terça-feira, outubro 12, 2004

É o contraditório, estúpido!

Finalmente começo a perceber tudo. Afinal eu é que estava equivocado, e comigo milhões de portugueses e uns quantos comentadores políticos, notoriamente tudo gente de má vontade, including myself. Falo da linha política do governo. Desde já assumo o meu enorme, e duplo, erro: não só há governo [y si hay soy contra, como diria o proverbial anarca espanhol], como há uma linha política, um rumo, um desígnio, uma estratégia, enfim, qualquer coisa. É assim como as bruxas nas quais ninguém acredita, pero que las hay...
Então é assim [topem a citação big brotheriana made in TVI]: a linha política do governo é o contraditório. Ou seja, pela manhã o primeiro ministro afirma uma coisa, à tarde um ministro qualquer faz-se de novas e à noite, de preferência por volta das 20h00, o PM ou alguém por ele afirma exactamente o contrário do que havia sido dito pela manhã. Em alternativa, também pode suceder que um ministro qualquer vá sucessivamente prometendo uma determinada medida [ou a impossibilidade de uma medida] e num belo dia [de preferência por volta das 20h00...] o PM afirma exactamente o contrário daquilo que o seu ministro havia prometido para no dia seguinte dizer que afinal não era bem como ele próprio prometido no dia anterior. Um exemplo prático: o ministro das Finanças andou desde Julho a dizer que não podia baixar os impostos por isto e mais aquilo; ontem Santana Lopes comunicou ao país que no próximo ano o governo ia baixar os impostos; hoje o mesmo Santana Lopes já disse que o governo ia baixar os impostos no prósimo ano SE [hélas] houver o crescimento previsto pelo governo.
É o contraditório.

Obrigado, Blitz

Sou leitor de longa data - desde o número 13 ou 14 - do ainda hoje único jornal de música português, o Blitz. Ao longo destes anos, este semanário atravessou, como é natural em qualquer publicação, por momentos melhores e piores, altos e baixos, fez escolhas erradas. Mas sempre se consigou manter como uma referência na indústria [?] musical portuguesa [apesar "daquela fase" lamentável em que o nu-metal reinava na redacção e os execráveis Limp Bizkit eram incompreensivelmente elevados à categoria de deuses da música...].
Hoje em dia o Blitz continua com o seu quase sempre inestimável trabalho e, de há meses a esta parte, tem contribuido decisivamente para o crescimento da minha colecção de música nacional graças às edições, a reduzido custo, de uma já apreciável lista de títulos discográficos. Esta semana é a vez de Esquece Tudo O Que Te Disse / Respirar Debaixo de Água pelos Azembla´s Quartet, um álbum duplo que reune a banda sonora daqueles dois filmes de António Ferreira que vai rodar durante algumas semanas no leitor de CD's cá de casa. Como já aconteceu com outras edições [Mão Morta, Nus; Zen, Rules Jewels Fools; Hipnótica, Reconciliation; ou The Legendary Tiger Man, Fuck christmas, I Got The Blues].
Obrigado, pois.

sexta-feira, outubro 08, 2004

As obras de Santana [um resumo]

Antes de chegar a primeiro ministro deste desgraçado país, Santana Lopes tinha já uma vasta obra atrás de si, como todos muito bem sabemos. A maior de todas é, sem dúvida, a sua contribuição para o desenvolvimento da noite [bares e discotecas] da capital e da Figueira da Foz, bem como da imprensa cor-de-rosa portuguesa. Menos notória, e boicotada por um tal de José Roquette, mas também importante foi o legado - em milhões de contos - que deixou no Sporting Club de Portugal. Mais tarde, passou pela presidência da Câmara Municipal da Figueira da Foz e deixou por lá umas palmeiras e umas rotundas de inestimável valor. Daí saltou para a Câmara de Lisboa e lá deixou umas intenções, incompreendidas pelos infiéis, para a ressureição do cadáver do Parque Mayer, bem como um enorme buraco no Marquês de Pombal que ainda um dia há-de ter a sua utilidade. Por obra e graça de um emigrante de luxo e de um Presidente da República socialista, Santana aterrou no Palácio de S. Bento e nos últimos meses tem-se esforçado arduamente por deixar a sua marca em Portugal. Só não contava era com o sacana do Professor Marcelo Rebelo de Sousa que, por despeito, inveja e puro ódio, resolveu dificultar ao máximo a sua actuação, chamando a atenção dos portugueses para alegados erros políticos, supostas e variadas trapalhadas e presumíveis disparates do governo liderado por Santana. Uma injustiça, pá!

Política a Martelo [até enjoar]

Segundo a comunicação social há muita gente no PSD incomodada com a crise política em crise. Cavaco Silva, Marques Mendes, Vasco Graça Moura, Miguel Veiga, José Pacheco Pereira, Emídio Guerreiro, Teresa Gouveia, Jorge Neto, Carlos Encarnação e até Morais Sarmento são alguns dos notáveis que, de algum modo, exprimiram o seu desconforto. Quem se deve estar a rebolar de gozo é o recém-eleito secretário-geral do PS: com o PSD e o governo neste estado, não vai precisar de se esforçar por aí além para atingir os seus objectivos. continuar assim, não me admiraria que José Sócrates ganhasse as próximas legislativas [em 2006?] com uma confortável maioria, i.e, com uma maioria absoluta.

Há censura em Portugal!

Quem o afirma é Alberto João Jardim. Assim mesmo, com todas as letras: desde o 25 de Abril sempre houve censura em Portugal e ele pode prová-lo. O eterno líder dos madeirenses lá saberá do que fala [aos berros, como é habitual].

Há censura em Portugal!

Quem o diz é Alberto João Jardim. O eterno líder dos madeirense lá saberá do que fala [aos berros, com é habitual].

Política a Martelo [sempre em actualização]

Acabo de ouvir, no fórum TSF, um pateta qualquer, deputado do PSD, afirmar - sem se rir! - que em Portugal há liberdade de expressão e existe contraditório. Das duas uma: ou este idiota anda tão embrenhado na sua actividade parlamentar que não tem acompanhado as últimas notícias ou Rui Gomes da Silva, outro pateta só que ministro, não disse aquilo que todos, repetidamente, pudemos ouvir e ler.

Política a Martelo [em actualização]

Aqui pode estar uma [a?] explicação para a crise política em curso. É uma crise não é? Bem, pelo menos anda tudo a falar do assunto, portanto deve ser uma crise... Deve, deve...

Beijinhos & Parabéns

Corria o mês de Dezembro de 1981 quando Sémen saiu para a rua dando iníco a uma das mais importantes carreiras discográficas em Portugal.

Corria o ano de 1983 ou 1984, não me recordo com exactidão, quando pela primeira vez levei com a música rude e sem concessões de um quarteto de inconformados. Corria o ano de 1984 quando saiu aquele que ainda hoje é o seu melhor par de temas: Remar, Remar e Longa Se torna A Espera.

Corria o ano de 1986 quando foi editado o seu melhor álbum, Cerco, gravado no palco do lendário Rock Rendez-Vous, uma sala onde, ainda em 86, gravariam um mítico álbum ao vivo que só anos mais tarde seria editado [1º de Agosto ao Vivo no Rock Rendez-Vous].

Corria o ano de 1987 quando pela primeira vez os vi, finalmente, ao vivo [salvo erro, em Fevereiro] na lotadíssima e tórrida sala polivalente da Escola Secundária de Santa Maria do Olival em Tomar] com o Lito, companheiro de muitos concertos e nessa noite decidimos formar uma banda. Foi o ano do grande salto, com Circo de Feras. Nesse ano saí encharcado em suor do Pavilhão do Restelo [8 de Maio] quando eles receberam o seu primeiro disco de prata.

Entretanto, muita coisa mudou na minha vida e na deles e seguimos caminhos opostos. Já não me lembro há quantos anos os não vejo ao vivo. O último álbum que ouvi do princípio ao fim foi o 88. Porém... Sempre que os ouço na rádio por exemplo, mesmo nos seus piores momentos musicais, sou incapaz de mudar de estação. Foi-se, há muito, o quase fanatismo, ficou um imenso respeito pelo grupo mais influente da música portuguesa. Os Xutos. Hoje e amanhã comemoram 25 anos de carreira no Pavilhão Atlântico. Parabéns. Obrigado.

quinta-feira, outubro 07, 2004

Nostalgia creeps [vol. II] # 2

God Save the Queen

God save the queen
The fascist regime
It made you a moron
Potential H bomb

God save the queen
She ain't no human being
There is no future
In England's dreaming

Don't be told what you want
Don't be told what you need
There's no future
No future
No future for you

God save the queen
We mean it man
We love our queen
God saves

God save the queen
Cause tourists are money
And our figurehead
Is not what she seems
Oh god save history
God save your mad parade
Lord god have mercy
All crimes are paid

When there's no future
How can there be sin
We're the flowers in the dustbin
We're the poison in the human machine
We're the future
Your future

God save the queen
We mean it man
We love our queen
God saves

God save the queen
She ain't no human being
There is no future
In England's dreaming

No future
No future
No future for you

No future
No future
No future for me

No future
No future
No future for you

No future
No future for you


Sex Pistols [Virgin 1977]

Política a Martelo [agora a sério ou então não...]

O episódio do fim dos comentários dominicais de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI é revelador do estado a que chegou o exercício do poder em Portugal. Os senhores que o detém, isto é, a malta liderada por Pedro Santana Lopes, não pretende governar o país nem tenciona resolver os problemas do país. Aliás, mesmo que quisessem não seriam capazes. O seu nível intelectual e cultural é tão baixo, a sua falta de ideias ou convicções tão confrangedora, a sua incompetência tão gritante que não seriam capazes. Por isso, o que importa a esta gente incompetente, sem ideias ou convicções e ignorante é simplesmente manter-se no poder a todo o custo. Por isso, mais do que o inexistente conteúdo importa a forma, a imagem. Por isso, importa silenciar todos aqueles que se lhes opõem. Esta gente, apesar de incompetente, sem ideias ou convicções e ignorante, é muito perigosa. E o doutor Sampaio, que hoje recebeu o Professor Marcelo e há uns meses deu posse a Santana Lopes, das duas uma: ou é um inocente anjinho que não percebeu onde nos estava a meter, ou é tão incompetente, sem ideias e ignorante como a trupe de Santana que não percebeu onde nos estava a meter. Entretanto, quem lucra com toda esta situação é o próprio Marcelo, erigido pela esquerda e alguma direita em mártir da liberdade de expressão.

Política a Martelo

Há vários dias que não se fala de outro assunto: as homílias dominicais do Professor Marcelo na TVI. Tudo começou quando um tal de Rui Gomes da Silva resolveu fazer queixinhas públicas relativamente aos comentários pouco católicos do Professor. Esse senhor, cujos grandes méritos políticos se resumem ao facto de há anos ser apoiante indefectível do senhor Lopes que em má hora o Presidente Sampaio nomeou primeiro ministro de Portugal, sentiu-se ofendido na sua honra e despachou uma série de disparates avidamente reproduzidos por todos os orgãos de comunicação social.
Entretanto, o big brother, perdão, big boss, da TVI - Paes do Amaral [ou será Pais do Amaral?...] - chamou o Professor para um jantar e, provavelmente porque algo lhe caiu mal, este anunciou que abandonava as populares noites de Domingo da TVI. Daí para cá, Marcelo tem sido a grande figura mediática de Portugal. Da esquerda à direita, não há quem não se pronuncie sobre esta situação e até o Presidente, que em má hora nomeou o senhor Lopes primeiro ministro de Portugal, chamou Marcelo ao Palácio de Belém [para onde o senhor Lopes, aliás, sonhava mudar-se um dia]. Surgiram teorias e mais teorias, teses e mais teses, opiniões e mais opiniões sobre os motivos da decisão do Professor. Ele há quem ache que o governo de Portugal [Portugal tem um governo???] exerceu pressões no sentido de a TVI afastar, ou em alternativa domesticar, Marcelo [nomeadamente a oposição parlamentar]. Ele há quem pense que o que está em causa é a liberdade de expressão [incluindo notáveis do PSD de Pacheco Pereira a Marques Mendes passando por Vieira de Castro]. Ele há quem seja da opinião que Marcelo se armou em João Vieira Pinto e simulou um penalty inexistente [Luís Filipe Meneses e Duarte Lima, por exemplo]. Ele há quem balbucie umas palavras confusas sobre o assunto só para não ficar calado [António Pires de Lima].
Por mim, creio que estão todos errados. A explicação para o fim das homílias dominicais do Professor Marcelo é só uma: a Quinta das Celebridades, que recorde-se estreou no último Domingo. Cá para mim, José Castelo-Branco exigiu ser a única celebridade do circo televisivo de Paes [ou Pais?...]. Logo, Marcelo tinha que ser afastado. As queixinhas de Gomes da Silva foram tão somente um pretexto. Simples e cristalino. O problema é que aconteceu exactamente o contrário: Marcelo Rebelo de Sousa tem batido Castelo-Branco aos pontos nos indíces de popularidade nacional e parece que até as acções da Media Capital, proprietária do maior circo mediático do país, estão em queda.

sexta-feira, outubro 01, 2004

Portagens

Não entendo nada de política de transportes ou de finanças públicas nem de desenvolvimentos sustentados e outras coisas do género. Nesses, como em muitos outros assuntos, limito-me a guiar-me pelo bom-senso e a colher umas informações aqui e acolá.
O governo decidiu ontem introduzir portagens nas SCUTs e o ministro Mexia lá se explicou sobre os princípios dessa medida. Se bem entendi, o que o governo quer é poupar uns milhões de euros que, supostamente, irá investir em outras áreas.
Por mero acaso, até sou favorável ao pagamento de portagens, assim como acho que os combustíveis deveriam ser ainda mais caros, se os dividendos daí resultantes fossem investidos numa eficaz, confortável e segura rede de transportes públicos [rodoviários e, principalmente, ferroviários] de modo a incentivar a população a utilizar cada vez menos o automóvel e cada vez mais o combóio e o autocarro. O que se pouparia seria com certeza bastante, quer em termos económicos, quer, muito principalmente, em termos ambientais. Agora, fazer o que o governo está a fazer, obrigando-nos a pagar portagens sem nos oferecer alternativas decentes, é no mínimo um rematado disparate.

quinta-feira, setembro 30, 2004

Nostalgia creeps [vol. II] # 1

Heroes

I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be Heroes, just for one day

And you, you can be mean
And I, I'll drink all the time
'Cause we're lovers, and that is a fact
Yes we're lovers, and that is that

Though nothing, will keep us together
We could steal time, just for one day
We can be Heroes, for ever and ever
What d'you say?

I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them, for ever and ever
Oh we can be Heroes, just for one day

I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can be Heroes, just for one day
We can be us, just for one day

I, I can remember (I remember)
Standing, by the wall (by the wall)
And the guns, shot above our heads (over our heads)
And we kissed, as though nothing could fall (nothing could fall)
And the shame, was on the other side
Oh we can beat them, for ever and ever
Then we could be Heroes, just for one day

We can be Heroes
We can be Heroes
We can be Heroes
Just for one day
We can be Heroes

We're nothing, and nothing will help us
Maybe we're lying, then you better not stay
But we could be safer, just for one day

Oh-oh-oh-ohh, oh-oh-oh-ohh, just for one day


David Bowie, in Heroes [RCA 1977]

quarta-feira, setembro 29, 2004

Economia e Finanças

Francisco Louçã, consensualmente tido como um homem inteligente, deve ter começado a sofrer de distúrbios mentais. O senhor queria que o ministro das Finanças, um conhecido benfiquista cujo nome me escapa, fosse à Comissão de Economia e Finanças da Assembleia da República explicar a política do Governo para a Caixa Geral de Depósitos. Numa tão rara quanto inusitada demonstração de bom-senso a maioria PSD/PP recusou o pedido.
«Primeiro foi a reforma de Mira Amaral, depois a nomeação de Celeste Cardona para a Caixa Geral de Depósitos, agora são declarações que dão conta da possibilidade de transferência do fundo de pensões deste banco para o regime geral», disse Louçã e eu pasmo.
Em primeiro lugar, o ministro das Finanças não tem nada que ir seja onde for explicar a política do Governo para a CGD pelo simples facto de que o Governo não tem política nenhuma para a CGD [como não tem para quase nada, aliás]. Era de supor que Louçã já tivesse percebido um facto tão simples quanto esse.
Em segundo lugar, quanto à reforma de Mira Amaral também não vale a pena desperdiçar o tempo do ministro: não há explicação lógica. Amaral foi nomeado para a administração da CGD depois de negociar com o Governo daquele senhor que emigrou para a Bélgica a reforma que iria auferir quando de lá saísse. Entretanto, Amaral demitiu-se e passou a receber uns largos milhares de euros [saidos directamente dos cofres do estado, i.e., dos bolsos dos otários que em Portugal pagam impostos]. Wake up, Louçã!
Em terceiro lugar, a nomeação de Celeste Cardona. [suspiro] Celeste era ministra de uma pasta qualquer no anterior Governo. Com a mudança de Governo deixou de servir como ministra. O actual Governo arranjou-lhe um emprego na CGD. A vida custa a todos e os pobres dos ex-ministros também têm que comer e pagar as mensalidades dos colégios dos filhos. Louçã, welcome to the real world!
Em último lugar, a transferência do fundo de pensões deste banco para o regime geral. Caro, Louçã: ouvi dizer há uns anos que o senhor se tinha licenciado em economia com uma média invejável [e estratosférica]. Não lhe ensinaram nada na faculdade? É que de economia não percebo nada [o que, aliás, desde logo me habilita como potencial ministro ou secretário de estado].
Por tudo isto, está bom de ver que a ida do ministro à tal Comissão seria um desperdício de tempo e, principalmente, de dinheiro, já que os ministros tendem a andar em automóveis com motorista - tudo à conta do orçamento.

terça-feira, setembro 28, 2004

Nostalgia creeps rewind

Ao longo dos últimos meses fui por aqui evocando algumas das minhas memórias musicais. 10, para ser exacto. Hoje encerrei o primeiro volume dessas memórias. Olhando para os 10 temas / artistas seleccionados - casualmente, fragmentariamente ao sabor da memória - não posso deixar de me surpreender com a evolução que os meus gostos musicais foram sofrendo ao longó destes anos. A partir de hoje, sempre casualmente, sempre de modo fragmentado, passarei por outras memórias que, em certo sentido, não me pertencem porque "não estava lá" na altura em que foram publicadas. São como que memórias emprestadas. Pelo meio, em jeito de separador entre dois volumes fica Teen Age Riot dos Sonic Youth, um tema que não ouvia há anos [muitos mesmo...] e que reencontrei há dias.

Teen Age Riot

You're it
No, you're it
Hey, you're really it
You're it
No I mean it, you're it

Say it
Don't spray it
Spirit desire (face me)
Spirit desire (don't displace me)
Spirit desire
We will fall

Miss me
Don't dismiss me

Spirit desire

Spirit desire
We will fall
Spirit desire
We will fall
Spirit desire
We will fall
Spirit desire
We will fall

Everybody's talking 'bout the stormy weather
And what's a man do to but work out whether it's true?
Looking for a man with a focus and a temper
Who can open up a map and see between one and two

Time to get it
Before you let it
Get to you

Here he comes now
Stick to your guns
And let him through

Everybody's coming from the winter vacation
Taking in the sun in a exaltation to you
You come running in on platform shoes
With Marshall stacks
To at least just give us a clue
Ah, here it comes
I know it's someone I knew

Teenage riot in a public station
Gonna fight and tear it up in a hypernation for you

Now I see it
I think I'll leave it out of the way
Now I come near you
And it's not clear why you fade away

Looking for a ride to your secret location
Where the kids are setting up a free-speed nation, for you
Got a foghorn and a drum and a hammer that's rockin'
And a cord and a pedal and a lock, that'll do me for now

It better work out
I hope it works out my way
'Cause it's getting kind of quiet in my city's head
Takes a teen age riot to get me out of bed right now

You better look it
We're gonna shake it
Up to him

He acts the hero
We paint a zero
On his hand

We know it's down
We know it's bound too loose
Everybody's sound is round it
Everybody wants to be proud to choose
So who's to take the blame for the stormy weather
You're never gonna stop all the teenage leather and booze

It's time to go round
A one man showdown
Teach us how to fail

We're off the streets now
And back on the road
On the riot trail


Sonic Youth in Daydream Nation [Enigma / Blast First 1986]

Nostalgia creeps rewind

Bauhaus: She's in Parties [1983]
Joy Divison: Transmission [1979]
Cocteau Twins: Ivo [1984]

Jesus and Mary Chain: Just Like Honey [1985]
Nick Cave & The Bad Seeds: From Her to Eternity [1984]
Siouxsie & The Banshees: Spellbound [1981]
Hüsker Dü: Don't Want To Know If You Are Lonely [1986]

The Smiths: Reel Around the Fountain [1984]
Gang of Four: Damaged Goods [1979]
Nina Hagen: Smack Jack [1982]

Julho - Setembro

Nostalgia creeps # 10

Smack Jack

He just needs a hot shot, you need a hot shot
He just needs a hot shot, you need a hot shot

You are always running out, and you are always running short
Nothing matters anymore
All you want is go and score
No one starts with two a day
But they all seem to end that way

Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
That's a short term solution

He needs a hot shot, etc.

You've never could have thought or guessed
That things could get so far out of hand hahahahaha
I'm gonna see you coming down in a cold sweat running
It's gonna be a different tune that you will soon be humming

Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
That's a short term solution

He just needs a hot shot, you need a hot shot
He just needs a hot shot, you need a hot shot

The devil has got his hooks on you
You are racing his clock
His plastic paradise won't last
you've got a no future and no past
Anyone can see your eyes
'Scuse me hell is full of lies

Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack
Shoot it up, Smack Jack, shoot it up, Smack Jack
That's a drag with a monkey on your back, Smack Jack

Please, don't do it no more, no more, no more ...
Junkies are sentimental Junkies are very very sentimental

Smack Ist Dreck, Stop It Oder Verreck!
Nina Hagen, in Nunsexmonkrock [CBS Records 1982]

Comédia à portuguesa

Ultimamente tenho evitado referir-me à vida política portuguesa. Por um motivo muito simples: acho que a "análise" da nossa actualidade política está muito mais bem entregue aos especialistas que por aí andam, nomeadamente, a malta das Produções Fictícias que é responsável pelo Contra-Informação e pelo Inimigo Público... Ao ponto a que a política desceu em Portugal, só mesmo à gargalhada.
Porém, há situações recentes que me suscitam uma raiva tal que já nem as conversas de café ou no local de trabalho apaziguam. O caos criado pelo absurdo concurso de colocação de professores, o desnorte do primeiro-ministro que num dia afirma uma coisa para no seguinte ser sumariamente desmentido [por ele próprio ou por algum ministro] ou a trapalhada em torno do inquérito ao acidente na refinaria da Galp são situações reveladoras da falta de pudor por que se rege a nossa classe dirigente e a sua tremenda incompentência para dirigir os destinos de um Estado civilizado [mimo extensível ao Partido Socialista]. Mas há pior: a recente nomeação de Celeste Cardona para a presidência da Caixa Geral de Depósitos é apenas mais uma gota num oceano de clientelismo e compadrio. Mais ainda: a demissão de Mira Amaral da mesma CGD e a respectiva reforma, que o próprio Bagão Felix classificou de obscena ou qualquer coisa do género. E poderia continuar com o rol de exemplos. Como se não bastasse, hoje soube-se que Mira Amaral só aceitou ir para a CGD depois de ter negociado com o governo anterior a reforma que obteria quando de lá saísse!
Tudo isto seria cómico se não fosse trágico, não nos afectasse a todos e não viesse a ter desastrosas consequências no futuro deste país. Depois admirem-se quando, um destes dias, formações políticas extremistas começarem a ganhar espaço significativo na vida política portuguesa...

sexta-feira, setembro 24, 2004

Talvez foder e traduções livres e gastronomia

Anda para aí uma polémica, e muitas piadas, sobre um livro que a PSP de Viseu não gostou de ver na montra de uma livraria local, terra de bons e sãos costumes. O livro, como já todos sabem, tem por título As Mulheres Não Gostam de Foder [A las mujeres no les gusta follar, no original], o seu autor dá pelo nome de Alvarez Rabo e faz banda-desenhada. Eu não entendo. Não entendo como é que alguém cujo apelido é Rabo ainda não mudou de nome. Ou pelo menos, ainda não arranjou um pseudónimo mais... artístico. Adiante. Também não entendo esta tradução: As Mulheres Não Gostam de Foder?! Sinceramente... Então follar não é o mesmo que folar, aquela espécie de bolo de carne tradicional na Páscoa? Também não entendo o nome da livraria em causa: Polvo?. Eu adoro polvo - então em salada! - mas Polvo?! Isso não seria mais adequado para nome, sei lá, de uma boutique ou de um barbeiro?
A sério. Que se eu quisesse brincar com isto, diria ao Alvarez Rabo que se as mulheres não gostam de foder lá na terra dele, paciência. Que se mude para um país onde as mulheres sejam mais dadas aos prazeres libidinosos da carne [e, já agora, do polvo, porque não?]. Ou, em alternativa, que se vire para os homens. Pode ser que tenha mais sorte.