sábado, abril 03, 2004

Are we the robots?

Ainda estou em estado semi-catatónico. A noite de ontem revelou-se melhor que a "encomenda": os Kraftwerk são de facto uma banda seminal. O seu espectáculo - chamar-lhe concerto seria ignobilmente redutor - teve momentos de verdadeira magia e não foi de todo frio ou cerebral. Vibrantes, arrebatadores em alguns momentos, foram os Kraftwerk no Coliseu dos Recreios.

segunda-feira, março 22, 2004

Grandes figuras da cultura portuguesa (I)

"Sou normalíssima. Não posso ser mais normal. Não tenho nenhuma qualidade especial que as outras pessoas não tenham." Lá nisso, Julinha, terás toda a razão.

"Vou ao supermercado, levo o cão à rua, faço tudo aquilo que as outras pessoas fazem. Não tenho nenhum segredo oculto. A minha vida é tranquilíssima. A única coisa em que sou diferente dos outros é que a minha cara aparece." Infelizmente não é só a cara que aparece - a voz ouve-se, estridente, a milhas de distância.

"Sou de uma franqueza horrível, que às vezes magoa, e tenho um terrível defeito que é uma ironia absolutamente assassina." E pronto, está encontrada a versão feminina de Eça de Queiroz.

Citações gentilmente surripiadas da entrevista de Júlia Pinheiro ao Correio da Manhã.

[random acts of speech] # 6

"[...] Save yourself, serve yourself. World serves its own needs, listen to your heart bleed dummy with the rapture and the revered and the right, right. You vitriolic, patriotic, slam, fight, bright light, feeling pretty psyched.
It's the end of the world as we know it
It's the end of the world as we know it
It's the end of the world as we know it and I feel fine [...]"


R.E.M. in Document

Raiva

A preguiça, alguma falta de tempo e, principalmente, a incompetência, arrogância e má-educação da PT e da Telepac têm-me impedido nos últimos dias de vir para aqui com os meus disparates (há quem lhes chame posts... Enfim, ele há gente para tudo).
Extraordinário não é as empresas supra-citadas se comportarem como se comportam para com os seus clientes. Extraordinário é alguns dos meus amigos ainda ficarem espantados com a (repito-me...) incompetência, arrogância e má-educação das ditas cujas.

segunda-feira, março 15, 2004

Nada exagerado

O grande Luís Delgado já descobriu o significado profundo dos resultados eleitorais em Espanha...
Não lhe ocorreu por certo que os eleitores espanhóis não devem ter ficado muito satisfeitos com a forma trapalhona como o governo do PP lidou com a crise. Tal como já havia acontecido com o Prestige.

[random acts of speech] # 5

"Silence is sexy."
Einsturzende Neubauten

[random acts of speech] # 4

"Language is a virus."
Laurie Anderson

domingo, março 14, 2004

Lá também há incompetentes

O PSOE ganhou as eleições legislativas espanholas, ou melhor o PP perdeu as eleições. Nada de realmente surpreendente tendo em conta os acontecimentos dos últimos dias. Aquilo que me surpreendeu foi, mais uma vez, a extraordinária inépcia política revelada pelo partido de Aznar e Rajoy em lidar com uma situação de crise. Lembram-se da forma como estes senhores lidaram com a catástrofe do Prestige? De certo modo é reconfortante ver que a incompetência política não é um exclusivo português.

sexta-feira, março 12, 2004

Madrid, o dia seguinte

Numa rápida viagem, deparei-me com estas reacções blogoesféricas portuguesas ao atentado de Madrid: a desconfiança com que uns reagiram à "pressa de Aznar em apontar o dedo À ETA" (este, este e este), a certeza de que foi a ETA (este e este) a incompreensão perante a besta humana (este), o luto ou a homenagem sóbria (este e este), a indignação (este, este, este e este), o silêncio (estes), a pena e a crítica à blogoesfera (este) e até a polémica interna (estes).

segunda-feira, março 08, 2004

Dia da...?

Todos os dias são dia de qualquer coisa. Hoje parece que é da Mulher (com M pois então!). Excelente. Quer dizer que é dia de uma série de gente atirar umas frases de circunstância para o ar, falar do importante papel da mulher nas nossas sociedades e do sofrimento a que muitas continuam sujeitas e blah blah blah. Entretanto, elas continuam a ser violadas, espancadas e assassinadas. E a abortar e a trabalhar mais por menos dinheiro. No Sudão, no Iraque, na China. E nos Estados Unidos e em França e em Portugal. Se calhar ali mesmo, na porta ao lado. Adianta-lhes de muito que hoje seja o "Dia da Mulher"...

Um país doente

Um ex-primeiro ministro algarvio e apreciador de bolo-rei lança hoje o segundo volume da sua autobiografia. Aí tece umas considerações avulsas acerca de um ex-membro do seu governo.
Um ex-secretário de estado da Cultura e amante da obra de Chopin afirma não estar nada preocupado com as considerações que o seu ex-patrão (o algarvio) tece a propósito da sua pessoa.
Os dois ex- são candidatos a candidatos a um cargo cujas eleições se disputam daqui a dois anos (!).
O Eurostat divulgou hoje um estudo segundo o qual Portugal é o país da União Europeia com menos médicos, enfermeiros e parteiras por cem mil habitantes. Simultaneamente, Portugal é um dos países com mais farmacêuticos.
O que é que aqui não bate certo?
A mim parece-me é que o país precisa também de muitos psiquiatras...

Parabéns, Caeiro


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!


Alberto Caeiro

Fernando Pessoa criou o heterónimo Alberto Caeiro há 90 anos (8 de Março de 1914).

sábado, março 06, 2004

Porque é que Luís Figo é o melhor de todos nós?

Há algo de irritante na pequenez e falta de ambição nacionais que nos leva a ficar muito satisfeitinhos com medalhas de bronze e de prata, com "brilhantes prestações", em competições desportivas europeias e mundiais e que faz os nossos jornalistas (?) desportivos falar no "Manchester de Ronaldo", na "Lazio de Couto" ou no "Barcelona de Quaresma".
Luís Figo é o melhor desportista português de todos os tempos. Ele joga no mais prestigiado clube de futebol do mundo, já conquistou troféus e mais troféus, já foi considerado o melhor jogador do mundo e arrisca-se a ser campeão de Espanha e da Liga dos Campeões ainda este ano. Porque chegou Figo onde mais nenhum antes dele chegou? Será que Figo se contenta com o segundo lugar ou com "brilhantes prestações"? Não me parece. Figo, ao contrário da generalidade dos seus (e meus) compatriotas, pensa que o segundo é o primeiro dos últimos e que não vale a pena lutar por ser o melhor dos últimos. Vale a pena lutar por ser o melhor dos melhores. Mesmo que não se ganhe sempre é preciso partir sempre com o objectivo do primeiro lugar, não com o objectivo de "fazer o melhor possível". Infelizmente, em Portugal e nas mais variadas áreas (no desporto, na política, na educação, na cultura, na economia) tenta-se apenas desenrascar "o melhor possível".
Como Figo, no desporto, só mesmo Rosa Mota e Carlos Lopes. E, curiosamente, talvez José Mourinho. Na cultura Maria João Pires, os Madredeus e Eduardo Lourenço. Na política...?

P.S.: Rui Silva ficou em segundo lugar nos Campeonatos do Mundo de Atletismo na prova de 3000 metros. E vamos todos ficar muito contentinhos...

[random acts of speech] # 3

"Tomorrow... will not be like today."

sexta-feira, março 05, 2004

O universo imita a Arte

Este é o quadro pintado por Vincent Van Gogh em 1889.


Esta é a foto captada pelo telescópio espacial Hubble.

A fina flor... do entulho, ou a elite que temos

Há uma semana atrás aconteceu na Assembleia da República aquilo a que os governantes e deputados da Nação pomposamente chamam de "debate mensal" e foi o que se (ou)viu: ideias nem uma, argumentos que envergonham qualquer pessoa com dois dedos de testa, troca de insultos (camuflados), piadas rasteiras ao nível do melhor (!) dos Malucos do Riso.

Dois dias depois, um presidente de Câmara comportou-se como um arruaceiro num estádio de futebol (que por "acaso" tem o nome do arruaceiro...) de um país que daqui a poucas semanas vai receber o campeonato europeu de futebol. A mesma criatura afirma e reafirma que se voltasse atrás se comportaria exactamente da mesma forma (o que só espanta quem não conheça o calibre da peça, que é, aliás, membro do senado do CDS-PP). O partido ao qual o energúmeno pertence assobiou para o lado.

Há dois dias "discutiu-se" na Assembleia da República a interrupção voluntária da gravidez, sabendo-se antecipadamente que o partido com maiores responsabilidades na governação - logo, resolução dos problemas - do país não tem posição sobre o assunto. Pior, não deixa que os seus deputados que têm opinião sobre o assunto a exprimam livremente através do voto... Estes senhores preferem adiar a resolução de um problema gravíssimo para depois de 2006. Até lá a violência física e psicológica contra milhares de mulheres vai continuar.

Entretanto, há um candidato a candidato à presidência da República cujo principal objectivo, se por infelicidade for eleito, será a manutenção da coligação governamental revelando em última análise a elevada consideração que o senhor tem pelo mais alto cargo da democracia portuguesa.

Em Junho de 2004 haverá eleições para o Parlamento Europeu e a três meses dio acto (e menos de dois do alargamento da União Europeia para 25 estados-membros) a escassa discussão tem incidido sobre cartões amarelos e vermelhos... Ideia (uma, ao menos...) sobre o futuro da União ou o papel de Portugal na construção europeia nem vê-las.

São estes os edificantes exemplos da classe que dirige Portugal. São estes os senhores que têm o descaramento de me pedir mais produtividade, mais competitividade, mais esforço e mais trabalho. São estes os senhores que me apetece mandar àquela parte. Citando, livremente, Mota Amaral: "Meus senhores, o vosso tempo acabou!".

terça-feira, março 02, 2004

Public enemy

Eu sei que já passaram dois dias e que, supostamente, a actividade bloguística implica uma certa (chamemos-lhe) actualidade, um certo estar em cima do acontecimento. Ou pelo menos, a esmagadora maioria dos posts d'A Coluna têm seguido esse princípio. Contudo, what the hell!, já passaram dois dias e ainda assim não resisto a destilar aqui a minha raiva contra quem neste país ainda permite que um perigoso sociopata como Avelino Ferreira Torres ande por aí à solta. A criatura não deveria estar há muito internada num estabelecimento adequado a pessoas com as suas perturbações mentais e que, ainda por cima, constituem uma ameaça à segurança pública? Lá que o Emplastro ande para aí atrás das câmaras de televisão não me incomoda nada, que o rapaz até parece inofensivo, agora que um presidente de Câmara se comporte como um arruaceiro já me deixa muito, mesmo muito inseguro. Digamos que visitar Marco de Canavezes não está nos meus planos a curto prazo...

sábado, fevereiro 28, 2004

[random acts of speech] # 2

"The most notorious ill-fortune must in the end yeld to the untiring courage of philosophy - as the most stubborn city to the ceaseless vigilance of an enemy."
Edgar Allan Poe, Loss of Breath in Tales of Mistery and Imagination

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Exercício mensal de vacuidade e superficialidade

Hoje foi dia de debate mensal na Assembleia da República e a esse propósito aqui ficam uma recordação, uma dúvida e uma certeza.

Uma recordação. Lembrei-me dos tempos do Ensino Secundário, em particular das aulas de Literatura Portuguesa da excelentíssima Drª Maria de Deus e do dia em que me fez entender essa maravilhosa figura de estilo que é a hipérbole. Debate?! Lá mensal é, agora debate... Para haver debate, diz-se que, são precisas ideias, convicções, argumentos. Nada disso passou pelo parlamento hoje. Chamar debate ao que aconteceu hoje na AR é um descomunal exagero da realidade.

Uma dúvida. Segundo uns, o país está no bom caminho (embora não tenham explicado que caminho é esse ou aonde nos leva, ainda que tenha cá umas suspeitas...); segundo outros, o país está no caminho errado (embora também não tenha ficado elucidado relativamente ao que estes pensam ser o melhor, dito alternativo, caminho). E o pior é que quer uns quer outros se basearam em números e mais números, estatísticas e mais estatísticas, indicadores económicos e mais indicadores económicos. A minha dúvida é tão somente esta: não andará para ali muita gente a precisar de um bom GPS (vá lá, de um bom mapa das estradas ao menos) para se orientar nestes caminhos que o país trilha? E já agora de um bom veículo todo-o-terreno. É que bons ou maus, estes caminhos não se parecem nada com auto-estradas. Serão caminhos de cabras, talvez?

Uma certeza. A única pessoa que teve palavras ponderadas e acertadas foi o presidente da AR, João Bosco Mota Amaral. O açoreano fartou-se de repetir as mesmas duas frases mas ninguém pareceu dar-lhe ouvidos: "Senhor primeiro-ministro, o seu tempou esgotou-se" e "Senhor deputado, o seu tempo esgotou-se." Creio bem que o tempo de todos estes senhores - governo, partidos da coligação e partidos da oposição - se esgotou.

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Coincidências

A propósito do post aqui em baixo, acaba de me ocorrer um pensamento muito estranho. Qual é o país que vai receber o próximo campeonato europeu de futebol? Portugal. E onde decorreu o anterior campeonato? Na Holanda e na Bélgica. Quais são os países mais caros da Europa para fazer compras? Portugal, Holanda e Bélgica. Conclusão: Portugal é dos países mais evoluídos da Europa (logo, do mundo!), com a vantagem de termos maiores e melhores e mais bonitos e mais caros estádios que a Holanda e Bélgica...

Na cabeça da Europa

Segundo a TSF tem vindo a divulgar ao longo do dia de hoje, a PRO TESTE, revista da DECO, vai publicar um estudo comparativo de preços em 13 países europeus no qual conclui que Portugal é o terceiro país mais caro para fazer compras. À nossa frente apenas a Holanda e a Bélgica. Os mais baratos são a Alemanha e a Espanha (sempre os malandros dos espanhóis...). Sem comentários...

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Adeus à carne

Constou-me que a administração norte-americana considera seriamente a hipótese de invadir e ocupar o Brasil. Rumsfeld e companhia já incluiram o Brasil no infame eixo do mal e os argumentos são imbatíveis: o Brasil, para além ter como presidente um ex-sindicalista (logo perigoso comunista), é um verdadeiro ninho de imoralidade e depravação onde as mulheres se passeiam pelas ruas com os seios (e não só) desnudos. Rumsfeld acha que um país habitado por desavergonhadas Janet Jacksons deve ser imediatamente invadido e moralizado.

Grotesco

As televisões, portuguesas ou não, têm um especial apetite pela exibição do grotesco transformando-se por vezes em verdadeiros freak shows. Nesta época do ano, um dos clássicos do grotesco nacional acontece na Madeira e tem como personagem principal o senhor que há demasiado tempo lidera o governo regional. Este ano a criatura despiu a máscara de governante e assumiu a do navegador português (português e não madeirense, note-se) que descobriu a Madeira. Pobre Zarco.

sábado, fevereiro 21, 2004

É de facto surpreendente...

Um senhor que pretende mudar-se de armas e bagagens para um palácio ali para os lados do Mosteiro dos Jerónimos (e não muito longe do estádio do Restelo... Brioooosa!), ficou muito admirado com as reacções aos seus planos de vida. Acha o senhor que houve muita gente "completamente descontrolada" e de "cabeça perdida" só porque resolveu publicitar as suas intenções.
"Nunca pensei...", disse o homem. Esse poderá ser exactamente o problema.

Pastéis de Belém

Acabam de me dizer que a Briosa despachou o Belenenses, no Restelo (!), com cinco pastéis sem resposta. O fim de semana está a correr bem.

[random acts of speech] #1

What if it were possible to fool all the people, all of the time?

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Ora bolas

Estavamos nós nesta enorme expectativa para isto!? O homem deve estar muito contente, talvez por causa disto...

Números

5 000 sempre é um número redondo. Obrigado a todos e a todas.

O Apocalypse, agora como em 1979

Nunca tinha visto a versão Redux de Apocalypse Now de Francis Ford Coppola (mea culpa, mea tão enorme culpa...). Vi-a ontem, finalmente (obrigado Diário de Notícias), e continua a ser uma obra de arte de dimensões incomparáveis. Marlon Brando, Martin Sheen, Laurence Fishburne, Sam Bottoms, Albert Hall ou Robert Duvall genialmente dirigdos por um Coppola no auge da sua criatividade. Um filme que, quase trinta anos depois do seu lançamento (1979), continua perturbador e (sai cliché...) perfeitamente actual. E já agora, uma das sequências omitidas no versão original (a da plantação francesa) faz aqui todo o sentido e só enriquece este que é, digo eu que não percebo nada disto, um dos melhores filmes da história do cinema.

And now for something completely... irrelevant

Um prolixo comentador politico de uma conhecida televisão privada fez saber esta semana que não se importa nada de ser o "saco de pancada" de um ex-ministro da Cultura, desde que isso sirva para proteger um antigo ministro das Finanças de Sá Carneiro. Ao que consta, o tal ex-ministro da Cultura (e profundo estudioso da obra de Chopin) quer ser candidato a presidente da República e o ex-ministro das Finanças (e profundo apreciador de bolo-rei) também não enjeita a possibilidade se candidatar ao lugar. Entretanto, um outro comentador politico (famoso pelas revoltas melenas e saudosistas barbas) chamou "gladiador" ao ex-ministro da Cultura. E pensar que todas estas figuras são filiadas no mesmo partido politico...

Estamos todos muito curiosos

O nosso homem convocou uma conferência de imprensa para as 13h30 e não se sabe o que o ele tem para comunicar ao bom povo português. A curiosidade é imensa. Aceitam-se apostas.

Um manicómio em auto-gestão

António Marinho Pinto descreveu o sistema judicial português como "um manicómio em auto-gestão". Assim mesmo, durante o Fórum de hoje da TSF dedicado à libertação e imediata prisão de um ex-dirigente desportivo acontecidas ontem. Esse advogado, conhecido pelas posições criticas face ao nosso (?) sistema de Justiça, chamou ainda atenção para o facto de as pessoas (leia-se comunicação social, por exemplo) apenas se escandalizarem com estes abusos dos nossos (?) juízes quando estão em causa figuras públicas, sejam elas apresentadores de televisão, embaixadores, deputados ou ex-dirigentes desportivos. É a velha história do mexilhão e da rocha: quando é aquele que se lixa quando o mar bate nesta, todos assobiam(os) para o lado.

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Desculpas

A Alemanha vai proibir mais de 4 mil adeptos de se deslocarem a Portugal por alturas do Euro 2004. A desculpa (esfarrapada) é que esses adeptos são violentos hooligans, mas cá para mim os tipos têm é medo das claques portuguesas. E dos senhores que dirigem o futebol lusitano. Ah, pois é!

Temas quentes da actualidade

As eleições presidenciais, que são só daqui a dois anos, andam a deixar muita gente de cabeça perdida, principalmente na ala direita do nosso espectro politico. Há um presidente de uma câmara municipal que se disponibilza para ser candidato, há um ex-primeiro ministro que não avança, há um ministro que diz que ainda é cedo para se debater o assunto, há um comentador poltico que também tem umas ideias sobre a questão... Enfim, divertimentos da classe politica nacional. O resto do país quer mesmo é saber se o Mourinho sempre rasgou a camisola do Rui Jorge e se a nova amizade entre Luís Filipe Vieira e Dias da Cunha resiste até ao próximo embate entre os respectivos clubes.

Emigrar poderá ser uma hipótese a considerar.

Parabéns, senhor Carlos Paredes

O dia depois do clássico

Num jogo com 25 minutos iniciais alucinantes (3 golos), o Barcelona acabou por derrotar o Atlético de Madrid por 3 - 1. Marcaram Saviola (10'), Ronaldinho (25', grande golo) e Luis Garcia (44') pelos da cidade condal e Nikolaidis (22') pelos da capital.

domingo, fevereiro 15, 2004

Futebol de primeira

Hoje disputa-se um jogo de futebol daqueles que os nossos jornalistas desportivos gostam de designar como "clássico". Apesar do futebol nada deslumbrante que ambas as equipas praticam actualmente, um encontro destes é sempre emotivo e de desfecho imprevisível (oops... começo a soar a comentador desportivo!). Não sendo adepto de nenhum dos clubes, o resultado deste jogo é-me relativamente indiferente. Contudo, e confessando alguma simpatia pelo Atletico de Madrid (o Futre jogou lá...), espero que o Barcelona saia vitorioso (o Cruyff jogou lá...).

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Uma injustiça

Lembram-se do Calimero? Aquele desgraçado animado sempre a queixar-se das injustiças deste mundo? Hoje lembrei-me dele ao ouvir a senhora ministra da Justiça na TSF a propósito de umas notícias que envolvem o seu nome. Ora a senhora ministra também parece achar-se uma injustiçada só porque a TSF noticiou que ela terá colocado o seu lugar à disposição de Durão Barroso, acrescentando que tanto o PSD como o CDS-PP terão considerado a hipótese de a recambiar para um exílio dourado (o Parlamento Europeu).


Vamos por partes.

Primeira parte: parece-me bem que a senhora tenha colocado o seu lugar à disposição do primeiro ministro (o que sempre revela que até a senhora ministra acha que só tem feito asneiras - às quais ela pomposamente chama "importantes reformas estruturais", embora a TSF lhes chame "fragilidades ou erros" ). Já não me parece bem que o senhor PM não tenha aceite a demissão de Cardona (o que revela que o nosso primeiro anda muito distraído - ou ocupado, como queiram - para não se ter dado conta dos disparates da sua subordinada).

Segunda parte: afinal ainda há gente lúcida nos partidos da oposição. De facto, enviar a senhora ministra para o PE é uma belíssima ideia: os estragos que provocará na Justiça portuguesa enquanto deputada europeia são incomparavelmente menores do que aqueles que continuará a causar permanecendo no cargo que actualmente ocupa.

P.S.: há blogues, italianos pois claro (procurem-nos aqui e aqui) que roubaram o nome ao desgraçado do Calimero. Mas também um restaurante (aqui) e até uma banda de música alternativa (aqui) pilharam Calimero.

P.S. II: ainda não sei se estou contente por altos dirigentes da coligação governamental lerem A Coluna (ver post de ontem - Putativos sucessores - sobre a sucessão de Ferro Rodrigues à frente do Partido Socialista) ou se os processe por plágio (afinal a ideia de enviar gente incómoda e disparatada para o Parlamento Europeu surgiu AQUI primeiro...).

P.S. III: obviamente a senhora ministra desmente (tudo... e mais alguma coisa).

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Pasmo

Alguém que me ajude, por favor. É mesmo verdade que ontem se disputaram quatro partidas de futebol em Portugal? E não houve desacatos, distúrbios, violência, insultos, acusações?
E os senhores da Federação e da Liga deixaram que isso acontecesse? Então, uma das tradições mais enraízadas do futebol nacional - a violência verbal e física - é assim desrespeitada e ninguém faz nada? Se ninguém tem mão nisto, qualquer dia acabam com os torresmos e os coiratos!

Putativos sucessores

O ex-braço direito de um tal de Guterres e o filho de um ex-presidente da República (portuguesa, bem-entendido) disponibilizaram-se nos últimos dias para suceder a um ex-ministro do tal Guterres e amigo de um certo Paulo Pedroso na liderança do Partido Socialista. Se qualquer um dos dois vier realmente a ocupar o lugar de secretário-geral do PS transformar-se-à automaticamente em candidato a primeiro ministro.
Daqui envio um humilde conselho aos dirigentes do PS: arranjem maneira de os homens se candidatarem ao Parlamento Europeu (em lugares elegíveis) e mantenham-nos lá o máximo de tempo possível. É que de um país que já fez de Durão Barroso primeiro ministro espera-se tudo - até que venha a cair na conversa de Coelho e Soares. Pelo menos, no PE não fazem mal a ninguém e, sendo a União Europeia construida na base da solidaridade entre estados, ela (a UE) que os ature uns anos que os portugueses já contribuiram com a sua parte.

O mundo continua perigoso *

Um dos mais influentes filósofos de todos os tempos, Immanuel Kant, morreu faz hoje dois séculos. O filósofo alemão que fez da dignidade humana, da cidadania mundial e da paz universal princípios teóricos e de vida deve contorcer-se no túmulo de Könisberg onde repousa. Dois séculos após a sua morte continuamos longer, muito longe, de alcançar sequer o primeiro e mais nobre desses princípios.

* Título descaradamente sacado a Vasco Pulido Valente (mas como ele não lê A Coluna, não faz mal...)

sábado, fevereiro 07, 2004

I have a dream...

Mais do que um sonho, é uma esperança que eu cá tenho... Que um dia se ouça falar com tanta frequência deste senhor como hoje se sabem notícias destoutro senhor...

Maçonaria dot com

Tens 18 anos e 4ª classe? És um jovem ambicioso? Junta-te à maçonaria! Parece que já o podes fazer através da Internet. Nada de surpreendente. Afinal até a CIA já recrutou agentes através de anúncios de jornal.

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

It's the end of the world as we know it, and I feel fine

Regressado do mundo de David Lynch, aterro violentamente na realidade.

Durão Barroso não sabe o que fazer quanto à hipotética candidatura de António Vitorino à presidência da Comissão Europeia e continua aliás sem saber o que fazer relativamente a muitos outros assuntos. Parece que seria bom, prestigiante dizem os politicos, para Portugal ter um português a liderar a Comissão mas os malandros do Partido Popular Europeu não estão para aí virados porque Vitorino é do Partido Socialista... Um sarilho para o nosso Primeiro.

Os noticiários (que ainda não vi hoje...) continuam ansiosamente à espera de decisões do juíz Rui Teixeira.

Pinto da Costa, presidente de uma agremiação do norte, cortou relações com outra agremiação desportiva portuguesa (mas do sul).

A CIA e o MI5 (serviços de informações dos Estados Unidos e do Reino Unido) enganaram-se e enganaram os respectivos governos quanto à existência de armas de destruição maciça no Iraque, ou será que alguém (quem?) lhes pediu que se enganassem? Ou enganaram-se deliberadamente, sem que alguém o solicitasse? Durão Barroso ainda não se pronunciou porque anda ocupadíssimo a tentar resolver a questão da presidência da Comissão Europeia.

Em Moscovo dezenas de pessoas morreram e muitas mais ficaram feridas em consequência de um violento atentado no metropolitano. Contrariando George W. Bush, os terroristas insistem em fazer deste um mundo muito pouco seguro. Ah, pois, isto nada tem a ver com a Al-Qaeda ou o Iraque...

Nos Estados Unidos anda tudo doido porque durante o intervalo de um jogo qualquer muito apreciado por aquelas bandas, Justin Timberlake expôs, ao vivo e em directo, um dos seios de Janet Jackson. Eu já vi, aqui, o seio exposto e apesar de não ser nada do outro mundo prefiro vê-lo a ver o nariz do mano da pequena. Sinceramente. Os americanos não, aparentemente...

Outros mundos

Raramente entro em considerações pessoais ou registos confessionais por aqui, mas por vezes não resisto. Nos últimos dias revi três filmes do senhor David Lynch: The Straight Story, Lost Highway e Mulholand Drive (por esta ordem). E foi bom, muito bom mergulhar de novo no(s) mundo(s) tão complexo(s) e, por vezes (paradoxalmente) tão simples, de Lynch.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Os noruegueses, esses bárbaros


Bartoon de Luís Afonso, Público de 04.02.2004

Ainda se ao menos fizessem parte da União Europeia...

Um país - este - no seu melhor

Já há umas semanas, a propósito de um Benfica - Sporting, escrevi que os portugueses não gostam de futebol. Na melhor das hipóteses, gostam - doentiamente - do seu clube de eleição. Os últimos dias têm sido (mais uma) prova disso mesmo.
Miklos Fehér morreu num relvado que uma semana depois assistiu a lamentáveis cenas de violência entre jogadores e adeptos de dois clubes rivais (Vitória de Guimarães e Boavista). As declarações entretanto produzidas a propósito dessas cenas, que qualquer ser humano com um minímo de discernimento e bom senso condenaria, fariam corar qualquer um. Desde que não seja português.
No dia anterior, disputou-se um Sporting - F.C. Porto, um dos melhores jogos do campeonato nacional em curso, que dirigentes e um dos treinadores insistiram em transformar, antes e depois do jogo, num triste espectáculo de violência e imbecilidade verbal. Os respectivos adeptos tomaram o partido que a respectiva cor clubística ditou.
E poucos dias antes alguns ingénuos (para não dizer hipócritas ou, no limite, idiotas) achavam que a morte de um futebolista de 24 anos num estádio de futebol iria contribuir para modificar o futebol que vamos tendo. Achavam eles que as tribos do futebol lusitano eram civilizadas e solidárias.
O pior de tudo isto é que, como muitos outros, penso que o futebol é um espelho do país que temos e do povo que somos. O que, no nosso caso, é pelo menos lamentável.
País de brandos costumes? Civilizado e solidário? Evoluido? Pois sim. Acreditar nisso é o equivalente a uma criança de 4 anos acreditar na existência do Pai Natal.

Têm a certeza que a UEFA ainda não nos retirou a organização do Euro 2004?

sexta-feira, janeiro 30, 2004

I'm your man

Este é o homem que prometeu colocar Portugal no pelotão da frente da União Europeia.
Este é o homem que não aumenta os funcionários da Administração Pública há dois anos e que arranjou maneira de dar chorudos aumentos aos administradores dos hospitais SA.
Este é o homem que diz que vai aumentar os funcionários da Administração Pública em 2005.
Este é o homem que depositava toda a sua confiança em Martins da Cruz e Pedro Lynce. E Isaltino Morais.
Este é o homem que deposita toda a sua confiança em Celeste Cardona.
Este é o homem que prometeu não aumentar os impostos.
Este é o homem que prometeu acabar com as listas de espera nos hospitais públicos.
Este é o homem que afirma não querer ver mulheres condenadas por serem forçadas a praticar aborto.
Este é o homem que viu as provas inequívocas da existência de armas de destruição massiva no Iraque.
Este é o nosso homem.

Obrigado, Miguel

O filho de Sophia de Mello Breyner Andersen e de Francisco Sousa Tavares agradece hoje, no Público, a Ricardo Espírito Santo, realizador da Sport TV, não ter exibido imagens do rosto de Miklos Fehér quando a sua vida se apagava no relvado de Guimarães. O autor de um dos best-sellers de 2003, enaltece ainda o facto de a Sport TV ter recusado ceder essas imagens do sofrimento de Fehér a outras estações de televisão. Segundo o colunista, graças a Ricardo Espírito Santo e à direcção da Sport TV "Miklos Fehér, a sua família e os seus amigos tiveram direito a um resto de dignidade e de privacidade." Acrescenta o homem que queria dar uns tabefes em Manuela Moura Guedes que "É bom que os portugueses saibam que ainda há, entre os jornalistas, quem recuse e quem se indigne com um jornalismo feito ao serviço das carpideiras e dos voyeurs." Pois. O autor destas palavras não está obviamente a referir-se a um certo canal privado de televisão no qual ele próprio surge às terças-feiras no papel de comentador.

Silêncio higiénico

Após alguns dias de "repouso", as dores voltam á Coluna. Numa semana de tanto ruido (o voyeurismo mórbido a propósito da morte de Miklos Fehér, os edificantes exemplos das doutoras Cardona e Leite, os cortes nas comparticipações da Assistência na Doença aos Servidores do Estado, vulgo ADSE, os péssimos desempenhos dos nossos jovens nas disciplinas de Português e Matemática), apeteceu-nos manter o silêncio. Um silêncio higiénico.

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Continuam a só me sair duques

Ferro Rodrigues disse ao Público que no PS "o ambiente está muito melhor" e que "pior do que o ano passado é impossível". Tenho as minha dúvidas. Depois das tremendas demonstrações de inépcia política dadas por Ferro durante o ano de 2003, não me parece de todo impossível que Ferro e o seu PS sejam capazes de fazer ainda pior.

Pois a mim só me saem duques

Um tal de Manuel Fernandes, ao que parece líder da distrital de Braga do PPD-PSD, cobriu ontem (salvo seja) Pedro Santana Lopes, ao que parece candidato à presidência da República, de carinhosos e hiperbólicos elogios. Tudo aconteceu num jantar em Famalicão ao qual compareceram 2 mil pessoas. "Perfume afectivo", "imprescindível", "às de trunfo", "mais-valia", "notável afectividade" foram alguns dos mimos distribuidos pelo senhor Fernandes. Comovente, sem dúvida.
E PSL até já fala na "minha candidatura". Ao se referir ao apoio de Manuel Monteiro ("esse ex-militante do CDS") a Aníbal Cavaco Silva (esse outro putativo candidato à presidência da República), PSL lá deixou escapar que acha que esse apoio se deve apenas ao facto de Monteiro considerar que Paulo Portas (esse ex-amigo de Manuel Monteiro) "é apoiante da minha candidatura".
A direita portuguesa no seu melhor.

Adeus 1979 - 2004


Miklos Fehér, 24 anos, jogador de futebol do Sport Lisboa e Benfica e da selecção nacional hungara.

domingo, janeiro 25, 2004

Que se lixe...

Estava a considerar a hipótese de escrever um post a pedir desculpa pelo óbvio mau gosto do post anterior, mas parece-me que não. Modéstia à parte, acho que o mau gosto deste post se conjuga na perfeição com a personagem visada.

É um estadista português com certeza

Manuel Monterio, líder daquele partido que "graças a Deus não tem suspeitos de pedofilia" e ex-amigo de Paulo Portas, vai ser o cabeça de lista do seu partido às eleições europeias. Parece-me bem e espero sinceramente que o senhor seja eleito e que fique longe de Portugal o máximo de tempo possível.

Na mesma reunião do seu partido, realizada logicamente em Fátima (where else?...), Monteiro manifestou o seu apoio a uma eventual candidatura de Aníbal Cavaco Silva à presidência da República (portuguesa, presumo). Parece-me igualmente bem: com mais uns quantos apoios destes e Cavaco jamais conseguirá ser eleito.

Entre várias confusas ideias sobre o sistema político português, Monteiro quer que a "chefia do Estado de Portugal" seja "uma casa de representação" e não "uma casa de folclore", o que também não me parece mal. Só não entendo uma coisa: uma casa de representação do género Parque Mayer (com casino)? Ou mais do tipo grupo de teatro amador? Ou na linha clube de teatro de escola secundária? E porque não uma casa de fados? Ou até, quiçá e em homenagem às mães de Bragança, uma casa de alterne?

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Recordações (saudades?)

3 de Maio de 1988, Teatro Académico Gil Vicente, Coimbra, fila C, cadeira 11. Sala esgotada. Durutti Column. Vinni Reilly (com Bruce Mitchell na bateria e não sei quem nas teclas) deslumbrava com a sua música frágil. Um concerto deslumbrante para um ainda adolescente em fase de descobertas (musicais e outras). Nesse mesmo ano, também os A Certain Ratio tocaram na cidade de Coimbra, à beira-rio.
E já passaram quase 16 anos?...

So much to do, so little time...

Há fins-de-semana assim, ou não há fome que não dê em fartura: Kevin Blechdom no Porto (MAC de Serralves, hoje) e Lisboa (Galeria ZBD, amanhã); Jane Birkin em Lisboa (Culturgest, hoje e amanhã); Durutti Column em Lisboa (Santiago Alquimista, hoje) e no Porto (Teatro Rivoli, amanhã); David Carretta no Porto (Urbansound, hoje) e em Lisboa (Oparte, amanhã) e 4 Hero em Vila Nova de Gaia (Rox, amanhã). E na próxima quinta-feira 29 ainda há Elliot Sharp no Auditório Municipal da Guarda.


Vini Reilly, líder dos Durutti Column (saudades da adolescência...)

Citando uma das maiores pragas de sempre no mundo da música, crisis, what crisis?
E como é que um gajo consegue ir a todas?

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Silêncio

Às vezes é bom estar em silêncio, mas quando o silêncio é forçado só apetece mesmo gritar bem alto. Fazer o máximo de barulho possível. Partir tudo.
Até amanhã.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Olha que estranho

É verdade que não me foi possível prestar ao discurso de Jorge Sampaio toda a atenção que ele certamente merecia (pelo menos consegui manter-me acordado), mas o senhor já acabou o discurso e não me parece que tenha utilizado a palavra serenidade. Mais uma aposta perdida...

Olha a grande novidade!

«A Autoridade [da Concorrência] possui estudos que mostram que os custos das telecomuniçaões em muitos segmentos são cerca de 30 a 40% superiores aos mais eficientes na Europa, demonstrando, assim, a falta de concorrência». O presidente da Autoridade da Concorrência, Abel Mateus, subscreve em entrevista ao Diário Económico «a ideia de que há falta de concorrência no sector das telecomunicações em Portugal» . Parece que a culpa é da posição dominante que a PT detém no mercado das telecomunicações em Portugal.
A sério?! E de quem é a culpa de a PT deter uma posição dominante no mercado das telecomunicações?

Bocejos na tarde

Agora é a vez de Jorge Sampaio (para quem não sabe, Presidente da República...). Aposto que vai utilizar pela menos uma vez a palavra serenidade... Vou tentar manter-me desperto.

Bocejos na tarde

Está a decorrer a sessão solene de abertura do ano judicial.
Discursos de várias Suas Excelências protagonistas da Justiça em Portugal.
Resumidamente, tem sido dito que a Justiça blah blah blah... Os cidadãos isto e mais aquilo... O Estado de Direito e mais não sei o quê... Zzzzz a eficácia.... Rrrronc a competência e a defesa dos direitos doszzzzz... Reformas urgentes etc e tal...

domingo, janeiro 18, 2004

America the beautiful

Não deu para resistir. Reencontrei este atlas mundial aqui (Teacher) e não consegui resistir...



Ressalva: eu até nem acho que os americanos sejam todos estúpidos. Muito pelo contrário, but some americans sure give a new meaning to the word stupidity...

sábado, janeiro 17, 2004

Remodelação JÁ!

Segundo bem informadas (e anónimas, creio) fontes, o primeiro-ministro tenciona remodelar o governo da nação até ao final do ano. Consta (diz-se...) que Amílcar Theias (Ambiente) e Figueiredo Lopes (Administração Interna) serão os dois ministros a ser remodelados, provavelmente porque não ficam bem nas fotos oficiais (realmente, aqueles óculos do ministro das polícias não lembram a ninguém)
Acho muito bem, mas penso que não se deveria perder tempo; a remodelação urge e deve ser bem mais profunda. Por exemplo, o PM deveria começar por se remodelar a si próprio: aquele corte de cabelo é uma verdadeira desgraça.

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Uff! Que alívio!...

Afinal este ano sempre vai haver Queima das Fitas em Coimbra. Descobri aqui e depois fui confirmar aqui. Pois a malta lá foi a votos no referendo sobre a realização ou não da Queima e decidiu-se esmagadoramente pelo sim. Grande alívio para as centrais cervejeiras, bem como para todos os artistas de variedades, produtoras de espectáculos musicais e vendedores ambulantes de churros e farturas. E para os propietários de roulotes de hamburgers e cachorros quentes e barracas de shots. Grande alívio também, vá lá, para o veteraníssimo Victor Hugo Salgado que vai passar a não ter grande coisa para fazer nos próximos tempos (vai deixar de ser presidente da Associação Académica de Coimbra). A menos que decida agora enveredar pelo estudo...

P.S.: "Ao final do dia de ontem já tinham votado cerca de 5300 alunos [...]" (As Beiras). Alguém me sabe dizer quantos alunos votaram nas últimas eleições para a Direcção-Geral da AAC?

Horror!...

Quando coloquei o Citador aqui n' A Coluna nunca pensei cá ter Eduardo Prado Coelho!... E, no entanto, lá está ele ali ao lado...

Liberdade de imprensa

Numa altura em que, em Portugal, tanto se discute a liberdade de imprensa e a introdução, ou não, de limitações à mesma, demos com esta iniciativa. Afinal o problema da liberdade não tem que ver exclusivamente com a liberdade de imprensa, mas também com a liberdade de cada um ter acesso a uma informação plural e isenta.



Um excerto da Media Carta:

"WE HAVE LOST CONFIDENCE in what we are seeing, hearing and reading: too much infotainment and not enough news; too many outlets telling the same stories; too much commercialism and too much hype. Every day, this commercial information system distorts our view of the world.

WE HAVE LOST FAITH in the institutions of the mass media. A handful of corporations now control more than half the information networks around the world. At a time when people worldwide face hunger, social disruption, war and ecological collapse, only those who know how to walk the walk, talk the talk or pay big bucks are getting their message across."


E até é possível assinar o manifesto.

Disfunção pública

Justa ou injustamente, os funcionários públicos são, em Portugal , das mais mal vistas classes profissionais (talvez só ultrapassados pelos políticos). Preguiçosos e mal-educados, arrogantes e ignorantes, mal-formados e antipáticos. De tudo são acusados os nossos funcionários públicos. Há até quem considere que parte dos males do país é culpa dos maus funcionários públicos que nos servem, o que é, obviamente, uma rematada estupidez.
Em primeiro lugar, o Estado português, laxista e preguiçoso como poucos, não dá as devidas qualificações e a necessária formação aos seus funcionários. Em segundo lugar, esse mesmo Estado, que não age nunca como pessoa de bem, contrata funcionários a rodos com base em critérios de selecção, no mínimo, dúbios e obscuros. Em terceiro lugar, e para abreviar, a organização das carreiras no funcionalismo público português é anacrónica e absurda. (E não me venham com a velha história de que o Estado somos todos nós, porque isso não passa mesmo de uma história)
Agora, o Estado português, através do actual governo, reforça nos portugueses a ideia de que os seus funcionários públicos são realmente responsáveis pelos males do país, atribuindo-lhes aumentos de 2% (àqueles que auferem salários inferiores a 1 000 Euros) e de 0% (para os salários superiores a 1 000 Euros) com a desculpa de que assim se está a contribuir para a criação e manutenção de empregos, para o estímulo da economia e para a criação de uma sociedade mais justa.
Que é preciso cortar nas despesas já todos estamos fartos de saber. Agora, convinha que os cortes se fizessem de um modo mais racional e sem, subrepticiamente, atirar para cima de uma classe profissional responsabilidades que são, em última análise, de quem administra e governa este país de forma trapalhona e incompetente.
Ah, iluminados génios que nos governam.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Mais uma universidade pública

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), pela voz do seu presidente Adriano Pimpão, afirma não concordar com a criação de mais uma universidade pública em Portugal. Em causa está uma promessa pré e pós-eleitoral de Durão Barroso à cidade de Viseu (capital do distrito outrora conhecido como Cavaquistão). Acham os senhores reitores das universidades públicas que não há quaisquer razões (nomeadamente científicas) que justifiquem a criação de mais uma universidade no país. E acham muito bem, digo eu. A criação de mais uma universidade (pública ou privada) não é, de todo e digam o que disserem, uma das prioridades no sector do ensino superior. Melhorar as instituições existentes talvez já fosse uma boa ideia: da qualidade das instalações à qualificação do corpo docente, passando pela acção social ou por uma mais criteriosa selecção dos alunos, há muito por onde começar. Haja vontade.
Claro que o que está aqui em causa não é tanto a necessidade que o país tem (ou não, neste caso) de mais uma universidade pública mas sim uma promessa eleitoral e os votos que a sua concretização pode render à actual maioria. E a Fernando Ruas, presidente da Câmara Municipal de Viseu.

terça-feira, janeiro 13, 2004

...

Ainda há coisas que vão valendo a pena na defunta TSF. Por exemplo, as entrevistas do Pessoal e Transmissível. Ontem, o convidado foi João Magueijo, o cientista anarquista (como ele próprio se descreveu) que se atreve a questionar (e ainda bem) a teoria de Einstein.

...

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras investigou, estudou e concluiu que não há turismo sexual em Portugal, portanto também não há pedófilos a viajar para Portugal em busca de meninos e meninas.
Lá está: razão tem essa velha meretriz da política madeirense, Alberto João Jardim - tudo não passa de uma campanha da imprensa ("lisboeta", obviamente...).

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Se o senhor o diz

Alberto João Jardim, esse incansável combatente contra a opressão colonialista de Portugal, costuma descrever-se a si próprio como uma "velha meretriz". Pois, está está bem. Se o homem o diz, quem somos nós para o contrariar?
Também diz que não-sei-o-quê não o aquece nem o arrefece... Talvez escolhendo melhor os seus parceiros isso se resolva, não?
A propósito... Meretriz não quer dizer prostituta, puta, mulher da vida?

Claro que não

Segundo Alberto João Jardim, o incansável combatente pela auto-determinação do oprimido povo madeirense, as últimas notícias sobre a existência de pedofília na Madeira não passam de uma campanha (vá lá que não lhes chamou uma cabala...) relaccionada com as eleições regionais que vão decorrer este ano. Pobre povo madeirense. Ainda e sempre vítima destas vergonhosas campanhas da "imprensa de Lisboa"... É claro que não há pedofília na Madeira. Não é?

sábado, janeiro 10, 2004

Nuestro hermano Camacho

De quando em vez não dá para resistir e lá abordamos os futebóis aqui n' A Coluna. Um tal de José António Camacho, alegadamente treinador do Sport Lisboa e Benfica, afirma que os reforços que pretende para a agremiação desportiva que, pretensamente, dirige são do nível de Rui Costa ou Ronaldinho.



Alguém explica ao senhor Camacho que Portugal não é Espanha, que Luís Filipe Vieira não é Florentino Perez e que ele próprio não é Alex Fergusson?

Isto não está a correr nada bem 2

Manuel Maria Carrilho admitiu à TSF candidatar-se à Câmara Municipal de Lisboa contra o actual autarca (cujo nome não me ocorre...). Desgraça maior seria o PS aceitar esta candidatura. E pior ainda, seria os lisboetas cairem na asneira de o elegerem... Bem, por outro lado os lisboetas não deram mostras de grande discernimento nas últimas eleições autárquicas...

Isto não está a correr nada bem 1

Como se não bastassem todas as desgraças que atingem o país (e o mundo, como diria o outro), hoje foi publicado no DN um extracto de Causas de Cultura o livro de Pedro Santana Lopes, ex-presidente do Sporting Clube de Portugal e da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Uma verdadeira desgraça.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

Ele há pesquisas...

... muito estranhas e o mais estranho é que há resultados que não cessam de nos espantar. Para além das já clássicas pesquisas sobre "coluna vertebral" (que, suspeito, não têm muito que ver com este humilde blog...) temos recebido visitas aqui n' A Coluna de gente que procura informação sobre temas tão díspares com por exemplo "Sophia de Mello Breyner Prémio", "adopção de crianças diário de coimbra", "comece a fumar", "calvin e hobbes resumo", "fumar vidros lisboa" (o quê???) ou "remédio para coluna" (não há...).
Já agora: a maior das pessoas que busca sobre "coluna vertebral" vem do Google Brasil o que revela uma saudável preocupação dos brasileiros relativamente à coluna vertebral...

quinta-feira, janeiro 08, 2004

O ruído

Tem sido uma semana silenciosa aqui n'A Coluna, o que sempre contrasta com a ruidosa agitação que vai pelo país (ir)real.

O caso Casa Pia, e todas as polémicas que o continuam a envolver, tem dominado a discussão no país e, mais ainda, desde que mão(s) anónima(s) tem feito chegar às redacções determinados nomes com objectivos que, obviamente, não passam pela credibilização do processo judicial em curso. Entretanto, nos Açores a Polícia Judiciária deteve hoje mais doze suspeitos no caso de pedofília que tem agitado a Região Autónoma.

O Banco de Portugal, contrariando as previsões para o novo ano aqui d'A Coluna (eh eh eh...), veio afirmar que 2004 será ano de retoma económica, ainda que (muito) lenta. Oops... Espera lá! Retoma lenta? Se é lenta, ainda não se vai sentir portanto as nossas previsões estavam correctas (duplo eh eh eh...).

O Tribunal de Évora quer obrigar uma jornalista do DN-Algarve a revelar as suas fontes num caso que envolve a Região de Turismo do Algarve, numa clara violação do Código Deontológico dos Jornalistas e até da própria Constituição ao mesmo tempo que a coligação PSD / PP já planeia introduzir alterações legislativas relativas à liberdade de imprensa em Portugal.

Soube-se ainda que em Portugal a venda de automóveis em 2003 desceu drasticamente, o que só pode ser uma excelente notícia: menos automóveis nas nossas (miseráveis) estradas significa menos riscos de acidentes rodoviários. E daí que talvez não...

Os hospitais SA querem criar zonas para atendimento privilegiado a pacientes oriundos das companhias de seguros e o ministro da Saúde não vê nisso qualquer inconveniente, o que nem surpreende. Surpreendente seria o ministro ver nisso qualquer inconveniente...

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Ela anda aí...

Ela, a Dois. Já aí anda, sob direcção de Manuel Falcão, pessoa que continuo a respeitar (principalmente porque teve a coragem - a lata? - de fundar o Blitz). A ver vamos no que se tornou o segundo canal da televisão pública, o tal da "sociedade civil". Pode ser que me engane, mas as audiências vão continuar miseráveis e a alternativa à tv-tablóide vai continuar a passar por outros locais (cabo e satélite).
Já agora: espero que os noticiários da Dois não sejam tão aborrecidos como eram os da RTP2. É que é possível dar as notícias (do país e do mundo, como diz o outro...) de uma forma dinâmica e atraente, sem cair no espectáculo sensacionalista de outros canais.

domingo, janeiro 04, 2004

Clássico

Hoje (ainda) é dia da mais emblemática partida de futebol de Portugal: o Benfica recebe na sua nova Luz (com muitas obras ainda por concluir, à boa maneira portuguesa...) o Sporting. O jogo ainda não terminou mas já se pode dizer que há / houve clássico: uma grande penalidade mal assinalada, uma expulsão para cada lado, muita emoção e muitos nervos (dentro e fora do campo). Ainda não sei quem vai ganhar (1 - 2, neste momento) mas era bom que amanhã e nos próximos dias se discutisse o jogo e não os ditos casos (penalties, expulsões, foras-de-jogo...), as boas jogadas e não a arbitragem, as habilidades de Pedro Barbosa, Simão Sabrosa, João Pinto ou João Pereira e não os erros (imaginários ou reais) de Pedro Proença. Mas, enfim, estamos em Portugal e é sabido que os portugueses não gostam de futebol: gostam mesmo (patologicamente, aliás) é do seu clube. É pena.

Elogio

Não sou, de todo, dado a bajulações e nem mesmo o elogio me sai com facilidade por aí além. Porém, Miguel Esteves Cardoso suscita-me o elogio (e facilmente, ainda por cima). Vem o (fácil) elogio a propósito de Escrítica Pop, Um quarto da quarta década do Rock 1980 - 1982 (edição da Assírio & Alvim adquirida com o último número do Blitz). É realmente brilhante. E é mais do que uma compilação de textos sobre música.

sábado, janeiro 03, 2004

Does anything change on new year's day?

Então cá estamos em 2004.
Ano bissexto. Ano de alargamento a Leste da União Europeia (em Maio). Ano de eleições para o Parlamento Europeu. Ano de Campeonato Europeu de Futebol (em 10-estádios-10 de Portugal). Ano de Jogos Olimpicos (de regresso ao berço: Atenas).
Mais um ano de ameças terroristas, de caos no Médio Oriente e eleições para policia-mor do planeta.
Mais um ano de crise em Portugal (desculpe lá Dr. Barroso, mas não acreditamos em milagres...), logo mais um ano de agitação social e mais polémicas em volta do défice. Mais um ano de sarilhos na Justiça portuguesa. E na Saúde idem (alguém acredita que é este ano que acabam as listas de espera?). E de lentidão nos serviços públicos. Mais um ano com um Verão quente (alguém acredita que, este ano, a prevenção vai funcionar?...). Mais algumas centenas de mortos nas estradas portuguesas e o caos habitual no trânsito das nossas cidades.
Entretanto espero que seja igualmente mais um ano de belos filmes, deliciosos livros, estimulante música e acesas discussões (private joke, para os meus amigos...). E de férias algures no Adriático (esta é ainda mais private...).
Um bom ano, ainda que ache que a mudança de ano não é mais que uma página virada num calendário.

terça-feira, dezembro 30, 2003

E lá vão mais dois...


Mais dois estádios para o Euro2004 inaugurados hoje. O de Braga está neste momento a ser estreado.
O outro, o do Bessa estreou a sua última bancada há algumas horas. Aliás, o "estádio Major Valentim Loureiro" (como um dia se há-de chamar...) deve ser o mais inaugurado estádio do país (pelo menos 5 vezes já ele foi inaugurado, sem contar com a inauguração da estátua da pantera negra, claro...).
Devo ter andado muito distraido nestes últimos dias: é que não me apercebi de grandes broncas & trapalhadas com estas inaugurações (para além do já habitual, ou seja, pelo menos no estádio bracarense as obras ainda não estão todas concluidas)
E parece que já estão todos.

segunda-feira, dezembro 29, 2003

Algo de estranho se passa com o servidor no onde A Coluna aloja as suas imagens. Não devem gostar de nós: é que, volta não volta, as imagens estão indisponíveis. Está muito bem que o serviço é gratuito, mas também não é caso para terem tão má qualidade de serviço...

Os blogues e a Língua Portuguesa

Claro que o Brasil contribui com a maior parte, mas dá gosto ver que a segunda língua mais "falada" na blogoesfera é, segundo o Nile Weblog Census, o Português com 74460 blogues.
Já agora, não resisto: depois de as caravelas do Infante terem dominado o mundo, é agora tempo dos blogue-maníacos de Língua Portuguesa disputarem o domínio deste mundo com os de Língua Inglesa que, por acaso (?!!!), levam um bom avanço (1038864).