quinta-feira, julho 14, 2005

Reencontros

1. Com Frank Zappa. Cruzei-me esporadicamente com Zappa ao longo dos anos mas, confesso, nunca lhe prestei a atenção devida. Nas últimas semanas tenho desenvolvido uma espécie de obsessão pelo artista.

2. Com um antigo professor. Um dos melhores professores que tive, com um sentido de humor apuradíssimo, é um Casmurro militante. E autor de um dos melhores blogs portugueses. E continua com o humor apuradíssimo.

3. Com Sherlock Holmes [e o romance policial]. Devorei os relatos do seu caro Watson há uns anos. Agora, por culpa do Público via Um Estudo em Vermelho [colecção 9mm], ando novamente obcecado por detectives, assassinos e mulheres fatais.

4. Com Nick Cave. Já por aqui referi este reencontro. Devorei os seus trabalhos até Tender Prey. Depois disso, e apesar de Henry's Dream e Let Love In não serem exactamente maus discos, foi sempre a descer. Reencontrei o australiano mais negro do planeta em Abattoir Blues / The Lyre of Orpheus. Acho que até já lhe perdoei as pieguices de The Good Son ou de The Boatman's Call...

5. [Update: imperdoável esquecimento, mas vindo de um devorador de electrónicas até se compreende, não se perdoa mas compreende-se...] Com o Rock. Não o reencontrei nos Strokes, Interpol ou Killers. Já nos The White Stripes [finalmente convenceram-me...], Yeah Yeah Yeahs [idem idem " "], The Kills, !!! e mais recentemente, nos Art Brut, Arcade Fire, Sleater-Kinney, M83 e Mobius Band o rock palpita e teima em não morrer. Louve-se-lhe a resistência.

quarta-feira, julho 13, 2005

Os mortos "deles" valem menos que os "nossos"

1. Hoje morreram quase três dezenas de pessoas em Bagdad na sequência de mais um atentado contra as tropas norte-americanas. Só que os mortos e os feridos são quase todos iraquianos. E crianças. Menos de uma semana depois das bombas de Londres, quantos minutos, quantos directos houve nas televisões ocidentais? Os mortos "deles", mesmo que sejam crianças, valem menos que os "nossos".

2. Segundo o Público morreram 24 crianças e 18 ficaram feridas. Já para a BBC "At least 26 Iraqis, almost all of them children, have been killed [...]" enquanto a "insuspeita" Al Jazeera diz que "Up to 27 people, including seven children, have been killed and at least 18 wounded by a car bomb in Baghdad [...]". A realidade é variável.

[Some of] the music that rocked my world # 5

Mão Morta, Mutantes S. 21 [Fungui, 1992]
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Lisboa [Por Entre as Sombras e o Lixo] / Amesterdão [Have Big Fun] / Budapeste [Sempre a Rock & Rollar] / Barcelona [Encontrei-a na Plaza Real] / Marraquexe [Pç. das Moscas Mortas] / Berlim [Morreu a Nove] / Paris [Amour A Mort] / Istambul [Um Grito] / Shambalah [O Reino da Luz]

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Este foi o primeiro disco, digamos, conceptual dos Mão Morta, banda que ainda não fez [não sabe fazer?] um mau disco. Mutantes S. 21 é um álbum de cidades, ou melhor, um álbum de histórias citadinas transformadas em canções. Este é um disco de ambientes diversos, reflexo das cidades, das histórias e personagens que o percorrem. com partida em Lisboa e chegada a Shambalah [cidade imaginária, porto de abrigo, cidade-salvação talvez], os Mão Morta viajam por algumas das cidades míticas contando histórias nas quais o submundo e a decadência são o denominador comum. Este é também um disco onde os Mão Morta abordam diversas linguagens musicais dando-lhes uma personalidade própria e adaptando-as à sua própria [e muito personalizada] linguagem / estética [por exemplo, o refrão de Lisboa recorda-me sempre o rock'n'roll sujo dos Motörhead, Budapeste convoca os Velvet Underground, Paris tem nítidas influências de algum metal mais extremo]. Não acho que este seja o melhor álbum da carreira da banda de Adolfo Luxúria Caníbal, mas ainda hoje é o disco pelo qual nutro maior carinho. Vá-se lá saber porquê.
Dos Mão Morta já conhecia os trabalhos anteriores [a K7 Mão Morta e os álbuns Mão Morta, Corações Felpudos, O.D. Rainha do Rock & Crawl] e haveria de ouvir todos os seguintes e são a banda que mais vezes vi ao vivo, em diversos locais e diferentes situações. Nunca, mas nunca, me desiludiram. Nunca lhes ouvi um mau disco, nunca vi um mau concerto [e assisti a alguns verdadeiramente extraordinários]. Recordo particularmente uma noite memorável no Rivoli do Porto, num concerto com os Pop Dell'Arte, que também por aqui irão passar [*], em 1988 [um ano de grandes estreias para mim: Peter Murphy no Rivoli, The Woodentops em Matosinhos, Jesus and Mary Chain e Nick Cave & The Bad Seeds, ambos no Pavilhão do Restelo].

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1992, ano da edição de Mutantes S. 21, foi pessoalmente um ano de mudanças radicais: em Setembro saí de Coimbra, comecei a trabalhar [em Fornos de Algodres!] e em Dezembro [a 15] concluí a minha licenciatura. Nesse mesmo ano desaparecia a Jugoslávia; nos Estados Unidos o serial killer Jeffrey Dahmer, o boxeur Mike Tyson, o mafioso John Gotti e o o ex-líder do Panamá Manuel Noriega eram condenados a penas de prisão enquanto os polícias que espancaram Rodney King eram absolvidos, o que levaria a vários dias de motins em Los Angeles, Bill Clinton derrota George Bush e Ross Perot na presidenciais e no Brasil Fernando Collor de Melo abandonava a presidência por corrupção; no Reino Unido, Isabel II declarava 1992 annus horribilis [devido aos variados escândalos que ao longo desse ano abalaram a monarquia]. Este foi ainda o ano em que a Igreja Católica pediu desculpas pelo processo da Inquisção contra de Galileu Galilei. Por cá, continuava a esbanjar-se os milhões da Comunidade Europeia e Cavaco Silva ainda acreditava no "p'ogresso" e num "novo homem portugês".

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[*] Talvez nessa altura evoque algumas das memórias que guardo desse concerto.

terça-feira, julho 12, 2005

Cenas soltas

Incomunicável
Passe o exagero, mas a verdade é que só quando o perdemos nos apercebemos o quanto dele dependemos. Falo, naturalmente, do telemóvel. Não faço ideia onde o larguei, mas tenho a certeza que está lá em casa. O pior é que já procurei em todo o lado - até numa divisão onde não entrava há três dias! - e nada. Raisparta o sacana do telemóvel! Quando te encontrar vais janela fora...

Praia
Passei o fim de semana na costa alenteja, num pedaço de costa alentejana que ainda vai resistindo à destruição dos "promotores imobiliários" com a cumplicidade criminosa das autarquias locais. Adiante.
Domingo, meio da tarde, numa praia praticamente deserta com centenas de metros de areal. A minha leitura é interrompida pela chegada de uma família - pai, mãe, filho e namorada - à praia. Escolhem o seu poiso: três metros à minha frente. Três metros! Há centenas de metros quadrados livres no areal mas esta família deve gostar do calor humano e planta-se três metros à minha frente. Se queriam calor humano porque não foram para a Caparica, que diabo? [Nem falo do volume sonoro utilizado pelo jovem e pela namorada nas suas conversas - alto, MUITO ALTO]
Eu até gosto de ir à praia. O que eu não suporto são estas pessoas.

Cinema
Ontem à noite fui ao cinema. O filme [Sin City] nem é mau, ainda que fique algo abaixo das expectativas e não fuja muito às novelas gráficas [Sin City de Frank Miller] nas quais se baseia. Até aqui tudo bem.
Passo por cima do desconforto das cadeiras da sala [ao fim de meia hora sentado já não sei em que posição me hei-de sentar para aliviar as dores nas costas] e do cheiro a pipocas. Algumas filas atrás de mim um grupo de quatro ou cinco adolescentes insiste em comentar em voz alta - MUITO ALTA - diversas cenas, personagens e ocorrências. Pagaram bilhete, estão de férias, têm direito a divertir-se e a comentar o que passa no ecrã, não é?
Eu gosto muito de ir ao cinema e nem me importo de aguentar o desconforto das cadeiras. O que eu não suporto são estas pessoas.

Água
Regresso do cinema e passo por uma rotunda - uma das variadas, inúteis e injustificadas rotundas que o "meu" autarca resolveu espalhar pela minha cidade [Tomar]. Passam alguns minutos da meia noite e a relva da rotunda está a ser regada. A relva e o alcatrão. Fico, mais uma vez chocado. Com o exemplo que vem de cima. O país debate-se com uma seca como eu não me lembro de ter vivido, fazem-se apelos mais ou menos regulares à poupança de água e o "meu" autarca constrói rotundas - inúteis e injustificadas - que manda cobrir de relva que tem de ser regada com a água que não há. E nem falo do dinheiro - do meu dinheiro - que foi deitado à rua com estas obras [inúteis e injustificadas].
Eu até gosto - e muito - da minha cidade. O que eu não suporto são estas pessoas que assim a governam.

Era uma vez...

... um arrastão. Dir-me-ão que Diana Andringa é suspeita, que é uma "esquerdista", ainda por cima consta que com ligações ao BdE, sempre disposta a explicar, compreender e perdoar os crimes - reais ou imaginários - das minorias étnicas. Dir-me-ão que a televisão mostrou e que sim senhor houve um arrastão em Carcavelos. Dir-me-ão que há fotos e testemunhos e comunicados da PSP [entretanto desmentidos pela própria PSP...]. Dir-me-ão o que quiserem. A mim parece-me que Diana Andringa, sózinha, já deu mais provas de profissionalismo, de deontologia profissional e de ética do que as nossas televisões juntas. Vale a pena conferir em Era Uma Vez Um Arrastão.

sexta-feira, julho 08, 2005

Vou fugir...

... hoje ao fim da tarde. Para o sul que ainda não foi destruido. Ainda não são as férias, apenas um aperitivo. Volto no domingo à noite.

Já tenho [mais] leitura para as férias

por aqui tinha revelado dois dos livros que vão "de férias" comigo. Também levarei "de férias" alguns da nova colecção do Público. Eu até sempre fui um ávido leitor de policiais.
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quarta-feira, julho 06, 2005

Muito mais que desporto...

... e muito para além do desporto. Londres venceu na recta final e vai organizar os Jogos Olímpicos de 2012. Tony Blair derrota Jacques Chirac, once again...
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Entrevista? Qual entrevista?

Anda para aí tudo a falar de uma importante entrevista que não sei quem deu a um canal de televisão ontem à noite. Não dei conta de nenhuma importante entrevista. Ontem à noite, na televisão, apenas vi o engenheiro Sócrates debitar os lugares-comuns do costume [na SIC].
Se alguém souber alguma coisa da outra entrevista - a importante - diga qualquer coisa.

terça-feira, julho 05, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 4

Morphine, Cure For Pain [Rykodisc, 1993]

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Dawna / Buena / I'm Free Now / All Wrong / Candy / A Head with Wings / In Spite of Me / Thursday / Cure For Pain / Mary Won't You Call My Name / Let's Take a Trip Together / Sheila / Miles Davis' Funeral

Comprei este álbum por completamente ?às cegas? em 1994. Foi-me recomendado na Novalmedina, em Coimbra, por um dos empregados da altura. Levei-o para casa e durante largas semanas não ouvi mais nada. Um álbum tão viciante como a própria morfina. Mark Sandman, Dana Colley e Billy Conway construiram com 13 temas um dos álbuns mais assombrosos que alguma vez ouvi. O baixo de duas cordas de Sandman, os saxofones de Colley e a bateria sóbria de Conway alicerçam a voz de Sandman e as suas palavras. Aquela voz e aquelas palavras. Nunca soube classificar os Morphine. Alguém uma vez me disse que eles eram a melhor banda de guitarras sem guitarras do mundo. Rock, jazz, blues e mais qualquer coisa. Tudo isso e nada disso.
Deles ouvi tudo o resto. A eles vi-os ao vivo quando tocaram por cá pela primeira vez [num esplendoroso final de tarde na Gare Marítima de Alcântara no primeiro Super Bock Super Rock, em 1996] e voltei a vê-los em Coimbra. Ainda me lembro choque que senti ao saber da morte de Mark Sandman em palco, durante um concerto em Roma a 3 de Julho de 1999.

.../...

No ano da edição de Cure For Pain eu andava pela Figueira da Foz, fazendo o meu estágio profissional e frequentando a Sagres, o Jet Set e, principalmente, o Bergantim. Portugal começava a fartar-se de Cavaco Silva - já lá iam quase dez anos de cavaquismo - e alegrava-se com PoSat 1, o primeiro satélite português. Lá por fora, a Checoslováquia deixava de o ser para dar lugar à República Checa e à Eslováquia; Bill Clinton derrotava George Bush e mudava-se para a Casa Branca; Lorena Bobbitt deixa o marido sem o abono de família; dois rapazinhos de Liverpool de 11 anos chocavamm o mundo com o assassínio de James Bulger [de 2 anos]; no Rio de Janeiro a polícia levava a cabo os massacres da Candelária e do Vigário Geral; a União Europeia nascia a 1 de Novembro; Pablo Escobar, o infame líder do não menos infame cartel de Medellin, era abatido na Colômbia; e Israel e o Vaticano estabeleciam relações diplomáticas.

segunda-feira, julho 04, 2005

Free Madeira!

Alberto João Jardim strikes again. Não quer chineses nem indianos lá no paraíso madeirense.

Independência para a Madeira já!

A quem possa interessar

O concerto dos Jesus and the Mary Chain a que me refiro três posts abaixo aconteceu em Dezembro de 88. Fica o esclarecimento da minha dúvida, cortesia Barbed Wire em comentário ao tal post [se eu não fosse tão preguiçoso teria ido eu próprio aos meus "arquivos" procurar a data exacta... Enfim...].

Vou almoçar

Abertura dos telejornais [como se dizia "antigamente"...]: o regresso ao trabalho das equipas de futebol do ésse-éle-bê e do fê-cê-pê, mais uma trapalhada qualquer com um jogador dos primeiros. Haja bola que mais tarde a malta pensa no défice.
Vou almoçar.

[Escapou-me a abertura do noticiário da RTP]

sexta-feira, julho 01, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 3

The Jesus and Mary Chain, Psychocandy [WEA Records, 1985]
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Just Like Honey / The Living End / Taste The Floor / The Hardest Walk / Cut Dead / In A Hole / Taste of Candy / Some Candy Talking / Never Understand / Inside Me / Sowing Seeds / My Little Underground / You Trip Me Up / Something's Wrong / It's So Hard

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Uma verdadeira bomba sonora na altura da sua edição. Espantoso e incompreendido. Contava-se alguns anos depois que várias lojas devolveram os discos à procedência devido aos problemas com a qualidade sonora dos objectos [ruído, feedbacks...]. Por mim, este disco sempre foi uma espécie de deturpação de uma conhecida expressão idiomática inglesa, sheep in wolf's clothing [*]. Explicando: Psychocandy é um álbum pop [sheep] vestido de ruido e distorção [wolf]. William e Jim Reid, os dois irmãos que sempre foram o motor dos The Jesus and Mary Chain, nunca mais igualariam o esplendor da sua obra de estreia, mas esta só por si garante-lhes bem mais que uma nota de rodapé na história da música pop-rock.
Vi os JAMC por três vezes em concertos em Portugal, mas apenas o primeiro recordo com moderada saudade: aconteceu no Pavilhão do Clube de Futebol Os Belenenses [pois, o do Restelo...] em 1987 ou 1988 [a memória já começa a pregar partidas...]. Lembro-me de ter ido com L. [comparsa musical da altura, actualmente colega de trabalho após muitas voltas profissionias]. Lembro-me que entrámos muito cedo no pavilhão, tão cedo aliás que nem nos pediram bilhete e assistimos ao ensaio de som dos JAMC! Lembro-me de ter comido pouquíssimo nesse dia, mas de em contrapartida ter fumado muitos SG Gigantes. Lembro-me da guerra que Jim com o suporte do microfone e as colunas de monição [que atirou várias vezes para o fosso entre o palco e o público, para desespero dos roadies]. Lembro-me principalmente do ambiente carregado, da tensão, da intensidade musical dos JAMC. Um concerto memorável.
Dos JAMC apenas ouvi mais um álbum [Darklands, que nunca comprei] e nunca mais ouvi canções como as de Psychocandy. Aliás, canções como as de Psychocandy não há. Só aquelas 15.

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Em 1985, Portugal elegia pela primeira vez Cavaco Silva primeiro ministro [ainda sem maioria absoluta], na Grã-Bretanha fazia-se a primeira chamada de telemóvel, na União Soviética Mikhail Gorbatschev chegava a líder do PCUS, na Nova Zelândia o navio Rainbow Warrior [da Greenpeace] era alvo de atentado à bomba e afundado [cortesia dos serviços secretos franceses], nos Estados Unidos era publicada a primeira tira de Calvin & Hobbes em Londres e Nova Iorque acontecia o Live Aid [o tal que agora vai ser repetido]. Nesse ano eu transitava do 10º para o 11º ano e musicalmente dividia-me entre o que na altura se designava como som da frente e o heavy metal [perante a incompreensão de headbangers e vanguardistas...].

.../...

[*] A wolf in sheep's clothing é a expressão idiomática

Cromos

Da bola. Aqui. Uma excelente ideia para um blog. Deixo aqui um dos cromos que já lá foram colados [roubei-o, espero que o HMémnon me desculpe].
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quarta-feira, junho 29, 2005

Todos iguais...

... mas há sempre uns mais iguais que outros. Ainda não consegui ler / ouvir sobre os enfermeiros[as] que estão hoje em greve nem um décimo do que se disse / escreveu a propósito da greve dos professores e da manifestação dos polícias. Então os doentes não têm direitos? Onde estão as vozes indignadas do costume? Andarão distraidos? Saberão que a maioria dos[as] enfermeiros[as] também são funcionários públicos? Estarão de férias?

Never look back

[ou outra play list, só que desta vez sem motivo aparente]

Propaganda: Das Testament Des Mabuse
Altered Images: Don't Talk To Me About Love
Siouxsie and The Banshees: Hong Kong Garden
The Damned: Anything
Richard Hell and The Voidoids: Time
The Woodentops: Give It Time
X-Ray Spex: Germ-Free Adolescents
Wha!: Better Scream
Pete Wylie: Sinful
Sisters of Mercy: Lucretia [My Reflection]
Danielle Dax: Sleep Has No Property
Ministry: Everyday Is Halloween
Tones on Tail: Go
J.J. Burnel: Freddie Laker [Concorde & Eurobus]
Sugarcubes: Birthday [Jim and William Reid mix]
Public Image Ltd.: Theme
Altered Images: Now That You're Here
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terça-feira, junho 28, 2005

What the fuck is a...

José Eduardo Moniz?
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Lixo virtual

Você está usando 18 MB (1%) de 2341 MB no momento.

É um acumular de tralha inútil que só visto... Como a imagem abaixo, por exemplo. Anda tanta gente a desenvolver as tecnologias da informação e da comunicação [as TICs, não confundir com tiques...] para que os internautas andem a trocar imagens destas...

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Tanta algazarra por nada

Anda por aí um burburinho ensurdecedor a propósito das incorrecções [erros?] nas contas do orçamento rectificativo apresentado pelo governo socrático à Assembleia da República [na sexta feira, às 23h00...]. Não entendo a razão de tanto barulho. Pelo menos desde os tempos de Miguel Cadilhe - nos governos de Cavaco Silva - que ouço falar de erros, incorrecções e cálculos mal feitos nas contas públicas apresentadas por todos os [des]governos cá da terrinha [*]. Qual é a novidade? Qual é a surpresa? Onde está a notícia?
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[Aposto que o senhor da foto também não percebe...]

[*] E só consigo recuar até Cadilhe porque antes disso tinha outras prioridades na vida e não lia jornais nem via noticiários. Quando se é um puto imberbe há coisas bem mais interessantes na vida que orçamentos, défices, balanças comerciais e outras brincadeiras de economistas.

Morning sickness [*]

Tenho por hábito ligar a televisão pela manhã, antes de sair de casa. Normalmente espreito a RTP e a SIC Notícias para saber as primeiras novidades. Hoje escapou-me o dedo sobre o comando para a estação dirigida pelo marido de Manuela "Olá Eu" Moura "Sou A" Guedes. Apanho a notícia da explosão de ontem à noite na Rua de Santa Catarina no Porto, com direito ao inevitável directo do local e às mais que escusadas entrevistas com os mirones de ocasião. Em escassos minutos a jovem repórter [?] consegue deixar-me à beira do vómito. Primeiro "entrevistou" uma familiar das vítimas mortais. Depois entrevistou uma senhora que só ali estava porque "queria ver", à qual resolveu perguntar se já alguma vez tinha acontecido algo de semelhante naqueles prédios... Finalmente a jovem "repórter" termina, dizendo que no local apenas se encontra uma retroescavadora da Cãmara do Porto. No estúdio o pivot recebe a emissão dizendo que se "continua à espera que alguém se digne vir explicar o que aconteceu" [cito de memória]. Regresso à SIC Notícias que entretanto já havia terminado o intervalo para a publicidade. Vejo Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, a prestar os esclarecimentos possíveis [declarações gravadas durante a noite anterior]. Vejo o comandante de uma corporação de bombeiros [suponho que os Sapadores, mas não garanto] portuense explicar o que é possível explicar [declarações gravadas na noite anterior também]. Conclusão: além do já usual vómito a que José Eduardo Moniz gosta de chamar jornalismo, a TVI acrescenta agora a mentira deliberada ao seu trabalho.

[*] Tradução livre: enjoo matinal; tradução heavy: vómito matinal

P.S.: Não há em Portugal entidades que vigiam e punem os desvios ético-deontológicos dos jornalistas? Ou será que essas entidades não têm jurisdição sobre os patrões, administradores e assalariados da TVI? É que realmente, considerar jornalismo aquilo que a TVI faz é um exagero descomunal...

sábado, junho 25, 2005

Play list for a friend... [private joke]

Bob Marley - I Shot The Sheriff
Body Count - Cop Killer
Guns'n'Roses - Shotgun Blues
Rage Against The Machine - Bullet in the Head
Smashing Pumpkins - Bullet With Butterfly Wings
Duran Duran - Of Crime and Passion
Motorhead - Ain't My Crime
Slayer - Criminally Insane
Fun Lovin' Criminals - Crime and Punishment
Judas Priest - Breaking The Law
The Prodigy - Their Law
Anthrax - I Am The Law
Sonny Curtis & The Crickets - I Fought The Law
Black Sabbath - Guilty As Hell
dEUS - Guilty Pleasures
Classix Nouveau - Guilty
Guano Apes - Innocent Greed
Therapy? - Innocent X
Nick Cave & The Bad Seeds - Wanted Man
Fear Factory - Scapegoat
Nailbomb - Police Truck
Sepultura - Polícia
Mão Morta - Bófia
Leonard Cohen - Jazz Police
Whitesnake - Judgement Day
Napalm Death - Judicial Slime
Sonic Youth - Justice Is Might
Led Zeppelin - Gallow's Pole
Elvis Presley - Jailhouse Rock
Johnny Cash - Folsom Prison Bues
Thin Lizzy - Jailbreak
Metallica - Escape
Queen - I Want To Break Free
Saxon - Set Me Free
Helloween - Cry For Freedom
Alice Cooper - Freedom
Nina Hagen - Freedom Fighter
Deep Purple - Cry Free
Iron Maiden - Running Free
The Beatles- Free As A Bird
Lenny Kravitz - Freedom Train
T-Rex - Free Angel
The Soup Dragons - I'm Free
Morphine - I'm Free Now
Frank Zappa - Absolutely Free
W.A.S.P. - Forever Free
The Clash - Stay Free
Sex Pistols - Holidays in the Sun
Rolling Stones - Going Home
Sérgio Godinho - Liberdade
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[Confra: Boa estadia!]

sexta-feira, junho 24, 2005

Já tenho leitura para as férias [mas daqui até lá...]

Isto, claro, se resistir à leitura de dois dos livros já escolhidos antes que elas cheguem... Porque daqui até aos 10 dias em que me vou esconder num recanto que eu cá sei [e não divulgo...] ainda falta taaaanto tempo.
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Depois desses dias a recarregar baterias também já sei onde vou gastar muita energia... Mas isso eu já tinha divulgado.
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quinta-feira, junho 23, 2005

Por outro lado...

... estou triste com o facto de os Açores já não fazerem parte de Portugal. Por muitas razões. Enfim, espero que se transformem rapidamente num próspero Estado.
A quem gostava de dar os parabéns pela independência era a Alberto João Jardim e à sua Madeira e isso não tem nada que ver com a primeira página do Público de hoje ["Dívida pública da Madeira duplica em dois anos"]... Mas lá que a independência da Madeira era uma boa contribuição para a redução do défice português... Fica a sugestão.
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Saudações à República Açoreana

A Região Autónoma dos Açores já não o é. Soube logo pela manhã que Os Açores são agora um Estado independente de Portugal. Pelo menos é o que infiro da declaração de Maria de Lurdes Rodrigues, ministra portuguesa da Educação, sobre uma decisão de um tribunal - o Tribunal Administrativo de Ponta Delgada - açoreano: "[a decisão] não respeita à república portuguesa, portanto não respeita ao nosso sistema."
As minhas saudações ao novo Estado.

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quarta-feira, junho 22, 2005

Ainda o défice

Neste momento a SIC Notícias dá conta de mais um dos incêndios que assolam o país [este é em Vila Flor]. Alguém contabilizou já quanto o Estado poderia poupar se não gastasse todos os anos os milhões que gasta a combater os "inevitáveis" incêndios florestais, que só são inevitáveis devido à incompetência generalizada? Eu que não sou economista [cruzes-canhoto!] imagino que esses milhões abatidos na despesa pública devem representar para aí umas décimas no défice...
[Entretanto a SIC Notícias já mudou de assunto: está a falar de... um incêndio em Malveira da Serra].

Claro, claro.... Agora os sacrifícios tocam a todos...

[Ainda a propósito do post anterior]

Não me fodam
! Toca-me a mim e aos do costume. Alguém está a ver, por exemplo, a banca e os seguros a fazer um sacrificiozito pelo bem da nação?... Então não!

Demagógico, eu? Seja. Mas ao fim de tantos anos a sacrificar-me - a pagar impostos que outros com maiores rendimentos que eu nunca pagaram nem nunca pagarão e depois de ter pago boa parte do meu curso enquanto outros com maiores rendimentos que a minha família não pagaram - acho que tenho uma pontinha de direito à indignação. E até a ser, quiçá, demagógico.
Sacrifícios? Repito: não me fodam!

Para a fogueira, já!

Sente-se por aí uma sanha persecutória contra os funcionários públicos em geral e os professores em particular feita de algumas verdades, variadas injustiças, múltiplas meias-verdades, diversos equívocos e muitas mentiras. Lendo e ouvindo alguns opinion-makers e diferentes wanna-be opinion-makers [que são muito lidos lá no bairro e no escritório], fica-se com a ideia que os únicos responsáveis pela degradada situação económico-financeira a que o país chegou são os funcionários públicos e os professores.
Nada a apontar aos políticos que anos a fio foram engordando o Estado criando, aliás, inventando cargos para os seus inúmeros clientes. Nada a apontar aos políticos [nacionais, regionais e locais] que construiram mamarrachos e elefantes brancos por todo o lado, desbaratando os milhões que a União Europeia por cá despejou para que o país modernizasse as suas infra-estruturas e solidificasse a sua economia.
Nada a apontar aos empresários, muito liberais e muito a favor da livre-iniciativa, que receberam milhões da UE para que modernizassem as suas empresas e aumentassem a produtividade mas que, em vez disso, compraram automóveis de luxo e construiram palácios.
Nada a apontar aos profissionais liberais que não declaram, nem de perto nem de longe. o que recebem ao fisco, espoliando o Estado em milhões e milhões de euros todos os anos. Nada a apontar aos que, anos a fio, têm permitido que tal aconteça.
Nada a apontar a ninguém. Excepto aos "chulos" da função pública e aos professores, essa corja de ladrões acomodados que vive à custa dos desgraçados que pagam impostos.

F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O!

Este texto escapou-me. Saiu no Jornal de Notícias [Caderno Centro] de ontem. Podem lê-lo aqui. Alguém se deu ao trabalho [serviço público, diria...] de o transcrever.
Deveria ser leitura obrigatória para qualquer cidadão português [ou até de qualquer outro país desta Europa cada vez menos unida...].

[Leiam o texto. Perceberão porque soletri o título do presente post...]

É uma questão de Fé

A Comissão Europeia não acredita que Portugal consiga reduzir o demoníaco défice para limites razoáveis - os tais 3%. Eu diria que José Sócrates e o governo - e todos os que têm um módico de senso - também não acreditam que o governo seja capaz de o fazer. Parece-me, contudo, que Sócrates e o ministro das Finanças têm Fé que o milagre aconteça. Já eu - e, pelos vistos, a Comissão Europeia também - não sou muito dado a estas coisas da Fé e dos milagres.

segunda-feira, junho 20, 2005

Não percebi...

A senhora ministra da Educação disse ontem que conta com o sentido de responsabilidade dos professores para que os exames nacionais decorram com normalidade. Deve ser por isso que convocou todos os professores para garantirem os serviços mínimos...

sexta-feira, junho 17, 2005

De novo o congelador


Acho que a União Europeia está a precisar desesperadamente de um congelador [como aliás já por aqui se insinuou há uns dias, a propósito do congelamento da ratificação do Tratado Constitucional por parte do Reino Unido]. Agora é preciso congelar um cheque qualquer. Britânico, pois então...

[Some of] the music that rocked my world # 2

Bauhaus, In The Flat Field [4AD Records, 1980]
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Double Dare / In The Flat Field / A God In An Alcove / Drive / A Spy In The Cab / Small Talk Stinks / St. Vitus Dance / Stigmta Martyr / Nerves

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Os Bauhaus estreiam-se no formato longa-duração num ano que ficou em Portugal marcado pela explosão do "rock português" e por uma outra explosão que iria matar Francisco Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e acompanhantes. Lá fora Ian Curtis [vocalista dos míticos Joy Division] suicidava-se, John Bonham [baterista dos gigantescos Led Zeppelin] e Bon Scott [vocalista dos "cangurus" AC/DC] bebiam até à morte e John Lennon [ex-Beatles] era assassinado em Nova Iorque. O mundo perdia ainda o grande Alfred Hitchock e o filósofo Jean-Paul Sartre. À excepção da queda do Cessna de Sá Carneiro, tudo isto me passou ao lado. Nesse ano eu transitava da escola primária [a 200 metros de casa] para o ciclo prepatório [a 10 quilómetros], o que implicou o início de uma relação de oito anos com o combóio das 8h27, passava os fins de tarde de Verão a jogar à bola [o futebol viria uns anos depois...] no adro da igreja, paredes meias com o cemitério, e o resto do dia agarrado aos clássicos da literatura juvenil [Os Cinco, os heróis de Salgari]. Com 10 / 11 anos de idade a música não era ainda uma prioridade.
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Naturalmente, só ouvi In The Flat Field uns anos depois da sua edição e nem sequer foi o primeiro disco dos Bauhaus que comprei [antes desse adquiri Burning From The Inside] mas os primeiros temas da banda de Peter Murphy, Kevin Haskins, Daniel Ash e David J que ouvi estão aqui: Double Dare, In The Flat Field e Stigmata Martyr marcaram o início de uma paixão duradoura que se reavivou há uns anos aquando da sua actuação no Pavilhão Atlântico [descobri nessa noite que ainda sabia de cor várias letras...]. Antes disso havia assistido a um concerto extraordinário de Peter Murphy [em 1988 no Rivoli do Porto], numa noite que acabou, por mero acaso, na Ribeira [no Aniki-Bóbó primeiro e no Meia-Cave depois]. Ainda hoje, mesmo raramente os ouvindo, a obra dos Bauhaus [essencialmente em vinil] ocupa um lugar priviligiado na minha discografia.

quinta-feira, junho 16, 2005

quarta-feira, junho 15, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 1

Nota prévia: Deu-me para isto. Podia ter-me dado para pior [aguentem: isto é um blog pessoal - e meu - por isso faço aqui o que me apetecer!]. Começaram por ser dez a que acrescentei mais dez e depois mais cinco e entretanto já vai nos trinta e seis. E talvez nem pare por aí.... É uma lista de álbuns [à qual se há-de juntar outra de livros e mais uma de filmes] que, de uma forma ou de outra, agitaram algum período da minha vida. Começo com, salvo erro, o primeiro LP [long play - aqueles discos de vinil que rodavam num gira-discos a 33 rotações por minuto, para os jovens desatentos...] que comprei, teria os meus 15 anos [glup!...]. Há uma eternidade portanto.

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Bruce Springsteen, Born in the U.S.A. [CBS, 19984]



Born in the USA / Cover Me / Darlington County / Working On The Highway / Downbound Train / I'm On Fire / No Surrender / Bobby Jean / I'm Goin' Down / Glory Days / Dancing in the Dark / My Hometown

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Estávamos pois em 1984 quando saiu este álbum: televisão a cores era ainda um luxo, o telefone idem; António Variações morreria nesse ano de uma doença misteriosa; em Portugal havia salários em atraso, passava-se fome em Setúbal e ainda não tínhamos entrado na Comunidade Económica Europeia; a selecção portuguesa de futebol foi nesse ano eliminada nas meias-finais do Campeonato Europeu de futebol em França [pelo sacana do Michel Platini que valia por uma equipa toda!]; eu fazia dois quilómetros de bicicleta até à estação onde apanhava o combóio das 8h27 para ir para a escola onde a minhas colegas adoravam o George Michael [nós bem as avisávamos de que o gajo era... enfim... aquilo que se veio a conformar anos mais tarde] e uns tais de Kajagoogoo [alguém se lembra destes cromos?], concertos de bandas estrangeiras em Portugal eram uma raridade e em Novembro era lançado o Blitz, jornal que haveria de ser uma pequena revolução no panorama musical português.

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Só ouvi mais um álbum de Springsteen, por acaso anterior e superior a este - The River - em casa de um amigo de escola que tinha um irmão mais velho com uma bela colecção de discos. Foi aí - numa aldeia do Ribatejo norte, caramba! - que descobri os Ramones. Em casa de outro amigo - na altura apenas vizinho mais velho - haveria de descobrir os Rolling Stones, a Nina Hagen, algum punk rock e algum heavy metal [que na altura era tudo só rock da pesada...]. Regresso a Born In The USA: não o ouço há anos e já nem sei exactamente onde pára. Rapidamente a minha atenção iria centrar-se em outros sons, por culpa, principalmente, de António Sérgio [o homem do Som da Frente da Rádio Comercial] e, também, do Blitz.

terça-feira, junho 14, 2005

Isto era para ser uma adenda ao post anterior...

... mas acho que os números valem um post por si só.

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Marco de Canaveses [Presidente da Câmara Municipal: Avelino Ferreira Torres]
População: 52 mil habitantes
Taxa de abandono escolar: 8,3% [média nacional: 2,7%]
Taxa de saida antecipada da escola: 52,5% [média nacional: 24%]
Taxa da população sem acesso à rede de água: 76% [média nacional: 22%]
Taxa da população sem acesso à rede de esgotos: 82% [média nacional [42%]

[Dados publicados na revista Pública no passado Domingo]

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Nota: não sou de Marco de Canaveses, não moro em Marco de Canaveses, que me recorde apenas uma vez por lá passei [decerto o Marco terá os seus encantos, mas nunca calhou lá ir] e, que eu saiba, não tenho familiares, amigos ou conhecidos nesse concelho.
Tenho ainda a impressão de que este post, com números ligeiramente diferentes, se poderia aplicar a vários outros concelhos portugueses.