Há uma semana atrás aconteceu na
Assembleia da República aquilo a que os governantes e deputados da Nação pomposamente chamam de
"debate mensal" e foi o que se (ou)viu: ideias nem uma, argumentos que envergonham qualquer pessoa com dois dedos de testa, troca de insultos (camuflados), piadas rasteiras ao nível do melhor (!) dos Malucos do Riso.
Dois dias depois,
um presidente de Câmara comportou-se como um arruaceiro num estádio de futebol (que por "acaso" tem o nome do arruaceiro...) de um país que daqui a poucas semanas vai receber o campeonato europeu de futebol. A mesma criatura afirma e reafirma que se voltasse atrás se comportaria exactamente da mesma forma (o que só espanta quem não conheça o calibre da peça, que é, aliás, membro do senado do
CDS-PP). O partido ao qual o energúmeno pertence assobiou para o lado.
Há dois dias "discutiu-se" na
Assembleia da República a
interrupção voluntária da gravidez, sabendo-se antecipadamente que o partido com maiores responsabilidades na governação - logo, resolução dos problemas - do país não tem posição sobre o assunto. Pior, não deixa que os seus deputados que têm opinião sobre o assunto a exprimam livremente através do voto... Estes senhores preferem adiar a resolução de um problema gravíssimo para depois de 2006. Até lá a violência física e psicológica contra milhares de mulheres vai continuar.
Entretanto, há
um candidato a candidato à presidência da República cujo principal objectivo, se por infelicidade for eleito, será a manutenção da coligação governamental revelando em última análise a elevada consideração que o senhor tem pelo mais alto cargo da democracia portuguesa.
Em Junho de 2004 haverá eleições para o
Parlamento Europeu e a três meses dio acto (e menos de dois do alargamento da
União Europeia para 25 estados-membros) a escassa discussão tem incidido sobre cartões amarelos e vermelhos... Ideia (uma, ao menos...) sobre o futuro da União ou o papel de Portugal na construção europeia nem vê-las.
São estes os edificantes exemplos da classe que dirige Portugal. São estes os senhores que têm o descaramento de me pedir mais produtividade, mais competitividade, mais esforço e mais trabalho. São estes os senhores que me apetece mandar àquela parte. Citando, livremente, Mota Amaral:
"Meus senhores, o vosso tempo acabou!".