sexta-feira, novembro 12, 2004

Humor imbecil

«Vamos seguir as regras do mercado livre: há escolha? Então, eu não bebo cervejas que para vender gozam com a dignidade humana. E você, amigo leitor?»
David Rodrigues, professor da Universidade Técnica de Lisboa, in Publico, 12.11.2004

Eu também não bebo essa cerveja; nem essa nem qualquer cerveja com origem na cervejeira que a produz.
Aliás, começava a ficar preocupado com o silêncio com que tem sido recebida essa ignóbil campanha publicitária da Sagres [eu, como não escrevo em jornais, posso chamar os bois pelos nomes] da Central de Cervejas. A mesma que habitualmente patrocina a selecção nacional de futebol, diversos festivais de Verão e festas universitárias.

Até pode querer, duvido é que o consiga...


Lembro-me o que aconteceu há uns anos quando um ministro do Ambiente também teve umas ideias sobre ordenamento do território e quis fazer umas demolições. Foi recambiado para o Parlamento Europeu na primeira oportunidade. Chama-se Carlos Pimenta.

A propósito do congresso

Uma das grandes questões suscitadas pelo congresso do PSD [do PPD?] é a questão dos presentes e dos ausentes, dos que vão e dos que não vão. Bate certo. É um partido à imagem e semelhança da vida social do seu [actual] líder. O congresso é assim uma espécie de festa jet-set e o que conta é saber quem lá está, com quem está e com quem é visto, e quem não está.

Estes independentes são muito imprevisíveis

Era o que Jorge Coelhone costumava comentar no Contra-Informação nos tempos do governo de Toneca Guterres. Lembrei-me dele a propósito da justificação que Aníbal Cavaco Silva deu para não ir ao congresso do PSD. O Aníbal, que já foi ministro das Finanças, primeiro ministro e candidato derrotado à Presidência da República, não vai a Barcelos porque "é muito independente dos partidos políticos". Já tinha reparado. Estava era à espera de uma justificação mais original. Isto vindo do homem que um dia foi a um congresso - no qual foi eleito líder de um partido político - porque tinha que fazer a rodagem do seu carro novo, é pouco. Muito pouco.

terça-feira, novembro 09, 2004

Berlim, 9 de Novembro de 1989

Nostalgia creeps [off record]

Berlim morreu a nove

Berlim, Berlim morreu a nove.

Cenário:
Yorckstr... sucessão de viadutos de ferro
Enegrecidos pela ferrugem,
Onde as velhas linhas para leste,
Entregues à voracidade do tempo,
Se equilibram, sobranceiras,
Os carris retorcidos pelo matagal.

De quando em vez
O crepúsculo é rasgado pelo S-Bahn para Mariendorf,
Fila de janelas iluminando prostitutas de couro e lingerie
Em carícias obscenas

Hordas de guerreiros em latex vermelho,
Silhuetas recortadas no lusco-fusco,
Movimentam-se junto ao descampado.

Conan, o Bárbaro, montado no seu Camaro de 70
Cuspindo fogo estrepitosamente,
Vem ver se está tudo bem com as suas pequenas.

Do imbiss do turco
Ouve-se a rádio anunciar que em Postdamerplatz o muro está a cair.

Que faço eu aqui
Com as mãos manchadas de sangue?

Berlim, Berlim: morreu a nove.


Mão Morta, in Mutantes S.21 [Fungui 1993]

Nostalgia creeps [vol. II] # 6.1

Berlin

In Berlin, by the wall
you were five foot ten inches tall
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice

We were in a small cafe
you could hear the guitars play
It was very nice
it was paradise

You're right and I'm wrong
hey babe, I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day

Oh, you're right and I'm wrong
you know I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
One sweet day

In a small, small cafe
we could hear the guitars play
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice

Don't forget, hire a vet
he hasn't had that much fun yet
It was very nice
hey honey, it was paradise

You're right and I'm wrong
oh babe, I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
You're right, oh, and I'm wrong
you know I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
One sweet day


One sweet day, one sweet day
oh, one sweet day
One sweet day, baby-baby, one sweet day
one sweet day, one sweet da


Lou Reed

Nostalgia creeps [vol. II] # 6

Berlin

--- S.E. ---

Eins
Zwei
Drei
Zugabe

Happy birthday to you
Happy birthday dear Caroline
Happy birthday to you

--- S.E. ---

In Berlin by the wall
you were five foot ten inches tall
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice

We were in a small cafe
you could hear the guitars play
It was very nice
oh honey, it was paradise


Lou Reed, in Berlin [RCA 1973]

Dead or alive?

Afinal, o homem está morto, vivo ou nem por isso?

sexta-feira, novembro 05, 2004

Aos pontapés

Algo de estranho se está a passar esta semana no futebol nacional e não estou a falar das lamentáveis prestações do FCP e do SLB nas competições europeias [estranho seria se ambos tivessem ganho]. Ouvi dizer - mas deve ser boato - que na próxima segunda-feira há "jogo grande" [como os comentadores desportivos gostam de dizer] a contar para o campeonato português. Parece que Sporting e Porto jogam nas Antas [sim, nas Antas], mas não pode ser verdade. Pinto da Costa e Dias da Cunha não têm aparecido nos meios de comunicação social a trocar galhardetes. Ora todos sabemos que por cá não há "jogo grande" sem uma bela polémica [por mais ridiculo que seja o motivo].
Ainda um dia me hão-de explicar essa do "jogo grande". Será um jogo com 120 minutos?

Um mundo mais seguro?

Esta semana foi reeleito o cowboy W. Bush para a presidência do mais poderoso país do mundo. Esta semana também, desapareceu Arafat [ainda que ligado à máquina, o homem está, para todos os efeitos, morto]. Estes dois factos não me deixam mais tranquilo quanto ao futuro. Antes pelo contrário. O mundo parece-me cada vez mais um local muito pouco seguro.

Homem livre

Um dos cada vez mais raros homens livres deste país começou hoje a publicar no Público as suas crónicas. Vasco Pulido Valente é mais um bom motivo para nunca mais ligar ao Diário de Notícias e ser ainda mais fiel ao Público.

quarta-feira, novembro 03, 2004

Filho de peixe...

... etc e tal, diz o bom povo. O peixe que foi agora reeleito para presidir aos Estados Unidos da América está a sair melhor nadador do que o seu progenitor. Foi a presidente como o pai e conseguiu ser reeleito. Foi à guerra como o pai, mas não se contentou com uma - fez duas. Como o pai, escolheu Saddam Hussein para inimigo de estimação mas, ao contrário do pai, conseguiu não só derrubá-lo como deitar-lhe a mão.

Tal como previ...

... Osama Bin Laden foi o vencedor das eleições nos Estados Unidos da América. Já ontem o tinha dito. Um dia, se me apetecer, explico porquê.

terça-feira, novembro 02, 2004

And the winner is...

Hoje é dia de eleições nos Estados Unidos da América. O meu palpite é simples: aconteça o que acontecer, parece-me que o vencedor será Osama Bin Laden.

Nostalgia creeps [vol. II] # 5

Sister Morphine

Here I lie in my hospital bed
Tell me, Sister Morphine, when are you coming round again?
Oh, I don't think I can wait that long
Oh, you see that I'm not that strong

The scream of the ambulance is sounding in my ears
Tell me, Sister Morphine, how long have I been lying here?
What am I doing in this place?
Why does the doctor have no face?

Oh, I can't crawl across the floor
Ah, can't you see, Sister Morphine, I'm trying to score

Well it just goes to show
Things are not what they seem
Please, Sister Morphine, turn my nightmares into dreams
Oh, can't you see I'm fading fast?
And that this shot will be my last

Sweet Cousin Cocaine, lay your cool cool hand on my head
Ah, come on, Sister Morphine, you better make up my bed
'Cause you know and I know in the morning I'll be dead
Yeah, and you can sit around, yeah and you can watch all the
Clean white sheets stained red.


Rolling Stones, Sticky Fingers [Rolling Stones Records 1971]

quinta-feira, outubro 28, 2004

Ainda haverá esperança para a TSF?

Entro no carro, mecanicamente ligo o rádio e apanho com o Quinteto Tati nas ondas hertzianas. Esfrego os olhos - é de manhã e ainda devo estar meio a dormir. Não. É mesmo a TSF, a mesma que de há uns meses para cá se tem pautado por duvidosos - ia escrever pirosos - critérios de selecção musical. Será que o bom-gosto musical está a regressar, com pézinhos de lã, à rádio-jornal? Pelo sim, pelo não, é melhor manter uma atitude de prudente reserva.

A árvore e a floresta

Temos o estranho hábito de discutir longa e acaloradamente a árvore, ignorando a floresta. Aliás, frequentemente discutimos a pequena árvore, ignorando outras de maior porte e em mais lastimável estado de conservação.
Hoje de manhã, a SIC Notícias e a TSF abriram-se à opinião dos seus telespectadores e ouvintes para discutir as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa à Alta Autoridade para a Comunicação Social. Marcelo, Pais [ou Paes?], Silva ou Lopes são meras árvores [e algumas de fraqíssimo porte, diga-se]. O que está em causa neste momento é uma mais vasta floresta: a da Política, da Economia, da Comunicação Social e das relações entre todas. Sobre a floresta não vi nem ouvi nada.
Além do mais, SIC Notícias e TSF preferiram dar destaque a um tema que, por significativo e simbólico, é com certeza bem menos irrelevante que a retirada estratégica de Durão Barroso perante o Parlamento Europeu, uma retirada que poderá ter sérias consequências no futuro da União Europeia, espaço de que, parece-me, ainda fazemos parte.
Opções...

Jornalismo à portuguesa

Tenho cá para mim que a Política e o Jornalismo, como eventualmente o Desporto, são actividades que reflectem, genericamente a sociedade em que se inserem. Em Portugal, três décadas depois da Revolução de Abril e quase duas desde a adesão à União Europeia [então Comunidade Económica Europeia], continuamos a ter uma sociedade grandemente atrofiada por determinados, digamos, problemas e afectada por carências e deficiências de vária ordem. Por exemplo, sem cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres, responsáveis e críticos, dificlmente teremos uma classe política competente ou um jornalismo eficaz.
Vem todo este, longo, palavreado para ilustrar duas situações recentes com as quais me cruzei acidentalmente na supostamente nossa RTP, situações que ilustram uma certa forma displicente de fazer jornalismo e que só continuam a acontecer com regularidade porque temos uma larga faixa da população com confrangedores níveis de literacia.
A primeira aconteceu há alguns dias - na manhã do encerramento do tunel do Rossio. Antes das 8 horas antes de sair de casa, vejo um jovem aprendiz de reporter na estação de Campolide a tentar entrevistar passageiros da linha de Sintra sobre os incovenientes e incómodos que a situação lhes causava. Teve azar o rapaz porque as duas pessoas com as quais falar conseguiu não eram clientes habituais daquela linha. Mesmo assim, o hábil moço lá conseguiu convencer um dos entrevistados a dizer que sim senhor aquilo era uma chatice e um enorme incómodo para os passageiros da CP. Ou seja, em vez de se limitar a reportar, o reporter forçou o passageiro a dizer o que convinha à reportagem.
A segunda situação aconteceu hoje à hora do almoço a propósito da torre da igreja matriz de Penamacor que se encontra inclinada. Passando por cima da abusiva comparação com uma famosa torre italiana, o suposto jornalista que escreveu a peça resolver concluir a mesma afirmando qualquer coisa como "já que a ciência não consegue explicar o fenómeno [de a torre estar inclinada e não cair], então deve ser mesmo a mão de Deus a segurá-la". Tudo muito bem, não fosse o pequeno pormenor de na peça não se ter vislumbrado a mais ténue tentativa de encontrar uma explicação cientifica. Os únicos entrevistados foram uma idosa, uma transeunte e o padre local. Entretanto ignoro se a mão de Deus que tão diligentemente segura a torre de Penamacor é a mesma que há uns anos deu um golo à selecção Argentina de futebol.

quarta-feira, outubro 27, 2004

As lições do Professor

Marcelo Rebelo de Sousa foi hoje à Alta Autoridade para a Comunicação Social, um organismo que até há bem pouco tempo dispunha de uma visibilidade pouco mais do que nula.

O homem fez-me lembrar um herói da banda-desenhada, o Demolition Man, tão demolidoras para Pais do Amaral e Santana Lopes [e para outras personagens menores desta história como um tal de Rui Gomes da Silva, o ministro dos Assuntos Para Lamentar] foram as suas declarações.

terça-feira, outubro 26, 2004

Luto

John Peel, incontornável nome da rádio, morreu.

John Peel 1939 - 2004

A rádio perde um dos seus nomes maiores, talvez uma das últimas vozes da rádio, um homem que inspirou muitos radialistas em todo o mundo. Também o mundo da música, do Rock à Pop passando pela Electrónica, perde assim um dos seus maiores divulgadores. John Peeel era desde 1967 apresentador da BBC e foi ele quem revelou ao mundo centenas, ou milhares, de novos artistas, muitos dos quais se perderiam nas trevas da industria musical. Muitos outros, porém, têm para com John Peel uma divida que jamais poderá ser paga.

sexta-feira, outubro 22, 2004

London Calling [outra vez!]

Passou já um quarto de século sobre a edição de um dos mais espantosos álbuns que me foi dado ouvir: London Calling dos The Clash. Vinte e cinco anos depois e este continua a ser um álbum espantoso. Ouvi-o pela primeira vez numa cassete gravada pelo meu amigo, e companheiro de aventuras musicais, Lito. Essa cassete ainda hoje anda cá por casa, já muito roufenha.

Por algum motivo nunca comprei o álbum [em vinil ou em CD]. O motivo só podia ser este: uma edição especial [com o álbum original mais um CD de extras e ainda um DVD com um documnetário de Don Letts]. Já cá canta. E apetece ser punk outra vez. Logo a mim que nunca o fui.

quarta-feira, outubro 20, 2004

Só para contradizer

Morais Sarmento não pretende influenciar a programação da RTP. Isso é impensável. Principalmente a do canal 2, dirigido por Manuel Falcão, velho colaborador de Pedro Santana Lopes.

terça-feira, outubro 19, 2004

Nostalgia creeps [vol. II] # 4

Port d'Amsterdam

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui chantent
Les rêves qui les hantent
Au large d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui dorment
Comme des oriflammes
Le long des berges mornes
Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui meurent
Pleins de bière et de drames
Aux premières lueurs
Mais dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui naissent
Dans la chaleur épaisse
Des langueurs océanes

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui mangent
Sur des nappes trop blanches
Des poissons ruisselants
Ils vous montrent des dents
A croquer la fortune
A décroisser la lune
A bouffer des haubans
Et ça sent la morue
Jusque dans le c?ur des frites
Que leurs grosses mains invitent
A revenir en plus
Puis se lèvent en riant
Dans un bruit de tempête
Referment leur braguette
Et sortent en rotant

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui dansent
En se frottant la panse
Sur la panse des femmes
Et ils tournent et ils dansent
Comme des soleils crachés
Dans le son déchiré
D'un accordéon rance
Ils se tordent le cou
Pour mieux s'entendre rire
Jusqu'à ce que tout à coup
L'accordéon expire
Alors le geste grave
Alors le regard fier
Ils ramènent leur batave
Jusqu'en pleine lumière

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui boivent
Et qui boivent et reboivent
Et qui reboivent encore
Ils boivent à la santé
Des putains d'Amsterdam
De Hambourg ou d'ailleurs
Enfin ils boivent aux dames
Qui leur donnent leur joli corps
Qui leur donnent leur vertu
Pour une pièce en or
Et quand ils ont bien bu
Se plantent le nez au ciel
Se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure
Sur les femmes infidèles
Dans le port d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam


Jacques Brel, Olympia '64 [Barclay 1964]

Zzzz...

Hoje dormi uma sesta. Soube mesmo bem.

segunda-feira, outubro 18, 2004

Aos pontapés

Consta que ontem se realizou, algures em Lisboa, um importante desafio de futebol. Uma das equipas ganhou, a outra perdeu. Antes e depois do jogo, dirigentes dos dois clubes mostraram ao país a sua verdadeira face. Principalmente depois do jogo. Classificar de deselegantes as palavras vindas de ambos os lados da barricada, cheias de insinuações e veladas ameaças, é muito pouco. A má-educação tem limites, a farsa já cansa e a estes senhores nunca mais deveria ser colocado um microfone à frente. Luís Filipe Vieira, José Veiga e Pinto da Costa são pessoas da pior espécie e merecem-se uns aos outros. Os respectivos adeptos que os aturem! Por mim, volto a citar o seleccionador nacional de futebol: "Vão-se foder!".

P.S: não sou, felizmente, adepto de nenhum dos clubes.

Olha para o que eu digo...

Do fulgurante e omnipresente Luís Delgado: «Será que um dia Portugal deixará de condenar as pessoas só por terem esta ou aquela posição, que podendo não ser maioritária, exige respeito?» .
Vindo de quem ainda há dias clamava pelo internamento em hospital psiquiátrico de um colaborador do Público, não está mal como defesa da liberdade de expressão...

Liberdade de expressão e censura

«P. S.: A Lusa mandou a 7 de Outubro um telex para as redacções com as declarações de Cavaco Silva lamentando o afastamento de Marcelo. Passados poucos minutos um novo telex chegava a corrigir o anterior. A magna alteração introduzida era a seguinte: no primeiro parágrafo, onde se escrevia "afastamento" passava a escrever-se agora coisa mais neutra, ou seja, "saída". Mas Cavaco não falava de saída, mas de "afastamento", palavra que passava a só constar entre aspas no segundo parágrafo. Sem contaminar a linguagem do jornalista. Não sei de quem foi a ideia da magna correcção. Talvez do próprio jornalista, "não fosse o chefe...", ou do chefe, "não fosse o director...", ou do director, "não fosse o ministro...". Ou seria do próprio ministro, para garantir rigor dos serviços tutelados? Valha-nos Deus!»

Graça Franco, Tempo de Coniventes Sem Cadastro, Público, Segunda-feira, 18 de Outubro de 2004

sexta-feira, outubro 15, 2004

Aí está o futebol português no século XXI

Deve ser isto o que os peritos designam como "futebol moderno". Domingo há um jogo de futebol a contar para a Super [pausa para enorme gargalhada...] Liga entre as equipas do Sport Lisboa e Benfica e do Futebol clube do Porto. É normal, creio que em todos os campeonatos do mundo, que ocorram umas trocas de palavras e umas inofensivas provocações. Mas neste Portugal sempre na vanguarda da inovação, estamos sempre à frente em matéria de progresso. Assim se compreende que o clube visitado se recuse a ceder bilhetes aos adeptos do clube visitante, que os adeptos do clube visitante arranjem bilhetes "à má fila", que os dirigentes do clube visitado façam chantagem com o clube visitado e que o clube visitado ameace não comparecer ao jogo. Viva o progresso! Viva o futebol moderno! Salvé Vieira! Salvé Pinto da Costa!
Citando o seleccionador nacional de futebol, outro exemplo de elevação, bom-gosto e verve fácil, "vão-se foder!".

quinta-feira, outubro 14, 2004

Nostalgia creeps [on television, the drug of the nation] # 7

Listen well and listen close because I will say this only once: Allo Allo é, ainda hoje, uma das melhores séries televisivas de comédia [e não só!].

9 séries e 85 episódios com o selo de garantia do humor britânico.

Li algures que vai regressar no novo canal da SIC, a SIC Comédia.


Nostalgia creeps [vol. II] # 3

All Tomorrow's Parties

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
A hand-me-down dress from who knows where
To all tomorrow's parties
And where will she go and what shall she do
When midnight comes around
She'll turn once more to Sunday's clown
And cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
Why silks and linens of yesterday's gowns
To all tomorrow's parties
And what will she do with Thursday's rags
When Monday comes around
She'll turn once more to Sunday's clown
And cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
For Thursday's child is Sunday's clown
For whom none will go mourning
A blackened shroud, a hand-me-down gown
Of rags and silks, a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties


The Velvet Underground, in The Velvet Underground & Nico [1967 MGM Records]

quarta-feira, outubro 13, 2004

A propósito do pontapé na bola

Lembram-se?
De um país ao qual foi entregue a organização de um grande evento desportivo internacional - um dos maiores do mundo, dizem os seus sábios promotores...
De um país que construiu [ou renovou] dez excelentes, funcionais, confortáveis e dispendiosos recintos desportivos que estavam à frente e tudo o que de melhor se fazia no mundo...
De um país onde um certo desporto ia finalmente, e graças a esse evento internacional e aos moderníssimos estádios, entrar no século XXI, adaptando-se às novas realidades económicas, sociológicas e culturais...
De um país onde se celebrou o fair-play e se condenaram os excessos de hooligans [ingleses, pois então] alcoolizados e violentos...
De um país onde o grande evento desportivo internacional mobilizou milhões de bandeiras, bandeirinhas, gravatas e cachecóis...
De um país cuja selecção nacional uniu todos os cidadãos numa onda que varreu cidades, vilas, aldeias e berças...

Reconhecem?
Um país que acordou numa noite de Domingo, triste e acabrunhado, vendo que o sonho se havia desmoronado sob os toscos pés de um punhado de gregos...
Um país ao qual só se exigia, no máximo, que construísse ou remodelasse oito estádios...
Um país onde os clubes gastam o que não podem, são geridos por gente que também podia estar a gerir uma mercearia ou a descacar batatas...
Um país onde, à mínima contrariedade, se insultam jogadores, treinadores, dirigentes, adversários e curiosos...
Um país onde se aplaudem os vencedores e se espezinham os vencidos...

É o mesmo país. É o país dirigido por Luís Filipe Vieira, Jorge Nuno Pinto da Costa, António Dia da Cunha. É o país onde o líder de qualquer claque ou grupo de arruaceiros tem honras televisivas. É o país de Santana Lopes, João Jardim, Valentim Loureiro, Gomes da Silva, Ferreira Torres, Fátima Felgueiras, José Castelo-Branco, Narciso Miranda e de outras personagens do mesmo, ou inferior, calibre.

Esse país é uma merda. Ou, nas palavras mais elegantes de Eça de Queiroz, uma choldra.

It is not my country!

terça-feira, outubro 12, 2004

E é também o humor, estúpido

Ainda a propósito da linha política do governo, apercebi-me ainda nas últimas horas de outro aspecto tudo menos despiciendo. Falo do humor. Habitualmente, os políticos [e os dirigentes desportivos...] são fonte inesgotável de inspiração para os humoristas em geral, e para os cartoonistas em particular. Neste momento estou plenamente convicto de que o actual governo decidiu revolucionar, simultaneamente, a política e o humor em Portugal, . Só da conjugação de um talentoso grupo de comediantes seria pssível que brotassem tantas e tantas pérolas de humor, na linha non-sense dos saudosos Monthy Python. Assim, Pedro Santana Lopes e os seus subordinados abandonam o papel de fonte de inspiração que tradicionalmente cabe aos políticos desempenhar, para se assumirem eles próprios como humoristas [criadores e intérpretes de rábulas anedóticas e hilariantes]. Deste modo, e conjugando subtilmente o contraditório com o non-sense humorístico, Portugal tem uma nova forma de governar para oferecer ao mundo.
Podiam era ter-nos avisado. Ter-se-iam evitado muitos equívocos. E podiam também ter adoptado um nome de guerra. Qualquer coisa como The Santana Lopes Flying Circus, para dar um toque cosmopolita à coisa...

P.S.: Ah! E não me venham dizer que foi George W. quem inventou esta linha de actuação política. Quando muito terá inspirado vagamente PSL e a sua pandilha de comediantes. Comparado com PSL, W. é um mero aprendiz.

É o contraditório, estúpido!

Finalmente começo a perceber tudo. Afinal eu é que estava equivocado, e comigo milhões de portugueses e uns quantos comentadores políticos, notoriamente tudo gente de má vontade, including myself. Falo da linha política do governo. Desde já assumo o meu enorme, e duplo, erro: não só há governo [y si hay soy contra, como diria o proverbial anarca espanhol], como há uma linha política, um rumo, um desígnio, uma estratégia, enfim, qualquer coisa. É assim como as bruxas nas quais ninguém acredita, pero que las hay...
Então é assim [topem a citação big brotheriana made in TVI]: a linha política do governo é o contraditório. Ou seja, pela manhã o primeiro ministro afirma uma coisa, à tarde um ministro qualquer faz-se de novas e à noite, de preferência por volta das 20h00, o PM ou alguém por ele afirma exactamente o contrário do que havia sido dito pela manhã. Em alternativa, também pode suceder que um ministro qualquer vá sucessivamente prometendo uma determinada medida [ou a impossibilidade de uma medida] e num belo dia [de preferência por volta das 20h00...] o PM afirma exactamente o contrário daquilo que o seu ministro havia prometido para no dia seguinte dizer que afinal não era bem como ele próprio prometido no dia anterior. Um exemplo prático: o ministro das Finanças andou desde Julho a dizer que não podia baixar os impostos por isto e mais aquilo; ontem Santana Lopes comunicou ao país que no próximo ano o governo ia baixar os impostos; hoje o mesmo Santana Lopes já disse que o governo ia baixar os impostos no prósimo ano SE [hélas] houver o crescimento previsto pelo governo.
É o contraditório.

Obrigado, Blitz

Sou leitor de longa data - desde o número 13 ou 14 - do ainda hoje único jornal de música português, o Blitz. Ao longo destes anos, este semanário atravessou, como é natural em qualquer publicação, por momentos melhores e piores, altos e baixos, fez escolhas erradas. Mas sempre se consigou manter como uma referência na indústria [?] musical portuguesa [apesar "daquela fase" lamentável em que o nu-metal reinava na redacção e os execráveis Limp Bizkit eram incompreensivelmente elevados à categoria de deuses da música...].
Hoje em dia o Blitz continua com o seu quase sempre inestimável trabalho e, de há meses a esta parte, tem contribuido decisivamente para o crescimento da minha colecção de música nacional graças às edições, a reduzido custo, de uma já apreciável lista de títulos discográficos. Esta semana é a vez de Esquece Tudo O Que Te Disse / Respirar Debaixo de Água pelos Azembla´s Quartet, um álbum duplo que reune a banda sonora daqueles dois filmes de António Ferreira que vai rodar durante algumas semanas no leitor de CD's cá de casa. Como já aconteceu com outras edições [Mão Morta, Nus; Zen, Rules Jewels Fools; Hipnótica, Reconciliation; ou The Legendary Tiger Man, Fuck christmas, I Got The Blues].
Obrigado, pois.

sexta-feira, outubro 08, 2004

As obras de Santana [um resumo]

Antes de chegar a primeiro ministro deste desgraçado país, Santana Lopes tinha já uma vasta obra atrás de si, como todos muito bem sabemos. A maior de todas é, sem dúvida, a sua contribuição para o desenvolvimento da noite [bares e discotecas] da capital e da Figueira da Foz, bem como da imprensa cor-de-rosa portuguesa. Menos notória, e boicotada por um tal de José Roquette, mas também importante foi o legado - em milhões de contos - que deixou no Sporting Club de Portugal. Mais tarde, passou pela presidência da Câmara Municipal da Figueira da Foz e deixou por lá umas palmeiras e umas rotundas de inestimável valor. Daí saltou para a Câmara de Lisboa e lá deixou umas intenções, incompreendidas pelos infiéis, para a ressureição do cadáver do Parque Mayer, bem como um enorme buraco no Marquês de Pombal que ainda um dia há-de ter a sua utilidade. Por obra e graça de um emigrante de luxo e de um Presidente da República socialista, Santana aterrou no Palácio de S. Bento e nos últimos meses tem-se esforçado arduamente por deixar a sua marca em Portugal. Só não contava era com o sacana do Professor Marcelo Rebelo de Sousa que, por despeito, inveja e puro ódio, resolveu dificultar ao máximo a sua actuação, chamando a atenção dos portugueses para alegados erros políticos, supostas e variadas trapalhadas e presumíveis disparates do governo liderado por Santana. Uma injustiça, pá!

Política a Martelo [até enjoar]

Segundo a comunicação social há muita gente no PSD incomodada com a crise política em crise. Cavaco Silva, Marques Mendes, Vasco Graça Moura, Miguel Veiga, José Pacheco Pereira, Emídio Guerreiro, Teresa Gouveia, Jorge Neto, Carlos Encarnação e até Morais Sarmento são alguns dos notáveis que, de algum modo, exprimiram o seu desconforto. Quem se deve estar a rebolar de gozo é o recém-eleito secretário-geral do PS: com o PSD e o governo neste estado, não vai precisar de se esforçar por aí além para atingir os seus objectivos. continuar assim, não me admiraria que José Sócrates ganhasse as próximas legislativas [em 2006?] com uma confortável maioria, i.e, com uma maioria absoluta.

Há censura em Portugal!

Quem o afirma é Alberto João Jardim. Assim mesmo, com todas as letras: desde o 25 de Abril sempre houve censura em Portugal e ele pode prová-lo. O eterno líder dos madeirenses lá saberá do que fala [aos berros, como é habitual].

Há censura em Portugal!

Quem o diz é Alberto João Jardim. O eterno líder dos madeirense lá saberá do que fala [aos berros, com é habitual].

Política a Martelo [sempre em actualização]

Acabo de ouvir, no fórum TSF, um pateta qualquer, deputado do PSD, afirmar - sem se rir! - que em Portugal há liberdade de expressão e existe contraditório. Das duas uma: ou este idiota anda tão embrenhado na sua actividade parlamentar que não tem acompanhado as últimas notícias ou Rui Gomes da Silva, outro pateta só que ministro, não disse aquilo que todos, repetidamente, pudemos ouvir e ler.

Política a Martelo [em actualização]

Aqui pode estar uma [a?] explicação para a crise política em curso. É uma crise não é? Bem, pelo menos anda tudo a falar do assunto, portanto deve ser uma crise... Deve, deve...

Beijinhos & Parabéns

Corria o mês de Dezembro de 1981 quando Sémen saiu para a rua dando iníco a uma das mais importantes carreiras discográficas em Portugal.

Corria o ano de 1983 ou 1984, não me recordo com exactidão, quando pela primeira vez levei com a música rude e sem concessões de um quarteto de inconformados. Corria o ano de 1984 quando saiu aquele que ainda hoje é o seu melhor par de temas: Remar, Remar e Longa Se torna A Espera.

Corria o ano de 1986 quando foi editado o seu melhor álbum, Cerco, gravado no palco do lendário Rock Rendez-Vous, uma sala onde, ainda em 86, gravariam um mítico álbum ao vivo que só anos mais tarde seria editado [1º de Agosto ao Vivo no Rock Rendez-Vous].

Corria o ano de 1987 quando pela primeira vez os vi, finalmente, ao vivo [salvo erro, em Fevereiro] na lotadíssima e tórrida sala polivalente da Escola Secundária de Santa Maria do Olival em Tomar] com o Lito, companheiro de muitos concertos e nessa noite decidimos formar uma banda. Foi o ano do grande salto, com Circo de Feras. Nesse ano saí encharcado em suor do Pavilhão do Restelo [8 de Maio] quando eles receberam o seu primeiro disco de prata.

Entretanto, muita coisa mudou na minha vida e na deles e seguimos caminhos opostos. Já não me lembro há quantos anos os não vejo ao vivo. O último álbum que ouvi do princípio ao fim foi o 88. Porém... Sempre que os ouço na rádio por exemplo, mesmo nos seus piores momentos musicais, sou incapaz de mudar de estação. Foi-se, há muito, o quase fanatismo, ficou um imenso respeito pelo grupo mais influente da música portuguesa. Os Xutos. Hoje e amanhã comemoram 25 anos de carreira no Pavilhão Atlântico. Parabéns. Obrigado.

quinta-feira, outubro 07, 2004

Nostalgia creeps [vol. II] # 2

God Save the Queen

God save the queen
The fascist regime
It made you a moron
Potential H bomb

God save the queen
She ain't no human being
There is no future
In England's dreaming

Don't be told what you want
Don't be told what you need
There's no future
No future
No future for you

God save the queen
We mean it man
We love our queen
God saves

God save the queen
Cause tourists are money
And our figurehead
Is not what she seems
Oh god save history
God save your mad parade
Lord god have mercy
All crimes are paid

When there's no future
How can there be sin
We're the flowers in the dustbin
We're the poison in the human machine
We're the future
Your future

God save the queen
We mean it man
We love our queen
God saves

God save the queen
She ain't no human being
There is no future
In England's dreaming

No future
No future
No future for you

No future
No future
No future for me

No future
No future
No future for you

No future
No future for you


Sex Pistols [Virgin 1977]

Política a Martelo [agora a sério ou então não...]

O episódio do fim dos comentários dominicais de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI é revelador do estado a que chegou o exercício do poder em Portugal. Os senhores que o detém, isto é, a malta liderada por Pedro Santana Lopes, não pretende governar o país nem tenciona resolver os problemas do país. Aliás, mesmo que quisessem não seriam capazes. O seu nível intelectual e cultural é tão baixo, a sua falta de ideias ou convicções tão confrangedora, a sua incompetência tão gritante que não seriam capazes. Por isso, o que importa a esta gente incompetente, sem ideias ou convicções e ignorante é simplesmente manter-se no poder a todo o custo. Por isso, mais do que o inexistente conteúdo importa a forma, a imagem. Por isso, importa silenciar todos aqueles que se lhes opõem. Esta gente, apesar de incompetente, sem ideias ou convicções e ignorante, é muito perigosa. E o doutor Sampaio, que hoje recebeu o Professor Marcelo e há uns meses deu posse a Santana Lopes, das duas uma: ou é um inocente anjinho que não percebeu onde nos estava a meter, ou é tão incompetente, sem ideias e ignorante como a trupe de Santana que não percebeu onde nos estava a meter. Entretanto, quem lucra com toda esta situação é o próprio Marcelo, erigido pela esquerda e alguma direita em mártir da liberdade de expressão.

Política a Martelo

Há vários dias que não se fala de outro assunto: as homílias dominicais do Professor Marcelo na TVI. Tudo começou quando um tal de Rui Gomes da Silva resolveu fazer queixinhas públicas relativamente aos comentários pouco católicos do Professor. Esse senhor, cujos grandes méritos políticos se resumem ao facto de há anos ser apoiante indefectível do senhor Lopes que em má hora o Presidente Sampaio nomeou primeiro ministro de Portugal, sentiu-se ofendido na sua honra e despachou uma série de disparates avidamente reproduzidos por todos os orgãos de comunicação social.
Entretanto, o big brother, perdão, big boss, da TVI - Paes do Amaral [ou será Pais do Amaral?...] - chamou o Professor para um jantar e, provavelmente porque algo lhe caiu mal, este anunciou que abandonava as populares noites de Domingo da TVI. Daí para cá, Marcelo tem sido a grande figura mediática de Portugal. Da esquerda à direita, não há quem não se pronuncie sobre esta situação e até o Presidente, que em má hora nomeou o senhor Lopes primeiro ministro de Portugal, chamou Marcelo ao Palácio de Belém [para onde o senhor Lopes, aliás, sonhava mudar-se um dia]. Surgiram teorias e mais teorias, teses e mais teses, opiniões e mais opiniões sobre os motivos da decisão do Professor. Ele há quem ache que o governo de Portugal [Portugal tem um governo???] exerceu pressões no sentido de a TVI afastar, ou em alternativa domesticar, Marcelo [nomeadamente a oposição parlamentar]. Ele há quem pense que o que está em causa é a liberdade de expressão [incluindo notáveis do PSD de Pacheco Pereira a Marques Mendes passando por Vieira de Castro]. Ele há quem seja da opinião que Marcelo se armou em João Vieira Pinto e simulou um penalty inexistente [Luís Filipe Meneses e Duarte Lima, por exemplo]. Ele há quem balbucie umas palavras confusas sobre o assunto só para não ficar calado [António Pires de Lima].
Por mim, creio que estão todos errados. A explicação para o fim das homílias dominicais do Professor Marcelo é só uma: a Quinta das Celebridades, que recorde-se estreou no último Domingo. Cá para mim, José Castelo-Branco exigiu ser a única celebridade do circo televisivo de Paes [ou Pais?...]. Logo, Marcelo tinha que ser afastado. As queixinhas de Gomes da Silva foram tão somente um pretexto. Simples e cristalino. O problema é que aconteceu exactamente o contrário: Marcelo Rebelo de Sousa tem batido Castelo-Branco aos pontos nos indíces de popularidade nacional e parece que até as acções da Media Capital, proprietária do maior circo mediático do país, estão em queda.

sexta-feira, outubro 01, 2004

Portagens

Não entendo nada de política de transportes ou de finanças públicas nem de desenvolvimentos sustentados e outras coisas do género. Nesses, como em muitos outros assuntos, limito-me a guiar-me pelo bom-senso e a colher umas informações aqui e acolá.
O governo decidiu ontem introduzir portagens nas SCUTs e o ministro Mexia lá se explicou sobre os princípios dessa medida. Se bem entendi, o que o governo quer é poupar uns milhões de euros que, supostamente, irá investir em outras áreas.
Por mero acaso, até sou favorável ao pagamento de portagens, assim como acho que os combustíveis deveriam ser ainda mais caros, se os dividendos daí resultantes fossem investidos numa eficaz, confortável e segura rede de transportes públicos [rodoviários e, principalmente, ferroviários] de modo a incentivar a população a utilizar cada vez menos o automóvel e cada vez mais o combóio e o autocarro. O que se pouparia seria com certeza bastante, quer em termos económicos, quer, muito principalmente, em termos ambientais. Agora, fazer o que o governo está a fazer, obrigando-nos a pagar portagens sem nos oferecer alternativas decentes, é no mínimo um rematado disparate.

quinta-feira, setembro 30, 2004

Nostalgia creeps [vol. II] # 1

Heroes

I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be Heroes, just for one day

And you, you can be mean
And I, I'll drink all the time
'Cause we're lovers, and that is a fact
Yes we're lovers, and that is that

Though nothing, will keep us together
We could steal time, just for one day
We can be Heroes, for ever and ever
What d'you say?

I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them, for ever and ever
Oh we can be Heroes, just for one day

I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can be Heroes, just for one day
We can be us, just for one day

I, I can remember (I remember)
Standing, by the wall (by the wall)
And the guns, shot above our heads (over our heads)
And we kissed, as though nothing could fall (nothing could fall)
And the shame, was on the other side
Oh we can beat them, for ever and ever
Then we could be Heroes, just for one day

We can be Heroes
We can be Heroes
We can be Heroes
Just for one day
We can be Heroes

We're nothing, and nothing will help us
Maybe we're lying, then you better not stay
But we could be safer, just for one day

Oh-oh-oh-ohh, oh-oh-oh-ohh, just for one day


David Bowie, in Heroes [RCA 1977]

quarta-feira, setembro 29, 2004

Economia e Finanças

Francisco Louçã, consensualmente tido como um homem inteligente, deve ter começado a sofrer de distúrbios mentais. O senhor queria que o ministro das Finanças, um conhecido benfiquista cujo nome me escapa, fosse à Comissão de Economia e Finanças da Assembleia da República explicar a política do Governo para a Caixa Geral de Depósitos. Numa tão rara quanto inusitada demonstração de bom-senso a maioria PSD/PP recusou o pedido.
«Primeiro foi a reforma de Mira Amaral, depois a nomeação de Celeste Cardona para a Caixa Geral de Depósitos, agora são declarações que dão conta da possibilidade de transferência do fundo de pensões deste banco para o regime geral», disse Louçã e eu pasmo.
Em primeiro lugar, o ministro das Finanças não tem nada que ir seja onde for explicar a política do Governo para a CGD pelo simples facto de que o Governo não tem política nenhuma para a CGD [como não tem para quase nada, aliás]. Era de supor que Louçã já tivesse percebido um facto tão simples quanto esse.
Em segundo lugar, quanto à reforma de Mira Amaral também não vale a pena desperdiçar o tempo do ministro: não há explicação lógica. Amaral foi nomeado para a administração da CGD depois de negociar com o Governo daquele senhor que emigrou para a Bélgica a reforma que iria auferir quando de lá saísse. Entretanto, Amaral demitiu-se e passou a receber uns largos milhares de euros [saidos directamente dos cofres do estado, i.e., dos bolsos dos otários que em Portugal pagam impostos]. Wake up, Louçã!
Em terceiro lugar, a nomeação de Celeste Cardona. [suspiro] Celeste era ministra de uma pasta qualquer no anterior Governo. Com a mudança de Governo deixou de servir como ministra. O actual Governo arranjou-lhe um emprego na CGD. A vida custa a todos e os pobres dos ex-ministros também têm que comer e pagar as mensalidades dos colégios dos filhos. Louçã, welcome to the real world!
Em último lugar, a transferência do fundo de pensões deste banco para o regime geral. Caro, Louçã: ouvi dizer há uns anos que o senhor se tinha licenciado em economia com uma média invejável [e estratosférica]. Não lhe ensinaram nada na faculdade? É que de economia não percebo nada [o que, aliás, desde logo me habilita como potencial ministro ou secretário de estado].
Por tudo isto, está bom de ver que a ida do ministro à tal Comissão seria um desperdício de tempo e, principalmente, de dinheiro, já que os ministros tendem a andar em automóveis com motorista - tudo à conta do orçamento.

terça-feira, setembro 28, 2004

Nostalgia creeps rewind

Ao longo dos últimos meses fui por aqui evocando algumas das minhas memórias musicais. 10, para ser exacto. Hoje encerrei o primeiro volume dessas memórias. Olhando para os 10 temas / artistas seleccionados - casualmente, fragmentariamente ao sabor da memória - não posso deixar de me surpreender com a evolução que os meus gostos musicais foram sofrendo ao longó destes anos. A partir de hoje, sempre casualmente, sempre de modo fragmentado, passarei por outras memórias que, em certo sentido, não me pertencem porque "não estava lá" na altura em que foram publicadas. São como que memórias emprestadas. Pelo meio, em jeito de separador entre dois volumes fica Teen Age Riot dos Sonic Youth, um tema que não ouvia há anos [muitos mesmo...] e que reencontrei há dias.

Teen Age Riot

You're it
No, you're it
Hey, you're really it
You're it
No I mean it, you're it

Say it
Don't spray it
Spirit desire (face me)
Spirit desire (don't displace me)
Spirit desire
We will fall

Miss me
Don't dismiss me

Spirit desire

Spirit desire
We will fall
Spirit desire
We will fall
Spirit desire
We will fall
Spirit desire
We will fall

Everybody's talking 'bout the stormy weather
And what's a man do to but work out whether it's true?
Looking for a man with a focus and a temper
Who can open up a map and see between one and two

Time to get it
Before you let it
Get to you

Here he comes now
Stick to your guns
And let him through

Everybody's coming from the winter vacation
Taking in the sun in a exaltation to you
You come running in on platform shoes
With Marshall stacks
To at least just give us a clue
Ah, here it comes
I know it's someone I knew

Teenage riot in a public station
Gonna fight and tear it up in a hypernation for you

Now I see it
I think I'll leave it out of the way
Now I come near you
And it's not clear why you fade away

Looking for a ride to your secret location
Where the kids are setting up a free-speed nation, for you
Got a foghorn and a drum and a hammer that's rockin'
And a cord and a pedal and a lock, that'll do me for now

It better work out
I hope it works out my way
'Cause it's getting kind of quiet in my city's head
Takes a teen age riot to get me out of bed right now

You better look it
We're gonna shake it
Up to him

He acts the hero
We paint a zero
On his hand

We know it's down
We know it's bound too loose
Everybody's sound is round it
Everybody wants to be proud to choose
So who's to take the blame for the stormy weather
You're never gonna stop all the teenage leather and booze

It's time to go round
A one man showdown
Teach us how to fail

We're off the streets now
And back on the road
On the riot trail


Sonic Youth in Daydream Nation [Enigma / Blast First 1986]

Nostalgia creeps rewind

Bauhaus: She's in Parties [1983]
Joy Divison: Transmission [1979]
Cocteau Twins: Ivo [1984]

Jesus and Mary Chain: Just Like Honey [1985]
Nick Cave & The Bad Seeds: From Her to Eternity [1984]
Siouxsie & The Banshees: Spellbound [1981]
Hüsker Dü: Don't Want To Know If You Are Lonely [1986]

The Smiths: Reel Around the Fountain [1984]
Gang of Four: Damaged Goods [1979]
Nina Hagen: Smack Jack [1982]

Julho - Setembro

Nostalgia creeps # 10

Smack Jack

He just needs a hot shot, you need a hot shot
He just needs a hot shot, you need a hot shot

You are always running out, and you are always running short
Nothing matters anymore
All you want is go and score
No one starts with two a day
But they all seem to end that way

Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
That's a short term solution

He needs a hot shot, etc.

You've never could have thought or guessed
That things could get so far out of hand hahahahaha
I'm gonna see you coming down in a cold sweat running
It's gonna be a different tune that you will soon be humming

Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
That's a short term solution

He just needs a hot shot, you need a hot shot
He just needs a hot shot, you need a hot shot

The devil has got his hooks on you
You are racing his clock
His plastic paradise won't last
you've got a no future and no past
Anyone can see your eyes
'Scuse me hell is full of lies

Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack

Please, don't do it no more, no more, no more ...
Junkies are sentimental Junkies are very very sentimental

Smack Ist Dreck, Stop It Oder Verreck!
Nina Hagen, in Nunsexmonkrock [CBS Records 1982]

Comédia à portuguesa

Ultimamente tenho evitado referir-me à vida política portuguesa. Por um motivo muito simples: acho que a "análise" da nossa actualidade política está muito mais bem entregue aos especialistas que por aí andam, nomeadamente, a malta das Produções Fictícias que é responsável pelo Contra-Informação e pelo Inimigo Público... Ao ponto a que a política desceu em Portugal, só mesmo à gargalhada.
Porém, há situações recentes que me suscitam uma raiva tal que já nem as conversas de café ou no local de trabalho apaziguam. O caos criado pelo absurdo concurso de colocação de professores, o desnorte do primeiro-ministro que num dia afirma uma coisa para no seguinte ser sumariamente desmentido [por ele próprio ou por algum ministro] ou a trapalhada em torno do inquérito ao acidente na refinaria da Galp são situações reveladoras da falta de pudor por que se rege a nossa classe dirigente e a sua tremenda incompentência para dirigir os destinos de um Estado civilizado [mimo extensível ao Partido Socialista]. Mas há pior: a recente nomeação de Celeste Cardona para a presidência da Caixa Geral de Depósitos é apenas mais uma gota num oceano de clientelismo e compadrio. Mais ainda: a demissão de Mira Amaral da mesma CGD e a respectiva reforma, que o próprio Bagão Felix classificou de obscena ou qualquer coisa do género. E poderia continuar com o rol de exemplos. Como se não bastasse, hoje soube-se que Mira Amaral só aceitou ir para a CGD depois de ter negociado com o governo anterior a reforma que obteria quando de lá saísse!
Tudo isto seria cómico se não fosse trágico, não nos afectasse a todos e não viesse a ter desastrosas consequências no futuro deste país. Depois admirem-se quando, um destes dias, formações políticas extremistas começarem a ganhar espaço significativo na vida política portuguesa...

sexta-feira, setembro 24, 2004

Talvez foder e traduções livres e gastronomia

Anda para aí uma polémica, e muitas piadas, sobre um livro que a PSP de Viseu não gostou de ver na montra de uma livraria local, terra de bons e sãos costumes. O livro, como já todos sabem, tem por título As Mulheres Não Gostam de Foder [A las mujeres no les gusta follar, no original], o seu autor dá pelo nome de Alvarez Rabo e faz banda-desenhada. Eu não entendo. Não entendo como é que alguém cujo apelido é Rabo ainda não mudou de nome. Ou pelo menos, ainda não arranjou um pseudónimo mais... artístico. Adiante. Também não entendo esta tradução: As Mulheres Não Gostam de Foder?! Sinceramente... Então follar não é o mesmo que folar, aquela espécie de bolo de carne tradicional na Páscoa? Também não entendo o nome da livraria em causa: Polvo?. Eu adoro polvo - então em salada! - mas Polvo?! Isso não seria mais adequado para nome, sei lá, de uma boutique ou de um barbeiro?
A sério. Que se eu quisesse brincar com isto, diria ao Alvarez Rabo que se as mulheres não gostam de foder lá na terra dele, paciência. Que se mude para um país onde as mulheres sejam mais dadas aos prazeres libidinosos da carne [e, já agora, do polvo, porque não?]. Ou, em alternativa, que se vire para os homens. Pode ser que tenha mais sorte.

Nostalgia creeps # 9

Damaged Goods

The change will do you good
I always knew it would
Sometimes I'm thinking that I love you
But I know it's only lust
Your kiss so sweet
Your sweat so sour

Your kiss so sweet
Your sweat so sour
Sometimes I'm thinking that I love you
But I know it's only lust
The sins of the flesh
Are simply sins of lust
Sweat's running down your back
Sweat's running down your neck
Heated couplings in the sun
(Or is that untrue?)
Colder couplings in the night
(Never saw your body)
Your kiss so sweet
Your sweat so sour
Sometimes I'm thinking that I love you
But I know it's only lust
The change will do you good
I always knew it would
You know the change will do you good
You know the change will do you good

Damaged goods
Send them back
I can't work
I can't achieve
Send me back
Open the till
Give me the change
You said would do me good
Refund the cost
You said you're cheap but you're too much
Your kiss so sweet
Your sweat so sour
Sometimes I'm thinking that I love you
But I know it's only lust
The change will do you good
I always knew it would
You know the change will do you good
You know the change will do you good

I'm kissing you goodbye
(Goodbye, goodbye, goodbye, goodbye, goodbye)

Gang of Four in Entertainment [EMI 1979]

Olha, já cá estão!

Mais cedo me queixasse, mais depressa os posts apareciam...

Blogger hates me...

Porque razão os meus posts mais recentes não aparecem na página principal do blog? O Blogger passou-se? É só comigo? Isto assim é como falar para uma parede...

quinta-feira, setembro 23, 2004

O líder da Resistência

Humildemente chamo a atenção para mais um texto do líder da oposição, ou melhor, da resistência aos invasores alíenigenas no Público de hoje. O nome desse corajoso resistente é José Pacheco Pereira, um homem que há meses anda a combater a ameaça extra-terrestre com todos os meios ao seu alcance e praticamente sózinho [assim de momento não estou a ver mais ninguém exceptuando o prof. Marcelo, mas esse não tem um blog nem escreve no Público].

Eles andam aí...

Razão tinha igualmente Fox Mulder dos saudosos X-Files: não só the truth is out there como os extra-terrestres também por aí andam à solta. Só assim se explica a torrente de declarações desconexas de Pedro Santana Lopes nas útlimas semanas. Tudo não passa de uma tremenda conspiração interplanetária para tramar Portugal e o próprio Lopes. Lopes não é Lopes: é um clone produzido por ETs e é esse clone o responsável pelo desnorte do Lopes e do governo. Aliás, Lopes não foi o único a ser clonado pelos alíenigenas. O primeiro foi Durão Barroso e o segundo Jorge Sampaio. Estão a perceber? Clonaram o Barroso que decidiu ir para Bruxelas e clonaram o Sampaio que nomeou Lopes.
Digam o que disserem, esta é a versão que me parece mais lógica para explicar o turbilhão de loucura em que os nossos máximos governantes entraram nos últimos meses. Ou acham que eles enlouqueceram de repente? Impossível. "Eles" andam aí [aliá já John Carpenter achava o mesmo aqui há uns anos].

Dias da Cunha anda a dizer isto há anos!

O sistema. Quem tramou o governo na colocação de professores para actual ano lectivo foi o sistema. Que seja um sistema informático é irrelevante. Foi o sistema, percebem? O Dias da Cunha anda há anos a alertar a nação para os malefícios do sistema mas ninguém lhe dá ouvidos [nem os próprios sportinguistas!]. Afinal o homem tem razão.

terça-feira, setembro 21, 2004

Volta Queiroz, estás perdoado [?]

Raul, Roberto Carlos, Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham, Owen... O plantel do Real Madrid parece uma constelação. Já não é de agora, claro. Tem sido essa a política de Florentino Perez desde que tomou conta do clube. O ano passado foi buscar Carlos Queiroz ao Manchester United e no final da época mandou-o embora acusando-o genericamente de ser incompetente. Este ano foi buscar José António Camacho e prometeu o céu aos adeptos. Após três jornadas no campeonato espanhol e uma jornada na Liga dos Campeões, o Real marcou dois golos, ganhou dois jogos e Camacho pediu a demissão e já foi substituido. Será que também ele é incompetente? Ou será que o incompetente é outro? Aposto que ontem Queiroz deve ter soltado uma sonora gargalhada.

Aqui há gato

O solicito Luís Delgado fez um elogio ao Partido Socialista [mais concretamente ao modelo escolhido para a eleição do secretário-geral]... Hum... Será porque daqui a uns dois anitos há eleições legislativas e o omnisciente Delgado acha que Pedro & Paulo podem ser corridos?

segunda-feira, setembro 20, 2004

It's entertainment, stoopid!

Já tem uns dias, mas só agora dei por este texto de Clara Ferreira Alves sobre Madonna. A senhora dona Clara está um bocadito zangada com a agora estudante da Cabala e explica os seus motivos. Até a compreendo, mesmo não sendo eu mulher, mas há ali qualquer coisa que me escapa. Eu sempre pensei que Madonna, ou Esther como agora quer lhe chamem, sempre foi tão somente uma entertainer, com melhores e piores momentos, mas sempre, apenas e só, uma entertainer. Qual libertação da mulher, qual activismo político, qual carapuça. Ah! E nem comento o mau-gosto [e má-educação] do título do texto em questão [Madonna, vai morrer longe].

sábado, setembro 18, 2004

Os verdadeiros heróis do desporto

José Alves, Nuno Alves, Firmino Batista, Susana Barroso, Paulo Coelho, Armando Costa, Graça Fernandes, João Paulo Fernandes, Carlos Ferreira, Fernando Ferreira, Odete Fiuza, José Gameira, Cristina Gonçalves, Nelson Gonçalves, Carlos Lopes, Nelson Lopes, José Carlos Macedo, António Marques, Leila Marques, João Martins, José Monteiro, Maria João Morgado, Mário Parrulas, Augusto Pereira, Carlos Pereira, Fernando de Oliveria Pereira, Gabriel Potra, Pedro Silva, Ricardo Vale,Bruno Valentim, Perpétua Vaza e Nuno Vitorino.
Os heróis portugueses em Atenas.

Os verdadeiros heróis do desporto

Começou ontem a 12ª edição dos Jogos Paralímpicos em Atenas. Para Portugal virão várias medalhas de ouro, prata e bronze, de certeza.
Esperarei pacientemente para ver quantos desses campeões serão condecorados pelo Presidente da República e quantos serão recebidos pelo Primeiro Ministro.
Aqui deixo a minha modesta homenagem a todos os cidadãos com deficiência, portugueses ou não, que se encontram em Atenas e que enfrentam as suas limitações com uma força e determinação que devia envergonhar muitos de nós.
O site oficial dos Jogos Paralímpicos
O portal do cidadão com deficiência

Jornalismo na desportiva [título recorrente e intermitente]

Acabo de ouvir um reporter da RTP1 fazer uma inteligentíssima pergunta ao organizador de um protesto contra as touradas que está a ter lugar em Lisboa. Perguntou o senhor porquê fazer um protesto contra as touradas quando este ano nem se falou muito nisso [em touradas]. É mais um exemplo do fino jornalismo à portuguesa.

sexta-feira, setembro 17, 2004

A capital [ou um post que se calhar devia estar em outro blog...]

Que me perdoem os lisboetas, mas as minhas deslocações à capital são pouco mais que esporádicas. Não é que não goste da cidade. Acontece que o caos lisboeta me dá cabo dos nervos. Ainda assim, quando aí vou acabo sempre por dái voltar com algumas recordações e ontem não foi excepção. Para além do duplo prazer de assitir a um concerto [magnífico] dos Spektrum no Lux, ainda consegui comprar uns disquitos a uns preços nada exagerados para o habitualmente praticado em Portugal. Destaco duas compilações e uma piada. As colectâneas Schaffelfieber 2 da Kompakt e Famous When Dead III da Playhouse ["por acaso" editora dos Spektrum]. Já não novidades mas continuam muito actuais. A piada Powersalves - an electro tribute to Iron Maiden, uma piada provavelmente so perceptível por quem alguma vez gostou dos homenageados [sim, eu já fui um grande fã destes senhores, e?...]. O jantar na Casa do Alentejo também não foi nada mau.

PS: apanhei um táxi no Largo de Camões [conduzido por um brasileiro de pronúncia quase indecifrável] e o motorista perguntou-me, sem se rir, qual era exactamente o limite de velocidade dentro das localidades. Não me pareceu que o senhor estivesse a gozar comigo. Já há algum tempo que tinha a suspeita de que para conduzir um táxi em Portugal não era preciso estar muito familiarizado com pormenores do código da estrada...

quinta-feira, setembro 16, 2004

Enter the... Spektrum!

Hoje à noite os fantásticos Spektrum dão um concerto no Lux, o que é para mim uma dupla boa notícia: ver uma das minhas paixões musicais mais recentes e ir ao Lux. Um duplo prazer. Ontem os Spektrum tocaram no Porto e amanhã parece que tocam em Alcobaça. Por acaso não pude ir ao Porto, a Lisboa vou e a Alcobaça estou tentado. Fanático, eu? Previdente. Sei lá quando é que voltarei a ter a oportunidade de ver esta banda!

Regressos [II]

Segundo o Ministério da Educação, hoje abre oficialmente o ano lectivo, o que só pode ser uma piada de muito mau-gosto. A falta de respeito que estes senhores têm demonstrado pelos alunos, professores e pais não deveria deixar ninguém indiferente. Como é possível que um país dito desenvolvido não seja capaz de proceder em tempo útil à colocação de professores? Como tem o Governo a coragem de pedir motivação e brio profissional a pessoas [pessoas!] que há meses andam a ser desrespeitadas e vilenpendiadas através de um trapalhão processo de colocação? Como tem o Governo coragem de lhes exigir dedicação e trabalho depois de os tratar desta forma? Quem vai ser responsabilizado pelos prejuízos que toda esta situação provocou e vai continuar a provocar?

Regressos

A Assembleia da República regressou ontem aos trabalhos e os senhores deputados lá seguiram alegres e contentes para o Parlamento como os meninos para escola em primeiro dia de aulas. Após as longas férias do Verão, sabe sempre bem reencontrar os amigos, trocar impressões sobre a praia, combinar umas saidas... STOP! Deliro. Claro que não foi nada disto. Até porque os meninos este ano não vão para a escola tão cedo: o Ministério da Educação ainda não conseguiu colocar os professores e hoje a maioria das escolas só vai abrir virtualmente - o que, aliás, me parece apropriado para um país que quer apostar nas novas tecnologias, logo, na realidade virtual. STOP! Eu queria mesmo era falar do regresso ao trabalho da AR e dos nossos [salvo-seja!...] representantes democraticamente eleitos e dos diversos assuntos que por lá foram ontem debatidos: as novas taxas moderadoras, o início do ano lectivo, o aborto, a birra de Álvaro Barreto por causa de um inquérito divulgado por Luís Nobre Guedes, as eleições no PS... STOP! Ai que saudades do debate político à portuguesa...

Questões pertinentes

Em dois dias consecutivos, o sempre pertinente António Barreto levantou algumas questões, no mínimo interessantes: terça-feira sobre a falta de enfermeiros em Portugal e quarta-feira sobre os preços dos telefones e da energia que pagamos por cá. Espero que quando lhe derem as respostas às perguntas que faz, António Barreto tenha a bondade de as partilhar. Eu também gostaria de perceber...

sexta-feira, setembro 10, 2004

Ainda o milagre andaluz

A reportagem mencionada no post abaixo é da autoria de Pedro Almeida Vieira com fotografias de Paulo Barata. Perdoe-se-me o esquecimento. A ambos a minha homenagem. Oxalá alguém com responsabilidades a tenha lido.

Já agora, fica mais um pequeno excerto / sugestão:

«Pelos resultados que a Junta da Andaluzia conseguiu em poucos anos, porque teve coragem e empenho político, talvez valesse a pena contratar um tradutor e começar por copiar a lei e respectivo regulamento de prevenção e luta contra os incêndios andaluzes e acabar com o voluntarismo que se tem traduzido na delapidação da nossa floresta e da outrora bela paisagem portuguesa. Talvez fosse tempo de ver que de Espanha podem não vir bons ventos nem bons casamentos, mas podem surgir bons ensinamentos.»
in Grande Reportagem, 28 de Agosto de 2004

Milagre

Agora que o calor do Verão já parece uma vaga memória e que as últimas cinzas dos incêndios já não pairam no ar, regresso precisamente ao tema dos incêndios que ano após vão destruindo as nossas florestas. Regresso também a uma reportagem da Grande Reportagem sobre a prevenção e combate aos incêndios na Andaluzia. Os andaluzes conseguiram o "milagre" de praticamente acabarem com os incêndios florestais há mais de uma década.

«Aqui bem perto, na vizinha Andaluzia, território com uma dimensão geográfica idêntica à de Portugal continental e com uma área florestal de cerca 4,3 milhões de hectares, há mais de uma década que os incêndios deixaram de ser uma fatalidade. Entre 1995 e 2003, por exemplo, a Andaluzia perdeu menos floresta e mato do que Portugal em 24 horas de alguns dias de Agosto no ano passado. E qual é o segredo dos espanhóis? Simples: prevenção e mais prevenção, profissionalismo dos homens no terreno, rapidez e eficácia na intervenção. E uma gestão exemplar, a uma só voz, das florestas e dos matos que são de todos.»
in Grande Reportagem, 28 de Agosto de 2004

Será que algum dos milhares de assessores de imprensa dos nossos governantes se deu ao trabalho de fazer chegar este trabalho a algum ministro? Duvido.

O terror

Continua o terror. E, fatalmente, há-de continuar. Por isso, a candeia que aqui há dias foi colocada num post neste blog, passa a estar ali ao lado permanentemente. Em memória de todas as vítimas inocentes de todos os actos de crueldade cometidos por ditos seres humanos.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Who am I?!

É raro mas de quando em vez dá-me para fazer estes testes inúteis. Por uma vez gostei do resultado. Yes!
thepixies.jpg
You rule. in 15 years, you won't be as known as you
are now, but most of the people that will know
you then will like you (or else I'll beat them
with a stick). You're nice to listen to.


What band from the 80s are you?
brought to you by Quizilla

terça-feira, setembro 07, 2004

Uma vela em cada blog


Uma iniciativa do Ânimo à qual cheguei via Thomar e Santa Cita. Em memória de todas as vítimas do terrorismo, particularmente dos mortos inocentes de Beslan na Ossétia do Norte.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Nostalgia creeps # 8

Reel Around The Fountain

It's time the tale were told
Of how you took a child
And you made him old

It's time the tale were told
Of how you took a child
And you made him old
You made him old

Reel around the fountain
Slap me on the patio
I'll take it now
Oh ...

Fifteen minutes with you
Well, I wouldn't say no
Oh, people said that you were virtually dead
And they were so wrong

Fifteen minutes with you
Oh, well, I wouldn't say no
Oh, people said that you were easily led
And they were half-right
Oh, they ... oh, they were half-right, oh

It's time the tale were told
Of how you took a child
And you made him old
It's time that the tale were told
Of how you took a childAnd you made him old
You made him old

Oh, reel around the fountain
Slap me on the patio
I'll take it now
Ah ... oh ...

Fifteen minutes with you
Oh, I wouldn't say no
Oh, people see no worth in you
Oh, but I do.
Fifteen minutes with you
Oh, I wouldn't say no
Oh, people see no worth in youI do.
Oh, I ... oh, I do
Oh ...

I dreamt about you last night
And I fell out of bed twice
You can pin and mount me like a butterfly
But "take me to the haven of your bed"
Was something that you never said
Two lumps, please
You're the bee's knees
But so am I

Oh, meet me at the fountain
Shove me on the patio
I'll take it slowly
Oh ...

Fifteen minutes with you
Oh, I wouldn't say no
Oh, people see no worth in you
Oh, but I do.
Fifteen minutes with you
Oh, no, I wouldn't say no
Oh, people see no worth in you
I do.
Oh, I ... I do
Oh, I do
Oh, I do
Oh, I do
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The Smiths, in Hatfull of Hollow [Rough Trade 1984]

quinta-feira, setembro 02, 2004

Mulheres ao mar [e homens a ridiculo e uma dúvida]

Em que é que a presença ou ausência de um «piercing» contribui para a competência profissional seja de quem for?

Mulheres ao mar [e homens a ridiculo]

Continuo a achar espantoso que Luís Delgado escreva o que escreve mantendo sempre o ar sério. Grande admirador de Bush, José Manuel [ Durão, claro] Santana e Portas, este homem continua em plena forma. Aí fica uma pérola da escrita da criatura.


A figura levar-se-à mesmo a sério?

Mulheres ao mar

A propósito do barco da Women on Waves que se encontra ao largo da Figueira da Foz muito tem sido dito e escrito, incluindo inúmeros disparates. O texto abaixo, de Ana Sá Lopes, resume a minha posição sobre o assunto e a reacção do Governo [?] português.

«Siga a Marinha do CDS

O que é mau para o Governo não é necessariamente mau para o CDS. A proibição e a ronda das corvetas cobre o Governo de ridículo, mas contenta o eleitorado específico que Paulo Portas não quer ver fugir para o PSD, que o futuro da coligação não é seguro. Paulo Portas pôs a Marinha de Guerra ao serviço do CDS e foi, como ministro da Defesa, à sede do CDS, num discurso embrulhado com a bandeira do CDS, explicar a decisão do Governo: "O mar territorial não é uma selva"; sem a acção das corvetas neste momento específico, "nenhuma autoridade nacional teria legitimidade para combater o tráfico de droga, a pesca ilegal e a imigração clandestina". O PSD, a parte dele que não se revê neste discurso, fica a ver navios - apanha com o ridículo e é provável que não ganhe nada com isso.
in Público, Quarta-feira, 01 de Setembro de 2004

terça-feira, agosto 31, 2004

Imagens de uma semana ao sul

O caminho para a "minha" praia...


A "minha" praia...


Infelizmente, há quem insista em destruir o nosso património...

segunda-feira, agosto 23, 2004

Um lugar ao sul

Hoje parto novamente para a segunda parte das minhas férias. Vou para o sul. Espero que também vá para o sol que de chuva já chegou a passada semana em Paredes de Coura.

sábado, agosto 21, 2004

Férias repartidas

Regresso a casa antes de partir novamente daqui a menos de dois dias. A primeira semana de férias a sério já lá vai, passada primeiro a deambular pelo Parque Natural da Peneda-Gerês e depois em praticamente cinco dias de Rock'n'Roll em Paredes de Coura. Daqui até ao fim do mês só quero mesmo é descanso. É que depois de quase uma semana de música e chuva o corpo pede descanso. Total e absoluto. E entretanto vou continuar mais ou menos a leste da actualidade. Não quero saber das nomeações do Lopes nem da participação portuguesa nos Jogos Olimpícos nem das eleições no PS nem do preço do petróleo nem... Até já.

quinta-feira, agosto 12, 2004

A chegada é sobrevalorizada

«Adoro viajar. Muito mais do que alguma vez gostei de chegar a um sítio. A chegada é sobrevalorizada. É muito mais excitante andar de um lado para o outro. De avião, de barco, de carro, de comboio, a pé, seja como for. Gosto é de andar de um lado para o outro. Acho que os destinos foram inventados para não darmos a sensação que andamos a deambular, meio perdidos [...]»
Jerry Seinfeld, Linguagem Seinfeld

Notoriamente eu não o diria melhor. As palavras acima descrevem na perfeição o meu conceito de viagem. Ir, andar, deambular. Chegar é irrelevante. Amanhã ponho-me a andar. Durante duas semanas. Quase me esquecia: também gosto da expectativa da partida. É quase tão boa como a partida em si mesma.

quarta-feira, agosto 11, 2004

Com senso

Ainda a propósito do pacto de regime para a Justiça proposto pelo senhor Lopes. Só para acrescentar isto: preferia que, em vez de procurar consensos, o senhor governasse o país com senso.

Nostalgia creeps [on television, the drug of the nation] # 6

A melhor série sobre polícias que alguma vez vi: Hill Street Blues. Quando se começava a ouvir o genérico, parava tudo para acompanhar as vidas do capitão Furillo, dos agentes Bobby Hill, Andy Renko ou Lucille Bates, dos detectives Washington, J.D. LaRue ou Mick Belker, da advogada Joyce Davenport.e dos outros todos.
Sgt. Phil Esterhaus [Michael Conrad], Frank Furillo [Daniel J. Travanti] e Joyce Davenport [Veronica Hamel]

"Let's be careful out there..."