quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Um país - este - no seu melhor

Já há umas semanas, a propósito de um Benfica - Sporting, escrevi que os portugueses não gostam de futebol. Na melhor das hipóteses, gostam - doentiamente - do seu clube de eleição. Os últimos dias têm sido (mais uma) prova disso mesmo.
Miklos Fehér morreu num relvado que uma semana depois assistiu a lamentáveis cenas de violência entre jogadores e adeptos de dois clubes rivais (Vitória de Guimarães e Boavista). As declarações entretanto produzidas a propósito dessas cenas, que qualquer ser humano com um minímo de discernimento e bom senso condenaria, fariam corar qualquer um. Desde que não seja português.
No dia anterior, disputou-se um Sporting - F.C. Porto, um dos melhores jogos do campeonato nacional em curso, que dirigentes e um dos treinadores insistiram em transformar, antes e depois do jogo, num triste espectáculo de violência e imbecilidade verbal. Os respectivos adeptos tomaram o partido que a respectiva cor clubística ditou.
E poucos dias antes alguns ingénuos (para não dizer hipócritas ou, no limite, idiotas) achavam que a morte de um futebolista de 24 anos num estádio de futebol iria contribuir para modificar o futebol que vamos tendo. Achavam eles que as tribos do futebol lusitano eram civilizadas e solidárias.
O pior de tudo isto é que, como muitos outros, penso que o futebol é um espelho do país que temos e do povo que somos. O que, no nosso caso, é pelo menos lamentável.
País de brandos costumes? Civilizado e solidário? Evoluido? Pois sim. Acreditar nisso é o equivalente a uma criança de 4 anos acreditar na existência do Pai Natal.

Têm a certeza que a UEFA ainda não nos retirou a organização do Euro 2004?

sexta-feira, janeiro 30, 2004

I'm your man

Este é o homem que prometeu colocar Portugal no pelotão da frente da União Europeia.
Este é o homem que não aumenta os funcionários da Administração Pública há dois anos e que arranjou maneira de dar chorudos aumentos aos administradores dos hospitais SA.
Este é o homem que diz que vai aumentar os funcionários da Administração Pública em 2005.
Este é o homem que depositava toda a sua confiança em Martins da Cruz e Pedro Lynce. E Isaltino Morais.
Este é o homem que deposita toda a sua confiança em Celeste Cardona.
Este é o homem que prometeu não aumentar os impostos.
Este é o homem que prometeu acabar com as listas de espera nos hospitais públicos.
Este é o homem que afirma não querer ver mulheres condenadas por serem forçadas a praticar aborto.
Este é o homem que viu as provas inequívocas da existência de armas de destruição massiva no Iraque.
Este é o nosso homem.

Obrigado, Miguel

O filho de Sophia de Mello Breyner Andersen e de Francisco Sousa Tavares agradece hoje, no Público, a Ricardo Espírito Santo, realizador da Sport TV, não ter exibido imagens do rosto de Miklos Fehér quando a sua vida se apagava no relvado de Guimarães. O autor de um dos best-sellers de 2003, enaltece ainda o facto de a Sport TV ter recusado ceder essas imagens do sofrimento de Fehér a outras estações de televisão. Segundo o colunista, graças a Ricardo Espírito Santo e à direcção da Sport TV "Miklos Fehér, a sua família e os seus amigos tiveram direito a um resto de dignidade e de privacidade." Acrescenta o homem que queria dar uns tabefes em Manuela Moura Guedes que "É bom que os portugueses saibam que ainda há, entre os jornalistas, quem recuse e quem se indigne com um jornalismo feito ao serviço das carpideiras e dos voyeurs." Pois. O autor destas palavras não está obviamente a referir-se a um certo canal privado de televisão no qual ele próprio surge às terças-feiras no papel de comentador.

Silêncio higiénico

Após alguns dias de "repouso", as dores voltam á Coluna. Numa semana de tanto ruido (o voyeurismo mórbido a propósito da morte de Miklos Fehér, os edificantes exemplos das doutoras Cardona e Leite, os cortes nas comparticipações da Assistência na Doença aos Servidores do Estado, vulgo ADSE, os péssimos desempenhos dos nossos jovens nas disciplinas de Português e Matemática), apeteceu-nos manter o silêncio. Um silêncio higiénico.

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Continuam a só me sair duques

Ferro Rodrigues disse ao Público que no PS "o ambiente está muito melhor" e que "pior do que o ano passado é impossível". Tenho as minha dúvidas. Depois das tremendas demonstrações de inépcia política dadas por Ferro durante o ano de 2003, não me parece de todo impossível que Ferro e o seu PS sejam capazes de fazer ainda pior.

Pois a mim só me saem duques

Um tal de Manuel Fernandes, ao que parece líder da distrital de Braga do PPD-PSD, cobriu ontem (salvo seja) Pedro Santana Lopes, ao que parece candidato à presidência da República, de carinhosos e hiperbólicos elogios. Tudo aconteceu num jantar em Famalicão ao qual compareceram 2 mil pessoas. "Perfume afectivo", "imprescindível", "às de trunfo", "mais-valia", "notável afectividade" foram alguns dos mimos distribuidos pelo senhor Fernandes. Comovente, sem dúvida.
E PSL até já fala na "minha candidatura". Ao se referir ao apoio de Manuel Monteiro ("esse ex-militante do CDS") a Aníbal Cavaco Silva (esse outro putativo candidato à presidência da República), PSL lá deixou escapar que acha que esse apoio se deve apenas ao facto de Monteiro considerar que Paulo Portas (esse ex-amigo de Manuel Monteiro) "é apoiante da minha candidatura".
A direita portuguesa no seu melhor.

Adeus 1979 - 2004


Miklos Fehér, 24 anos, jogador de futebol do Sport Lisboa e Benfica e da selecção nacional hungara.

domingo, janeiro 25, 2004

Que se lixe...

Estava a considerar a hipótese de escrever um post a pedir desculpa pelo óbvio mau gosto do post anterior, mas parece-me que não. Modéstia à parte, acho que o mau gosto deste post se conjuga na perfeição com a personagem visada.

É um estadista português com certeza

Manuel Monterio, líder daquele partido que "graças a Deus não tem suspeitos de pedofilia" e ex-amigo de Paulo Portas, vai ser o cabeça de lista do seu partido às eleições europeias. Parece-me bem e espero sinceramente que o senhor seja eleito e que fique longe de Portugal o máximo de tempo possível.

Na mesma reunião do seu partido, realizada logicamente em Fátima (where else?...), Monteiro manifestou o seu apoio a uma eventual candidatura de Aníbal Cavaco Silva à presidência da República (portuguesa, presumo). Parece-me igualmente bem: com mais uns quantos apoios destes e Cavaco jamais conseguirá ser eleito.

Entre várias confusas ideias sobre o sistema político português, Monteiro quer que a "chefia do Estado de Portugal" seja "uma casa de representação" e não "uma casa de folclore", o que também não me parece mal. Só não entendo uma coisa: uma casa de representação do género Parque Mayer (com casino)? Ou mais do tipo grupo de teatro amador? Ou na linha clube de teatro de escola secundária? E porque não uma casa de fados? Ou até, quiçá e em homenagem às mães de Bragança, uma casa de alterne?

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Recordações (saudades?)

3 de Maio de 1988, Teatro Académico Gil Vicente, Coimbra, fila C, cadeira 11. Sala esgotada. Durutti Column. Vinni Reilly (com Bruce Mitchell na bateria e não sei quem nas teclas) deslumbrava com a sua música frágil. Um concerto deslumbrante para um ainda adolescente em fase de descobertas (musicais e outras). Nesse mesmo ano, também os A Certain Ratio tocaram na cidade de Coimbra, à beira-rio.
E já passaram quase 16 anos?...

So much to do, so little time...

Há fins-de-semana assim, ou não há fome que não dê em fartura: Kevin Blechdom no Porto (MAC de Serralves, hoje) e Lisboa (Galeria ZBD, amanhã); Jane Birkin em Lisboa (Culturgest, hoje e amanhã); Durutti Column em Lisboa (Santiago Alquimista, hoje) e no Porto (Teatro Rivoli, amanhã); David Carretta no Porto (Urbansound, hoje) e em Lisboa (Oparte, amanhã) e 4 Hero em Vila Nova de Gaia (Rox, amanhã). E na próxima quinta-feira 29 ainda há Elliot Sharp no Auditório Municipal da Guarda.


Vini Reilly, líder dos Durutti Column (saudades da adolescência...)

Citando uma das maiores pragas de sempre no mundo da música, crisis, what crisis?
E como é que um gajo consegue ir a todas?

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Silêncio

Às vezes é bom estar em silêncio, mas quando o silêncio é forçado só apetece mesmo gritar bem alto. Fazer o máximo de barulho possível. Partir tudo.
Até amanhã.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Olha que estranho

É verdade que não me foi possível prestar ao discurso de Jorge Sampaio toda a atenção que ele certamente merecia (pelo menos consegui manter-me acordado), mas o senhor já acabou o discurso e não me parece que tenha utilizado a palavra serenidade. Mais uma aposta perdida...

Olha a grande novidade!

«A Autoridade [da Concorrência] possui estudos que mostram que os custos das telecomuniçaões em muitos segmentos são cerca de 30 a 40% superiores aos mais eficientes na Europa, demonstrando, assim, a falta de concorrência». O presidente da Autoridade da Concorrência, Abel Mateus, subscreve em entrevista ao Diário Económico «a ideia de que há falta de concorrência no sector das telecomunicações em Portugal» . Parece que a culpa é da posição dominante que a PT detém no mercado das telecomunicações em Portugal.
A sério?! E de quem é a culpa de a PT deter uma posição dominante no mercado das telecomunicações?

Bocejos na tarde

Agora é a vez de Jorge Sampaio (para quem não sabe, Presidente da República...). Aposto que vai utilizar pela menos uma vez a palavra serenidade... Vou tentar manter-me desperto.

Bocejos na tarde

Está a decorrer a sessão solene de abertura do ano judicial.
Discursos de várias Suas Excelências protagonistas da Justiça em Portugal.
Resumidamente, tem sido dito que a Justiça blah blah blah... Os cidadãos isto e mais aquilo... O Estado de Direito e mais não sei o quê... Zzzzz a eficácia.... Rrrronc a competência e a defesa dos direitos doszzzzz... Reformas urgentes etc e tal...

domingo, janeiro 18, 2004

America the beautiful

Não deu para resistir. Reencontrei este atlas mundial aqui (Teacher) e não consegui resistir...



Ressalva: eu até nem acho que os americanos sejam todos estúpidos. Muito pelo contrário, but some americans sure give a new meaning to the word stupidity...

sábado, janeiro 17, 2004

Remodelação JÁ!

Segundo bem informadas (e anónimas, creio) fontes, o primeiro-ministro tenciona remodelar o governo da nação até ao final do ano. Consta (diz-se...) que Amílcar Theias (Ambiente) e Figueiredo Lopes (Administração Interna) serão os dois ministros a ser remodelados, provavelmente porque não ficam bem nas fotos oficiais (realmente, aqueles óculos do ministro das polícias não lembram a ninguém)
Acho muito bem, mas penso que não se deveria perder tempo; a remodelação urge e deve ser bem mais profunda. Por exemplo, o PM deveria começar por se remodelar a si próprio: aquele corte de cabelo é uma verdadeira desgraça.

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Uff! Que alívio!...

Afinal este ano sempre vai haver Queima das Fitas em Coimbra. Descobri aqui e depois fui confirmar aqui. Pois a malta lá foi a votos no referendo sobre a realização ou não da Queima e decidiu-se esmagadoramente pelo sim. Grande alívio para as centrais cervejeiras, bem como para todos os artistas de variedades, produtoras de espectáculos musicais e vendedores ambulantes de churros e farturas. E para os propietários de roulotes de hamburgers e cachorros quentes e barracas de shots. Grande alívio também, vá lá, para o veteraníssimo Victor Hugo Salgado que vai passar a não ter grande coisa para fazer nos próximos tempos (vai deixar de ser presidente da Associação Académica de Coimbra). A menos que decida agora enveredar pelo estudo...

P.S.: "Ao final do dia de ontem já tinham votado cerca de 5300 alunos [...]" (As Beiras). Alguém me sabe dizer quantos alunos votaram nas últimas eleições para a Direcção-Geral da AAC?

Horror!...

Quando coloquei o Citador aqui n' A Coluna nunca pensei cá ter Eduardo Prado Coelho!... E, no entanto, lá está ele ali ao lado...