Incomunicável
Passe o exagero, mas a verdade é que só quando o perdemos nos apercebemos o quanto dele dependemos. Falo, naturalmente, do telemóvel. Não faço ideia onde o larguei, mas tenho a certeza que está lá em casa. O pior é que já procurei em todo o lado - até numa divisão onde não entrava há três dias! - e nada. Raisparta o sacana do telemóvel! Quando te encontrar vais janela fora...
Praia
Passei o fim de semana na costa alenteja, num pedaço de costa alentejana que ainda vai resistindo à destruição dos "promotores imobiliários" com a cumplicidade criminosa das autarquias locais. Adiante.
Domingo, meio da tarde, numa praia praticamente deserta com centenas de metros de areal. A minha leitura é interrompida pela chegada de uma família - pai, mãe, filho e namorada - à praia. Escolhem o seu poiso: três metros à minha frente. Três metros! Há centenas de metros quadrados livres no areal mas esta família deve gostar do calor humano e planta-se três metros à minha frente. Se queriam calor humano porque não foram para a Caparica, que diabo? [Nem falo do volume sonoro utilizado pelo jovem e pela namorada nas suas conversas - alto, MUITO ALTO]
Eu até gosto de ir à praia. O que eu não suporto são estas pessoas.
Cinema
Ontem à noite fui ao cinema. O filme [Sin City] nem é mau, ainda que fique algo abaixo das expectativas e não fuja muito às novelas gráficas [Sin City de Frank Miller] nas quais se baseia. Até aqui tudo bem.
Passo por cima do desconforto das cadeiras da sala [ao fim de meia hora sentado já não sei em que posição me hei-de sentar para aliviar as dores nas costas] e do cheiro a pipocas. Algumas filas atrás de mim um grupo de quatro ou cinco adolescentes insiste em comentar em voz alta - MUITO ALTA - diversas cenas, personagens e ocorrências. Pagaram bilhete, estão de férias, têm direito a divertir-se e a comentar o que passa no ecrã, não é?
Eu gosto muito de ir ao cinema e nem me importo de aguentar o desconforto das cadeiras. O que eu não suporto são estas pessoas.
Água
Regresso do cinema e passo por uma rotunda - uma das variadas, inúteis e injustificadas rotundas que o "meu" autarca resolveu espalhar pela minha cidade [Tomar]. Passam alguns minutos da meia noite e a relva da rotunda está a ser regada. A relva e o alcatrão. Fico, mais uma vez chocado. Com o exemplo que vem de cima. O país debate-se com uma seca como eu não me lembro de ter vivido, fazem-se apelos mais ou menos regulares à poupança de água e o "meu" autarca constrói rotundas - inúteis e injustificadas - que manda cobrir de relva que tem de ser regada com a água que não há. E nem falo do dinheiro - do meu dinheiro - que foi deitado à rua com estas obras [inúteis e injustificadas].
Eu até gosto - e muito - da minha cidade. O que eu não suporto são estas pessoas que assim a governam.