segunda-feira, maio 31, 2004

Uh huh... she is back

Uh Huh Her. Miss Polly Jean Harvey, conhecida no mundo da música como PJ Harvey já tem o seu novo álbum no mercado.
Sim, isto é um caso de apaixonado fanatismo.

[random acts of speech] # 12

Big Exit

Look out ahead
I see danger come
I wanna' pistol
I wanna' gun
I'm scared baby
I wanna' run
This world's crazy
Give me the gun

Baby, baby
Ain't it true
I'm immortal
When I'm with you
But I wanna' pistol
In my hand
I wanna' go to
A different land

I met a man
He told me straight
'You gotta' leave
It's getting late'
Too many cops
Too many guns
All trying to do something
No-one else has done

Baby, baby...

I walk on concrete
I walk on sand
But I can't find
A safe place to stand
I'm scared baby
I wanna' run
This world's crazy
Gimme' the gun

Baby, baby


PJ Harvey, Stories From The City Stories From The Sea

domingo, maio 30, 2004

[random acts of speech] # 11

Rid of Me

Tie yourself to me
No one else
No, you're not rid of me
Hmm you're not rid of me

Night and day I breathe
Ah hah ay
Hey, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me

I beg you, my darling
Don't leave me, I'm hurting

Lick my legs I'm on fire
Lick my legs of desire

I'll tie your legs
Keep you against my chest
Oh, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me
I'll make you lick my injuries
I'm gonna twist your head off, see

Till you say don't you wish you never never met her?
Don't you don't you wish you never never met her?
Don't you don't you wish you never never met her?
Don't you don't you wish you never never met her?

I beg you my darling
Don't leave me, I'm hurting
Big lonely above everything
Above everyday, I'm hurting

Lick my legs, I'm on fire
Lick my legs of desire
Lick my legs, I'm on fire
Lick my legs of desire

Yeah, you're not rid of me
Yeah, you're not rid of me
I'll make you lick my injuries
I'm gonna twist your head off, see

Till you say don't you wish you never never met her
Don't you don't you wish you never never met her
Don't you don't you wish you never never met her
Don't you don't you wish you never never met her

Don't you don't you wish you never never met her
(Lick my legs I'm on fire)
Don't you don't you wish you never never met her
(Lick my legs of desire)
Don't you don't you wish you never never met her
(Lick my legs I'm on fire)
Don't you don't you wish you never never met her
(Lick my legs of desire)
Don't you don't you wish you never never met her
(Lick my legs I'm on fire)
Don't you don't you wish you never never met her
(Lick my legs of desire)
Don't you don't you wish you never never met her
(Lick my legs I'm on fire)
Don't you don't you wish you never never met her
(Lick my legs of desire)

Lick my legs I'm on fire
Lick my legs of desire
Lick my legs I'm on fire
Lick my legs of desire


PJ Harvey, Rid of Me, 1993

sábado, maio 29, 2004

Nacional, é... Será boa?

A selecção portuguesa de futebol, "a selecção de todos nós" como alguns portugueses gostam de dizer, é liderada neste momento por um senhor de bigode que uns chamam de Felipão e outros de Sargento e outros ainda (o pessoal do Contra) de Chocolari. Acabo de saber que aquele senhor de voz grave e pera farta que está à frente da Federação Portuguesa de Futebol afirma ter um acordo de cavalheiros com o seleccionador nacional para prolongar o seu vínculo deste até ao próximo Campeonato do Mundo de Futebol.

A este propósito ocorrem-me alguns pensamentos desconexos. Esquematizando:

1. Ao contrário da generalidade dos portugueses eu não penso que o tal senhor de pera farta já devia ter sido corrido da FPF há muito tempo. Eu penso que, em qualquer país com um módico de dignidade, o tal senhor nunca teria conseguido lá chegar. As trapalhadas em que o homem se tem metido são incontáveis e não há nada, nem mesmo o Euro 2004, de bom que seja de sua responsabilidade.

2. O senhor de bigode com nome italiano que lidera a selecção nacional ainda não demonstrou ser um bom treinador. E não me refiro ao seu trabalho em Portugal. Refiro-me concretamente ao seu trabalho na selecção do Brasil, "o país-irmão" como alguns portugueses gostam de dizer. No último Mundial o Brasil jogou mal e feio e não mereceu minimamente a vitória que acabou por "conquistar". O Brasil só chegou à fase final do Mundial após uma miserável fase de qualificação em que sofreu humilhação atrás de humilhação. E, já no Oriente, a selecção brasileira só chegou à final do Mundial porque foi carinhosamente levado ao colo pelos árbitros que lhe calharam em sorte (e que sorte!). Ainda me lembro dos jogos com a Turquia e com a Bélgica, selecções que deram um baile ao Brasil mas não conseguiram lutar contra os árbitros. Quanto à competência do senhor estamos conversados.

3. Os portugueses estão, uma vez mais, a ficar exageradamente eufóricos com a selecção e já se começa a achar que Portugal vai mesmo ganhar o Euro. Realmente nós não aprendemos nada e temos uma memória muito curta. Será que já ninguém se lembra do que aconteceu antes do Mundial da Coreia / Japão? Esta euforia deve ter algo a ver com o título europeu do Futebol Clube do Porto... Que é (ou era) treinado por José Mourinho, um dos melhores treinadores da actualidade.

4. Dito tudo isto, espero sinceramente que, apesar do senhor de pera farta e do senhor de bigode, a selecção portuguesa ganhe o Euro. Duvido muito, mas pode ser que os excelentes jogadores que lá estão façam um qualquer milagre. E já agora, não me basta que Portugal ganhe o Euro - gostava muito de ver a selecção a jogar bem e a dar espectáculo. Afinal, o futebol é, apesar de tudo, apenas um jogo. Mas quando é bem jogado consegue ser dos melhores e mais entusiasmantes espectáculos do mundo.

[random acts of speech] # 10

Oh My Lover

Oh my lover
Don't you know it's alright ?
You can love her
You can love me at the same time
Much to discover
I know you don't have the time but
Oh my lover
Don't you know it's alright ?
Oh my sweet thing
Oh my honey thighs
Give me your troubles
I'll keep them with mine
Take at your leisure
Take whatever you can find but
Oh my sweet thing
Don't you know it's alright ?
It's alright
It's alright
There's no time
So it's alrigh-igh-ight
What's that color
Forming around your eyes
Once my lover
Tell me that it's alright
Just another
Before you go...go away
Oh my lover
Why don't you just say my name ?
And it's alright
Say it's alright
There's no time


PJ Harvey, Dry, 1992

sexta-feira, maio 28, 2004

Mais uma razão para não ir

Ora aqui está mais um excelente motivo para ficarmos a milhas do Rock in Rio. Se este tipo vai, então agora é que não vou mesmo. Nem morto! O homem fala nos "melhores do Rock" e "excitação de bandas famosas"! Be afraid, be very afraid...

Heranças

Apanhei de raspão o frente-a-frente entre João de Deus Pinheiro e Sousa Franco, cabeças de lista respectivamente da coligação Força Portugal (a lata destes senhores é incomensurável) e do Partido Socialista a umas eleições para as quais os portugueses, e a generalidade dos europeus já agora, se estão a c... a borrifar. Lá voltou à baila o tema da herança judaico-cristã da Europa. Lá se voltou a debater se a futura constituição europeia deve ou não incluir uma referência a essa "matriz histórico-cultural". Estou-me rigorosamente nas tintas para essa premente questão. O que me espanta é a manipulação que determinadas forças políticas fazem da mesma. Ou será só ignorância relativamente à história europeia? Sem querer recuar muito no tempo, ainda não ouvi ninguêm defender referências à herança helénica ou à latina e quanto à herança que nos foi legada pelos árabes (que não se limita exclusivamente aos países do sul) nem vale a pena falar do assunto.

Pedradas ['bora lá curtir, man!]

Hoje começa um tal de Rock in Rio, festival nado e criado do outro lado do Oceano que conseguiu obter da Câmara Municipal de Lisboa apoios que, ao que consta, promotores portugueses jamais conseguiram ou conseguiriam obter. Eu não vou. Em primeiro lugar porque tenho mais que fazer. Em segundo porque a qualidade do cartaz é, na minha modestíssima opinião, abaixo de sofrível.
Gente como Paul McCartney, Rui Veloso, Evanescence, Xutos & Pontapés, Metallica, Incubus, Daniela Mercury, Britney Spears (for fuck's sake!), João Pedro Pais, Nuno "Ídolo" Norte, Pedro Abrunhosa, Alejandro Sanz ou Luís Represas provocam em mim um misto de enjoo, sonolência e urticária de consequências imprevísiveis. Entre a inconsequência de dinossauros moribundos para trintões e quarentões saudosos dos "bons velhos tempos" e Pop laroca para adolescentes com acne a atravessar crises existênciais venha o Diabo e escolha.
Aliás, parece-me estranho que o nosso governo, que tão preocupado diz andar com a segurança dos portugueses, não tenha tomado rigorosas medidas no sentido de impedir a realização deste evento. O cartaz do Rock in Rio é puro terrorismo musical. Não fosse o pendor nitidamente capitalista do Rock in Rio, atrever-me-ia a dizer que o culpado disto tudo só pode ser o PCP...

quinta-feira, maio 27, 2004

Ah, Carago!

Por estes dias sou, mais uma vez, portista. Muitos parabéns a todos os que contribuiram para que a Taça da Champions League esteja hoje na cidade do Porto. O Futebol Clube do Porto é a melhor equipa da Europa. Ponto final.


P.S.: Já agora, não nos faziam "só" mais dois "favorzinhos"? Tragam também a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental, está bem?

segunda-feira, maio 24, 2004

Fim-de-semana, fim-de-semana...

Uma canseira estes fins-de-semana...
Nem dei por um casamento qualquer que, consta, levou as nossas televisões à loucura. Nem por um congresso qualquer de um partido qualquer que se realizou não sei onde... A guerra no Iraque até podia ter acabado que não tinha dado por isso (não acabou, pois não?). Não sei se apareceram mais fotografias ou filmes das torturas dos soldados americanos contra cidadãos iraquianos. Não imagino se explodiram palestinianos em Israel ou se Israel assassinou mais algum líder terrorista. Não sei se os combustíveis aumentaram novamente. Não quero saber.
Às vezes não saber o que se passa lá fora sabe mesmo bem. Boa noite.

domingo, maio 23, 2004

The lady rocks

Está quase no mercado o novo álbum desta senhora.

A avaliar pelo que já ouvi de Uh Huh Her ainda não é desta que a senhora nos vai desiludir. É mais uma que não sabe fazer má música.

Alinhamento:
1.The Life and Death of Mr Badmouth
2.Shame
3.Who The Fuck?
4.The Pocket Knife
5.The Letter
6.The Slow Drug
7.No Child of Mine
8.Cat on the Wall
9.You Come Through
10.It's You
11.The End
12.The Desperate Kingdom of Love
13.The Darker Days of Me & Him

À venda dia 31 deste mês. Já encomendei a minha cópia.

segunda-feira, maio 17, 2004

Mesmo assim, isto não é nada bom

Dirão alguns, que José Manuel hoje deve estar mais contente. O Benfica lá ganhou a Taça (uma época verdadeiramente triunfal para os da Luz: ganharam em Alvalade e levaram a Taça!...) e o bom povo português anda todo contente, de cachecol ao pescoço e já nem pensa na retoma (que não chega), nem no preço dos combustíveis (sobe, sobe, balão sobe...), nem nos salrários congelados (hiper-congelados), nem na corrupção generalizada (existe, existe...), nem nas listas de espera (ai, isso é que existem!), nem na desgraças da Justiça, nem no desgraçado estado a que este Estado chegou, nem... Ou será que pensa?

Isto não é nada bom

A conspiração mundial contra o bom do José Manuel está a atingir níveis absurdos. Então o homem esfalfa-se a anunciar aos quatro ventos a boa nova (i.e. a Sagrada Retoma) e o malandro do petróleo continua nisto? Eu, no lugar dele, ia-me embora. Imediatamente.

domingo, maio 16, 2004

As mentiras

Segundo a New Yorker, Donald Rumsfeld terá dado a ordem para que fossem utilizados "métodos não convencionais" nos interrogatórios aos prisioneiros iraquianos. Evidentemente, a administração norte-americana e o Pentágono desmentem esta informação. O problema é que depois de tantas mentiras sobre a guerra no Iraque, já não há quem acredite nas palavras destes senhores que crêem poder governar o mundo impondo-lhe, pela força das armas se preciso for, a sua vontade.

sábado, maio 15, 2004

Silêncio

Hoje tenho uma desculpa nova para não postar nada: estou a comemorar o aniversário d' A Coluna. Até amanhã.

sexta-feira, maio 14, 2004

Ainda o primeiro ano

Quero aqui agradecer a todos aqueles que durante um ano me têm acompanhado neste blogue. Àqueles que, deliberada ou acidentalmente, aqui cairam e àqueles que me linkaram o meu muito obrigado.

Um ano

Cumpre-se amanhã um ano desde o meu primeiro post aqui n' A Coluna Vertebral e não deixa de ser estranho que, apesar das intermitências, passado um ano ainda não me tenha passado a febre dos blogues. Creio até que a situação piorou e o meu estado é ainda mais febril. Não sou muito dado a balanços mas há algumas conclusões que retiro deste meu ano online. Evocando o meu primeiro post, recorro, sem qualquer ponta de ironia, a um lugar comum: tem sido uma experiência enriquecedora. Pelos contactos que estabeleci; pelas pessoas que, mesmo virtualmente, conheci; ou pelas polémicas que acompanhei.
Tinha previsto há umas semanas extinguir este blogue precisamente no dia do seu primeiro aniversário, mas entretanto descobri que não conseguirei faze-lo. Seria como matar um amigo, um companheiro, às vezes um confidente. Ainda que ninguém leia isto, eu preciso da minha Coluna Vertebral (por muito que, por vezes, me doa).

É a balda geral

O primeiro ministro comunicou ao Parlamento que não poderia comparecer no debate mensal na Assembleia da República no mês de Maio por ter agendada uma visita de Estado ao México. Entretanto (creio que o mesmo...) primeiro ministro cancelou a visita de Estado ao México para se deslocar à cidade alemã de Gelsenkirschen onde assistirá a um jogo de futebol. Simultaneamente, alguns (provavelmente bastantes) deputados eleitos para mesmo Parlamento andam aborrecidíssimos porque querem ir a Gelsenkirschen assistir ao mesmo jogo de futebol mas o presidente da Assembleia da República recusa-se a aceitar os seus motivos para lhes justificar as faltas: "trabalho político".
Estes senhores - primeiro ministro e deputados - andam a brincar com os portugueses (que os elegeram e que os sutentam com os seus impostos) e com a própria democracia (que supostamente deveriam preservar e respeitar). Estes senhores não têm pudor em exigir aos portugueses mais trabalho, continuados sacrifícios e maior produtividade e depois são os primeiros a baldar-se às suas obrigações e compromissos. Depois admiram-se de o povo os mimosear com epítetos carinhosos do género de malandros, gatunos, incompetentes", safados, bandidos, mentirosos e outros de teor mais vernáculo.
Estes senhores não me merecem qualquer respeito.

segunda-feira, maio 10, 2004

TSF, mulheres e Casa Pia

Hoje à tarde o Fórum Mulher da TSF pôs as participantes a discutir o papel da comunicação social no processo Casa Pia. E as participantes deixaram no ar opiniões (muito...) interessantes: os jornalistas são uns sacanas que só querem saber da vida privada dos intervenientes no processo, os jornalistas são uns justiceiros que denunciaram as atrocidades cometidas contra as crianças da Casa Pia, os pedófilos são homossexuais, os homossexuais são pedófilos, os suspeitos são culpados, os suspeitos são inocentes (vítimas da comunicação social), entre outras opiniões demasiado elaboradas para a minha (limitada) compreensão.

P.S.: já há algum tempo que andava a pensar explicar porque acho o conceito de um fórum em formato clube privado só para mulheres uma aberração, mas já desisti da ideia. Apenas uma dúvida: o que diriam as mulheres se a TSF tivesse um Fórum Homem (e não vale falar da Bancada Central - muitos dos intervenientes são hooligans e não contam como homens...)? Já não bastavam as ladies' nights...

O eterno viajante III

A lenda de Corto Maltese.


O eterno viajante II



O eterno viajante

domingo, maio 09, 2004

Briooooosa!

4-QUATRO-4 ao Estrela da Amadora e finalmente o respirar de alívio: a Briosa continua na Super Liga. Briooooooosa!

quinta-feira, maio 06, 2004

Fotos, justiça e mass media

A SIC abriu o seu principal bloco noticioso com a "notícia" de que iria revelar, "em rigoroso exclusivo" creio, imagens do reencontro de Carlos Cruz com a sua família no dia em que foi colocado sob prisão domiciliária. Rodrigo Guedes de Carvalho acrescentou que "mais à frente" nesse noticiário iria mostrar as imagens acompanhadas dos comentários de Raquel Cruz, esposa de Carlos Cruz. Ficámos ainda a saber que a primeira pessoa a lançar-se nos braços de Carlos Cruz foi a sua filha mais nova (que terá cerca de 2 anos).

O que é que isto nos interessa, pergunto eu? Nada, rigorosamente nada. O que é que isto adianta ao nojento escândalo da Casa Pia, pergunto eu? Nada, rigorosamente nada. O que é que isto acrescenta ao debate sobre a Justiça em Portugal? Provavelmente muito. O que é que isto revela sobre os mass media em Portugal e a sua relação com as figuras públicas? Muito. Escandalosamente muito. Aquilo a que temos assistido nos últimos dias, desde o levantamento da prisão preventiva a Carlos Cruz, tem sido uma muito bem organizada limpeza de imagem do ex-apresentador de televisão. Atrevo-me até a afirmar que se trata de uma tentativa de pressão sobre a Justiça, à qual não são obviamente alheios os advogados de defesa de Carlos Cruz.

Não sei, nem sequer me interessa, se Carlos Cruz é inocente ou culpado dos crimes de que é acusado. Aquilo que é preocupante, e revoltante, neste caso e em todo este circo mediático é a sensação que fica no ar. A sensação de que pode haver uma Justiça para quem tem acesso aos mass media, e uma outra Justiça para os desgraçados - a esmagadora maioria da população - que não têm voz. Depois admiram-se de a TVI ser o sucesso que é.

Às 20h02 desliguei a televisão e fui jantar.

sexta-feira, abril 30, 2004

quinta-feira, abril 29, 2004

Também quer regressar

Por falar em regressos e em vinganças, Esta também manda dizer que equaciona «fortemente a hipótese de regressar ao país» de onde partiu chorosa para o sol do Brasil depois de os malandros do Ministério Público terem andado anos a conspirar contra Ela. Pobrezinha.

Entretanto, a Senhora de Fátima, perdão, a Senhora de Felgueiras apareceu na SIC onde Rodrigo Guedes de Carvalho A tentou entrevistar no Jornal da Noite. Porém, a mensagem da Senhora é uma e uma só e não está nos Seus desígnios responder a perguntas tontas de pivots armados em entrevistadores sérios. Ela só quer a Justiça na Terra. E a Paz e o Amor, presumo.

[Interferência: eu, no lugar da Senhora regressava no dia 13 de Maio. Já imagino o impacto mediático da Sua aparição. Assim como já imagino o bom povo de Felgueiras berrando "Milagre! Milagre!" para as câmaras das nossas, salvo seja, têvês.]

Já chegou

E ei-la de volta para se vingar de Bill. Ladies and gentlemen, behold the bride!...

quarta-feira, abril 28, 2004

Não quero saber!...

Do Iraque, da retoma, do apito, do Sporting - Benfica, das críticas do Figo, das bocas do Scolari, das trapalhadas do Santana, whatever...

Até amanhã, já só penso na noiva. She'll be back with a vengeance...

segunda-feira, abril 26, 2004

Uma boa notícia

Não sou de Lisboa. Não moro em Lisboa e nem sequer é muito frequente ir a Lisboa. Mas gosto de Lisboa. Por isso acho que isto é uma boa notícia para Lisboa, para os lisboetas e, genericamente, para todos aqueles que gostam de Lisboa.

A Câmara Municipal Lisboa tem de suspender a construção do túnel do Marquês até à elaboração do estudo de impacte ambiental, segundo a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa citada hoje pelo advogado José Sá Fernandes.

Esta é também uma boa notícia para todos aqueles que acham que os senhores que detém o Poder em Portugal não podem fazer o que lhes dá na real gana ignorando as leis a que todos estamos obrigados.
Esta não será uma boa notícia para Pedro Santana Lopes que assim vê a sua grande, e ao que tudo indica disparatada, obra suspensa. É a vida, senhor presidente, é a vida...

sábado, abril 24, 2004

Uma ideia divertida

Descobri-a no Diário de Lisboa (que por sua vez a tinha descoberto aqui e esta tinha-a encontrado noutro sítio e assim sucessivamente a ponto de já não se saber de onde partiu a ideia).

1. Grab the nearest book.
2. Open the book to page 23.
3. Find the fifth sentence.
4. Post the text of the sentence in your journal along with these instructions.

[1. Pegue no livro que estiver mais próximo de si; 2. Abra o livro na página 23; 3. Procure a quinta frase; 4. Publique a frase no seu blog juntamente com estas instruções]

Depois passe pelo Google e faça a busca "sentence meme" e aguarde pelos resultados (no meu caso tive 125.000 resultados!).

Eis a minha frase:

"Again I placed it in the pan, and suffered it to remain another minute."
Edgar Allan Poe, The Gold Bug in Tales of Miystery and Imagination

30 anos não é muito tempo

Há exactamente 30 anos seria impossível eu estar aqui sentado a escrever isto. Há exactamente 30 anos havia quem estivesse preso por escrever ou dizer o que pensava. Há exactamente 30 anos havia homens a morrer num outro continente por um Império moribundo. Há exactamente 30 anos havia homens e mulheres fora de Portugal para poderem escrever e dizer o que pensavam. Há exactamente 30 anos havia homens e mulheres fora de Portugal para não morrer à fome. Há exactamente 30 anos havia um grupo de homens que conspirava para que 30 anos depois eu pudesse estar aqui sentado a escrever. Muito obrigado.

[random acts of speech] # 9

Grândola Vila Morena

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade


José Afonso

[random acts of speech] # 8

E depois do adeus

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós


Paulo de Carvalho (música: José Calvário; letra: José Niza)

Liberdade


25 de Abril, Dia da Liberdade, 1977

Fonte: Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra

sexta-feira, abril 23, 2004

A dois dias do aniversário da Revolução



Portugal, 25 de Abril, Sérgio Guimarães, 1974

Fonte: Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra

Ou seja, continuamos na merda

O estádio da Nação

O país - noticioso, pelo menos - anda há dias obcecado com apitos e promiscuidades e tráficos de influências e corrupção na bola e o diabo a sete. Ele é Gondomar para aqui, Dragões (Sandinenses, claro) para ali. Entretanto, a clubite aguda de que alguns padecem começa a vir à tona (ainda que eu também ache que esta coisa do apito não vai dar em nada) e nem Prado Coelho foge ao tema da moda. Esse ao menos entretém-se com uma análise, digamos, semiológica (ou será semiótica?) do apito mais dourado do país.

segunda-feira, abril 19, 2004

A noiva

... chega a Portugal daqui a 10 dias.

[random acts of speech] # 7

GUMES
[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]

1.
Na noite que se avizinha, um mar de gatos com cio invade os sotãos, ensanguentando as memórias com a dor pungente dos dias em que o gume, o terrível gume das horas afiadas, rasgava os espíritos. Já o clarão das ruas toldava os cérebros com angústias venenosas e vertigens de suicídios sonhadores, na vontade de fugir ao inóspito vazio do tempo da ausência...

Elogio (fácil)

O novo álbum dos excelentíssimos Mão Morta é, como habitualmente, excelente. Será a banda de Adolfo Luxúria Caníbal, Miguel Pedro, António Rafael, Sapo, Vasco Vaz e Joana Longobardi não sabem fazer maus discos?

Parece que não.
Inspirado em Howl de Allen Ginsberg, Nus despe (perdoe-se o trocadilho fácil) uma geração e uma movida que agitou Braga algures nos anos 80.
Gumes, Gnoma, Vertigem, Estilo, Tornados, Cárcere e Morgue são mais 7 peças musicais de excepção a juntar ao catálogo da mais independente banda com origem em Portugal. Espantosamente (ou talvez não) nenhuma editora quis editar este álbum o que é mais uma prova da imbecilidade reinante na indústria musical cá do burgo. Nada que detenha os Mão Morta. Agarraram no disco e lançaram-no através da sua própria editora, a Cobra.
Nus (edição Cobra / 2004)

domingo, abril 18, 2004

Silêncio

Quase uma semana sem postar. Uma semana quase sem ler jornais ou ver noticários. Às vezes sabe bem fugir do mundo por uns dias.

segunda-feira, abril 12, 2004

Mentiras

Dan Senor, porta-voz de Paul Bremer (administrador norte-americano no Iraque), tem razões para acreditar que muitos media árabes não procuram a verdade. O senhor Senor lá terá as suas razões, fundamentadas ou não. Assim como Mark Kimmit, chefe adjunto das operações militares no Iraque, que acusa directamente a Al-Jazeera de fomentar o anti-americanismo.
Provavelmente muitos media árabes, como muitos media ocidentais, não procuram a verdade. Concedo. Quanto ao anti-americanismo, declarações como as destes dois altos responsáveis pelas acções norte-americanas no Iraque fazem mais pelo anti-americanismo que mil notícias na Al-Jazeera. Ou as mentiras de Bush, Blair e Aznar insistentemente veiculadas pelos media ocidentais sobre os motivos da invasão do Iraque. Não é preciso dar exemplos, pois não?

If you say so...

O homem que entendeu (e compreendeu!) a ameaça da Al-Qaeda antes dos atentados do 11 de Setembro garante que não havia informações concretas para evitar o... 11 de Setembro. E nós acreditamos, pois claro. Assim como acreditámos na existência de armas de destruição massiva no Iraque, na retoma de Durão e na existência do Pai Natal. E em bruxas.

sábado, abril 10, 2004

Anxiety (always)

Já ando a contar os dias que faltam para o dia 29 de Abril... Para abrir o apetite, está aqui o trailer.

4 secos

O fim de semana está-me a correr bem e a Briosa deu 4 secos ao Alverca.

Abril, sempre

Chegam-me rumores de polémicas a propósito do 25 de Abril mas estou-me nas tintas. Porém, noto com agrado que o Jumento anda a dar coices por aqui.

sexta-feira, abril 09, 2004

Então mas a guerra não tinha acabado???

Pois parece que não. A situação no Iraque é, segundo Jack Straw (ministro britânico dos Negócios Estrangeiros), «muito séria». É, aliás, a situação mais séria que a coligação invasora / ocupante / libertadora (riscar o que não interessa) do Iraque enfrentou. Há aqui algo que não bate certo: então aquele senhor que entendeu (e compreendeu) a ameaça da Al-Qaeda ainda antes do 11 de Setembro (três posts abaixo, please) não tinha declarado o fim da guerra há coisa de um ano atrás? Será que os iraquianos não receberam a notícia?

Sem palavras

Uma nova estratégia na luta contra a sinistralidade

Um tal de António Jorge de Figueiredo Lopes, "alegadamente" responsável pela Administração Interna, tem uma nova estratégia no combate à sinistralidade rodoviária em Portugal: o apelo ao bom-senso e civismo dos condutores. Assim, os automobilistas lusos deverão nas próximas horas começar «por si próprios a mudar de atitude». Está-se mesmo a ver...

sábado, abril 03, 2004

Are we the robots?

Ainda estou em estado semi-catatónico. A noite de ontem revelou-se melhor que a "encomenda": os Kraftwerk são de facto uma banda seminal. O seu espectáculo - chamar-lhe concerto seria ignobilmente redutor - teve momentos de verdadeira magia e não foi de todo frio ou cerebral. Vibrantes, arrebatadores em alguns momentos, foram os Kraftwerk no Coliseu dos Recreios.

segunda-feira, março 22, 2004

Grandes figuras da cultura portuguesa (I)

"Sou normalíssima. Não posso ser mais normal. Não tenho nenhuma qualidade especial que as outras pessoas não tenham." Lá nisso, Julinha, terás toda a razão.

"Vou ao supermercado, levo o cão à rua, faço tudo aquilo que as outras pessoas fazem. Não tenho nenhum segredo oculto. A minha vida é tranquilíssima. A única coisa em que sou diferente dos outros é que a minha cara aparece." Infelizmente não é só a cara que aparece - a voz ouve-se, estridente, a milhas de distância.

"Sou de uma franqueza horrível, que às vezes magoa, e tenho um terrível defeito que é uma ironia absolutamente assassina." E pronto, está encontrada a versão feminina de Eça de Queiroz.

Citações gentilmente surripiadas da entrevista de Júlia Pinheiro ao Correio da Manhã.

[random acts of speech] # 6

"[...] Save yourself, serve yourself. World serves its own needs, listen to your heart bleed dummy with the rapture and the revered and the right, right. You vitriolic, patriotic, slam, fight, bright light, feeling pretty psyched.
It's the end of the world as we know it
It's the end of the world as we know it
It's the end of the world as we know it and I feel fine [...]"


R.E.M. in Document

Raiva

A preguiça, alguma falta de tempo e, principalmente, a incompetência, arrogância e má-educação da PT e da Telepac têm-me impedido nos últimos dias de vir para aqui com os meus disparates (há quem lhes chame posts... Enfim, ele há gente para tudo).
Extraordinário não é as empresas supra-citadas se comportarem como se comportam para com os seus clientes. Extraordinário é alguns dos meus amigos ainda ficarem espantados com a (repito-me...) incompetência, arrogância e má-educação das ditas cujas.

segunda-feira, março 15, 2004

Nada exagerado

O grande Luís Delgado já descobriu o significado profundo dos resultados eleitorais em Espanha...
Não lhe ocorreu por certo que os eleitores espanhóis não devem ter ficado muito satisfeitos com a forma trapalhona como o governo do PP lidou com a crise. Tal como já havia acontecido com o Prestige.

[random acts of speech] # 5

"Silence is sexy."
Einsturzende Neubauten

[random acts of speech] # 4

"Language is a virus."
Laurie Anderson

domingo, março 14, 2004

Lá também há incompetentes

O PSOE ganhou as eleições legislativas espanholas, ou melhor o PP perdeu as eleições. Nada de realmente surpreendente tendo em conta os acontecimentos dos últimos dias. Aquilo que me surpreendeu foi, mais uma vez, a extraordinária inépcia política revelada pelo partido de Aznar e Rajoy em lidar com uma situação de crise. Lembram-se da forma como estes senhores lidaram com a catástrofe do Prestige? De certo modo é reconfortante ver que a incompetência política não é um exclusivo português.

sexta-feira, março 12, 2004

Madrid, o dia seguinte

Numa rápida viagem, deparei-me com estas reacções blogoesféricas portuguesas ao atentado de Madrid: a desconfiança com que uns reagiram à "pressa de Aznar em apontar o dedo À ETA" (este, este e este), a certeza de que foi a ETA (este e este) a incompreensão perante a besta humana (este), o luto ou a homenagem sóbria (este e este), a indignação (este, este, este e este), o silêncio (estes), a pena e a crítica à blogoesfera (este) e até a polémica interna (estes).

segunda-feira, março 08, 2004

Dia da...?

Todos os dias são dia de qualquer coisa. Hoje parece que é da Mulher (com M pois então!). Excelente. Quer dizer que é dia de uma série de gente atirar umas frases de circunstância para o ar, falar do importante papel da mulher nas nossas sociedades e do sofrimento a que muitas continuam sujeitas e blah blah blah. Entretanto, elas continuam a ser violadas, espancadas e assassinadas. E a abortar e a trabalhar mais por menos dinheiro. No Sudão, no Iraque, na China. E nos Estados Unidos e em França e em Portugal. Se calhar ali mesmo, na porta ao lado. Adianta-lhes de muito que hoje seja o "Dia da Mulher"...

Um país doente

Um ex-primeiro ministro algarvio e apreciador de bolo-rei lança hoje o segundo volume da sua autobiografia. Aí tece umas considerações avulsas acerca de um ex-membro do seu governo.
Um ex-secretário de estado da Cultura e amante da obra de Chopin afirma não estar nada preocupado com as considerações que o seu ex-patrão (o algarvio) tece a propósito da sua pessoa.
Os dois ex- são candidatos a candidatos a um cargo cujas eleições se disputam daqui a dois anos (!).
O Eurostat divulgou hoje um estudo segundo o qual Portugal é o país da União Europeia com menos médicos, enfermeiros e parteiras por cem mil habitantes. Simultaneamente, Portugal é um dos países com mais farmacêuticos.
O que é que aqui não bate certo?
A mim parece-me é que o país precisa também de muitos psiquiatras...

Parabéns, Caeiro


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!


Alberto Caeiro

Fernando Pessoa criou o heterónimo Alberto Caeiro há 90 anos (8 de Março de 1914).

sábado, março 06, 2004

Porque é que Luís Figo é o melhor de todos nós?

Há algo de irritante na pequenez e falta de ambição nacionais que nos leva a ficar muito satisfeitinhos com medalhas de bronze e de prata, com "brilhantes prestações", em competições desportivas europeias e mundiais e que faz os nossos jornalistas (?) desportivos falar no "Manchester de Ronaldo", na "Lazio de Couto" ou no "Barcelona de Quaresma".
Luís Figo é o melhor desportista português de todos os tempos. Ele joga no mais prestigiado clube de futebol do mundo, já conquistou troféus e mais troféus, já foi considerado o melhor jogador do mundo e arrisca-se a ser campeão de Espanha e da Liga dos Campeões ainda este ano. Porque chegou Figo onde mais nenhum antes dele chegou? Será que Figo se contenta com o segundo lugar ou com "brilhantes prestações"? Não me parece. Figo, ao contrário da generalidade dos seus (e meus) compatriotas, pensa que o segundo é o primeiro dos últimos e que não vale a pena lutar por ser o melhor dos últimos. Vale a pena lutar por ser o melhor dos melhores. Mesmo que não se ganhe sempre é preciso partir sempre com o objectivo do primeiro lugar, não com o objectivo de "fazer o melhor possível". Infelizmente, em Portugal e nas mais variadas áreas (no desporto, na política, na educação, na cultura, na economia) tenta-se apenas desenrascar "o melhor possível".
Como Figo, no desporto, só mesmo Rosa Mota e Carlos Lopes. E, curiosamente, talvez José Mourinho. Na cultura Maria João Pires, os Madredeus e Eduardo Lourenço. Na política...?

P.S.: Rui Silva ficou em segundo lugar nos Campeonatos do Mundo de Atletismo na prova de 3000 metros. E vamos todos ficar muito contentinhos...

[random acts of speech] # 3

"Tomorrow... will not be like today."

sexta-feira, março 05, 2004

O universo imita a Arte

Este é o quadro pintado por Vincent Van Gogh em 1889.


Esta é a foto captada pelo telescópio espacial Hubble.

A fina flor... do entulho, ou a elite que temos

Há uma semana atrás aconteceu na Assembleia da República aquilo a que os governantes e deputados da Nação pomposamente chamam de "debate mensal" e foi o que se (ou)viu: ideias nem uma, argumentos que envergonham qualquer pessoa com dois dedos de testa, troca de insultos (camuflados), piadas rasteiras ao nível do melhor (!) dos Malucos do Riso.

Dois dias depois, um presidente de Câmara comportou-se como um arruaceiro num estádio de futebol (que por "acaso" tem o nome do arruaceiro...) de um país que daqui a poucas semanas vai receber o campeonato europeu de futebol. A mesma criatura afirma e reafirma que se voltasse atrás se comportaria exactamente da mesma forma (o que só espanta quem não conheça o calibre da peça, que é, aliás, membro do senado do CDS-PP). O partido ao qual o energúmeno pertence assobiou para o lado.

Há dois dias "discutiu-se" na Assembleia da República a interrupção voluntária da gravidez, sabendo-se antecipadamente que o partido com maiores responsabilidades na governação - logo, resolução dos problemas - do país não tem posição sobre o assunto. Pior, não deixa que os seus deputados que têm opinião sobre o assunto a exprimam livremente através do voto... Estes senhores preferem adiar a resolução de um problema gravíssimo para depois de 2006. Até lá a violência física e psicológica contra milhares de mulheres vai continuar.

Entretanto, há um candidato a candidato à presidência da República cujo principal objectivo, se por infelicidade for eleito, será a manutenção da coligação governamental revelando em última análise a elevada consideração que o senhor tem pelo mais alto cargo da democracia portuguesa.

Em Junho de 2004 haverá eleições para o Parlamento Europeu e a três meses dio acto (e menos de dois do alargamento da União Europeia para 25 estados-membros) a escassa discussão tem incidido sobre cartões amarelos e vermelhos... Ideia (uma, ao menos...) sobre o futuro da União ou o papel de Portugal na construção europeia nem vê-las.

São estes os edificantes exemplos da classe que dirige Portugal. São estes os senhores que têm o descaramento de me pedir mais produtividade, mais competitividade, mais esforço e mais trabalho. São estes os senhores que me apetece mandar àquela parte. Citando, livremente, Mota Amaral: "Meus senhores, o vosso tempo acabou!".

terça-feira, março 02, 2004

Public enemy

Eu sei que já passaram dois dias e que, supostamente, a actividade bloguística implica uma certa (chamemos-lhe) actualidade, um certo estar em cima do acontecimento. Ou pelo menos, a esmagadora maioria dos posts d'A Coluna têm seguido esse princípio. Contudo, what the hell!, já passaram dois dias e ainda assim não resisto a destilar aqui a minha raiva contra quem neste país ainda permite que um perigoso sociopata como Avelino Ferreira Torres ande por aí à solta. A criatura não deveria estar há muito internada num estabelecimento adequado a pessoas com as suas perturbações mentais e que, ainda por cima, constituem uma ameaça à segurança pública? Lá que o Emplastro ande para aí atrás das câmaras de televisão não me incomoda nada, que o rapaz até parece inofensivo, agora que um presidente de Câmara se comporte como um arruaceiro já me deixa muito, mesmo muito inseguro. Digamos que visitar Marco de Canavezes não está nos meus planos a curto prazo...

sábado, fevereiro 28, 2004

[random acts of speech] # 2

"The most notorious ill-fortune must in the end yeld to the untiring courage of philosophy - as the most stubborn city to the ceaseless vigilance of an enemy."
Edgar Allan Poe, Loss of Breath in Tales of Mistery and Imagination

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Exercício mensal de vacuidade e superficialidade

Hoje foi dia de debate mensal na Assembleia da República e a esse propósito aqui ficam uma recordação, uma dúvida e uma certeza.

Uma recordação. Lembrei-me dos tempos do Ensino Secundário, em particular das aulas de Literatura Portuguesa da excelentíssima Drª Maria de Deus e do dia em que me fez entender essa maravilhosa figura de estilo que é a hipérbole. Debate?! Lá mensal é, agora debate... Para haver debate, diz-se que, são precisas ideias, convicções, argumentos. Nada disso passou pelo parlamento hoje. Chamar debate ao que aconteceu hoje na AR é um descomunal exagero da realidade.

Uma dúvida. Segundo uns, o país está no bom caminho (embora não tenham explicado que caminho é esse ou aonde nos leva, ainda que tenha cá umas suspeitas...); segundo outros, o país está no caminho errado (embora também não tenha ficado elucidado relativamente ao que estes pensam ser o melhor, dito alternativo, caminho). E o pior é que quer uns quer outros se basearam em números e mais números, estatísticas e mais estatísticas, indicadores económicos e mais indicadores económicos. A minha dúvida é tão somente esta: não andará para ali muita gente a precisar de um bom GPS (vá lá, de um bom mapa das estradas ao menos) para se orientar nestes caminhos que o país trilha? E já agora de um bom veículo todo-o-terreno. É que bons ou maus, estes caminhos não se parecem nada com auto-estradas. Serão caminhos de cabras, talvez?

Uma certeza. A única pessoa que teve palavras ponderadas e acertadas foi o presidente da AR, João Bosco Mota Amaral. O açoreano fartou-se de repetir as mesmas duas frases mas ninguém pareceu dar-lhe ouvidos: "Senhor primeiro-ministro, o seu tempou esgotou-se" e "Senhor deputado, o seu tempo esgotou-se." Creio bem que o tempo de todos estes senhores - governo, partidos da coligação e partidos da oposição - se esgotou.

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Coincidências

A propósito do post aqui em baixo, acaba de me ocorrer um pensamento muito estranho. Qual é o país que vai receber o próximo campeonato europeu de futebol? Portugal. E onde decorreu o anterior campeonato? Na Holanda e na Bélgica. Quais são os países mais caros da Europa para fazer compras? Portugal, Holanda e Bélgica. Conclusão: Portugal é dos países mais evoluídos da Europa (logo, do mundo!), com a vantagem de termos maiores e melhores e mais bonitos e mais caros estádios que a Holanda e Bélgica...

Na cabeça da Europa

Segundo a TSF tem vindo a divulgar ao longo do dia de hoje, a PRO TESTE, revista da DECO, vai publicar um estudo comparativo de preços em 13 países europeus no qual conclui que Portugal é o terceiro país mais caro para fazer compras. À nossa frente apenas a Holanda e a Bélgica. Os mais baratos são a Alemanha e a Espanha (sempre os malandros dos espanhóis...). Sem comentários...

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Adeus à carne

Constou-me que a administração norte-americana considera seriamente a hipótese de invadir e ocupar o Brasil. Rumsfeld e companhia já incluiram o Brasil no infame eixo do mal e os argumentos são imbatíveis: o Brasil, para além ter como presidente um ex-sindicalista (logo perigoso comunista), é um verdadeiro ninho de imoralidade e depravação onde as mulheres se passeiam pelas ruas com os seios (e não só) desnudos. Rumsfeld acha que um país habitado por desavergonhadas Janet Jacksons deve ser imediatamente invadido e moralizado.

Grotesco

As televisões, portuguesas ou não, têm um especial apetite pela exibição do grotesco transformando-se por vezes em verdadeiros freak shows. Nesta época do ano, um dos clássicos do grotesco nacional acontece na Madeira e tem como personagem principal o senhor que há demasiado tempo lidera o governo regional. Este ano a criatura despiu a máscara de governante e assumiu a do navegador português (português e não madeirense, note-se) que descobriu a Madeira. Pobre Zarco.

sábado, fevereiro 21, 2004

É de facto surpreendente...

Um senhor que pretende mudar-se de armas e bagagens para um palácio ali para os lados do Mosteiro dos Jerónimos (e não muito longe do estádio do Restelo... Brioooosa!), ficou muito admirado com as reacções aos seus planos de vida. Acha o senhor que houve muita gente "completamente descontrolada" e de "cabeça perdida" só porque resolveu publicitar as suas intenções.
"Nunca pensei...", disse o homem. Esse poderá ser exactamente o problema.

Pastéis de Belém

Acabam de me dizer que a Briosa despachou o Belenenses, no Restelo (!), com cinco pastéis sem resposta. O fim de semana está a correr bem.

[random acts of speech] #1

What if it were possible to fool all the people, all of the time?

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Ora bolas

Estavamos nós nesta enorme expectativa para isto!? O homem deve estar muito contente, talvez por causa disto...

Números

5 000 sempre é um número redondo. Obrigado a todos e a todas.

O Apocalypse, agora como em 1979

Nunca tinha visto a versão Redux de Apocalypse Now de Francis Ford Coppola (mea culpa, mea tão enorme culpa...). Vi-a ontem, finalmente (obrigado Diário de Notícias), e continua a ser uma obra de arte de dimensões incomparáveis. Marlon Brando, Martin Sheen, Laurence Fishburne, Sam Bottoms, Albert Hall ou Robert Duvall genialmente dirigdos por um Coppola no auge da sua criatividade. Um filme que, quase trinta anos depois do seu lançamento (1979), continua perturbador e (sai cliché...) perfeitamente actual. E já agora, uma das sequências omitidas no versão original (a da plantação francesa) faz aqui todo o sentido e só enriquece este que é, digo eu que não percebo nada disto, um dos melhores filmes da história do cinema.

And now for something completely... irrelevant

Um prolixo comentador politico de uma conhecida televisão privada fez saber esta semana que não se importa nada de ser o "saco de pancada" de um ex-ministro da Cultura, desde que isso sirva para proteger um antigo ministro das Finanças de Sá Carneiro. Ao que consta, o tal ex-ministro da Cultura (e profundo estudioso da obra de Chopin) quer ser candidato a presidente da República e o ex-ministro das Finanças (e profundo apreciador de bolo-rei) também não enjeita a possibilidade se candidatar ao lugar. Entretanto, um outro comentador politico (famoso pelas revoltas melenas e saudosistas barbas) chamou "gladiador" ao ex-ministro da Cultura. E pensar que todas estas figuras são filiadas no mesmo partido politico...

Estamos todos muito curiosos

O nosso homem convocou uma conferência de imprensa para as 13h30 e não se sabe o que o ele tem para comunicar ao bom povo português. A curiosidade é imensa. Aceitam-se apostas.