quinta-feira, janeiro 08, 2004

O ruído

Tem sido uma semana silenciosa aqui n'A Coluna, o que sempre contrasta com a ruidosa agitação que vai pelo país (ir)real.

O caso Casa Pia, e todas as polémicas que o continuam a envolver, tem dominado a discussão no país e, mais ainda, desde que mão(s) anónima(s) tem feito chegar às redacções determinados nomes com objectivos que, obviamente, não passam pela credibilização do processo judicial em curso. Entretanto, nos Açores a Polícia Judiciária deteve hoje mais doze suspeitos no caso de pedofília que tem agitado a Região Autónoma.

O Banco de Portugal, contrariando as previsões para o novo ano aqui d'A Coluna (eh eh eh...), veio afirmar que 2004 será ano de retoma económica, ainda que (muito) lenta. Oops... Espera lá! Retoma lenta? Se é lenta, ainda não se vai sentir portanto as nossas previsões estavam correctas (duplo eh eh eh...).

O Tribunal de Évora quer obrigar uma jornalista do DN-Algarve a revelar as suas fontes num caso que envolve a Região de Turismo do Algarve, numa clara violação do Código Deontológico dos Jornalistas e até da própria Constituição ao mesmo tempo que a coligação PSD / PP já planeia introduzir alterações legislativas relativas à liberdade de imprensa em Portugal.

Soube-se ainda que em Portugal a venda de automóveis em 2003 desceu drasticamente, o que só pode ser uma excelente notícia: menos automóveis nas nossas (miseráveis) estradas significa menos riscos de acidentes rodoviários. E daí que talvez não...

Os hospitais SA querem criar zonas para atendimento privilegiado a pacientes oriundos das companhias de seguros e o ministro da Saúde não vê nisso qualquer inconveniente, o que nem surpreende. Surpreendente seria o ministro ver nisso qualquer inconveniente...

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Ela anda aí...

Ela, a Dois. Já aí anda, sob direcção de Manuel Falcão, pessoa que continuo a respeitar (principalmente porque teve a coragem - a lata? - de fundar o Blitz). A ver vamos no que se tornou o segundo canal da televisão pública, o tal da "sociedade civil". Pode ser que me engane, mas as audiências vão continuar miseráveis e a alternativa à tv-tablóide vai continuar a passar por outros locais (cabo e satélite).
Já agora: espero que os noticiários da Dois não sejam tão aborrecidos como eram os da RTP2. É que é possível dar as notícias (do país e do mundo, como diz o outro...) de uma forma dinâmica e atraente, sem cair no espectáculo sensacionalista de outros canais.

domingo, janeiro 04, 2004

Clássico

Hoje (ainda) é dia da mais emblemática partida de futebol de Portugal: o Benfica recebe na sua nova Luz (com muitas obras ainda por concluir, à boa maneira portuguesa...) o Sporting. O jogo ainda não terminou mas já se pode dizer que há / houve clássico: uma grande penalidade mal assinalada, uma expulsão para cada lado, muita emoção e muitos nervos (dentro e fora do campo). Ainda não sei quem vai ganhar (1 - 2, neste momento) mas era bom que amanhã e nos próximos dias se discutisse o jogo e não os ditos casos (penalties, expulsões, foras-de-jogo...), as boas jogadas e não a arbitragem, as habilidades de Pedro Barbosa, Simão Sabrosa, João Pinto ou João Pereira e não os erros (imaginários ou reais) de Pedro Proença. Mas, enfim, estamos em Portugal e é sabido que os portugueses não gostam de futebol: gostam mesmo (patologicamente, aliás) é do seu clube. É pena.

Elogio

Não sou, de todo, dado a bajulações e nem mesmo o elogio me sai com facilidade por aí além. Porém, Miguel Esteves Cardoso suscita-me o elogio (e facilmente, ainda por cima). Vem o (fácil) elogio a propósito de Escrítica Pop, Um quarto da quarta década do Rock 1980 - 1982 (edição da Assírio & Alvim adquirida com o último número do Blitz). É realmente brilhante. E é mais do que uma compilação de textos sobre música.

sábado, janeiro 03, 2004

Does anything change on new year's day?

Então cá estamos em 2004.
Ano bissexto. Ano de alargamento a Leste da União Europeia (em Maio). Ano de eleições para o Parlamento Europeu. Ano de Campeonato Europeu de Futebol (em 10-estádios-10 de Portugal). Ano de Jogos Olimpicos (de regresso ao berço: Atenas).
Mais um ano de ameças terroristas, de caos no Médio Oriente e eleições para policia-mor do planeta.
Mais um ano de crise em Portugal (desculpe lá Dr. Barroso, mas não acreditamos em milagres...), logo mais um ano de agitação social e mais polémicas em volta do défice. Mais um ano de sarilhos na Justiça portuguesa. E na Saúde idem (alguém acredita que é este ano que acabam as listas de espera?). E de lentidão nos serviços públicos. Mais um ano com um Verão quente (alguém acredita que, este ano, a prevenção vai funcionar?...). Mais algumas centenas de mortos nas estradas portuguesas e o caos habitual no trânsito das nossas cidades.
Entretanto espero que seja igualmente mais um ano de belos filmes, deliciosos livros, estimulante música e acesas discussões (private joke, para os meus amigos...). E de férias algures no Adriático (esta é ainda mais private...).
Um bom ano, ainda que ache que a mudança de ano não é mais que uma página virada num calendário.

terça-feira, dezembro 30, 2003

E lá vão mais dois...


Mais dois estádios para o Euro2004 inaugurados hoje. O de Braga está neste momento a ser estreado.
O outro, o do Bessa estreou a sua última bancada há algumas horas. Aliás, o "estádio Major Valentim Loureiro" (como um dia se há-de chamar...) deve ser o mais inaugurado estádio do país (pelo menos 5 vezes já ele foi inaugurado, sem contar com a inauguração da estátua da pantera negra, claro...).
Devo ter andado muito distraido nestes últimos dias: é que não me apercebi de grandes broncas & trapalhadas com estas inaugurações (para além do já habitual, ou seja, pelo menos no estádio bracarense as obras ainda não estão todas concluidas)
E parece que já estão todos.

segunda-feira, dezembro 29, 2003

Algo de estranho se passa com o servidor no onde A Coluna aloja as suas imagens. Não devem gostar de nós: é que, volta não volta, as imagens estão indisponíveis. Está muito bem que o serviço é gratuito, mas também não é caso para terem tão má qualidade de serviço...

Os blogues e a Língua Portuguesa

Claro que o Brasil contribui com a maior parte, mas dá gosto ver que a segunda língua mais "falada" na blogoesfera é, segundo o Nile Weblog Census, o Português com 74460 blogues.
Já agora, não resisto: depois de as caravelas do Infante terem dominado o mundo, é agora tempo dos blogue-maníacos de Língua Portuguesa disputarem o domínio deste mundo com os de Língua Inglesa que, por acaso (?!!!), levam um bom avanço (1038864).

domingo, dezembro 28, 2003

Sem título [ou talvez sim]

... moi non plus




A hand-me-down dress

A blackened shroud, a hand-me-down gown
Of rags and silks — a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties...

sábado, dezembro 27, 2003

Random thoughts

Estava agora aqui a pensar em televisões, sabonetes, candidatos presidenciais, publicidade, televisões, sabonetes, vendas. Mas não percebo a ligação entre estas coisas...

Candidate-se homem, não se acanhe!

Ora aqui está uma boa ideia: o Professor Marcelo Rebelo de Sousa admite candidatar-se às próximas eleições presidenciais. Parece que já estou a ver a douta personagem no cargo presidencial a recomendar à população a leitura dos 2 348 livros que ele próprio lê semanalmente. Em directo do Palácio de Belém e num exclusivo TVI, obviamente.

Terei ouvido bem?

Ouve-se e não se acredita. O Irão aceita toda e qualquer ajuda internacional na sequência do devastador terramoto que fez milhares de vitimas naquele país. Mas - até nestas histórias há um mas? - rejeita qualquer auxílio humanitário da parte de Israel. Sempre pensei que antes de sermos muçulmanos, hindus, cristãos ou seja lá o que for, fossemos todos seres humanos. Afinal estava enganado.
Devo ter ouvido mal, com certeza. Ou então foram os jornalistas da TSF que não perceberam bem.

sexta-feira, dezembro 26, 2003

Um feliz Natal (?!)

Estatísticas Rodoviárias

RESUMO DE SINISTRALIDADE
(DADOS PROVISÓRIOS)


24 e 25 de Dezembro: Acidentes - 550; Mortos - 8; Feridos Graves - 24; Feridos Ligeiros - 142

(Fonte: Guarda Nacional Republicana)



Não acontece só aos "outros", e quando acontece aos "outros" convém lembrar que os "outros" não são números, são nomes, rostos, vidas.

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Inveja (que coisa tão feia nesta altura do ano...)

Ah, tivesse eu o dom da palavra e o que teria escrito sobre o Natal seria algo de parecido com o que este senhor escreveu:

"HAPPY CHRISTMAS: Why not the anglicism? Now that Christmas is at our throats again, let me extend my sincere hope that my readers can survive the nightmare of the next few days with as little psychic, gastro-intestinal, and familial anxiety as possible. Yes, I might as well confess that I cannot stand this time of year. [...] But the BF and the beagle and I have both LOTR DVDs and are planning a nine-hour Tolkien marathon with cigars and Jagermeister shots and a pig ear. I guess diversity is everything. Hang in there. Don't despair. It will all be over soon enough [...]"

Bem, talvez tivesse substituido os Jagermeister shots por Bushmills...

Em teoria...

«Theoretically there is a perfect possibility of happiness:

believing in the indestructible element in oneself and not striving towards it.»

It seemed appropriate...

All tomorrow's parties
(Lou Reed/ The Velvet Underground)

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties ?
A hand-me-down dress from who knows where
To all tomorrow's parties.
And where will she go, and what shall she do
When midnight comes around ?
She'll turn once more to Sunday's clown
And cry behind the door.

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties ?
Why silks and linens of yesterday's gowns
To all tomorrow's parties.
And what will she do with Thursday's rags
When Monday comes around ?
She'll turn once more to Sunday's clown
And cry behind the door.

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties ?
For Thursday's child is Sunday's clown
For whom none will go mourning.
A blackened shroud, a hand-me-down gown
Of rags and silks — a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties.


A voz de Nico, o Anjo Azul.

terça-feira, dezembro 23, 2003

Fantasporto 2004

Felizmente que outras iniciativas, contra ventos e marés, resistem. Como o Fantasporto, por exemplo. Sim, porque não é só o futebol que nos projecta, e às vezes muito mal, além-fronteiras...

Às vezes penso que ainda haverá esperança para este país.

Coimbra

Com a Coimbra, Capital Nacional da Cultura a chegar ao fim, ouvi, ontem, o ministro da Cultura, Pedro Roseta, falar num "balanço muito positivo" desta iniciativa para, logo de seguida, afirmar que ainda não se sabe se a mesma se irá repetir.

Estranho: então se foi positivo, porque não dar continuidade à ideia? A CNC poderá ter tido os seus defeitos, problemas e polémicas, mas a verdade é que, durante um ano, Coimbra voltou a respirar cultura, acolhendo espectáculos vários, cinema, teatro, concertos e exposições de grande qualidade. É que, desculpem lá, mas aquilo que de mais importante aconteceu durante o último ano em Coimbra não foi a inauguração do renovado Estádio Municipal e muito menos a contestação às propinas, mas sim a CNC. Não se poderia fazer o mesmo com outras cidades?

Curiosidade mínima

Sempre quero ver os argumentos dos habituais defensores de Durão & Portas (e de Bagão Félix, já agora) sobre a actualização do salário mínimo nacional. Foi, no mínimo, um aumento... mínimo: 30 cêntimos por dia. Nada mau: pelas minhas contas 400 mil trabalhadores (*) poderão passar a comprar mais três carcaças por dia a partir de Janeiro.

(*) Segundo o ministro da Segurança Social e do Trabalho, há 400 mil trabalhadores em Portugal a auferir o salário mínimo nacional.

Heróis da classe operária

Às vezes dá-me para isto...

Working Class Hero (John Lennon)

Especialmente, para não dizer exclusivamente, na voz de Marianne Faithfull.


As soon as you're born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all.
A working class hero is something to be.

They hurt you at home and they hit you at school,
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules.
A working class hero is something to be.

When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
But you really can't function you're so full of fear of fear
A working class hero is something to be.

Keep you doped with religion and sex and TV
TV TV TV
And you think you're so clever and classless and free
But you're still fucking peasants as far as I can see.
A working class hero is something to be.

There's room at the top they are telling you still,
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to live like the folks on the hill.
A working class hero is something to be.