sexta-feira, junho 17, 2005

De novo o congelador


Acho que a União Europeia está a precisar desesperadamente de um congelador [como aliás já por aqui se insinuou há uns dias, a propósito do congelamento da ratificação do Tratado Constitucional por parte do Reino Unido]. Agora é preciso congelar um cheque qualquer. Britânico, pois então...

[Some of] the music that rocked my world # 2

Bauhaus, In The Flat Field [4AD Records, 1980]
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Double Dare / In The Flat Field / A God In An Alcove / Drive / A Spy In The Cab / Small Talk Stinks / St. Vitus Dance / Stigmta Martyr / Nerves

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Os Bauhaus estreiam-se no formato longa-duração num ano que ficou em Portugal marcado pela explosão do "rock português" e por uma outra explosão que iria matar Francisco Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e acompanhantes. Lá fora Ian Curtis [vocalista dos míticos Joy Division] suicidava-se, John Bonham [baterista dos gigantescos Led Zeppelin] e Bon Scott [vocalista dos "cangurus" AC/DC] bebiam até à morte e John Lennon [ex-Beatles] era assassinado em Nova Iorque. O mundo perdia ainda o grande Alfred Hitchock e o filósofo Jean-Paul Sartre. À excepção da queda do Cessna de Sá Carneiro, tudo isto me passou ao lado. Nesse ano eu transitava da escola primária [a 200 metros de casa] para o ciclo prepatório [a 10 quilómetros], o que implicou o início de uma relação de oito anos com o combóio das 8h27, passava os fins de tarde de Verão a jogar à bola [o futebol viria uns anos depois...] no adro da igreja, paredes meias com o cemitério, e o resto do dia agarrado aos clássicos da literatura juvenil [Os Cinco, os heróis de Salgari]. Com 10 / 11 anos de idade a música não era ainda uma prioridade.
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Naturalmente, só ouvi In The Flat Field uns anos depois da sua edição e nem sequer foi o primeiro disco dos Bauhaus que comprei [antes desse adquiri Burning From The Inside] mas os primeiros temas da banda de Peter Murphy, Kevin Haskins, Daniel Ash e David J que ouvi estão aqui: Double Dare, In The Flat Field e Stigmata Martyr marcaram o início de uma paixão duradoura que se reavivou há uns anos aquando da sua actuação no Pavilhão Atlântico [descobri nessa noite que ainda sabia de cor várias letras...]. Antes disso havia assistido a um concerto extraordinário de Peter Murphy [em 1988 no Rivoli do Porto], numa noite que acabou, por mero acaso, na Ribeira [no Aniki-Bóbó primeiro e no Meia-Cave depois]. Ainda hoje, mesmo raramente os ouvindo, a obra dos Bauhaus [essencialmente em vinil] ocupa um lugar priviligiado na minha discografia.

quinta-feira, junho 16, 2005

quarta-feira, junho 15, 2005

[Some of] the music that rocked my world # 1

Nota prévia: Deu-me para isto. Podia ter-me dado para pior [aguentem: isto é um blog pessoal - e meu - por isso faço aqui o que me apetecer!]. Começaram por ser dez a que acrescentei mais dez e depois mais cinco e entretanto já vai nos trinta e seis. E talvez nem pare por aí.... É uma lista de álbuns [à qual se há-de juntar outra de livros e mais uma de filmes] que, de uma forma ou de outra, agitaram algum período da minha vida. Começo com, salvo erro, o primeiro LP [long play - aqueles discos de vinil que rodavam num gira-discos a 33 rotações por minuto, para os jovens desatentos...] que comprei, teria os meus 15 anos [glup!...]. Há uma eternidade portanto.

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Bruce Springsteen, Born in the U.S.A. [CBS, 19984]



Born in the USA / Cover Me / Darlington County / Working On The Highway / Downbound Train / I'm On Fire / No Surrender / Bobby Jean / I'm Goin' Down / Glory Days / Dancing in the Dark / My Hometown

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Estávamos pois em 1984 quando saiu este álbum: televisão a cores era ainda um luxo, o telefone idem; António Variações morreria nesse ano de uma doença misteriosa; em Portugal havia salários em atraso, passava-se fome em Setúbal e ainda não tínhamos entrado na Comunidade Económica Europeia; a selecção portuguesa de futebol foi nesse ano eliminada nas meias-finais do Campeonato Europeu de futebol em França [pelo sacana do Michel Platini que valia por uma equipa toda!]; eu fazia dois quilómetros de bicicleta até à estação onde apanhava o combóio das 8h27 para ir para a escola onde a minhas colegas adoravam o George Michael [nós bem as avisávamos de que o gajo era... enfim... aquilo que se veio a conformar anos mais tarde] e uns tais de Kajagoogoo [alguém se lembra destes cromos?], concertos de bandas estrangeiras em Portugal eram uma raridade e em Novembro era lançado o Blitz, jornal que haveria de ser uma pequena revolução no panorama musical português.

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Só ouvi mais um álbum de Springsteen, por acaso anterior e superior a este - The River - em casa de um amigo de escola que tinha um irmão mais velho com uma bela colecção de discos. Foi aí - numa aldeia do Ribatejo norte, caramba! - que descobri os Ramones. Em casa de outro amigo - na altura apenas vizinho mais velho - haveria de descobrir os Rolling Stones, a Nina Hagen, algum punk rock e algum heavy metal [que na altura era tudo só rock da pesada...]. Regresso a Born In The USA: não o ouço há anos e já nem sei exactamente onde pára. Rapidamente a minha atenção iria centrar-se em outros sons, por culpa, principalmente, de António Sérgio [o homem do Som da Frente da Rádio Comercial] e, também, do Blitz.

terça-feira, junho 14, 2005

Isto era para ser uma adenda ao post anterior...

... mas acho que os números valem um post por si só.

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Marco de Canaveses [Presidente da Câmara Municipal: Avelino Ferreira Torres]
População: 52 mil habitantes
Taxa de abandono escolar: 8,3% [média nacional: 2,7%]
Taxa de saida antecipada da escola: 52,5% [média nacional: 24%]
Taxa da população sem acesso à rede de água: 76% [média nacional: 22%]
Taxa da população sem acesso à rede de esgotos: 82% [média nacional [42%]

[Dados publicados na revista Pública no passado Domingo]

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Nota: não sou de Marco de Canaveses, não moro em Marco de Canaveses, que me recorde apenas uma vez por lá passei [decerto o Marco terá os seus encantos, mas nunca calhou lá ir] e, que eu saiba, não tenho familiares, amigos ou conhecidos nesse concelho.
Tenho ainda a impressão de que este post, com números ligeiramente diferentes, se poderia aplicar a vários outros concelhos portugueses.

O crime compensará?

Em Portugal tudo indica que sim. Na política [à] portuguesa já nada me surpreende. O crime, a falta de escrúpulos, a corrupção, o tráfico de influências, a mentira, o desprezo pelas regras mais básicas de um Estado de direito democrático, e a falta de vergonha e de educação são as alavancas essenciais à progressão na carreira política.
Os exemplos abundam.
Alberto João Jardim e os seus acólitos andam há anos a fazer na Madeira e da Madeira aquilo que bêm entendem, fazendo do insulto gratuito uma - a sua - forma de estar na política. E ganham todas as eleições. Isaltino Morais saiu de um governo por motivos sobejamente conhecidos e anseia voltar à Câmara de Oeiras. E suspeito que o vai conseguir. Avelino Ferreira Torres governa há anos Marco de Canaveses e a reportagem que a Pública publicou no passado Domingo sobre aquele concelho é reveladora. Agora, e depois de uma passagem por um programa de televisão ao seu nível, candidata-se à Câmara de Amarante. E palpita-me que vai ganhar. Valentim Loureiro, homem dos sete[nta] ofícios, é arguido num processo por corrupção de árbitros e manipulação de resultados e não hesita em concorrer à Câmara de Gondomar. Aposto que ganha.
Jardim, Isaltino, Valentim e Torres são apenas quatro dos muitos exemplos que poderia desfiar.
Poderia acrescentar à lista os nomes de António Guterres e Durão Barroso [que fugiram das suas responsabilidades às primeiras dificuldades], Santana Lopes [que após alguns meses da mais desastrosa governação de que há memória regressou impávido e sereno à Câmara de Lisboa], Paulo Portas e o seu PP que andaram anos a pregar a moral, a ética e os bons costumes para agora se começarem a conhecer alguns dos seus podres durante a sua passagem pelo Poder ou até José Sócrates que encenou um drama a propósito do défice para não cumprir promessas que todos sabiam irrealistas. E, ainda assim, deram-lhe uma maioria absoluta.
Agora é Fátima Felgueiras, cujo desplante é tão imenso quanto o país para onde fugiu para não enfrentar a Justiça, que anuncia a sua candidatura à Câmara de Felgueiras. Não me admirava que ganhasse. Em Portugal, os eleitores têm os políticos que merecem. Estúpidos são os que assistindo a isto não zarpam para outras paragens. Estúpido sou eu. Que me acomodo por cá.

segunda-feira, junho 13, 2005

O prazer terá sido apenas teu, Rita

Acabo de ouvir a filha de Ferro Rodrigues despedir-se de uma edição especial na SIC Notícias [em directo da Feira do Livro] a propósito das mortes de Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade com um "foi um prazer apresentar esta edição especial". Sem comentários.

Que descansem em Paz

No mesmo dia Portugal viu desaparecer Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal: um dos nossos maiores Poetas e um dos mais marcantes políticos do nosso século XX.
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Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, junho 09, 2005

Porque será?

Hoje ouvi alguns minutos do fórum matinal da TSF e não ouvi um único ouvinte-participante manifestar-se contra o fim dos privilégios [ou regalias, mordomias ou o que lhe queiram chamar] dos políticos. Aliás, aqueles que não se manifestaram algumas reticências ao fim dos ditos cujos, foi apenas porque acham que ainda é pouco. Notei em praticamente todos os ouvintes-participantes um profundo desprezo, se não mesmo ódio, pela classe política que temos. Vasco Pulido Valente anda há anos a dizer precisamente que o "cidadão comum" odeia os seus [nossos] políticos mas parece-me que poucos o levam a sério. A minha surpresa neste momento é apenas uma: ainda há quem não perceba as razões desse ódio / desprezo?! Ah! claro... Os políticos profissionais. Esses não entendem.

terça-feira, junho 07, 2005

Inevitabilidade e incompetência

Há já pelo menos dois dias que os incêndios voltaram a ser notícia de abertura nas nossas televisões e notícia de primeira página nos nossos jornais. Nada de novo. Aliás, nem entendo porque ainda são os incêndios notícia em Portugal. É que novidade não são, certamente. Os incêndios florestais, que ano após delapidam o nosso outrora rico patrimõnio florestal, são uma INEVITABILIDADE estival fruto da INCOMPETÊNCIA das autoridades que os deviam evitar. EVITAR e não combater.
Desde domingo já houve incêndios [pelo menos] em:Ansião, Duas Igrejas, Alhadas, Penafiel, Famalicão e Vila do Conde.

segunda-feira, junho 06, 2005

O meu festival de Verão...

... vai ser em Paredes de Coura. O cartaz está a ficar um verdadeiro luxo: Kaiser Chiefs, The Bravery, Death From Above 1979, !!!, Queens of the Stone Age, Pixies, The Roots, Hot Hot Heat, Arcade Fire, Nick Cave & The Bad Seeds e Juliette Lewis & The Licks. Aguardo já com particular curiosidade as actuações de Nick Cave & The Bad Seeds [que já não vejo em concerto há uma eternidade...], !!!, Death From Above 1979 e Queens of the Stone Age. Por outro lado, não estarei no recinto quando os Pixies actuarem [um dia talvez explique porquê].

No congelador

A Coluna Vertebral conseguiu uma imagem da arca congeladora onde os Britânicos se preparam para enfiar a ratificação da Constituição Europeia.
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Parece-me bem: assim não correm o risco de que a dita cuja apodreça como aconteceu em França e na Holanda. Sempre prevenidos, estes Britânicos.

[Actualização] Por cá, com este calor tórrido que estamos a ter, também devíamos meter o processo de ratificação no congelador. Aliás, eu próprio já estive mais longe de me enfiar num congelador...

domingo, junho 05, 2005

Sim ou não?

Pergunto-me quantos eleitores portugueses terão lido isto quando chegar a hora de por cruzinha à frente do sim ou do não.

sexta-feira, junho 03, 2005

Sexo, sexo, sexo

"Se alguma coisa se pode dizer sobre a educação sexual nas escolas é que é insuficiente." [Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, citada pelo Diário de Notícias]

Insuficiente, senhora ministra? Insuficiente??? Se alguma coisa se pode dizer sobre a educação sexual nas escola é que é virtualmente inexistente. Ainda assim, a senhora lá vai dizendo que "dada a fragilidade e inconsistência desta área do ensino" [quer ela dizer inexistência] é preciso fazer algo. E o quê? O habitual em Portugal, ou seja, "criar uma comissão que fará uma proposta de programa e, se for caso disso, o acompanhamento da sua aplicação." E já está. Cria-se uma comissão e pronto. Problema resolvido.

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O CDS-PP com toda a certeza resolveria a questão da educação sexual nas escolas de outra forma: propunha a criação de um dia nacional...

quinta-feira, junho 02, 2005

I am the God of Hellfire...

... and I bring you: FIRE! [*]

Acabo de ouvir na SIC Notícias que os comandantes dos bombeiros de Portalegre [das diversas corporações do distrito, se bem entendi] tinham hora marcada para se encontrarem com um secretário de Estado da Administração Interna. Acontece que o dito senhor estava em "reunião de trabalho" com autarcas do distrito e a sobremesa [ou os cafés...] atrasaram-se pelo que ao fim de algum tempo os comandantes foram à sua vidinha.
No rescaldo deste acontecimento, houve trocas de acusações entre os dois lados [o secretário, já com o apetite devidamente satisfeito] e os comandantes [provavelmente com a barriga a dar horas].
Não é por nada, mas se um acontecimento deste calibre [e ridiculo...] motiva esta polémica e provoca este incendiar de relações, se um secretário de Estado e os comandantes de bombeiros não se conseguem encontrar e conversar, nem quero pensar no que acontecerá em Portugal durante este Verão.

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[*] de Fire, tema de The Crazy World of Arthur Brown

I am the god of hell fire and I bring you:
Fire, I'll take you to burn.
Fire, I'll take you to learn.
I'll see you burn!
You fought hard and you saved and learned,
but all of it's going to burn.
And your mind, your tiny mind,
you know you've really been so blind.
Now 's your time burn your mind.
You're falling far too far behind.
Oh no, oh no, oh no, you gonna burn!
Fire, to destroy all you've done.
Fire, to end all you've become.
I'll feel you burn!
You've been living like a little girl,
in the middle of your little world.
And your mind, your tiny mind,
you know you've really been so blind.
Now 's your time burn your mind,
you're falling far too far behind.

Eu cá sempre gostei muito da Holanda

Só lá estive uma vez, mas fiquei apanhadinho. Adorei Amsterdam [e não foi pelo red light district nem pelos charros]. Sempre tive um fascínio pelo futebol à holandesa e até acho que Johan Cruyff é capaz de ter sido o melhor futebolista de todos os tempos. Não gosto muito de flores, mas acho as tulipas lindas e considero os moinhos holandeses muito mais bonitos que os portugueses. Também podia referir o tradicional e quase lendário liberalismo holandês, o seu nível de vida, o seu cuidado com o ambiente ou a sua capacidade empreendedora. E ontem isto.

quarta-feira, junho 01, 2005

O QUÊ???

«O CDS-PP propôs hoje a criação de um "dia mundial da criança por nascer", com o objectivo de sensibilizar a opinião pública para a necessidade de o Estado dar "protecção legal à vida humana e intra-uterina".»

Esta malta do CDS-PP não tem emenda. São uns pândegos. Ainda receei que com Ribeiro e Castro na liderança, o partido do Caldas [notem esta subtil alusão à cerâmica das Caldas...] se moderasse. Mas não. Continuam uns pândegos de primeira - os verdadeiros reis do humor nacional. Qual Herman José, qual Bruno Nogueira, quais Gatos Fedorentos! O passado, presente e futuro do humor nacional passa pelo Caldas [e por Fernando Rocha, fodasecaralhoputaquepariuestamerdatodaohocaralhoqueosfoda, já agora e porque não?!].
Eu adiro a esta ideia da criação do tal dia mundial [universal, pessoal! Devia ser universal!] e acho até que se devia criar um "dia para o espermatozoide que não chegue ao óvulo" e outro "dia para o óvulo que se recuse a receber o espermatozoide". Ou até uma espécie de "dia em memória do espermatozoide vítima da masturbação masculina".
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