quarta-feira, junho 22, 2005

F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O!

Este texto escapou-me. Saiu no Jornal de Notícias [Caderno Centro] de ontem. Podem lê-lo aqui. Alguém se deu ao trabalho [serviço público, diria...] de o transcrever.
Deveria ser leitura obrigatória para qualquer cidadão português [ou até de qualquer outro país desta Europa cada vez menos unida...].

[Leiam o texto. Perceberão porque soletri o título do presente post...]

É uma questão de Fé

A Comissão Europeia não acredita que Portugal consiga reduzir o demoníaco défice para limites razoáveis - os tais 3%. Eu diria que José Sócrates e o governo - e todos os que têm um módico de senso - também não acreditam que o governo seja capaz de o fazer. Parece-me, contudo, que Sócrates e o ministro das Finanças têm Fé que o milagre aconteça. Já eu - e, pelos vistos, a Comissão Europeia também - não sou muito dado a estas coisas da Fé e dos milagres.

segunda-feira, junho 20, 2005

Não percebi...

A senhora ministra da Educação disse ontem que conta com o sentido de responsabilidade dos professores para que os exames nacionais decorram com normalidade. Deve ser por isso que convocou todos os professores para garantirem os serviços mínimos...

sexta-feira, junho 17, 2005

De novo o congelador


Acho que a União Europeia está a precisar desesperadamente de um congelador [como aliás já por aqui se insinuou há uns dias, a propósito do congelamento da ratificação do Tratado Constitucional por parte do Reino Unido]. Agora é preciso congelar um cheque qualquer. Britânico, pois então...

[Some of] the music that rocked my world # 2

Bauhaus, In The Flat Field [4AD Records, 1980]
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Double Dare / In The Flat Field / A God In An Alcove / Drive / A Spy In The Cab / Small Talk Stinks / St. Vitus Dance / Stigmta Martyr / Nerves

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Os Bauhaus estreiam-se no formato longa-duração num ano que ficou em Portugal marcado pela explosão do "rock português" e por uma outra explosão que iria matar Francisco Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e acompanhantes. Lá fora Ian Curtis [vocalista dos míticos Joy Division] suicidava-se, John Bonham [baterista dos gigantescos Led Zeppelin] e Bon Scott [vocalista dos "cangurus" AC/DC] bebiam até à morte e John Lennon [ex-Beatles] era assassinado em Nova Iorque. O mundo perdia ainda o grande Alfred Hitchock e o filósofo Jean-Paul Sartre. À excepção da queda do Cessna de Sá Carneiro, tudo isto me passou ao lado. Nesse ano eu transitava da escola primária [a 200 metros de casa] para o ciclo prepatório [a 10 quilómetros], o que implicou o início de uma relação de oito anos com o combóio das 8h27, passava os fins de tarde de Verão a jogar à bola [o futebol viria uns anos depois...] no adro da igreja, paredes meias com o cemitério, e o resto do dia agarrado aos clássicos da literatura juvenil [Os Cinco, os heróis de Salgari]. Com 10 / 11 anos de idade a música não era ainda uma prioridade.
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Naturalmente, só ouvi In The Flat Field uns anos depois da sua edição e nem sequer foi o primeiro disco dos Bauhaus que comprei [antes desse adquiri Burning From The Inside] mas os primeiros temas da banda de Peter Murphy, Kevin Haskins, Daniel Ash e David J que ouvi estão aqui: Double Dare, In The Flat Field e Stigmata Martyr marcaram o início de uma paixão duradoura que se reavivou há uns anos aquando da sua actuação no Pavilhão Atlântico [descobri nessa noite que ainda sabia de cor várias letras...]. Antes disso havia assistido a um concerto extraordinário de Peter Murphy [em 1988 no Rivoli do Porto], numa noite que acabou, por mero acaso, na Ribeira [no Aniki-Bóbó primeiro e no Meia-Cave depois]. Ainda hoje, mesmo raramente os ouvindo, a obra dos Bauhaus [essencialmente em vinil] ocupa um lugar priviligiado na minha discografia.

quinta-feira, junho 16, 2005

quarta-feira, junho 15, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 1

Nota prévia: Deu-me para isto. Podia ter-me dado para pior [aguentem: isto é um blog pessoal - e meu - por isso faço aqui o que me apetecer!]. Começaram por ser dez a que acrescentei mais dez e depois mais cinco e entretanto já vai nos trinta e seis. E talvez nem pare por aí.... É uma lista de álbuns [à qual se há-de juntar outra de livros e mais uma de filmes] que, de uma forma ou de outra, agitaram algum período da minha vida. Começo com, salvo erro, o primeiro LP [long play - aqueles discos de vinil que rodavam num gira-discos a 33 rotações por minuto, para os jovens desatentos...] que comprei, teria os meus 15 anos [glup!...]. Há uma eternidade portanto.

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Bruce Springsteen, Born in the U.S.A. [CBS, 19984]



Born in the USA / Cover Me / Darlington County / Working On The Highway / Downbound Train / I'm On Fire / No Surrender / Bobby Jean / I'm Goin' Down / Glory Days / Dancing in the Dark / My Hometown

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Estávamos pois em 1984 quando saiu este álbum: televisão a cores era ainda um luxo, o telefone idem; António Variações morreria nesse ano de uma doença misteriosa; em Portugal havia salários em atraso, passava-se fome em Setúbal e ainda não tínhamos entrado na Comunidade Económica Europeia; a selecção portuguesa de futebol foi nesse ano eliminada nas meias-finais do Campeonato Europeu de futebol em França [pelo sacana do Michel Platini que valia por uma equipa toda!]; eu fazia dois quilómetros de bicicleta até à estação onde apanhava o combóio das 8h27 para ir para a escola onde a minhas colegas adoravam o George Michael [nós bem as avisávamos de que o gajo era... enfim... aquilo que se veio a conformar anos mais tarde] e uns tais de Kajagoogoo [alguém se lembra destes cromos?], concertos de bandas estrangeiras em Portugal eram uma raridade e em Novembro era lançado o Blitz, jornal que haveria de ser uma pequena revolução no panorama musical português.

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Só ouvi mais um álbum de Springsteen, por acaso anterior e superior a este - The River - em casa de um amigo de escola que tinha um irmão mais velho com uma bela colecção de discos. Foi aí - numa aldeia do Ribatejo norte, caramba! - que descobri os Ramones. Em casa de outro amigo - na altura apenas vizinho mais velho - haveria de descobrir os Rolling Stones, a Nina Hagen, algum punk rock e algum heavy metal [que na altura era tudo só rock da pesada...]. Regresso a Born In The USA: não o ouço há anos e já nem sei exactamente onde pára. Rapidamente a minha atenção iria centrar-se em outros sons, por culpa, principalmente, de António Sérgio [o homem do Som da Frente da Rádio Comercial] e, também, do Blitz.

terça-feira, junho 14, 2005

Isto era para ser uma adenda ao post anterior...

... mas acho que os números valem um post por si só.

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Marco de Canaveses [Presidente da Câmara Municipal: Avelino Ferreira Torres]
População: 52 mil habitantes
Taxa de abandono escolar: 8,3% [média nacional: 2,7%]
Taxa de saida antecipada da escola: 52,5% [média nacional: 24%]
Taxa da população sem acesso à rede de água: 76% [média nacional: 22%]
Taxa da população sem acesso à rede de esgotos: 82% [média nacional [42%]

[Dados publicados na revista Pública no passado Domingo]

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Nota: não sou de Marco de Canaveses, não moro em Marco de Canaveses, que me recorde apenas uma vez por lá passei [decerto o Marco terá os seus encantos, mas nunca calhou lá ir] e, que eu saiba, não tenho familiares, amigos ou conhecidos nesse concelho.
Tenho ainda a impressão de que este post, com números ligeiramente diferentes, se poderia aplicar a vários outros concelhos portugueses.

O crime compensará?

Em Portugal tudo indica que sim. Na política [à] portuguesa já nada me surpreende. O crime, a falta de escrúpulos, a corrupção, o tráfico de influências, a mentira, o desprezo pelas regras mais básicas de um Estado de direito democrático, e a falta de vergonha e de educação são as alavancas essenciais à progressão na carreira política.
Os exemplos abundam.
Alberto João Jardim e os seus acólitos andam há anos a fazer na Madeira e da Madeira aquilo que bêm entendem, fazendo do insulto gratuito uma - a sua - forma de estar na política. E ganham todas as eleições. Isaltino Morais saiu de um governo por motivos sobejamente conhecidos e anseia voltar à Câmara de Oeiras. E suspeito que o vai conseguir. Avelino Ferreira Torres governa há anos Marco de Canaveses e a reportagem que a Pública publicou no passado Domingo sobre aquele concelho é reveladora. Agora, e depois de uma passagem por um programa de televisão ao seu nível, candidata-se à Câmara de Amarante. E palpita-me que vai ganhar. Valentim Loureiro, homem dos sete[nta] ofícios, é arguido num processo por corrupção de árbitros e manipulação de resultados e não hesita em concorrer à Câmara de Gondomar. Aposto que ganha.
Jardim, Isaltino, Valentim e Torres são apenas quatro dos muitos exemplos que poderia desfiar.
Poderia acrescentar à lista os nomes de António Guterres e Durão Barroso [que fugiram das suas responsabilidades às primeiras dificuldades], Santana Lopes [que após alguns meses da mais desastrosa governação de que há memória regressou impávido e sereno à Câmara de Lisboa], Paulo Portas e o seu PP que andaram anos a pregar a moral, a ética e os bons costumes para agora se começarem a conhecer alguns dos seus podres durante a sua passagem pelo Poder ou até José Sócrates que encenou um drama a propósito do défice para não cumprir promessas que todos sabiam irrealistas. E, ainda assim, deram-lhe uma maioria absoluta.
Agora é Fátima Felgueiras, cujo desplante é tão imenso quanto o país para onde fugiu para não enfrentar a Justiça, que anuncia a sua candidatura à Câmara de Felgueiras. Não me admirava que ganhasse. Em Portugal, os eleitores têm os políticos que merecem. Estúpidos são os que assistindo a isto não zarpam para outras paragens. Estúpido sou eu. Que me acomodo por cá.

segunda-feira, junho 13, 2005

O prazer terá sido apenas teu, Rita

Acabo de ouvir a filha de Ferro Rodrigues despedir-se de uma edição especial na SIC Notícias [em directo da Feira do Livro] a propósito das mortes de Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade com um "foi um prazer apresentar esta edição especial". Sem comentários.

Que descansem em Paz

No mesmo dia Portugal viu desaparecer Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal: um dos nossos maiores Poetas e um dos mais marcantes políticos do nosso século XX.
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Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, junho 09, 2005

Porque será?

Hoje ouvi alguns minutos do fórum matinal da TSF e não ouvi um único ouvinte-participante manifestar-se contra o fim dos privilégios [ou regalias, mordomias ou o que lhe queiram chamar] dos políticos. Aliás, aqueles que não se manifestaram algumas reticências ao fim dos ditos cujos, foi apenas porque acham que ainda é pouco. Notei em praticamente todos os ouvintes-participantes um profundo desprezo, se não mesmo ódio, pela classe política que temos. Vasco Pulido Valente anda há anos a dizer precisamente que o "cidadão comum" odeia os seus [nossos] políticos mas parece-me que poucos o levam a sério. A minha surpresa neste momento é apenas uma: ainda há quem não perceba as razões desse ódio / desprezo?! Ah! claro... Os políticos profissionais. Esses não entendem.

terça-feira, junho 07, 2005

Inevitabilidade e incompetência

Há já pelo menos dois dias que os incêndios voltaram a ser notícia de abertura nas nossas televisões e notícia de primeira página nos nossos jornais. Nada de novo. Aliás, nem entendo porque ainda são os incêndios notícia em Portugal. É que novidade não são, certamente. Os incêndios florestais, que ano após delapidam o nosso outrora rico patrimõnio florestal, são uma INEVITABILIDADE estival fruto da INCOMPETÊNCIA das autoridades que os deviam evitar. EVITAR e não combater.
Desde domingo já houve incêndios [pelo menos] em:Ansião, Duas Igrejas, Alhadas, Penafiel, Famalicão e Vila do Conde.

segunda-feira, junho 06, 2005

O meu festival de Verão...

... vai ser em Paredes de Coura. O cartaz está a ficar um verdadeiro luxo: Kaiser Chiefs, The Bravery, Death From Above 1979, !!!, Queens of the Stone Age, Pixies, The Roots, Hot Hot Heat, Arcade Fire, Nick Cave & The Bad Seeds e Juliette Lewis & The Licks. Aguardo já com particular curiosidade as actuações de Nick Cave & The Bad Seeds [que já não vejo em concerto há uma eternidade...], !!!, Death From Above 1979 e Queens of the Stone Age. Por outro lado, não estarei no recinto quando os Pixies actuarem [um dia talvez explique porquê].

No congelador

A Coluna Vertebral conseguiu uma imagem da arca congeladora onde os Britânicos se preparam para enfiar a ratificação da Constituição Europeia.
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Parece-me bem: assim não correm o risco de que a dita cuja apodreça como aconteceu em França e na Holanda. Sempre prevenidos, estes Britânicos.

[Actualização] Por cá, com este calor tórrido que estamos a ter, também devíamos meter o processo de ratificação no congelador. Aliás, eu próprio já estive mais longe de me enfiar num congelador...

domingo, junho 05, 2005

Sim ou não?

Pergunto-me quantos eleitores portugueses terão lido isto quando chegar a hora de por cruzinha à frente do sim ou do não.