Finalmente começo a perceber tudo. Afinal eu é que estava equivocado, e comigo milhões de portugueses e uns quantos comentadores políticos, notoriamente tudo gente de má vontade, including myself. Falo da linha política do governo. Desde já assumo o meu enorme, e duplo, erro: não só há governo [y si hay soy contra, como diria o proverbial anarca espanhol], como há uma linha política, um rumo, um desígnio, uma estratégia, enfim, qualquer coisa. É assim como as bruxas nas quais ninguém acredita, pero que las hay...
Então é assim [topem a citação big brotheriana made in TVI]: a linha política do governo é o contraditório. Ou seja, pela manhã o primeiro ministro afirma uma coisa, à tarde um ministro qualquer faz-se de novas e à noite, de preferência por volta das 20h00, o PM ou alguém por ele afirma exactamente o contrário do que havia sido dito pela manhã. Em alternativa, também pode suceder que um ministro qualquer vá sucessivamente prometendo uma determinada medida [ou a impossibilidade de uma medida] e num belo dia [de preferência por volta das 20h00...] o PM afirma exactamente o contrário daquilo que o seu ministro havia prometido para no dia seguinte dizer que afinal não era bem como ele próprio prometido no dia anterior. Um exemplo prático: o ministro das Finanças andou desde Julho a dizer que não podia baixar os impostos por isto e mais aquilo; ontem Santana Lopes comunicou ao país que no próximo ano o governo ia baixar os impostos; hoje o mesmo Santana Lopes já disse que o governo ia baixar os impostos no prósimo ano SE [hélas] houver o crescimento previsto pelo governo.
É o contraditório.
