quinta-feira, dezembro 18, 2003

Eu cá gosto mais de robalo

Confesso que uma bela posta de cherne, bem preparada, bem temperada, servida com o acompanhamento certo me seduz. Já enguia não é coisa que me fascine, agora um bom robalo grelhado... Absolutamente imbatível.
Vem esta divagação gastronómico-maritima a propósito do nosso primeiro (ministro, claro). É que, segundo Francisco Louçã no debate mensal na Assembleia da República que teve lugar esta tarde, afinal não somos governados por um cherne, mas sim por uma enguia. Cherne ou enguia, o país parece neste momento estar com uma valente indigestão.
Sinceramente, começo a ficar farto destas metáforas envolvendo peixes, sejam eles do mar ou do rio...

Doidos à solta - parte III (a saga continua)

«O primeiro-ministro admitiu quinta-feira que o referendo europeu "perdeu pertinência e urgência" com o fracasso da última cimeira de Bruxelas [...]»

«Durão Barroso escolheu o tema Europa para o debate mensal na Assembleia da República [...] Em matéria europeia, o primeiro-ministro procurou desdramatizar o falhanço das negociações para a adopção de uma Constituição europeia, na cimeira do passado fim-de-semana de chefes de Estado e do Governo, em Bruxelas. Questionado pelo secretário-geral do PS, Ferro Rodrigues, sobre "se teimava em realizar um referendo" a 13 de Junho, em simultâneo com as eleições europeias, Durão Barroso reconheceu que essa consulta "perdeu urgência e pertinência"»

(18-12-2003 20:55:00 GMT . Fonte LUSA. Notícia SIR-5694800)

Afinal em que é que ficamos? O referendo é para se realizar ou não, Sr. José Manuel?

A Justiça? Quem diria!...

Teve hoje início e prolonga-se até ao próximo Domingo o Congresso da Justiça. Neste congresso estão reunidos representantes de todos os protagonistas da Justiça (à excepção, creio, das vítimas do desgraçado sistema de Justiça que temos), dos juízes aos advogados, do Ministério Público aos solicitadores, passando pelos funcionários judiciais (e não sei se também pelo pessoal de limpeza dos tribunais...).

Ora nem de propósito, a TSF, para assinalar condignamente este magno evento, resolveu divulgar um estudo segundo o qual o mau funcionamento do nosso sistema judicial prejudica gravemente a saúde da economia portuguesa. Já consigo imaginar gigantescos painéis à porta dos tribunais lusos advertindo para este facto. Qualquer coisa do género: "Não prejudique as crianças, não as obrigue a contactar com o sistema de justiça português".

quarta-feira, dezembro 17, 2003

Há dúvidas...

... de que quem comanda ideologicamente a coligação governamental é o CDS/PP (Paulo Portas) e não o PSD? E atenção, que isto até é, em certo (perverso) sentido, um elogio: até dou de barato que qualquer um dos dois partidos tenha uma linha ideológica...

Doidos à solta, parte II (e quer-me parecer que a procissão ainda mal saiu do adro...)

Depois de alguns eurodeputados do PSD e do CDS se terem manifestado contra a realização de um referendo (que os seus chefes continuam a defender), continua a confusão nos mesmos partidos, com uns dirigentes a defenderem a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez e outros (Guilherme Silva e Luís Nobre Guedes, por exemplo) a defenderem que tudo se mantenha exactamente na mesma (não percebi o que pensam dos milhares de mulheres que todos os anos dão entrada nos hospitais públicos vítimas de complicações relaccionadas com abortos praticados em condições precárias...). Como se tudo isto não fosse já suficiente, hoje vem a JSD manifestar-se contra as posições publicamente assumidas pela ministra da Justiça relativamente às salas de injecção assistida, vulgo salas de chuto.
Cá para mim, tudo isto é uma conspiração para entalar o duo dinâmico (Portas & Durão) e o desviar dos seus altíssimos desígnios... Ou então andam todos doidos. Tss... tsss... tsss...

Pai Natal dá emprego a funcionários públicos portugueses...


Pelo menos é isso que se pode concluir deste cartoon de Calvin & Hobbes (do genial Bill Waterson), ou é essa a conclusão a que Calvin chega: "precários, sub-remunerados e sem preparação, que arquivaram mal" parece-me uma boa descrição daquilo que se passa na Administração Pública portuguesa.

terça-feira, dezembro 16, 2003

Não dá para resistir


Público, 16-12-2003

Petroleiro? Qual petroleiro?

Não percebi muito bem o motivo de tanta preocupação com um petroleiro russo de casco único que está a passar (ou passou) ao largo da costa portuguesa. Nem percebi porque mandaram um navio da Marinha Portuguesa monitorizar a sua rota. Então, não estamos protegidos pela Nossa Senhora contra marés negras? Então não foi Ela quem impediu que a maré negra do Prestige cá chegasse? Oh, gentes de pouca fé...

Doidos à solta

Mas anda tudo doido?! Diz aqui que há eurodeputados do PSD e do PP que, contrariando a opinião do governo português (de coligação PSD / PP, caso não tenham ainda reparado...), se opõem à realização de um referendo sobre a integração europeia no dia 13 de Junho. Já não bastava que os deputados (euro ou não) da oposição se opusessem (afinal é esse o seu papel, não é? (Quer dizer, oporem-se, serem do contra), agora que os deputados (euro) do PSD e do PP arranjem sarilhos aos doutores Durão e Portas, isso já me parece intolerável. Era mesmo só o que faltava! Depois não venham queixar-se da ineficácia do duo dinâmico (Durão & Portas, ainda que não necessariamente por esta ordem) que gere os destinos de Portugal... É que se eles têm que se preocupar com estas questões, como podem ocupar-se dos reais problemas do país?

Agora um pouco mais a sério, razão tem José Pacheco Pereira: "Não tem sentido um referendo agora, só tem sentido depois da aprovação da Constituição [...]". Claro que pelo andar da carruagem, essa Constituição ainda vem longe, muito longe...

domingo, dezembro 14, 2003

Será?

O pessoal daqui descobriu que afinal não se trata de Saddam Hussein o homem que foi capturado no Iraque - é o Pai Natal...

Um mundo mais seguro

George W. Bush pode finalmente anunciar a captura de Saddam Hussein. Já não era sem tempo. Obviamente isto não significa o fim da violência no Iraque e, ainda menos, no Médio Oriente. Nem sequer no resto do mundo. O terrorismo internacional e a A Al Qaeda em particular continuam a ser uma ameaça, israelitas e palestinianos insistem em não encontrar outro meio de comunicação que não seja a violência e a Coreia do Norte mantém o seu programa nuclear.

P.S.: oxalá seja mesmo o Saddam e não um dos 4.976 sósias que o homem tinha espalhados pelo Iraque...

Já agora: então e as armas de destruição massiva, onde estão?...

sábado, dezembro 13, 2003

Porque será que não estou surpreendido?

Cimeira da UE fracassa por "total desacordo" sobre sistema de votos - é o título de uma notícia colocada online na Lusa Agência de Notícias às 18h08. Qual é a surpresa? Alguém esperava, sinceramente, que os líderes europeus chegassem a um acordo sobre a futura, e hipotética, Constituição europeia?

A reunião de chefes de Estado e de governo dos 25 (15 Estados-membros, mais 10 países que irão aderir em Maio de 2004) foi portanto um fracasso (na perspectiva deles). Pela parte que me toca, não estou nem surpreendido nem, principalmente, decepcionado. Não acredito nesta Europa que alguns querem construir, não acredito numa Europa federal - para qual uma hipotética Constituição seria mais um passo - e, fundamentalmente, não acredito nos "líderes europeus", chamem-se eles Barroso, Aznar, Chirac, Berlusconi, Schroeder, Blair ou Zé da Silva. Aliás, não acredito, sequer, que qualquer um dos chefes de Estado e de governo que actualmente dirigem a Europa seja, de facto, um líder.
Resumindo, esta Cimeira da União Europeia foi, pessoalmente, um sucesso.

Sangue no asfalto (II)

Porquê este colectivo suicídio nas estradas nacionais?

SANGUE NO ASFALTO

[Adolfo Luxúria Canibal / Adolfo Luxúria Canibal - Zé dos Eclipses - Miguel Pedro - Pedro Maia]


Atravesso a azul noite da solidão
Envolto em ténues irradiações de pura emoção
Corpos desprendem gemidos mutilados
Em excêntricas posições espalhados
Pedaços de chapa
Vidros escacados
E um mundo de sensações
Medo, horror
Fundem-se num sensual cheiro a morte e dor
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Percorro ansioso os destroços no alcatrão
Abrasado em palpitações de pura paixão
Segurando um crâneo já estilhaçado,
No escuro de dois chorões agachado,
Nutre-se de miolos o deus desnudado
Solto algumas imprecações contra o ladrão
E procuro outra azul noite - solidão
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Atravesso a azul noite da solidão
Envolto em ténues irradiações de pura emoção
Corpos desprendem gemidos mutilados
Em excêntricas posições espalhados
Pedaços de chapa
Vidros escacados
E um mundo de sensações
Medo, horror
Fundem-se num sensual cheiro a morte e dor
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto

sexta-feira, dezembro 12, 2003

Blasfémia (and now for something completely different)

Já não me recordo exactamente onde, mas vi, algures, alguém recomendar Life of Brian dos desbragados Monthy Python como um bom filme para este Natal. Blasfémia!!! Life of Brian?! Isso deve dar direito a um bilhete só de ida para o Inferno!
Excelente recomendação, por sinal...

Já agora, acrescento o Dogma...

Nada como umas boas gargalhadas à custa de dogmas e do sagrado, digo eu...

Ai, o ensino superior...

Este governo, decididamente, não se dá bem com o ensino superior. Primeiro as trapalhadas do ministro Portas com a Universidade Moderna, depois a contestação ao aumento das propinas e mais a cunha para a filha do ministro Martins da Cruz e agora as suspeitas de favorecimento à Universidade Lusíada.
Citando Moita Carrasco, é caso para perguntar: "Que mais irá me acontecer?" (os mais novos não perceberão esta... desculpem lá).

Privadas

Bom dia! Como está?

Quer que lhe diga as horas?...

E lume, não quer?

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Com um sorriso nos lábios...

A Marinha Portuguesa tem um programa de combate (ou de prevenção, não percebi bem...) à toxicodependência e ao alcoolismo, mas a notícia do Público nem era bem essa. O que eles - do Público - destacaram foi o facto de cerca de 19% dos herdeiros do Infante D. Henrique, de Vasco da Gama e da restante elite náutica portuguesa (sem esquecer os desgraçados que constituiam as tripulações das caravelas) consumirem drogas, principalmente as designadas drogas leves, basicamente charritos, que é como quem diz "cigarrinhos para rir".
Acho mal que a Marinha lusa ande a tentar evitar que os nossos marujos andem sorridentes a bordo das nossas corvetas, fragatas e outras coisas mais. Qual é o problema? Não gostam de alegria no trabalho? Deixem lá a rapaziada fumar a sua ganzinha em paz e sossego (tradução livre e espontânea de peace and love...).
E já agora, a Marinha que tem um navio-escola (navio-ESCOLA, note-se) chamado Sagres, certamente em homenagem à famosa cerveja que patrocina, nomeadamente, a selecção nacional de futebol, tem um programa contra o consumo de álcool? Tsss... Tsss...

R!R

Rir poderá não ser o melhor remédio para tudo, mas é certamente um bom remédio para muitas maleitas...



A decorrer em diversos locais de Lisboa desde a passada sexta-feira e até 14 deste mesmo mês o Festival Internacional de Humor de Lisboa. Se puderem por lá passar, aproveitem e... riam! Sorriam, pelo menos...