domingo, novembro 14, 2004

Nostalgia creeps [vol. II] # 7

Janitor of Lunacy

Janitor of lunacy
Paralyze my infancy
Petrify the empty cradle
Bring hope to them and me

Janitor of tyranny
Testify my vanity
Mortalize my memory
Deceive the Devil's deed

Tolerate my jealousy
Recognize the desperate need

Janitor of lunacy
Identify my destiny
Revive the living dream
Forgive their begging scream

Seal the giving of their seed
Disease the breathing grief


Nico, Desertshore [Reprise 1970]

sexta-feira, novembro 12, 2004

Humor imbecil

«Vamos seguir as regras do mercado livre: há escolha? Então, eu não bebo cervejas que para vender gozam com a dignidade humana. E você, amigo leitor?»
David Rodrigues, professor da Universidade Técnica de Lisboa, in Publico, 12.11.2004

Eu também não bebo essa cerveja; nem essa nem qualquer cerveja com origem na cervejeira que a produz.
Aliás, começava a ficar preocupado com o silêncio com que tem sido recebida essa ignóbil campanha publicitária da Sagres [eu, como não escrevo em jornais, posso chamar os bois pelos nomes] da Central de Cervejas. A mesma que habitualmente patrocina a selecção nacional de futebol, diversos festivais de Verão e festas universitárias.

Até pode querer, duvido é que o consiga...


Lembro-me o que aconteceu há uns anos quando um ministro do Ambiente também teve umas ideias sobre ordenamento do território e quis fazer umas demolições. Foi recambiado para o Parlamento Europeu na primeira oportunidade. Chama-se Carlos Pimenta.

A propósito do congresso

Uma das grandes questões suscitadas pelo congresso do PSD [do PPD?] é a questão dos presentes e dos ausentes, dos que vão e dos que não vão. Bate certo. É um partido à imagem e semelhança da vida social do seu [actual] líder. O congresso é assim uma espécie de festa jet-set e o que conta é saber quem lá está, com quem está e com quem é visto, e quem não está.

Estes independentes são muito imprevisíveis

Era o que Jorge Coelhone costumava comentar no Contra-Informação nos tempos do governo de Toneca Guterres. Lembrei-me dele a propósito da justificação que Aníbal Cavaco Silva deu para não ir ao congresso do PSD. O Aníbal, que já foi ministro das Finanças, primeiro ministro e candidato derrotado à Presidência da República, não vai a Barcelos porque "é muito independente dos partidos políticos". Já tinha reparado. Estava era à espera de uma justificação mais original. Isto vindo do homem que um dia foi a um congresso - no qual foi eleito líder de um partido político - porque tinha que fazer a rodagem do seu carro novo, é pouco. Muito pouco.

terça-feira, novembro 09, 2004

Berlim, 9 de Novembro de 1989

Nostalgia creeps [off record]

Berlim morreu a nove

Berlim, Berlim morreu a nove.

Cenário:
Yorckstr... sucessão de viadutos de ferro
Enegrecidos pela ferrugem,
Onde as velhas linhas para leste,
Entregues à voracidade do tempo,
Se equilibram, sobranceiras,
Os carris retorcidos pelo matagal.

De quando em vez
O crepúsculo é rasgado pelo S-Bahn para Mariendorf,
Fila de janelas iluminando prostitutas de couro e lingerie
Em carícias obscenas

Hordas de guerreiros em latex vermelho,
Silhuetas recortadas no lusco-fusco,
Movimentam-se junto ao descampado.

Conan, o Bárbaro, montado no seu Camaro de 70
Cuspindo fogo estrepitosamente,
Vem ver se está tudo bem com as suas pequenas.

Do imbiss do turco
Ouve-se a rádio anunciar que em Postdamerplatz o muro está a cair.

Que faço eu aqui
Com as mãos manchadas de sangue?

Berlim, Berlim: morreu a nove.


Mão Morta, in Mutantes S.21 [Fungui 1993]

Nostalgia creeps [vol. II] # 6.1

Berlin

In Berlin, by the wall
you were five foot ten inches tall
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice

We were in a small cafe
you could hear the guitars play
It was very nice
it was paradise

You're right and I'm wrong
hey babe, I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day

Oh, you're right and I'm wrong
you know I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
One sweet day

In a small, small cafe
we could hear the guitars play
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice

Don't forget, hire a vet
he hasn't had that much fun yet
It was very nice
hey honey, it was paradise

You're right and I'm wrong
oh babe, I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
You're right, oh, and I'm wrong
you know I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
One sweet day


One sweet day, one sweet day
oh, one sweet day
One sweet day, baby-baby, one sweet day
one sweet day, one sweet da


Lou Reed

Nostalgia creeps [vol. II] # 6

Berlin

--- S.E. ---

Eins
Zwei
Drei
Zugabe

Happy birthday to you
Happy birthday dear Caroline
Happy birthday to you

--- S.E. ---

In Berlin by the wall
you were five foot ten inches tall
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice

We were in a small cafe
you could hear the guitars play
It was very nice
oh honey, it was paradise


Lou Reed, in Berlin [RCA 1973]

Dead or alive?

Afinal, o homem está morto, vivo ou nem por isso?

sexta-feira, novembro 05, 2004

Aos pontapés

Algo de estranho se está a passar esta semana no futebol nacional e não estou a falar das lamentáveis prestações do FCP e do SLB nas competições europeias [estranho seria se ambos tivessem ganho]. Ouvi dizer - mas deve ser boato - que na próxima segunda-feira há "jogo grande" [como os comentadores desportivos gostam de dizer] a contar para o campeonato português. Parece que Sporting e Porto jogam nas Antas [sim, nas Antas], mas não pode ser verdade. Pinto da Costa e Dias da Cunha não têm aparecido nos meios de comunicação social a trocar galhardetes. Ora todos sabemos que por cá não há "jogo grande" sem uma bela polémica [por mais ridiculo que seja o motivo].
Ainda um dia me hão-de explicar essa do "jogo grande". Será um jogo com 120 minutos?

Um mundo mais seguro?

Esta semana foi reeleito o cowboy W. Bush para a presidência do mais poderoso país do mundo. Esta semana também, desapareceu Arafat [ainda que ligado à máquina, o homem está, para todos os efeitos, morto]. Estes dois factos não me deixam mais tranquilo quanto ao futuro. Antes pelo contrário. O mundo parece-me cada vez mais um local muito pouco seguro.

Homem livre

Um dos cada vez mais raros homens livres deste país começou hoje a publicar no Público as suas crónicas. Vasco Pulido Valente é mais um bom motivo para nunca mais ligar ao Diário de Notícias e ser ainda mais fiel ao Público.

quarta-feira, novembro 03, 2004

Filho de peixe...

... etc e tal, diz o bom povo. O peixe que foi agora reeleito para presidir aos Estados Unidos da América está a sair melhor nadador do que o seu progenitor. Foi a presidente como o pai e conseguiu ser reeleito. Foi à guerra como o pai, mas não se contentou com uma - fez duas. Como o pai, escolheu Saddam Hussein para inimigo de estimação mas, ao contrário do pai, conseguiu não só derrubá-lo como deitar-lhe a mão.

Tal como previ...

... Osama Bin Laden foi o vencedor das eleições nos Estados Unidos da América. Já ontem o tinha dito. Um dia, se me apetecer, explico porquê.

terça-feira, novembro 02, 2004

And the winner is...

Hoje é dia de eleições nos Estados Unidos da América. O meu palpite é simples: aconteça o que acontecer, parece-me que o vencedor será Osama Bin Laden.

Nostalgia creeps [vol. II] # 5

Sister Morphine

Here I lie in my hospital bed
Tell me, Sister Morphine, when are you coming round again?
Oh, I don't think I can wait that long
Oh, you see that I'm not that strong

The scream of the ambulance is sounding in my ears
Tell me, Sister Morphine, how long have I been lying here?
What am I doing in this place?
Why does the doctor have no face?

Oh, I can't crawl across the floor
Ah, can't you see, Sister Morphine, I'm trying to score

Well it just goes to show
Things are not what they seem
Please, Sister Morphine, turn my nightmares into dreams
Oh, can't you see I'm fading fast?
And that this shot will be my last

Sweet Cousin Cocaine, lay your cool cool hand on my head
Ah, come on, Sister Morphine, you better make up my bed
'Cause you know and I know in the morning I'll be dead
Yeah, and you can sit around, yeah and you can watch all the
Clean white sheets stained red.


Rolling Stones, Sticky Fingers [Rolling Stones Records 1971]

quinta-feira, outubro 28, 2004

Ainda haverá esperança para a TSF?

Entro no carro, mecanicamente ligo o rádio e apanho com o Quinteto Tati nas ondas hertzianas. Esfrego os olhos - é de manhã e ainda devo estar meio a dormir. Não. É mesmo a TSF, a mesma que de há uns meses para cá se tem pautado por duvidosos - ia escrever pirosos - critérios de selecção musical. Será que o bom-gosto musical está a regressar, com pézinhos de lã, à rádio-jornal? Pelo sim, pelo não, é melhor manter uma atitude de prudente reserva.

A árvore e a floresta

Temos o estranho hábito de discutir longa e acaloradamente a árvore, ignorando a floresta. Aliás, frequentemente discutimos a pequena árvore, ignorando outras de maior porte e em mais lastimável estado de conservação.
Hoje de manhã, a SIC Notícias e a TSF abriram-se à opinião dos seus telespectadores e ouvintes para discutir as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa à Alta Autoridade para a Comunicação Social. Marcelo, Pais [ou Paes?], Silva ou Lopes são meras árvores [e algumas de fraqíssimo porte, diga-se]. O que está em causa neste momento é uma mais vasta floresta: a da Política, da Economia, da Comunicação Social e das relações entre todas. Sobre a floresta não vi nem ouvi nada.
Além do mais, SIC Notícias e TSF preferiram dar destaque a um tema que, por significativo e simbólico, é com certeza bem menos irrelevante que a retirada estratégica de Durão Barroso perante o Parlamento Europeu, uma retirada que poderá ter sérias consequências no futuro da União Europeia, espaço de que, parece-me, ainda fazemos parte.
Opções...

Jornalismo à portuguesa

Tenho cá para mim que a Política e o Jornalismo, como eventualmente o Desporto, são actividades que reflectem, genericamente a sociedade em que se inserem. Em Portugal, três décadas depois da Revolução de Abril e quase duas desde a adesão à União Europeia [então Comunidade Económica Europeia], continuamos a ter uma sociedade grandemente atrofiada por determinados, digamos, problemas e afectada por carências e deficiências de vária ordem. Por exemplo, sem cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres, responsáveis e críticos, dificlmente teremos uma classe política competente ou um jornalismo eficaz.
Vem todo este, longo, palavreado para ilustrar duas situações recentes com as quais me cruzei acidentalmente na supostamente nossa RTP, situações que ilustram uma certa forma displicente de fazer jornalismo e que só continuam a acontecer com regularidade porque temos uma larga faixa da população com confrangedores níveis de literacia.
A primeira aconteceu há alguns dias - na manhã do encerramento do tunel do Rossio. Antes das 8 horas antes de sair de casa, vejo um jovem aprendiz de reporter na estação de Campolide a tentar entrevistar passageiros da linha de Sintra sobre os incovenientes e incómodos que a situação lhes causava. Teve azar o rapaz porque as duas pessoas com as quais falar conseguiu não eram clientes habituais daquela linha. Mesmo assim, o hábil moço lá conseguiu convencer um dos entrevistados a dizer que sim senhor aquilo era uma chatice e um enorme incómodo para os passageiros da CP. Ou seja, em vez de se limitar a reportar, o reporter forçou o passageiro a dizer o que convinha à reportagem.
A segunda situação aconteceu hoje à hora do almoço a propósito da torre da igreja matriz de Penamacor que se encontra inclinada. Passando por cima da abusiva comparação com uma famosa torre italiana, o suposto jornalista que escreveu a peça resolver concluir a mesma afirmando qualquer coisa como "já que a ciência não consegue explicar o fenómeno [de a torre estar inclinada e não cair], então deve ser mesmo a mão de Deus a segurá-la". Tudo muito bem, não fosse o pequeno pormenor de na peça não se ter vislumbrado a mais ténue tentativa de encontrar uma explicação cientifica. Os únicos entrevistados foram uma idosa, uma transeunte e o padre local. Entretanto ignoro se a mão de Deus que tão diligentemente segura a torre de Penamacor é a mesma que há uns anos deu um golo à selecção Argentina de futebol.