasel. Até aqui tudo bem, a música em Portugal é um mundo ingrato [fodido e mal pago] e há que amealhar uns cobres enquanto se está na mó de cima. O que me chocou não foi o facto de Pacman dar a voz por uma cadeia de fast food, o que me chocou é que o senhor, sempre que tem um microfone à frente, continue impávido e sereno a debitar as suas ladaínhas revolucionárias, anti-sistema e anti-capitalistas.
Agora é a vez de um senhor de voz funda e famoso por se esconder atrás de uns óculos sempre escuros, de seu nome Pedro Abrunhosa, dar a voz numa campanha publcitária de um banco. Nada tenho contra o senhor nem contra a instituição bancária em causa, por acaso pertencente ao maior grupo bancário privado português e provavelmente o expoente máximo do capitalismo à portuguesa, mas que diabo, estaremos a falar do mesmo Abrunhosa de Talvez Foder, apoiante público do Bloco de Esquerda e defensor de todas as causas da esquerda mais à esquerda?
Serei só eu a achar estranha esta, digamos, ambivalência de alguns dos "nossos" artistas? Já só falta ver / ouvir Sérgio Godinho a cantar as virtudes da Galp ou, quiçá, José Mário Branco numa campanha da Sonae...
[*] ou money makes the world go around