Em Portugal tudo indica que sim. Na política [à] portuguesa já nada me surpreende. O crime, a falta de escrúpulos, a corrupção, o tráfico de influências, a mentira, o desprezo pelas regras mais básicas de um Estado de direito democrático, e a falta de vergonha e de educação são as alavancas essenciais à progressão na carreira política.
Os exemplos abundam.
Alberto João Jardim e os seus acólitos andam há anos a fazer na Madeira e da Madeira aquilo que bêm entendem, fazendo do insulto gratuito uma - a sua - forma de estar na política. E ganham todas as eleições. Isaltino Morais saiu de um governo por motivos sobejamente conhecidos e anseia voltar à Câmara de Oeiras. E suspeito que o vai conseguir. Avelino Ferreira Torres governa há anos Marco de Canaveses e a reportagem que a Pública publicou no passado Domingo sobre aquele concelho é reveladora. Agora, e depois de uma passagem por um programa de televisão ao seu nível, candidata-se à Câmara de Amarante. E palpita-me que vai ganhar. Valentim Loureiro, homem dos sete[nta] ofícios, é arguido num processo por corrupção de árbitros e manipulação de resultados e não hesita em concorrer à Câmara de Gondomar. Aposto que ganha.
Jardim, Isaltino, Valentim e Torres são apenas quatro dos muitos exemplos que poderia desfiar.
Poderia acrescentar à lista os nomes de António Guterres e Durão Barroso [que fugiram das suas responsabilidades às primeiras dificuldades], Santana Lopes [que após alguns meses da mais desastrosa governação de que há memória regressou impávido e sereno à Câmara de Lisboa], Paulo Portas e o seu PP que andaram anos a pregar a moral, a ética e os bons costumes para agora se começarem a conhecer alguns dos seus podres durante a sua passagem pelo Poder ou até José Sócrates que encenou um drama a propósito do défice para não cumprir promessas que todos sabiam irrealistas. E, ainda assim, deram-lhe uma maioria absoluta.
Agora é Fátima Felgueiras, cujo desplante é tão imenso quanto o país para onde fugiu para não enfrentar a Justiça, que anuncia a sua candidatura à Câmara de Felgueiras. Não me admirava que ganhasse. Em Portugal, os eleitores têm os políticos que merecem. Estúpidos são os que assistindo a isto não zarpam para outras paragens. Estúpido sou eu. Que me acomodo por cá.