terça-feira, dezembro 16, 2003

Petroleiro? Qual petroleiro?

Não percebi muito bem o motivo de tanta preocupação com um petroleiro russo de casco único que está a passar (ou passou) ao largo da costa portuguesa. Nem percebi porque mandaram um navio da Marinha Portuguesa monitorizar a sua rota. Então, não estamos protegidos pela Nossa Senhora contra marés negras? Então não foi Ela quem impediu que a maré negra do Prestige cá chegasse? Oh, gentes de pouca fé...

Doidos à solta

Mas anda tudo doido?! Diz aqui que há eurodeputados do PSD e do PP que, contrariando a opinião do governo português (de coligação PSD / PP, caso não tenham ainda reparado...), se opõem à realização de um referendo sobre a integração europeia no dia 13 de Junho. Já não bastava que os deputados (euro ou não) da oposição se opusessem (afinal é esse o seu papel, não é? (Quer dizer, oporem-se, serem do contra), agora que os deputados (euro) do PSD e do PP arranjem sarilhos aos doutores Durão e Portas, isso já me parece intolerável. Era mesmo só o que faltava! Depois não venham queixar-se da ineficácia do duo dinâmico (Durão & Portas, ainda que não necessariamente por esta ordem) que gere os destinos de Portugal... É que se eles têm que se preocupar com estas questões, como podem ocupar-se dos reais problemas do país?

Agora um pouco mais a sério, razão tem José Pacheco Pereira: "Não tem sentido um referendo agora, só tem sentido depois da aprovação da Constituição [...]". Claro que pelo andar da carruagem, essa Constituição ainda vem longe, muito longe...

domingo, dezembro 14, 2003

Será?

O pessoal daqui descobriu que afinal não se trata de Saddam Hussein o homem que foi capturado no Iraque - é o Pai Natal...

Um mundo mais seguro

George W. Bush pode finalmente anunciar a captura de Saddam Hussein. Já não era sem tempo. Obviamente isto não significa o fim da violência no Iraque e, ainda menos, no Médio Oriente. Nem sequer no resto do mundo. O terrorismo internacional e a A Al Qaeda em particular continuam a ser uma ameaça, israelitas e palestinianos insistem em não encontrar outro meio de comunicação que não seja a violência e a Coreia do Norte mantém o seu programa nuclear.

P.S.: oxalá seja mesmo o Saddam e não um dos 4.976 sósias que o homem tinha espalhados pelo Iraque...

Já agora: então e as armas de destruição massiva, onde estão?...

sábado, dezembro 13, 2003

Porque será que não estou surpreendido?

Cimeira da UE fracassa por "total desacordo" sobre sistema de votos - é o título de uma notícia colocada online na Lusa Agência de Notícias às 18h08. Qual é a surpresa? Alguém esperava, sinceramente, que os líderes europeus chegassem a um acordo sobre a futura, e hipotética, Constituição europeia?

A reunião de chefes de Estado e de governo dos 25 (15 Estados-membros, mais 10 países que irão aderir em Maio de 2004) foi portanto um fracasso (na perspectiva deles). Pela parte que me toca, não estou nem surpreendido nem, principalmente, decepcionado. Não acredito nesta Europa que alguns querem construir, não acredito numa Europa federal - para qual uma hipotética Constituição seria mais um passo - e, fundamentalmente, não acredito nos "líderes europeus", chamem-se eles Barroso, Aznar, Chirac, Berlusconi, Schroeder, Blair ou Zé da Silva. Aliás, não acredito, sequer, que qualquer um dos chefes de Estado e de governo que actualmente dirigem a Europa seja, de facto, um líder.
Resumindo, esta Cimeira da União Europeia foi, pessoalmente, um sucesso.

Sangue no asfalto (II)

Porquê este colectivo suicídio nas estradas nacionais?

SANGUE NO ASFALTO

[Adolfo Luxúria Canibal / Adolfo Luxúria Canibal - Zé dos Eclipses - Miguel Pedro - Pedro Maia]


Atravesso a azul noite da solidão
Envolto em ténues irradiações de pura emoção
Corpos desprendem gemidos mutilados
Em excêntricas posições espalhados
Pedaços de chapa
Vidros escacados
E um mundo de sensações
Medo, horror
Fundem-se num sensual cheiro a morte e dor
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Percorro ansioso os destroços no alcatrão
Abrasado em palpitações de pura paixão
Segurando um crâneo já estilhaçado,
No escuro de dois chorões agachado,
Nutre-se de miolos o deus desnudado
Solto algumas imprecações contra o ladrão
E procuro outra azul noite - solidão
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto
Atravesso a azul noite da solidão
Envolto em ténues irradiações de pura emoção
Corpos desprendem gemidos mutilados
Em excêntricas posições espalhados
Pedaços de chapa
Vidros escacados
E um mundo de sensações
Medo, horror
Fundem-se num sensual cheiro a morte e dor
Sangue no asfalto
Sangue no asfalto

sexta-feira, dezembro 12, 2003

Blasfémia (and now for something completely different)

Já não me recordo exactamente onde, mas vi, algures, alguém recomendar Life of Brian dos desbragados Monthy Python como um bom filme para este Natal. Blasfémia!!! Life of Brian?! Isso deve dar direito a um bilhete só de ida para o Inferno!
Excelente recomendação, por sinal...

Já agora, acrescento o Dogma...

Nada como umas boas gargalhadas à custa de dogmas e do sagrado, digo eu...

Ai, o ensino superior...

Este governo, decididamente, não se dá bem com o ensino superior. Primeiro as trapalhadas do ministro Portas com a Universidade Moderna, depois a contestação ao aumento das propinas e mais a cunha para a filha do ministro Martins da Cruz e agora as suspeitas de favorecimento à Universidade Lusíada.
Citando Moita Carrasco, é caso para perguntar: "Que mais irá me acontecer?" (os mais novos não perceberão esta... desculpem lá).

Privadas

Bom dia! Como está?

Quer que lhe diga as horas?...

E lume, não quer?

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Com um sorriso nos lábios...

A Marinha Portuguesa tem um programa de combate (ou de prevenção, não percebi bem...) à toxicodependência e ao alcoolismo, mas a notícia do Público nem era bem essa. O que eles - do Público - destacaram foi o facto de cerca de 19% dos herdeiros do Infante D. Henrique, de Vasco da Gama e da restante elite náutica portuguesa (sem esquecer os desgraçados que constituiam as tripulações das caravelas) consumirem drogas, principalmente as designadas drogas leves, basicamente charritos, que é como quem diz "cigarrinhos para rir".
Acho mal que a Marinha lusa ande a tentar evitar que os nossos marujos andem sorridentes a bordo das nossas corvetas, fragatas e outras coisas mais. Qual é o problema? Não gostam de alegria no trabalho? Deixem lá a rapaziada fumar a sua ganzinha em paz e sossego (tradução livre e espontânea de peace and love...).
E já agora, a Marinha que tem um navio-escola (navio-ESCOLA, note-se) chamado Sagres, certamente em homenagem à famosa cerveja que patrocina, nomeadamente, a selecção nacional de futebol, tem um programa contra o consumo de álcool? Tsss... Tsss...

R!R

Rir poderá não ser o melhor remédio para tudo, mas é certamente um bom remédio para muitas maleitas...



A decorrer em diversos locais de Lisboa desde a passada sexta-feira e até 14 deste mesmo mês o Festival Internacional de Humor de Lisboa. Se puderem por lá passar, aproveitem e... riam! Sorriam, pelo menos...

segunda-feira, dezembro 08, 2003

A telefonia

Gosto de ouvir rádio. Sempre gostei. Desde que me lembro que ouço rádio. Boa parte da minha "educação musical" devo-a à rádio e alguns grandes radialistas portugueses. No tempo em que não escudos para comprar discos, que era o mesmo tempo em que as novidades discográficas ou não chegavam cá ou chegavam a preços proibitivos, era a rádio que me salvava e me dava a conhecer o que se passava no mundo dos discos.
António Sérgio, Ricardo Saló, Jaime Fernandes, Anibal Cabrita, José Duarte ou Francisco Amaral (para citar apenas alguns, de memória) foram alguns dos meus "professores".
Mais tarde, devo algumas outras descobertas à RUC ou à XFM.

Vem este arrazoado (ainda) a propósito da morte da TSF. É que não me conformo. Para além da informação, a TSF pautava-se pelo bom-gosto na sua selecção musical. Até que Rangel e Fragoso tomaram conta da casa e a destruiram completamente. Whitesnake? João Pedro Pais? Delfins? Elton John? Phil Collins? F***-se!...

sábado, dezembro 06, 2003

Amuos

Manuel Monteiro, essa proeminente figura da democracia portuguesa e líder da Nova Democracia, anda um pouco em baixo. Parece que o Primeiro Ministro, outra insigne figura da democracia portuguesa e antigo revolucionário do MRPP, ainda não respondeu a um pedido de audiência que o novíssimo partido de Monteiro lhe dirigiu. Acha Monteiro que o PM terá medo de o receber ou, então, que está proibido dentro do próprio Governo de o fazer. Cá para mim, José Manuel está só a jogar pelo seguro: quem é que tem paciência para aturar Monteiro? E o que poderá Monteiro querer dizer a José Manuel? Que no seu (dele, de Monteiro, claro) não há suspeitos de pedofilia, graças a Deus? Além de que, o nosso Primeiro anda demasiado ocupado a preparar declarações de aopio a George W. Bush, algo infinitamente mais importante para o nosso destino colectivo do que receber Manuel Monteiro. Não amue, sr. Doutor Monteiro.

P.S.: por acaso até acho que qualquer coisa é infinitamente mais interessante do que receber, falar com ou ouvir Monteiro... Aliás, considero o tempo que gastei com este post uma completa perda de tempo e hei-de penitenciar-me por isso... Perdão.

quinta-feira, dezembro 04, 2003

Memórias

No écran da televisão a preto e branco surgiu, subitamente, o símbolo da RTP interrompendo o programa que a família via. Longos minutos se passaram e nada. As interrupções eram, naquele tempo, relativamente frequentes (era até famosa uma frase, qualquer coisa como "senhores telespectadores, pedimos desculpa por esta interrupção, a emissão segue dentro de momentos"). Naquela noite, após o jantar, não se tratava de uma qualquer avaria técnica.
Tão subitamente como o símbolo da RTP, apareceu no écran alguém que largou a notícia-choque: o Primeiro-Ministro havia sofrido um "desastre de avião", desastre que rapidamente se transformou em "acidente".
O avião em que seguia Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, então ministro da Defesa Nacional, a respectiva comitiva e a tripulação de um pequeno Cesna despenhara-se em Camarate e todos os passageiros e tripulantes haviam morrido.
Foi há mais de vinte anos e ainda hoje não há uma explicação suficientemente cabal, credível, para aquilo que sucedeu naquele bairro de Lisboa na noite de 4 de Dezembro de 1980.
Um país que aceita tão placidamente que um Primeiro Ministro e um ministro da Defesa morram em circunstâncias tão nebulosas, será verdadeiramente um país?

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Quase 3 000

Claro que 3 000 é um número irrelevante se comparado com os milhares de visitas diárias de outros blogues nacionais, mas de qualquer maneira dá uma certa satisfação.

Coluna Vertebral
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É claro que uns quantos daqueles que por aqui aparecem andavam na internet à procura de informações sobre a coluna vertebral, mesmo. Mas também cá vieram cair outros em busca de "engarrafamentos no IC19", das "bilheteiras do estádio de coimbra", da "universidade moderna" e do Braga Gonçalves, e até de fumo,
Vieram ao engano, se assim se pode dizer...

Valha-me Deus!!!

Paulo Portas faltou hoje ao Conselho de Ministros. De certeza absoluta. Acabo de saber que o Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros novas regras no domínio da segurança marítima e prevenção da poluição por navios. Ora isto jamais poderia ter acontecido se o determinado Portas lá tivesse estado presente. Toda a gente sabe, foi Portas quem o declarou ao país, que Portugal não precisa disso para nada: Nossa Senhora vela por nós. E se a Sua intervenção evitou que a maré negra do Prestige cá chegasse, isso é prova mais do que suficiente de que nós não precisamos cá de regras, leis ou material de combate à poluição marítima.

Um mundo mais seguro

George W. Bush aprovou um novo programa para o desenvolvimento de armas nucleares. Muito estranho. Mesmo muito. Não estou bem a ver qual a utilidade de os Estados Unidos voltarem a desenvolver armas nucleares (também conhecidas como armas de destruição massiva - onde é que eu já ouvi isto antes?!), ou se calhar até estou... De qualquer modo, ainda não ouvi reacções dos habituais defensores das politicas de George W. Bush (sim, aqueles que aplaudiram de pé todas as decisões, declarações e, genericamente, todos os disparates da administração liderada por Paul Wolfowitz... perdão, George W. Bush). Também acham bem que os Estados Unidos reactivem o seu programa nuclear? Estou mortinho por ouvir os argumentos com os quais nos vão explicar como é que assim o mundo fica mais seguro.

Já agora: certos meios de comunicação social andam para aí a dizer que continuam a morrer cidadãos (militares e agentes secretos, por exemplo) ocidentais no Iraque. Só pode ser desinformção. Uma cabala. Grandes malandros: toda a gente sabe que o mundo é hoje um lugar muito mais seguro. Pelo menos foi o que George W. Bush declarou (pausa para estrondosa salva de aplausos). E nós acreditamos, não é?