... a supresa manifestada por algumas almas perante a demissão de Campos e Cunha. Com o país mergulhado na crise económica, com as finanças públicos no estado em que estão, com o défice que temos, Campos e Cunha fez o que qualquer português faz nesta altura do ano: meteu férias e foi descansar . Foi a banhos, portanto. Se calhar para o Algarve. Em Setembro logo se vê e que fica no escritório [neste caso, Fernando Teixeira dos Santos] que aguente o barco...
quinta-feira, julho 21, 2005
Bolas ao post[e]
Não se isto será exactamente um post sobre futebol. Acontece que os brasileiros são deliciosos a dar nomes aos seus filhos... Parece que o Sporting contratou. E, por outro lado, em período de preparação de nova época, sempre acho estas coisas mais interessantes [refiro-me ao nome, obviamente] que os reforços que vêm / não vêm [riscar o que não interessa] ou os jogadores que rescindem os seus contratos com / sem [riscar o que não interessa] justa causa ou os sorteios / nomeações [riscar o que... pois, isso...] de árbitros ou o sai / não sai [acho que já deu para perceber a ideia...] do dez do Real. Por exemplo.
quarta-feira, julho 20, 2005
Primeira baixa
Luís Campos e Cunha já não é ministro das Finanças. Parece que se demitiu "por razões pessoais e cansaço". Foi já substituido por Fernando Teixeira dos Santos. Esta é, até ao momento, o maior rombo na credibilidade do socrático governo.
Entretanto, da minha janela continuo a ver fumo - muito fumo - dos incêndios que vão ardendo, por enquanto, relativamente longe de Tomar [e acaba de "passar" mais uma sirene em direcção a norte].
Entretanto, da minha janela continuo a ver fumo - muito fumo - dos incêndios que vão ardendo, por enquanto, relativamente longe de Tomar [e acaba de "passar" mais uma sirene em direcção a norte].
Ano de colheita: 1969 [2]
... e como se não bastasse ainda fui descobrir que filmes foram lançados nesse ano:
... e ainda que, nesse ano, vieram também ao mundo: Michael Schummacher, Brian Warner [que anos mais tarde viria a ser conhecido como ... Marylin Manson], David Grohl [dos Nirvana e Foo Fighters], Gabriel 'Batigol' Batistuta, Renée Zellweger, Cate Blanchett, Steffi Graf [lembram-se?] , Oliver Kahn, Edward Norton, Christian Slater, PJ Harvey e Catherine Zeta-Jones.
A quantidade de inutilidades que ficamos a saber com meia duzia de cliques é espantosa. Demasiado tempo livre, é o que é!
Bullit [de Peter Yates, com Steve McQueen, Robert Vaughn e Jacquline Bisset]
Butch Cassidy and the Sundance Kid [de George Roy Hill, com Paul Newman e Robert Redford]
Midnight Cowboy [de John Schlesinger, com Dustin Hoffman e Jon Voigt; ganhou o Óscar para Melhor Filme de 1969]
Easy Rider [de Dennis Hopper, com Peter Fonda e Dennis Hopper]
Z [de Costa-Gravas, com Jean-Louis Trintignant, Yves Montand e Irene Papas]
Butch Cassidy and the Sundance Kid [de George Roy Hill, com Paul Newman e Robert Redford]
Midnight Cowboy [de John Schlesinger, com Dustin Hoffman e Jon Voigt; ganhou o Óscar para Melhor Filme de 1969]
Easy Rider [de Dennis Hopper, com Peter Fonda e Dennis Hopper]
Z [de Costa-Gravas, com Jean-Louis Trintignant, Yves Montand e Irene Papas]
... e ainda que, nesse ano, vieram também ao mundo: Michael Schummacher, Brian Warner [que anos mais tarde viria a ser conhecido como ... Marylin Manson], David Grohl [dos Nirvana e Foo Fighters], Gabriel 'Batigol' Batistuta, Renée Zellweger, Cate Blanchett, Steffi Graf [lembram-se?] , Oliver Kahn, Edward Norton, Christian Slater, PJ Harvey e Catherine Zeta-Jones.
A quantidade de inutilidades que ficamos a saber com meia duzia de cliques é espantosa. Demasiado tempo livre, é o que é!
Ano de colheita: 1969
Às vezes dá-me para estas coisas. Dei por aí, quer dizer pela Net, umas voltas para descobrir que discos vieram no ano em que eu próprio cá cheguei. Acho que estive razoavelmente bem acompanhado:
Space Oddity, David Bowie
The Soft Parade, The Doors
I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama!, Janis Joplin
Clouds, Joni Mitchell
In The Court of the Crimson King, King Crimson
Led Zeppelin e Led Zeppelin II, Led Zeppelin
Ummagumma e More, Pink Floyd
Let It Bleed!, The Rolling Stones [curiosamente usei - há uns tempos - a capa deste álbum no convite para a minha festa de aniversário este ano, sem saber o ano da edição do álbum]

The Stooges, The Stooges
Astral Weeks, Van Morrison
The Velvet Underground, The Velvet Underground
Hot Rats, Frank Zappa
The Soft Parade, The Doors
I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama!, Janis Joplin
Clouds, Joni Mitchell
In The Court of the Crimson King, King Crimson
Led Zeppelin e Led Zeppelin II, Led Zeppelin
Ummagumma e More, Pink Floyd
Let It Bleed!, The Rolling Stones [curiosamente usei - há uns tempos - a capa deste álbum no convite para a minha festa de aniversário este ano, sem saber o ano da edição do álbum]

The Stooges, The Stooges
Astral Weeks, Van Morrison
The Velvet Underground, The Velvet Underground
Hot Rats, Frank Zappa
Prioridades...
Entre os mil e um [mais coisa, menos coisa] problemas que afectam a sociedade portuguesa, este é verdadeiramente o que mais preocupa os portugueses... O homem até disse outras coisas na tal entrevista, mas o que realmente nos preocupa a todos é saber se ele vai ou não sair do governo para se candidatar à Presidência da República.

Give me a break!...
terça-feira, julho 19, 2005
[Some of] the music that rocked my world # 6

London Calling / Brand New Cadillac / Jimmy Jazz / Hateful / Rudie Can't Fail / Spanish Bombs / The Right Profile / Lost in the Supermarket / Clampdown / The Guns of Brixton / Wrong 'Em Boyd / Death or Glory / Koka Kola / The Card Cheat / Lover's Rock / Four Horsemen / I'm Not Down / Revolution Rock / Train In Vain
.../...
O melhor álbum da mais politizada e versátil banda do movimento que em meados dos anos 70 abalou o mundo do rock [ou se calhar apenas Londres e Nova Iorque...]. Ouvi este disco já na segunda metade dos anos 80 [87, 88... Por aí] numa cassete, provavelmente BASF, que tanta audição deixaria num estado lamentável [entretanto comprei a edição especial saida por altura do 25º aniversário da edição original]. London Calling tem algumas das melhores canções gravadas pelos The Clash [London Calling, Rudie Can't Fail, Spanish Bombs, The Guns of Brixton ou Revolution Rock, por exemplo] e tem "só" uma das mais fantásticas linhas de baixo que alguma vez ouvi [obviamente a do tema título]. London Calling ganha ainda uma dimensão superior na história do punk - e do rock - pela abertura a [e mistura de] géneros musicais, à época, praticamente marginais. Foi com London Calling que percebi que o punk era muito mais que dois ou três acordes [mal tocados] e meio slogan [pseudo?] político. Com London Calling, ouvido vários anos após a sua edição original, percebi também que o punk estava já bem morto e enterrado, ao contrário da opinião de alguns teimosos [em finais dos anos 80 era corrente o dito Punk's not dead].
Anos depois haveria de encontrar Sandinista [demasiado longo] e Combat Rock [o princípio do fim dos Clash] num alfarrabista em Coimbra [aquele que fica mesmo debaixo do Arco de Almedina, por onde eu passava todos os dias]. Ainda haveria de ouvir o lamentável Cut The Crap [safam-se, à justa, This Is England e We Are The Clash...].
.../...
Tenho vagas lembranças do ano de 1979. Nesse ano começava despedir-me da escola primária e recordo ainda uma viagem de família à Bélgica [de combóio]. Lá por fora o Irão vivia um período atribulado com a fuga do Xá Reza Pahlavi e o regresso do Ayatollah Khomeini, que haveria de liderar a revolução islâmica, e ao lado - no Iraque - um certo Saddam Hussein tornava-se presidente; ainda mais ao lado, a União Soviética invadia o Afeganistão; na Casa Branca, o egípcio Anwar Sadat e o israelita Menachem Begin assinavam um tratado de paz; no Reino Unido Margaret Thatcher era eleita pela primeira vez e, por falar em primeira vez, o Papa João Paulo II visitava a sua Polónia natal naquela que foi a primeira visita oficial de um Papa a um país do bloco comunista. 1979 foi ainda o ano de quatro excelentes filmes: Alien com Sigourney Weaver, Apocalypse Now de Francis Ford Coppola, Mad Max com Mel Gibson e The Life of Brian dos delirantes Monty Python. Na música o disco sound dominava as tabelas de vendas, a new wave crescia, enquanto o punk definhava e a Sony colocava à venda o primeiro walkman [por si só uma revolução no consumo musical]. Por cá, vivia-se ainda [n]a ressaca do 25 de Abril e Maria de Lurdes Pintassilgo era nomeada líder do governo.
.../.../...
Post arquivado em As colunas [sem surround]
sábado, julho 16, 2005
Por acaso...
... a moto-serra também faz um belo estrago. Notoriamente para fanáticos do Texas Chainsaw Massacre. Claro que isto pode ser tentado em qualquer site e com variadas armas de destruição massiva. Até mesmo num inútil blog...Try it.
sexta-feira, julho 15, 2005
Desastres na Net
Netdisaster. Divirtam-se a arruinar sites. Eu dei cabo do portal do governo... Com tomates. E não só...

Tenho pena dos lisboetas [provocação]
Em Outubro vão escolher entre o marido de Bábá Guimarães e aquele senhor que substituiu o menino-guerreiro enquanto este esteve entretido a desgovernar o país. Claro que há outros candidatos, mas a escolha vai ser entre estes dois. Como não vão escolher José Sá Fernandes, depois não venham queixar-se, que nessa altura eu encolherei os ombros e pensarei: "Cada um tem aquilo que merece." [*]. E entre o marido da tv personality e o substituto venha o diabo e escolha [**].
Como o lamento.
[*] O mesmo poderia dizer de Amarante, Oeiras, Matosinhos ou até da Madeira...
[**] O substituto tem pelo menos a vantagem de não andar, que eu saiba, a espalhar alarvidades pela Internet. Já é um começo.
Como o lamento.
[*] O mesmo poderia dizer de Amarante, Oeiras, Matosinhos ou até da Madeira...
[**] O substituto tem pelo menos a vantagem de não andar, que eu saiba, a espalhar alarvidades pela Internet. Já é um começo.
Trinta mil
Ouvi ontem que este ano já arderam 30 mil hectares de floresta em Portugal. Trinta mil. 30 ooo. Trinta. Mil.
O equivalente a trinta mil campos de futebol. Não será já suficiente?
O equivalente a trinta mil campos de futebol. Não será já suficiente?

[Update: a propósito de incêndios florestais, prevenção e combate, consultar o sempre lúcido Estrago da Nação]
quinta-feira, julho 14, 2005
Reencontros
1. Com Frank Zappa. Cruzei-me esporadicamente com Zappa ao longo dos anos mas, confesso, nunca lhe prestei a atenção devida. Nas últimas semanas tenho desenvolvido uma espécie de obsessão pelo artista.
2. Com um antigo professor. Um dos melhores professores que tive, com um sentido de humor apuradíssimo, é um Casmurro militante. E autor de um dos melhores blogs portugueses. E continua com o humor apuradíssimo.
3. Com Sherlock Holmes [e o romance policial]. Devorei os relatos do seu caro Watson há uns anos. Agora, por culpa do Público via Um Estudo em Vermelho [colecção 9mm], ando novamente obcecado por detectives, assassinos e mulheres fatais.
4. Com Nick Cave. Já por aqui referi este reencontro. Devorei os seus trabalhos até Tender Prey. Depois disso, e apesar de Henry's Dream e Let Love In não serem exactamente maus discos, foi sempre a descer. Reencontrei o australiano mais negro do planeta em Abattoir Blues / The Lyre of Orpheus. Acho que até já lhe perdoei as pieguices de The Good Son ou de The Boatman's Call...
5. [Update: imperdoável esquecimento, mas vindo de um devorador de electrónicas até se compreende, não se perdoa mas compreende-se...] Com o Rock. Não o reencontrei nos Strokes, Interpol ou Killers. Já nos The White Stripes [finalmente convenceram-me...], Yeah Yeah Yeahs [idem idem " "], The Kills, !!! e mais recentemente, nos Art Brut, Arcade Fire, Sleater-Kinney, M83 e Mobius Band o rock palpita e teima em não morrer. Louve-se-lhe a resistência.
2. Com um antigo professor. Um dos melhores professores que tive, com um sentido de humor apuradíssimo, é um Casmurro militante. E autor de um dos melhores blogs portugueses. E continua com o humor apuradíssimo.
3. Com Sherlock Holmes [e o romance policial]. Devorei os relatos do seu caro Watson há uns anos. Agora, por culpa do Público via Um Estudo em Vermelho [colecção 9mm], ando novamente obcecado por detectives, assassinos e mulheres fatais.
4. Com Nick Cave. Já por aqui referi este reencontro. Devorei os seus trabalhos até Tender Prey. Depois disso, e apesar de Henry's Dream e Let Love In não serem exactamente maus discos, foi sempre a descer. Reencontrei o australiano mais negro do planeta em Abattoir Blues / The Lyre of Orpheus. Acho que até já lhe perdoei as pieguices de The Good Son ou de The Boatman's Call...
5. [Update: imperdoável esquecimento, mas vindo de um devorador de electrónicas até se compreende, não se perdoa mas compreende-se...] Com o Rock. Não o reencontrei nos Strokes, Interpol ou Killers. Já nos The White Stripes [finalmente convenceram-me...], Yeah Yeah Yeahs [idem idem " "], The Kills, !!! e mais recentemente, nos Art Brut, Arcade Fire, Sleater-Kinney, M83 e Mobius Band o rock palpita e teima em não morrer. Louve-se-lhe a resistência.
quarta-feira, julho 13, 2005
Os mortos "deles" valem menos que os "nossos"
1. Hoje morreram quase três dezenas de pessoas em Bagdad na sequência de mais um atentado contra as tropas norte-americanas. Só que os mortos e os feridos são quase todos iraquianos. E crianças. Menos de uma semana depois das bombas de Londres, quantos minutos, quantos directos houve nas televisões ocidentais? Os mortos "deles", mesmo que sejam crianças, valem menos que os "nossos".
2. Segundo o Público morreram 24 crianças e 18 ficaram feridas. Já para a BBC "At least 26 Iraqis, almost all of them children, have been killed [...]" enquanto a "insuspeita" Al Jazeera diz que "Up to 27 people, including seven children, have been killed and at least 18 wounded by a car bomb in Baghdad [...]". A realidade é variável.
2. Segundo o Público morreram 24 crianças e 18 ficaram feridas. Já para a BBC "At least 26 Iraqis, almost all of them children, have been killed [...]" enquanto a "insuspeita" Al Jazeera diz que "Up to 27 people, including seven children, have been killed and at least 18 wounded by a car bomb in Baghdad [...]". A realidade é variável.
[Some of] the music that rocked my world # 5
Mão Morta, Mutantes S. 21 [Fungui, 1992]


Lisboa [Por Entre as Sombras e o Lixo] / Amesterdão [Have Big Fun] / Budapeste [Sempre a Rock & Rollar] / Barcelona [Encontrei-a na Plaza Real] / Marraquexe [Pç. das Moscas Mortas] / Berlim [Morreu a Nove] / Paris [Amour A Mort] / Istambul [Um Grito] / Shambalah [O Reino da Luz]
.../...
Este foi o primeiro disco, digamos, conceptual dos Mão Morta, banda que ainda não fez [não sabe fazer?] um mau disco. Mutantes S. 21 é um álbum de cidades, ou melhor, um álbum de histórias citadinas transformadas em canções. Este é um disco de ambientes diversos, reflexo das cidades, das histórias e personagens que o percorrem. com partida em Lisboa e chegada a Shambalah [cidade imaginária, porto de abrigo, cidade-salvação talvez], os Mão Morta viajam por algumas das cidades míticas contando histórias nas quais o submundo e a decadência são o denominador comum. Este é também um disco onde os Mão Morta abordam diversas linguagens musicais dando-lhes uma personalidade própria e adaptando-as à sua própria [e muito personalizada] linguagem / estética [por exemplo, o refrão de Lisboa recorda-me sempre o rock'n'roll sujo dos Motörhead, Budapeste convoca os Velvet Underground, Paris tem nítidas influências de algum metal mais extremo]. Não acho que este seja o melhor álbum da carreira da banda de Adolfo Luxúria Caníbal, mas ainda hoje é o disco pelo qual nutro maior carinho. Vá-se lá saber porquê.
Dos Mão Morta já conhecia os trabalhos anteriores [a K7 Mão Morta e os álbuns Mão Morta, Corações Felpudos, O.D. Rainha do Rock & Crawl] e haveria de ouvir todos os seguintes e são a banda que mais vezes vi ao vivo, em diversos locais e diferentes situações. Nunca, mas nunca, me desiludiram. Nunca lhes ouvi um mau disco, nunca vi um mau concerto [e assisti a alguns verdadeiramente extraordinários]. Recordo particularmente uma noite memorável no Rivoli do Porto, num concerto com os Pop Dell'Arte, que também por aqui irão passar [*], em 1988 [um ano de grandes estreias para mim: Peter Murphy no Rivoli, The Woodentops em Matosinhos, Jesus and Mary Chain e Nick Cave & The Bad Seeds, ambos no Pavilhão do Restelo].
.../...
1992, ano da edição de Mutantes S. 21, foi pessoalmente um ano de mudanças radicais: em Setembro saí de Coimbra, comecei a trabalhar [em Fornos de Algodres!] e em Dezembro [a 15] concluí a minha licenciatura. Nesse mesmo ano desaparecia a Jugoslávia; nos Estados Unidos o serial killer Jeffrey Dahmer, o boxeur Mike Tyson, o mafioso John Gotti e o o ex-líder do Panamá Manuel Noriega eram condenados a penas de prisão enquanto os polícias que espancaram Rodney King eram absolvidos, o que levaria a vários dias de motins em Los Angeles, Bill Clinton derrota George Bush e Ross Perot na presidenciais e no Brasil Fernando Collor de Melo abandonava a presidência por corrupção; no Reino Unido, Isabel II declarava 1992 annus horribilis [devido aos variados escândalos que ao longo desse ano abalaram a monarquia]. Este foi ainda o ano em que a Igreja Católica pediu desculpas pelo processo da Inquisção contra de Galileu Galilei. Por cá, continuava a esbanjar-se os milhões da Comunidade Europeia e Cavaco Silva ainda acreditava no "p'ogresso" e num "novo homem portugês".
.../...
[*] Talvez nessa altura evoque algumas das memórias que guardo desse concerto.
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Este foi o primeiro disco, digamos, conceptual dos Mão Morta, banda que ainda não fez [não sabe fazer?] um mau disco. Mutantes S. 21 é um álbum de cidades, ou melhor, um álbum de histórias citadinas transformadas em canções. Este é um disco de ambientes diversos, reflexo das cidades, das histórias e personagens que o percorrem. com partida em Lisboa e chegada a Shambalah [cidade imaginária, porto de abrigo, cidade-salvação talvez], os Mão Morta viajam por algumas das cidades míticas contando histórias nas quais o submundo e a decadência são o denominador comum. Este é também um disco onde os Mão Morta abordam diversas linguagens musicais dando-lhes uma personalidade própria e adaptando-as à sua própria [e muito personalizada] linguagem / estética [por exemplo, o refrão de Lisboa recorda-me sempre o rock'n'roll sujo dos Motörhead, Budapeste convoca os Velvet Underground, Paris tem nítidas influências de algum metal mais extremo]. Não acho que este seja o melhor álbum da carreira da banda de Adolfo Luxúria Caníbal, mas ainda hoje é o disco pelo qual nutro maior carinho. Vá-se lá saber porquê.
Dos Mão Morta já conhecia os trabalhos anteriores [a K7 Mão Morta e os álbuns Mão Morta, Corações Felpudos, O.D. Rainha do Rock & Crawl] e haveria de ouvir todos os seguintes e são a banda que mais vezes vi ao vivo, em diversos locais e diferentes situações. Nunca, mas nunca, me desiludiram. Nunca lhes ouvi um mau disco, nunca vi um mau concerto [e assisti a alguns verdadeiramente extraordinários]. Recordo particularmente uma noite memorável no Rivoli do Porto, num concerto com os Pop Dell'Arte, que também por aqui irão passar [*], em 1988 [um ano de grandes estreias para mim: Peter Murphy no Rivoli, The Woodentops em Matosinhos, Jesus and Mary Chain e Nick Cave & The Bad Seeds, ambos no Pavilhão do Restelo].
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1992, ano da edição de Mutantes S. 21, foi pessoalmente um ano de mudanças radicais: em Setembro saí de Coimbra, comecei a trabalhar [em Fornos de Algodres!] e em Dezembro [a 15] concluí a minha licenciatura. Nesse mesmo ano desaparecia a Jugoslávia; nos Estados Unidos o serial killer Jeffrey Dahmer, o boxeur Mike Tyson, o mafioso John Gotti e o o ex-líder do Panamá Manuel Noriega eram condenados a penas de prisão enquanto os polícias que espancaram Rodney King eram absolvidos, o que levaria a vários dias de motins em Los Angeles, Bill Clinton derrota George Bush e Ross Perot na presidenciais e no Brasil Fernando Collor de Melo abandonava a presidência por corrupção; no Reino Unido, Isabel II declarava 1992 annus horribilis [devido aos variados escândalos que ao longo desse ano abalaram a monarquia]. Este foi ainda o ano em que a Igreja Católica pediu desculpas pelo processo da Inquisção contra de Galileu Galilei. Por cá, continuava a esbanjar-se os milhões da Comunidade Europeia e Cavaco Silva ainda acreditava no "p'ogresso" e num "novo homem portugês".
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[*] Talvez nessa altura evoque algumas das memórias que guardo desse concerto.
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