quarta-feira, julho 28, 2004

Quebrar o silêncio [e aliviar o peso na consciência]

Há alturas em que algo tâo simples como um [simples] email nos faz lembrar que os nossos problemas são insignificantes quando comparados com os de outras pesoas, seres humanos como nós, a quem tudo é negado. A alimentação, o conforto, a saúde, a liberdade, a dignidade, a própria vida. Está a acontecer um pouco por todo o mundo, só que na voragem dos nossos dias e cegos com os nossos [insignificantes] problemas não damos conta disso, ou olhamos para o lado e fazemos de conta que não vemos. Está a acontecer, perante a [neste momento menor] indiferença generalizada da opinião pública mundial], em Darfur.

«[As minhas desculpas aos que estão a receber este email pela segunda vez,mas optei por reenviá-la depois de ter recebido um número significativo de devoluções e mensagens de erro. Aos que entretanto responderam ao apelo,desde já aqui fica o meu mais sincero agradecimento]

Caros amigos,
 
Antes de mais peço que me desculpem o caracter algo impessoal deste email, mas esta foi a forma mais prática que encontrei de fazer chegar a mensagem ao maior número possível de pessoas.
 
O meu apelo é simples: peço-vos que usem os vossos blogs para quebrar o silêncio e a indiferença em relação ao genocídio que decorre em Darfur. Peço-vos que escrevam um post sobre Darfur. Um simples post. Que publiquem um poema, uma foto ou uma imagem. Cerca de 150 mil pessoas foram já assassinadas ou mortas à fome, vítimas de um conflito que continua a ser invisível para a generalidade da opinião pública. A blogosfera demonstrou já por diversas vezes a sua capacidade de mobilização e sensibilização. Pode ser muito pouco, pode até ser verdade que individualmente todos os nossos esforços possam valer quase nada. Mas o preço do silêncio é demasiado elevado quando temos diante de nós um meio de comunicação com um potencial tão elevado.  Escrevi na sexta-feira um post sobre o genocídio em Darfur, no fim do qual recolhi uma série de links que podem ser utilizados como pontos para referência futura. O post pode ser encontrado aqui: http://ruadajudiaria.blogspot.com/2004/07/nunca-mais-em-1915-henry-morgenthau.html
 
Gostaria de deixar claro que, com esta mensagem, não estou a pedir que façam referência ou que "linkem" o que escrevi. Este email não tem como objectivo conseguir mais links para a Rua da Judiaria, mas somente apelar para que não fiquem indiferentes.
 
Por último, aconselho mais dois links: o blog Sudan: The Passion of the Present (http://platform.blogs.com/passionofthepresent)
 
E o site Darfur Genocide: http://www.darfurgenocide.org/
 
Obrigado pela vossa paciência. Um abraço amigo, Nuno Guerreiro»
 
Obrigado eu, Nuno Guerreiro.

Acidentes [acontecem...]

Na zona onde moro, desde Segunda-feira que ninguém tem linhas telefónicas. Tudo porque, há semanas, uns cabos telefónicos descairam - sabe-se lá porquê - e, entretanto, um camião fez o resto do serviço, arrancando-os ao passar no local. Desde Segunda-feira de manhã ainda não foi possível à Portugal Telecom reparar - ou mandar reparar - os benditos cabos. Realmente não é caso para urgências: afinal para servem os telemóveis, não é?...

segunda-feira, julho 26, 2004

Portugal a arder [outra vez]

«Em primeiro lugar quero pedir desculpa à excelentíssima Rádio Universidade de Coimbra por usar o título de um seu antigo programa no título deste post. Mas a verdade é que Portugal continua a arder, não só no sentido figurado, mas no sentido literal. Curiosamente, ouvi hoje na TSF que, segundo o governo, este está a ser o ano menos mau em termos de incêndios florestais em Portugal (só me faltava agora, o governo dizer que isso se deve à sua magnífica actuação no âmbito da prevenção!... Deixem-me rir...). Até pode ser verdade, até acredito que seja verdade. Mas a situação continua grave. E mais se torna, quando são mais que sabidas as causas de tantos incêndios (e por favor, não me venham falar em pirómanos...): desde interesses económicos a pressões imobiliárias, desde o péssimo planeamento e ordenamento do território nacional à total incúria e falta de cuidado dos proprietários passando pela falta de meios (e quiçá algum descuido...) das autoridades que deveriam zelar pelas nossas florestas... Enfim, por aqui me fico. Agora, parem de falar em planos, campanhas, medidas a implementar e disparates do mesmo quilate! FAÇAM ALGUMA COISA, PORRA!!! Ou querem que o deserto se estenda desde o norte de África ao norte de Portugal?!»
 
O texto acima foi escrito há um ano. Hoje reli-o. continua actual.

A história repete-se

Os noticiários dos três canais generalistas que temos abriram com notícias sobre incêndios. Depois do inferno do ano passado, a história repete-se e tudo volta  a acontecer. Chamas. Um mar de chamas provando que, ao contrário do que nos tentaram fazer crer, Portugal nada aprendeu com o que lhe aconteceu o ano passado.

sexta-feira, julho 23, 2004

A modéstia

«As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra, a coisa agrada-lhes e eles aderem. Não há mais nada».
Calos Paredes
 
Há mais. Muito mais. Um mundo mais.

A guitarra. A música sempre

Carlos Paredes

 
{1925 - 2004]
 
Ainda ontem aqui referi, de raspão, um notável disco que não por acaso era um tributo à obra de Carlos Paredes e hoje perdemos a sua presença física. A sua obra, a sua música, o seu génio e o seu espírito ficarão connosco para sempre.

quinta-feira, julho 22, 2004

Ano de ouro para a música portuguesa

Hoje li, atrasado, no único jornal de música português - o Blitz - um pedaço de opinião onde se diz que este «está a ser um ano de ouro para a música portuguesa». O resto do texto não me interessa por aí além, não por ser irrelevante, mas porque as razões que apresenta têm que ver com o lado mais desinteressante da produção musical: o negócio e a indústria discográfica. Adiante.

Este está a ser, se não um ano de ouro, pelo menos um ano de bela colheita para a música feita em Portugal. Assim de repente, consigo lembrar-me de alguns discos [pois, para mim continuam a chamar-se discos...] verdadeiramente indispensáveis [pelo menos para mim]. As Canções Subterrâneas d' A Naifa de João Aguardela, Luís Varatojo, Vasco Vaz e da grande voz de Maria Antónia Mendes. O Vol. 1 dos Dead Combo [blues meets fado? fado encontra blues?] de Tó Trips e Pedro Gonçalves. A colectânea de revisão / homenagem a um dos maiores génios da música portuguesa [lugar-comum, eu sei...] Movimentos Perpétuos - Música Para Carlos Paredes [este já é de 2003]. O segundo volume das aventuras do agente secreto Vladimir Orlov interpretado pelos Bulllet, Torch Songs for Secret Agents. O magnífico Nus dos Mão Morta, que nenhuma editora quis editar! Eurovisão dos semi-obscuros e quasi-veteranos Repórter Estrábico. O single de estreia de u-clic, por enquanto ainda semi-desconhecidos que já devem estar a causar dores de cabeça aos X-Wife. Flic Flac Circus dos Sloppy Joe, principalmente pela voz de Marta Ren [ a despertar saudades dos bons velhos Mler Ife Dada...].
E há mais por aí.

Ainda a propósito da extinção dos blogs

Ginger ale o pensouc.a.p. o fez. Está criada a Liga Protectora dos Blogues Abandonados. Quando tiver tempo e paciência também vou aderir à Liga, colocando algures lá em baixo à direita uma lista de blogs a necessitarem de protecção...

Enter the...

... Spektrum!
Deus existe, caramba! Os Spektrum vêm tocar a Portugal em Setembro.

I don't give a fuck! [*]

Estou-me lixando para as trapalhadas em volta da senhora que ia para a defesa [**] e foi para as artes e espectáculos [**] e para o CEMFA e a Presidência da República.
Não quero saber se o senhor "Baroso" estava ou não no hemiciclo, ou lá o que é, do Parlamento Europeu a tempo e horas para ouvir a divulgação dos resultados de uma eleição cujo resultado se sabia à partida.
Estou-me nas tintas para os aumentos dos combustíveis e para privatização ou venda ou a porra da Galp.
Não me interessam as tricazinhas idiotas do futebol português nem os convocados portugueses para os Jogos Olímpicos nem os problemas aduaneiros do Mantorras nem a porcaria do anúncio do clube dos 6 milhões.
Estou-me borrifando para o Alegre e o Soares e o Socrates e o Lopes e o Sampaio e o Portas e o Louçã e o Carvalhas e o raio que os parta e que sejam muito felizes mais as suas vidinhas.
Não me importa o que dizem os so-called opinion-makers cá da casa: os Delgados e os Pachecos e os Marcelos e os Fernandes e os Tavares e mais os não sei das quantas.
 
I don't give a fuck, i don't give a shit! Hoje não.
 
[*] Pardon my "french".
[**] Assim mesmo, em minúsculas.

Todo um mundo a visitar...

Aldrabando um bocado a intenção inicial dos senhores do site, aqui fica a vermelho o mundo que eu gostaria mesmo de visitar. Havendo tempo e outras disponibilidades.




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quarta-feira, julho 21, 2004

Por onde já andei na Europa



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E ainda falta tanta Europa. E tanto mundo...
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P.S.: descobri esta brincadeira através do Fushia_Funky.

Desculpe, não percebi... Importa-se de repetir?

«PS: Nobre Guedes tem condições para ser ministro do Ambiente
 
Ligações à parte, ainda gostaria que alguém me explicasse que qualificações tem o Dr. Guedes para exercer a pasta do ambiente. Para além de ser membro do CDS/PP e amigo do Dr. Portas, já que isso parece-me pouco para exercer seja que cargo for.

Crisis? What crisis? [conclusão]

«Não posso ignorar que as exigências da nossa situação económica e financeira, com uma retoma ainda incipiente, uma consolidação orçamental longe de estar garantida e uma situação social particularmente gravosa, me aconselham também este caminho.

E, assim, por convicção e coerência, decidi.

Tenho consciência de que Portugal atravessa um momento difícil que impõe ao Presidente da República a máxima ponderação dos riscos das diversas alternativas e a necessidade de assegurar a continuidade do regime constitucional.

Nesse regime - que não fiquem dúvidas - a nossa opção é pela democracia representativa, de que não sou o notário, mas sim o garante; e que, por isso, não há razões de oportunidade, por mais compreensivas que sejam, que possam abrir caminho e criar um precedente para futuros desvios plebiscitários.

Sei que posso contar com todos para, com serenidade e uma visão de futuro, ultrapassar esta situação e para defender os valores essenciais da democracia portuguesa.

Muito obrigado.»
 
Palácio de Belém
09 de Julho de 2004
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Não tem nada que agradecer, senhor Presidente. E pessoalmente também nada tenho para lhe agradecer.

terça-feira, julho 20, 2004

Nostalgia creeps # 5

From Her To Eternity
 
Ah wanna tell ya 'bout a girl
You kno, she lives in Apt. 29
Why... that's the one right up top a mine
Ah start to cry,
Ah start to cry
O ah hear her walkin
Walkin barefoot cross the floor-boards
All thru this lonesome night
And ah hear her crying too.
Hot-tears come splashin on down
Leaking thru the cracks,
Down upon my face, ah catch'em in my mouth!
Walk'n'cry Walk'n'cry-y!!!
From her to eternity!
From her to eternity!From her to eternity!
Ah read her diary on her sheets
Scrutinizin every lil piece of dirt
Tore out a page'n'stufft it inside my shirt
Fled outa the window,And shinning it down the vine
Outa her night-mare, and back into mine
Mine! O Mine!
From her to eternity!
From her to eternity!
From her to eternity!
Cry! Cry! CRY!
She's wearing them bloo-stockens, ah bet!
and standin like this with my ear to the ceiling
Listen ah kno it must sound absurd
but ah can hear the most melancholy sound
ah ever heard!
Walk'n'cry! Kneel'n'cry-y!
From her to eternity!
From her to eternity!
O tell me why? Why? Why?
Why the ceiling still shakes?
Why the fixtures turn to serpants snakes?
This desire to possess her is a wound
and its naggin at me like a shrew
but, ah kno, that to possess her
Is, therefore, not to desire her.
O o o then ya kno, that lil girl would just have to go!
Go! Go-o-o!
From her to eternity!
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Nick Cave, in From Her To Eternity [1984 Mute Records]

Duas rodas

Um dos meus primeiros ídolos de infância era um senhor, belga, que habitualmente pedalava na sua bicileta vestido com uma camisola amarela. Eddy Merckx. Hoje lembrei-me dele outra vez, a propósito de outro senhor que também tem o hábito de pedalar de amarelo. Hoje lá vestiu outra vez a amarela em França. E prepara-se para chegar a Paris em primeiro lugar pela sexta vez consecutiva, algo que nunca ninguém conseguiu antes. Já não tenho propriamente idade para ter "ídolos", mas se alguém merece ser um ídolo esse alguém chama-se Lance Armstrong.

A não perder!

... amanhã, o último episódio de Crisis? What Crisis?, o folhetim que temos vindo a apresentar n' A Coluna e cuja estrela principal [e única] é Jorge Sampaio.


Crisis? What crisis? [continuação]

«[...] Portugueses,

O Presidente da República permanece fiel à sua obrigação constitucional de garantir o regular funcionamento das instituições democráticas e mantém intactos todos os seus poderes constitucionais, incluindo o poder de dissolução da Assembleia da República. Continuo, finalmente, a poder garantir os princípios em nome dos quais fui eleito e em nome dos quais tenho pautado a minha actuação como Presidente da República.

Ouvi todas as opiniões.

Todos entenderão, porém, que preze a coerência com a minha interpretação dos poderes presidenciais e a preservação do estatuto de Presidente da República como Presidente de todos os Portugueses.

Sei bem que muitos portugueses e seus representantes políticos propunham que tomasse outra decisão. Considerei e considero inteiramente compreensíveis e legítimas as suas posições. Estou certo de que, mau grado a minha diferente opção, entenderão os argumentos que me levaram a escolher o caminho da indigitação de um novo Primeiro-Ministro.

Não tomei esta decisão de ânimo leve. Ponderei profundamente as consequências de ambas as decisões. Procurei ser fiel ao meu passado, às minhas convicções políticas e ao programa com que duas vezes me apresentei ao eleitorado. Decidi apoiado numa longa experiência política e no profundo conhecimento do país que hoje tenho. Pesei, com rigor, os caminhos que melhor servem Portugal, nas circunstâncias concretas em que ele se encontra [...]»
 
[continua]

segunda-feira, julho 19, 2004

Vá-se embora de uma vez, homem!

«Durão Barroso retomou mandato de deputado pelo PSD
Durão Barroso retomou hoje o mandato de deputado à Assembleia da República para que foi eleito pelo PSD em 2002, que suspenderá ou renunciará quando for eleito presidente da Comissão Europeia, disse à Lusa fonte próxima do ex-primeiro-ministro.
"Nessa qualidade de parlamentar nacional, Durão Barroso vai apresentar-se ao Parlamento Europeu no próximo dia 21", um dia antes da eleição, acrescentou a fonte próxima do presidente indigitado da Comissão Europeia.
Durão Barroso "suspenderá ou renunciará" ao mandato de deputado à Assembleia da República quando for eleito no Parlamento Europeu de Estrasburgo, no próximo dia 22, presidente da Comissão Europeia.
José Manuel Durão Barroso abandonou a chefia do governo e a liderança do PSD depois de ter sido convidado formalmente para presidir à Comissão Europeia.»

 
Durão Barroso a.k.a. José Manuel Barroso, de facto, não brinca com o seu futuro. Faz as malas para se instalar na Comissão Europeia mas não fecha as portas todas. Note-se que quando for eleito presidente da Comissão «suspenderá ou renunciará» ao mandato de deputado. Vai uma apostinha em como o homem optará pela suspensão? Não vá o seu mandato como presidente da dita cuja acabar mais cedo [ou nem chegar a começar, o que não deixaria de ter a sua piada]. É assim a nossa classe politica: gente de sólidas convicções e cumpridora escrupulosa dos seus compromissos...

Implosão [?]

E de súbito a blogoesfera portuguesa entrou num suicidário processo de auto-destruição. Nas últimas semanas já perdi a conta aos blogs que ou encerraram actividades ou as suspenderam ou consideraram qualquer uma das duas hipóteses. Depois da explosão dos blogs chega agora a implosão?