terça-feira, setembro 09, 2003

Notas soltas

Ainda e sempre a Casa Pia: o Conselho de Administração da RTP decidiu abrir um "inquérito interno para apuramento de factos" sobre o alegado envolvimento de antigos e actuais funcionários da estação televisão no caso de pedofilia da Casa Pia. Parece que houve funcionários que utilizaram meios da televisão estatal para realizar filmes com menores da Casa Pia. Verdadeiro serviço público... Já nada nos surpreende.
Já agora: porque foi a presidente (ou lá qual é a designação da senhora...) da Comissão de Trabalhadores da RTP dar uma entrevista à TVI?

Selecções Nacionais: tanto talento, tantos artistas, tantas estrelas e vedetas e virtuosos do pontapé na bola. Tão pouco futebol... A Selecção de sub-21 perdeu com a Turquia e está a ver o Europeu por um canudo. A Selecção principal perdeu, copiosamente, com Espanha e, pior que perder, o seu futebol foi de uma pobreza franciscana. O Scolari bem pode dizer os disparates que quiser, mas parece-me que já só ele e o Gilberto Madail é que ainda acreditam ser possível a esta Selecção vencer o Euro 2004. Aliás a jogar assim, Portugal só se apurou para o Euro porque... o organiza.
Já agora: o jogo com Espanha realizou-se num Estádio (D. Afonso Henriques em Guimarães) que não está licenciado. Nada de muito surpreendente em Portugal: surpreendente seria se estivesse...

Pontes para o futuro: Domingo caiu um viaduto no IC19, que liga Sintra a Lisboa. Para quem não saiba, aquela estrada é uma das mais congestionadas do país, com engarrafamentos diários e monumentais. Felizmente era Domingo. Felizmente não houve mortos. Se Paulo Portas fosse o Ministro responsável pelas estradas portuguesas, de certeza diria que foi Nossa Senhora que evitou males maiores. Sim, se a Senhora evitou que a tragédia do Prestige afectasse Portugal, o que é um viaduto para Ela?...
Já agora: porque não pede a Manuela Ferreira Leite que a Senhora lhe resolva o problema do défice? Será que Manuela não é crente?

sexta-feira, setembro 05, 2003

O Mistério da Educação...

Há, como todos bem sabem, em Portugal vários insondáveis mistérios. Qual o terceiro segredo de Fátima? Porque é que o Benfica não é campeão? Porque é que os empresários portugueses só sabem pedir subsídios? Porque temos um Sistema Nacional de Saúde que deixa os portugueses doentes? Porque ardem tantos hectares de floresta por ano? Como é que um peixe chega a Primeiro-Ministro? Enfim, a lista é imensa. Há um que me intriga profundamente - o mistério da Educação. Que ainda por cima se agravou esta semana com o rocambolesco folhetim das colocações de professores do ensino básico e secundário. O sr. Justino da Educação bem pode dizer as parvoíces que lhe passarem pelo toutiço, mas a verdade é que o que tem passado esta semana (e que é do conhecimento público) é, no minímo, terceiro-mundista. Acontece que não há propriamente um mistério no caos que é o sistema educativo português (que de educativo tem bem pouco, diga-se de passagem...): incompetência, desleixo, desrespeito - as três palavras-chave para desvendar o mistério. Os senhores e as senhoras que há décadas circulam pelos corredores do Ministério da Avenida 5 de Outubro (e por todas as suas delegações, direcções regionais, áreas educativas e demais departamentos espalhados pelo país) são incompetentes e desleixados, não respeitam ninguém, principalmente os professores e, por arrastamento, os alunos e alunas e respectivos pais, mães e encarregados de educação. O folhetim desta semana é apenas a parte visível do modus operandi do monstro que gere a educação em Portugal. Se não fosse dramático, seria cómico. Infelizmente, é triste. É lamentável. É criminoso: com o sistema educativo no estado a que chegou não peçam aos professores e professoras mais motivação e dedicação - tanto quanto me é dado observar, os professores e professoras deste país estão a atingir o ponto de saturação. Como querem um ensino de sucesso, com profissionais que são constantemente desrespeitados e humilhados por quem os devia promover e auxiliar? E quem perde, no fim de contas, com tudo isto? As crianças e adolescentes que frequentam as escolas públicas. Ou seja, aqueles a quem normalmente os nossos governantes gostam de se referir como o futuro de Portugal. Vamos ter um lindo futuro, vamos...

quarta-feira, setembro 03, 2003

Morte ao sol

O sr. Luís Filipe Pereira - o tal que, supostamente, é o responsável pela pasta da Saúde em Portugal - foi esta tarde à Assembleia da República para falar sobre as (alegadas) 1316 mortes provocadas pela vaga de calor que há semanas assolou Portugal (segundo dados do Instituto Ricardo Jorge). Afinal, como já se calculava, não morreram 1316 pessoas. Analisadas metade das certidões de óbito, concluiu o sr. Ministro que as vítimas foram muito menos: "O ministro da Saúde relaciona quatro mortes directas com a onda de calor das primeiras semanas de Agosto. Luís Filipe Pereira garante que houve 545 mortes neste período de tempo mas nem todas estiveram relacionadas com o calor." (Fonte: TSF). Estava-se mesmo a ver que a Comunicação Social, em conluio óbvio com a Oposição, é que tem andado a espalhar infâmias, procurando minar a confiança dos Portugueses e das Portuguesas no iluminado grupo de Ministros, Secretários e Sub-secretários de Estados, Directores-Gerais e Assessores que governa este jardim à beira-mar plantado. Ainda hão-de vir dizer que metade (pelo menos!) dos incêndios deste Verão não passaram de encenações e montagens dos canais de televisão... Afinal, apesar das imagens televisivas, ainda há quem ache que Neil Armstrong nunca caminhou na lua e que tudo não passou de uma invenção dos Americanos (e sabem os deuses que capazes disso eram eles...).

quinta-feira, agosto 28, 2003

Morte ao sol: finalmente o responsável (?) pela pasta da Saúde em Portugal resolveu aparecer a falar das centenas de vitimas da onda de calor que assolou o país há algumas semanas. O sr. Luís Filipe Pereira - supostamente Ministro da Saúde - parece que veio dizer umas patacoadas sobre o assunto (blah blah blah... não foram mil trezentos e tal mortos... blah blah blah... o seu Ministério não esteve em silêncio... blah blah...). A dúvida que surge neste momento é apenas uma: se estava tão bem caladinho, para que é que resolveu agora abrir a boca? Demita-se sr. Ministro.
P.S.: ouvi dizer que há hospitais no interior do país sem ar condicionado, ou seja, onde as temperaturas terão, no seu interior, ultrapassado os 40 graus... Devo ter sonhado... Num país civilizado, como o nosso, isso jamais poderá ser verdade...

Jornalismo (???) desportivo: ou talvez fosse melhor escrever "jornalismo na desportiva"... pelo menos parece ser essa a atitude reinante nas redacções dos jornais desportivos nacionais. Assim se explica a primeira página d'A Bola de hoje (manchete "Nem Marte ajudou") a propósito do esperado afastamento do Benfica da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Mas porque raio haveria Marte - o planeta vermelho - ajudar o Benfica (que, como sabemos, não são "vermelhos" mas sim "encarnados", tudo porque no tempo da outra senhora "vermelhos" era um termo proibido que servia para designar os maléficos Comunistas...)? Se Marte tivesse alguma coisa que ver com este planeta - para além do facto de habitar o mesmo sistema solar... - de certeza não teria deixado o Comunismo chegar ao ponto a que chegou... Além de que, como toda a gente sabe, os Marcianos são verdes! Duh...

Outra vez a Casa Pia: a sempre inefável SIC descobriu o nome do 12º arguido do processo Casa Pia. Ficámos todos a saber quem o senhor é, onde mora e, até, onde trabalha... Queira Marte que nada de mal aconteça ao senhor, que, até prova em contrário (até ser julgado, até ser lida uma sentença) é inocente. Mais jornalismo na desportiva...

Outra vez (ainda...) os incêndios: Direcção-Geral de Florestas contabiliza 340 mil hectares de área ardida. Onde? Em Portugal? Incêndios? Quais incêndios? Mas ardeu alguma coisa? Então os temas da agenda nacional não são o escândalo Casa Pia, as trapalhadas da Moderna, a eliminação do Benfica e o próximo Big Brother? Mas anda tudo parvo? Qualquer dia ainda se lembram de fazer notícia com os acidentes de viação em Portugal...

segunda-feira, agosto 25, 2003

419.375...

419.375 é o número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Portugal (dados do mês de Julho). Se isso não é bom, pior é que o desemprego continua a subir: relativamente a Junho, a subida foi de 1,3%. Mas há ainda pior: o desemprego cresce principalmente entre os jovens, ou seja, entre aqueles que estão em início de vida, a fase em que um salário mais é necessário. E há mais: o desemprego cresce entre aqueles com níveis de habilitações académicas mais elevadas, ou seja, entre aqueles que supostamente possuem uma formação capaz de impulsionar e modernizar os diversos sectores da economia (se bem que existam por aí muitas licenciaturas, no mínimo, inúteis).
Claro que o nosso Primeiro, ou alguém por ele, há-de aparecer hoje na televisão a dizer que os sacrifícios são necessários, que vão ser tomadas medidas, que já se vê a luz ao fundo do tunel, que blah blah blah (ou pior, nem sequer vai aparecer, porque provavelmente estão de férias...). O costume. Mas, tenho cá a leve impressão que isto vai continuar a piorar e que a crise nos vai fazer companhia durante mais uns belos tempos. E talvez tudo piore quando a União Europeia integrar os seus novos membros. Aí é que vai ser o bom e o bonito - é que a torneira dos euros comunitários vai passar a pingar em outras direcções...

quinta-feira, agosto 21, 2003

E no entanto ela move-se...

... ou pelo menos aparenta mover-se. Falamos da Justiça portuguesa. O Caso Moderna está próximo do fim e o Escândalo Casa Pia vai em breve a julgamento. Entretanto soube-se hoje que o Tribunal da Relação de Lisboa (T.R.L.) decidiu levar a julgamento 519 médicos, 18 laboratórios farmacêuticos e 6 agências de viagens na sequência das denúnicas de Alfredo Paquito, em 1996, sobre as relações de corrupção entre médicos e laboratórios farmacêuticos. Convém, entretanto, esclarecer que o TRL se pronunciou sobre um pedido de arquivamento deste processo, recusando-o. Uma decisão que saudamos: a bem da transparência e de relações claras entre médicos e laboratórios (e agências de viagens) e a bem dos doentes (e das suas carteiras...) - recorde-se que senhores doutores em todo o país prescreviam medicamentos aos seus pacientes pensando nos "presentes" que recebiam e não na saúde e bem-estar de quem deles se socorria. Já agora, só quem nunca esteve num Centro de Saúde deste país é que nunca se apercebeu das ligações sujas entre os senhores doutores e os delegados de informação médica, representantes dos senhores produtores de medicamentos... E mais um já agora: e a Ordem dos Médicos, o que fez para punir todos aqueles que cometeram estes crimes? Convinha que a (des)Ordem dos senhores doutores punisse os prevaricadores, a bem do bom nome de todos os Médicos competentes e honestos deste país, de todos aqueles que realmente se preocupam com o nosso bem-estar e que tudo fazem pela nossa saúde.

terça-feira, agosto 19, 2003

Morreu Sérgio Vieira de Mello

O brasileiro que se tornou conhecido em Portugal pela sua actividade enquanto administrador de Timor-Leste no período de transição para a independência, foi vitima de um atentado em Bagdad, Iraque. Vieira de Mello, actualmente alto comissário da ONU para os Direitos Humanos e enviado especial da organização ao Iraque, faleceu vitima da explosão de um camião armadilhado junto ao quartel-general da ONU em Badgad. É mais uma vitima mortal de uma guerra que supostamente terminou há meses atrás mas que, pelos vistos, continua a produzir cadáveres. Desta vez não foi mais um anónimo soldado norte-americano. Vieira de Mello era, somente, um dos maiores defensores dos Direitos Humanos. Este assassinato brutal significa a perda de um dos mais activos lutadores pela causa dos Direitos Humanos, deixando, portanto, a espécie humana significativamente mais pobre.
Por tudo o que fez por nós, miseráveis humanos, os nossos agradecimentos Sérgio.
Por mais corpo sem vida, os nossos agradecimentos Mr. Bush... E que a próxima vitima tenha como nome próprio George!

segunda-feira, agosto 18, 2003

Silly season

Regressada de uma retemperadora semana de exílio na Galiza, a Coluna continua a pasmar com as trapalhadas que vão fazendo o dia-a-dia de Portugal. Depois de três semanas a arder, milhares de hectares de floresta queimados e 18 (DEZOITO!) vitimas mortais, um dos grandes temas de debate nacional parecem ser as honras militares concedidas a Maggiolo Gouveia, tenente-coronel assassinado em Timor em 1975... Alguém explica o que se passa na cabecinha da nossa classe dirigente (situação e oposição)?

Entretanto, o Público revela que a barragem do Alqueva não serve para nada. Após décadas de discussão, projectos, adiamentos e polémicas, a obra que iria salvar o Alentejo continua sem estar concluida e corre sérios riscos de se transformar num gigantesco elefante branco. Nada de surpreedente, dizemos nós. Afinal, vivemos em Portugal e a quantidade de dinheiro esbanjado em obras que não servem para coisa nenhuma é assinalável. Até arriscamos um pouco de futurologia: a maior parte dos estádios em construção / renovação para o Euro 2004 (mais uma iniciativa que vai a ajudar a tirar-nos da cauda da Europa... pois, pois...) não vai servir para nada. Ou alguém acredita que, com as trapalhadas que dominam o auto-proclamado desporto-rei em Portugal, o público vai encher os estádios para assistir a tristes espectáculos (???) de futebol?

E por falar em futebol, a Super Liga começou muito bem... com uma trapalhada das antigas. O primeiro jogo (Estrela da Amadora - Belenenses ou vice-versa...) foi adiado devido a um processo que remonta à época 2002 / 03 e que se arrasta há meses. Tudo normal. Entretanto, ontem, Jose Maria Camacho atirou-se às arbitragens após o seu Benfica não ter conseguido vencer o Boavista. Finalmente o homem percebeu qual o discurso a adoptar no futebol português - quando não se ganha a culpa é do árbitro, do estado do relvado, do vento, do destino, da falta de sorte, enfim de tudo e mais alguma coisa excepto dos jogadores ou do treinador (e muito menos dos excelentes dirigentes que dominam o futebol em Portugal...). Pensavas que isto era como em Espanha, Camacho?

Em Portugal continua a morrer-se nas estradas. Por mais campanhas que se façam, por mais tolerâncias zero que se imponham, nada muda. A culpa, obviamente, é do péssimo estado das estradas (o que até nem é falso...), da chuva (mesmo que não chova...), dos outros automobilistas, da Brigada de Trânsito, do governo, dos árbitros, do destino...

quinta-feira, agosto 14, 2003

A Coluna fugiu ao calor infernal de Portugal e exilou-se temporariamente numa certa parte de Portugal localizada em Espanha... Na Galiza (ou Galícia), primeiro em A Coruña e agora em Vigo, a Coluna retempera forças. Entretanto, mantenham-se frios. Adios, chicos y chicas!

terça-feira, agosto 05, 2003

Notas soltas

Helena Sanches Osório. Morreu ontem, aos 55 anos, uma das mais talentosas jornalistas portuguesas. Helena Sanches Osório deixa Portugal, e em particular o jornalismo, mais pobre. Helena Sanches Osório dirigiu O Independente naquela que foi a sua melhor fase, quando parecia que a única oposição aos governos de Cavaco Silva era aquele semanário. Consta que as sextas feiras eram dias de angústia para os nossos governantes da altura... Depois d'O Independente, Sanches Osório passou pelo Diário de Notícias e pela Capital.

Portugal a arder (ainda e sempre...). Finalmente o governo deste rectângulo percebeu que Portugal vive uma situação de calamidade nacional com os incêndios que vão consumindo vidas humanas e aquela que é uma das nossas maiores, talvez mesmo a maior, riquezas - a floresta. O tempo de reacção destes senhores que nos dirigem é absolutamente assombrosa, no mínimo... Entretanto, 54 mil hectares de floresta já arderam.

É um jornalista português, com certeza... Ouvi ontem, na SIC Notícias um repórter entrevistar o Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Tudo normal: um violento incêndio encontrava-se às portas da cidade e uma entrevista, ainda para mais em directo, com o Presidente do munícipio era uma oportunidade imperdível. Menos normal foi a primeira pergunta que o repórter colocou: qualquer coisa como "O senhor está muito preocupado com esta situação?". Que raio de ideia terá passado por aquele cérebro? Por que haveria o Presidente estar preocupado com um violento incêndio às portas da sua cidade?... Enfim, o jornalismo português no seu melhor...

Benfica. O clube dos 6 milhões, um dos maiores clubes do mundo, o clube que vai ter o maior estádio do país mesmo sem ter dinheiro para mandar cantar um cego, continua à procura de um lateral-esquerdo. Se alguém o encontrar, é favor contactar a SAD benfiquista ou o seu presidente, Luís Filipe Vieira.

Sporting O clube cuja SAD falava há algum tempo em contenção de despesas está a tentar contratar Sérgio Conceição, "só" um dos jogadores portugueses que maior salário aufere. Será que não lhes dava mais jeito um ponta-de-lança que não seja dado a crises de identidade e depressões? E já agora, que seja mais do tipo caseiro e menos noctívago...

terça-feira, julho 29, 2003

Portugal a arder!

Em primeiro lugar quero pedir desculpa à excelentíssima Rádio Universidade de Coimbra por usar o título de um seu antigo programa no título deste post. Mas a verdade é que Portugal continua a arder, não só no sentido figurado, mas no sentido literal. Curiosamente, ouvi hoje na TSF que, segundo o governo, este está a ser o ano menos mau em termos de incêndios florestais em Portugal (só me faltava agora, o governo dizer que isso se deve à sua magnífica actuação no âmbito da prevenção!... Deixem-me rir...). Até pode ser verdade, até acredito que seja verdade. Mas a situação continua grave. E mais se torna, quando são mais que sabidas as causas de tantos incêndios (e por favor, não me venham falar em pirómanos...): desde interesses económicos a pressões imobiliárias, desde o péssimo planeamento e ordenamento do território nacional à total incúria e falta de cuidado dos proprietários passando pela falta de meios (e quiçá algum descuido...) das autoridades que deveriam zelar pelas nossas florestas... Enfim, por aqui me fico. Agora, parem de falar em planos, campanhas, medidas a implementar e disparates do mesmo quilate! FAÇAM ALGUMA COISA, PORRA!!! Ou querem que o deserto se estenda desde o norte de África ao norte de Portugal?!

segunda-feira, julho 28, 2003

Casos da vida moderna

Caso Moderna: defesa alega "insuficiência grave e clara" na acusação
Espero sinceramente que o Caso Moderna esteja muito bem documentado porque quando estiver concluído, sabe-se lá quando (!!!), vai servir com toda a certeza para estudiosos de várias áreas estabelecerem um retrato do Portugal... moderno. Trafulhices, tráfico de influências, conluios entre poderes políticos e instituições privadas, gastos de dinheiros em mordomias, luxos e outras "utilidades", etc, etc, etc... Aquilo que retenho, para já, do Caso Moderna, é um grupinho de gente a viver à grande e à francesa sem ter com que pagar as suas contas e, como tal, recorrendo a truques de contabilidade para financiar os seus luxos. Afinal, todo este país - das famílias aos clubes de futebol passando pelo próprio Estado - gosta de se exibir, gastando o que tem e o que não tem, recorrendo ao crédito na esperança que um dia as contas apareçam pagas... Mas quando é que nos começamos a emendar?

P.S.: quem quer apostar que a malta acusada no Caso Moderna se vai safar? Talvez alguém acabe por ser condenado, mas tenho cá um feeling de que a maior parte vai ser declarada inocente, ou pelo menos, não existirão provas suficientes para os condenar...

domingo, julho 20, 2003

Segredos e Mentiras

Há um filme, de Mike Leigh, cujo título assenta que nem uma luva no alegado suícidio de David Kelly: Secrets and Lies (Segredos e Mentiras). David Kelly, especialista em armas de destruição massiva e conselheiro de Tony Blair, terá revelado à BBC que o governo britânico havia mentido quanto à questão da existência de armas de destruição massiva no Iraque - o principal argumento de George Bush e Tony Blair (e de um tal Durão Burroso...) para invadir aquele país. Afinal parece que não havia armas assim tão perigosas no Iraque. Pois, afinal o objectivo principal era depor Saddam Hussein e implantar a democracia. Petróleo? Pois, há lá petróleo, mas o importante é libertar o povo iraquiano do opressor. O que é verdade? O que é mentira?
Voltando a David Kelly. Estranhamente, o senhor desaparece e reaparece, sob a forma de cadáver e com os pulsos cortados. Suícidio portanto... Ou talvez não. No meio de tantos segredos e tão evidentes mentiras, parece-me legítimo desconfiar desta tese. Quantos mais segredos? Quantas mais mentiras?
Já agora, e o nosso Primeiro? Sabia que as tais armas não existiam e mentiu-nos? Ou não sabia e foi também ele enganado que nem um patinho pelos seus "amigos"? Em qualquer dos casos, o que vai o Cherne fazer? Contar-nos mais umas histórias de embalar, ou nadar para alto mar?

quinta-feira, julho 17, 2003

O optimista Primeiro

Ontem à noite, em entrevista transmitida pela RTP e pela TSF, o Primeiro Cherne da Nação voltou a deslumbrar o país com o seu persistente optimismo. O Cherne é de facto um homem de convicções. Um dia meteu-se-lhe na cabeça que havia de chegar a Primeiro Cherne e conseguiu-o (claro que só o conseguiu porque um tal de António, que continua dado como desaparecido pela Policia Judiciária, fugiu de sua casa numa noite de Dezembro...). Depois, mal se tornou no Primeiro Cherne declarou, para grande alegria da população feminina, que "o país estava de tanga" (pessoalmente não me incomoda nada, embora deva confessar que preferia ver a Suécia ou a Noruega ou a Dinamarca de fio dental, sempre são mais desenvolvidas...). Entretanto convenceu-se de que era preciso reformar o país e, vai daí, desatou a lançar pacotes, a tomar medidas, a criar leis e o diabo a sete (por acaso, o que eu acho é que o país precisa de ir para a reforma que já tem mais que idade para isso...). Agora ninguém lhe tira da ideia que o país já está a sair da recessão, que já se começam a ver os grandiosos efeitos da sua esclarecida governação, que, enfim, se vê a luz ao fundo do túnel. Pois. Só espero é que não estejamos numa linha férrea de sentido único e que a luz que se vê não seja a de um qualquer combóio de alta velocidade, vulgo TGV. Em sentido contrário ao nosso.

quarta-feira, julho 16, 2003

As férias da Justiça

Começaram, e de que maneira (!), as férias judiciais em Portugal. Logo pela manhã, ouvimos, na TSF, o Dr. José Miguel Júdice, bastonário da Ordem dos Advogados, advogar (lindo...) penas de prisão para os funcionários judicais que quebrem o famigerado segredo de justiça. Depois lá acrescentou que também achava que se o autor da maldita quebra fosse um advogado, um magistrado do ministério público ou até um juíz, "cadeia com eles! E eu [ele, José Miguel Júdice, claro...] estarei na primeira filar a bater palmas" . Foi o bom e o bonito ao longo do dia... E depois a malta - nós, os cidadãos - ainda se admira de a Justiça, em Portugal, não funcionar! E acha a malta, perdão, o cidadão que a culpa é toda, exclusivamente ou principalmente, dos sucessivos governos que nada fazem para melhorar a situação (ou que quando fazem algo, o fazem pouco e mal...). Depois de tudo o que ouvi ao longo do dia de hoje - e que nem foi muito - já mudei radicalmente de opinião: quando funcionários judiciais, advogados, magistrados do Ministério Público e juízes se tratam como inimigos e trocam acusações e insultos na praça pública, isso só pode significar que esta gente toda se preocupa unicamente com a defesa dos interesses corporativos das respectivas classes profissionais. Começo a achar que se a Justiça em Portugal não funciona, isso se deve ao facto de haver demasiados, digamos, interesses comodamente instalados cujo único objectivo é que nada, no sistema judicial, mude. E todos sabemos, ou devíamos saber, que quando a inércia de todo um sistema se opõe à mudança, não há Ministro, por mais bem-intencionado, que consiga impor as suas ideias ou projectos. Obviamente, quem se lixa é o mexilhão... E já agora, num país em que os processos acumulam toneladas de pó nos tribunais, porque vai a Justiça de férias durante 2 (DOIS) meses? Ou seja, durante 10 (DEZ) meses, fazem de conta que trabalham, nos outros 2 (DOIS!!!) vão de férias... Abençoado país.

terça-feira, julho 15, 2003

A Criação de Municípios

Após um longo período de abstinência bloguística, a Coluna Vertebral volta à carga. Desta vez a propósito do mais que provável veto de Jorge Sampaio à Lei Quadro de Criação de Municípios. Acho que o nosso Presidente, na melhor das hipóteses e com o devido respeito, se está a passar. Então se neste país se pode criar tudo e mais alguma coisa, desde aves a gado bovino passando por espécies exóticas e animais perigosos, porque carga de água não hão-de os nossos deputados dedicar-se à criação de municípios? Pelo menos, enquanto criam os seus municipiozitos estão entretidos e não corremos o risco de que aprovem leis estafúrdias que só podem prejudicar o normal funcionamento do país. Sampaio amigo, deixe lá os nossos eleitos em paz e atarefados na sua criação de municípios. Olhe que lhes podia dar para pior: imagine que eles se lembravam de criar elefantes brancos!?

Adeus Compay e Benny

Há tristes coincidências. Num curtíssimo lapso de tempo, o Mundo e a Música perdem dois dos seus mais talentosos artistas, ambos nascidos em 1907: Compay Segundo e Benny Carter. Um cubano, outro norte-americano. Com estas duas mortes, Carter no Sábado e Segundo no Domingo, não é só a música cubana ou o Jazz que ficam mais pobres, é a própria Música. Adeus.

sábado, julho 05, 2003

Quase 860 anos depois

Depois de um qualquer castelhano ter ontem invadido este blog, hoje acordei muito mal disposto. Nem foi por causa do post que o tipo cá deixou, isso ainda é o menos. Acontece que, sabe D. Afonso Henriques porquê, acordei a pensar que Portugal vai fazer este ano 860 - oitocentos e sessenta - anos! É obra, caramba! Uma péssima obra, é certo, mas é obra. Temos um Estado ineficaz, gerido por incompetentes cujo único mérito é possuirem um cartão partidário (do PSD ou do PS, de preferência, e até já ouvi dizer que há uns quantos que têm ambos os cartões, pelo sim pelo não que isto da alternância democrática levanta graves problemas...). Temos um sistema de Saúde minado por múltiplas doenças terminais. Temos um sistema de Justiça emperrado e atulhado em milhões de processos e toneladas de papel. Temos um sistema Educativo que produz alguns dos analfabetos com mais habilitações literárias do planeta (sei de jovens que concluem o 9º ano de escolaridade a saber soletrar e contar até dez pelos dedos das mãos). Temos um tecido empresarial todo roto e cheio de traça. Temos uma Administração Pública que, obviamente, não consegue administrar nada disto. Qual é a solução? Reformas estruturais? Esqueçam! Está mais que provada a nossa genética incapacidade para as reformas. Pedir mais fundos comunitários? Nem pensar! Acham que a malta da UE é parva e que vai continuar a enterrar dinheiro em Porugal? Emigrar? É uma hipótese, mas pouco viável - o que está in actualmente são os imigrantes de leste. Desesperar? Suicídio colectivo? Nada disso. Eu - sim, eu - tenho a solução. Se em 859 anos a única coisa que conseguimos foi construir este país que temos, o melhor é reconhecer que fracassámos miseravelmente e entregar isto a quem realmente sabe o que é construir um país. Entreguemos a Agricultura e Pescas aos Espanhóis; ofereça-se a Indústria (a pouca que existe...) aos Japoneses; convidemos o Suecos (ou os Dinamarqueses ou os Finlandeses ou os Noruegueses) para gerir a Segurança Social; chamemos os Alemães para administrar o Estado; que venham os Holandeses para tomar conta da Justiça. E que fazer com os Portugueses? Isso não sei. Mas alguma se há-de arranjar. Sei lá, podíamos passar a ser Espanhóis!

sexta-feira, julho 04, 2003

El estado de la nacion

Coño! La nacion se queda muy bien, gracias! Mejor que nuestros hermanos, los franceses... La Liga de Fútbol de nosotros es solamiente la mejor del mundo, con los mejores jugadores (y ahora mas una estrella, David Beckham, que lo ficho el Real Madrid); la economia se mueve a pesar de la parte sud de la província Galicia-Portugal no se encontrar muy bien; el turismo se queda muy bien tambien (y mismo el Algarve no se queda muy mal esse año...); la ETA ha acalmado; y etc, y etc, y etc... Y viva España!

quarta-feira, julho 02, 2003

Uma agulha no palheiro

Resolvi fazer no site de um dos mais importantes jornais do mundo (o palheiro), The New York Times, uma pequena busca. Introduzi simplesmente a palavra "Portugal" (a agulha) no motor de busca desse site, seleccionando a opção "noticias da última semana". Os resultados foram avassaladores... Uma tristeza: aparece um artigo sobre a ida de David Beckham para o Real Madrid (por portas travessas, lá deve haver uma menção a uns tais de Luís Figo e Carlos Queiroz, que, consta, são empregados do clube de Madrid); outro intitulado "With Capital In Hand, Spain Revisits Its Empire" (a relação com Portugal deve ter que ver com o facto de os nossos vizinhos estarem a usar o seu "Capital" para reconquistar aquilo que perderam em 1640...); mais dois artigos sobre a reforma da PAC (um dos quais dá o resultado da votação: 14 - 1 a favor da reforma, adivinhem quem votou contra...); e finalmente uma peça sobre um (ou uma...) indiano(a) produtor(a) de vinho (!). Ah! Na página de resultados ainda aparecem três sponsored links, estes sim todos relaccionados com Portugal (Portugal Travel Portal, Learn Portuguese in 3 hrs e Flights to Portugal). Vão lá e vejam com os vossos próprios olhos. Aqui fica o link: http://query.nytimes.com/search/query?srcht=s&srchst=&query=portugal&date_select=site1week&submit.x=12&submit.y=10.
Deve ser este o tão querido protagonismo que, segundo os nossos governantes, Portugal tem vindo a assumir a nível da Politica Internacional...
Uma semana depois, regresso a este blog e só para dizer que não me apetece dizer nada... Não me tem apetecido dizer mal de Portugal. E não é que faltem motivos - as trapalhadas na área da cultura e em especial na Casa da Musica do Porto, as confusões com a Casa do Douro, a reforma da PAC, os novos concelhos, a habitual falta de dinheiro no Benfica, etc, etc, etc... E o tempo - esse cruel ditador de que passamos a vida a fugir - também não tem sobrado... Enfim... Talvez daqui a uns dias haja outros motivos para a escrita, ou talvez não. Que se lixe! Quando me apetecer regresso. Até já. Por enquanto, vou-me dedicar à leitura...