quinta-feira, agosto 21, 2003

E no entanto ela move-se...

... ou pelo menos aparenta mover-se. Falamos da Justiça portuguesa. O Caso Moderna está próximo do fim e o Escândalo Casa Pia vai em breve a julgamento. Entretanto soube-se hoje que o Tribunal da Relação de Lisboa (T.R.L.) decidiu levar a julgamento 519 médicos, 18 laboratórios farmacêuticos e 6 agências de viagens na sequência das denúnicas de Alfredo Paquito, em 1996, sobre as relações de corrupção entre médicos e laboratórios farmacêuticos. Convém, entretanto, esclarecer que o TRL se pronunciou sobre um pedido de arquivamento deste processo, recusando-o. Uma decisão que saudamos: a bem da transparência e de relações claras entre médicos e laboratórios (e agências de viagens) e a bem dos doentes (e das suas carteiras...) - recorde-se que senhores doutores em todo o país prescreviam medicamentos aos seus pacientes pensando nos "presentes" que recebiam e não na saúde e bem-estar de quem deles se socorria. Já agora, só quem nunca esteve num Centro de Saúde deste país é que nunca se apercebeu das ligações sujas entre os senhores doutores e os delegados de informação médica, representantes dos senhores produtores de medicamentos... E mais um já agora: e a Ordem dos Médicos, o que fez para punir todos aqueles que cometeram estes crimes? Convinha que a (des)Ordem dos senhores doutores punisse os prevaricadores, a bem do bom nome de todos os Médicos competentes e honestos deste país, de todos aqueles que realmente se preocupam com o nosso bem-estar e que tudo fazem pela nossa saúde.

terça-feira, agosto 19, 2003

Morreu Sérgio Vieira de Mello

O brasileiro que se tornou conhecido em Portugal pela sua actividade enquanto administrador de Timor-Leste no período de transição para a independência, foi vitima de um atentado em Bagdad, Iraque. Vieira de Mello, actualmente alto comissário da ONU para os Direitos Humanos e enviado especial da organização ao Iraque, faleceu vitima da explosão de um camião armadilhado junto ao quartel-general da ONU em Badgad. É mais uma vitima mortal de uma guerra que supostamente terminou há meses atrás mas que, pelos vistos, continua a produzir cadáveres. Desta vez não foi mais um anónimo soldado norte-americano. Vieira de Mello era, somente, um dos maiores defensores dos Direitos Humanos. Este assassinato brutal significa a perda de um dos mais activos lutadores pela causa dos Direitos Humanos, deixando, portanto, a espécie humana significativamente mais pobre.
Por tudo o que fez por nós, miseráveis humanos, os nossos agradecimentos Sérgio.
Por mais corpo sem vida, os nossos agradecimentos Mr. Bush... E que a próxima vitima tenha como nome próprio George!

segunda-feira, agosto 18, 2003

Silly season

Regressada de uma retemperadora semana de exílio na Galiza, a Coluna continua a pasmar com as trapalhadas que vão fazendo o dia-a-dia de Portugal. Depois de três semanas a arder, milhares de hectares de floresta queimados e 18 (DEZOITO!) vitimas mortais, um dos grandes temas de debate nacional parecem ser as honras militares concedidas a Maggiolo Gouveia, tenente-coronel assassinado em Timor em 1975... Alguém explica o que se passa na cabecinha da nossa classe dirigente (situação e oposição)?

Entretanto, o Público revela que a barragem do Alqueva não serve para nada. Após décadas de discussão, projectos, adiamentos e polémicas, a obra que iria salvar o Alentejo continua sem estar concluida e corre sérios riscos de se transformar num gigantesco elefante branco. Nada de surpreedente, dizemos nós. Afinal, vivemos em Portugal e a quantidade de dinheiro esbanjado em obras que não servem para coisa nenhuma é assinalável. Até arriscamos um pouco de futurologia: a maior parte dos estádios em construção / renovação para o Euro 2004 (mais uma iniciativa que vai a ajudar a tirar-nos da cauda da Europa... pois, pois...) não vai servir para nada. Ou alguém acredita que, com as trapalhadas que dominam o auto-proclamado desporto-rei em Portugal, o público vai encher os estádios para assistir a tristes espectáculos (???) de futebol?

E por falar em futebol, a Super Liga começou muito bem... com uma trapalhada das antigas. O primeiro jogo (Estrela da Amadora - Belenenses ou vice-versa...) foi adiado devido a um processo que remonta à época 2002 / 03 e que se arrasta há meses. Tudo normal. Entretanto, ontem, Jose Maria Camacho atirou-se às arbitragens após o seu Benfica não ter conseguido vencer o Boavista. Finalmente o homem percebeu qual o discurso a adoptar no futebol português - quando não se ganha a culpa é do árbitro, do estado do relvado, do vento, do destino, da falta de sorte, enfim de tudo e mais alguma coisa excepto dos jogadores ou do treinador (e muito menos dos excelentes dirigentes que dominam o futebol em Portugal...). Pensavas que isto era como em Espanha, Camacho?

Em Portugal continua a morrer-se nas estradas. Por mais campanhas que se façam, por mais tolerâncias zero que se imponham, nada muda. A culpa, obviamente, é do péssimo estado das estradas (o que até nem é falso...), da chuva (mesmo que não chova...), dos outros automobilistas, da Brigada de Trânsito, do governo, dos árbitros, do destino...

quinta-feira, agosto 14, 2003

A Coluna fugiu ao calor infernal de Portugal e exilou-se temporariamente numa certa parte de Portugal localizada em Espanha... Na Galiza (ou Galícia), primeiro em A Coruña e agora em Vigo, a Coluna retempera forças. Entretanto, mantenham-se frios. Adios, chicos y chicas!

terça-feira, agosto 05, 2003

Notas soltas

Helena Sanches Osório. Morreu ontem, aos 55 anos, uma das mais talentosas jornalistas portuguesas. Helena Sanches Osório deixa Portugal, e em particular o jornalismo, mais pobre. Helena Sanches Osório dirigiu O Independente naquela que foi a sua melhor fase, quando parecia que a única oposição aos governos de Cavaco Silva era aquele semanário. Consta que as sextas feiras eram dias de angústia para os nossos governantes da altura... Depois d'O Independente, Sanches Osório passou pelo Diário de Notícias e pela Capital.

Portugal a arder (ainda e sempre...). Finalmente o governo deste rectângulo percebeu que Portugal vive uma situação de calamidade nacional com os incêndios que vão consumindo vidas humanas e aquela que é uma das nossas maiores, talvez mesmo a maior, riquezas - a floresta. O tempo de reacção destes senhores que nos dirigem é absolutamente assombrosa, no mínimo... Entretanto, 54 mil hectares de floresta já arderam.

É um jornalista português, com certeza... Ouvi ontem, na SIC Notícias um repórter entrevistar o Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Tudo normal: um violento incêndio encontrava-se às portas da cidade e uma entrevista, ainda para mais em directo, com o Presidente do munícipio era uma oportunidade imperdível. Menos normal foi a primeira pergunta que o repórter colocou: qualquer coisa como "O senhor está muito preocupado com esta situação?". Que raio de ideia terá passado por aquele cérebro? Por que haveria o Presidente estar preocupado com um violento incêndio às portas da sua cidade?... Enfim, o jornalismo português no seu melhor...

Benfica. O clube dos 6 milhões, um dos maiores clubes do mundo, o clube que vai ter o maior estádio do país mesmo sem ter dinheiro para mandar cantar um cego, continua à procura de um lateral-esquerdo. Se alguém o encontrar, é favor contactar a SAD benfiquista ou o seu presidente, Luís Filipe Vieira.

Sporting O clube cuja SAD falava há algum tempo em contenção de despesas está a tentar contratar Sérgio Conceição, "só" um dos jogadores portugueses que maior salário aufere. Será que não lhes dava mais jeito um ponta-de-lança que não seja dado a crises de identidade e depressões? E já agora, que seja mais do tipo caseiro e menos noctívago...

terça-feira, julho 29, 2003

Portugal a arder!

Em primeiro lugar quero pedir desculpa à excelentíssima Rádio Universidade de Coimbra por usar o título de um seu antigo programa no título deste post. Mas a verdade é que Portugal continua a arder, não só no sentido figurado, mas no sentido literal. Curiosamente, ouvi hoje na TSF que, segundo o governo, este está a ser o ano menos mau em termos de incêndios florestais em Portugal (só me faltava agora, o governo dizer que isso se deve à sua magnífica actuação no âmbito da prevenção!... Deixem-me rir...). Até pode ser verdade, até acredito que seja verdade. Mas a situação continua grave. E mais se torna, quando são mais que sabidas as causas de tantos incêndios (e por favor, não me venham falar em pirómanos...): desde interesses económicos a pressões imobiliárias, desde o péssimo planeamento e ordenamento do território nacional à total incúria e falta de cuidado dos proprietários passando pela falta de meios (e quiçá algum descuido...) das autoridades que deveriam zelar pelas nossas florestas... Enfim, por aqui me fico. Agora, parem de falar em planos, campanhas, medidas a implementar e disparates do mesmo quilate! FAÇAM ALGUMA COISA, PORRA!!! Ou querem que o deserto se estenda desde o norte de África ao norte de Portugal?!

segunda-feira, julho 28, 2003

Casos da vida moderna

Caso Moderna: defesa alega "insuficiência grave e clara" na acusação
Espero sinceramente que o Caso Moderna esteja muito bem documentado porque quando estiver concluído, sabe-se lá quando (!!!), vai servir com toda a certeza para estudiosos de várias áreas estabelecerem um retrato do Portugal... moderno. Trafulhices, tráfico de influências, conluios entre poderes políticos e instituições privadas, gastos de dinheiros em mordomias, luxos e outras "utilidades", etc, etc, etc... Aquilo que retenho, para já, do Caso Moderna, é um grupinho de gente a viver à grande e à francesa sem ter com que pagar as suas contas e, como tal, recorrendo a truques de contabilidade para financiar os seus luxos. Afinal, todo este país - das famílias aos clubes de futebol passando pelo próprio Estado - gosta de se exibir, gastando o que tem e o que não tem, recorrendo ao crédito na esperança que um dia as contas apareçam pagas... Mas quando é que nos começamos a emendar?

P.S.: quem quer apostar que a malta acusada no Caso Moderna se vai safar? Talvez alguém acabe por ser condenado, mas tenho cá um feeling de que a maior parte vai ser declarada inocente, ou pelo menos, não existirão provas suficientes para os condenar...

domingo, julho 20, 2003

Segredos e Mentiras

Há um filme, de Mike Leigh, cujo título assenta que nem uma luva no alegado suícidio de David Kelly: Secrets and Lies (Segredos e Mentiras). David Kelly, especialista em armas de destruição massiva e conselheiro de Tony Blair, terá revelado à BBC que o governo britânico havia mentido quanto à questão da existência de armas de destruição massiva no Iraque - o principal argumento de George Bush e Tony Blair (e de um tal Durão Burroso...) para invadir aquele país. Afinal parece que não havia armas assim tão perigosas no Iraque. Pois, afinal o objectivo principal era depor Saddam Hussein e implantar a democracia. Petróleo? Pois, há lá petróleo, mas o importante é libertar o povo iraquiano do opressor. O que é verdade? O que é mentira?
Voltando a David Kelly. Estranhamente, o senhor desaparece e reaparece, sob a forma de cadáver e com os pulsos cortados. Suícidio portanto... Ou talvez não. No meio de tantos segredos e tão evidentes mentiras, parece-me legítimo desconfiar desta tese. Quantos mais segredos? Quantas mais mentiras?
Já agora, e o nosso Primeiro? Sabia que as tais armas não existiam e mentiu-nos? Ou não sabia e foi também ele enganado que nem um patinho pelos seus "amigos"? Em qualquer dos casos, o que vai o Cherne fazer? Contar-nos mais umas histórias de embalar, ou nadar para alto mar?

quinta-feira, julho 17, 2003

O optimista Primeiro

Ontem à noite, em entrevista transmitida pela RTP e pela TSF, o Primeiro Cherne da Nação voltou a deslumbrar o país com o seu persistente optimismo. O Cherne é de facto um homem de convicções. Um dia meteu-se-lhe na cabeça que havia de chegar a Primeiro Cherne e conseguiu-o (claro que só o conseguiu porque um tal de António, que continua dado como desaparecido pela Policia Judiciária, fugiu de sua casa numa noite de Dezembro...). Depois, mal se tornou no Primeiro Cherne declarou, para grande alegria da população feminina, que "o país estava de tanga" (pessoalmente não me incomoda nada, embora deva confessar que preferia ver a Suécia ou a Noruega ou a Dinamarca de fio dental, sempre são mais desenvolvidas...). Entretanto convenceu-se de que era preciso reformar o país e, vai daí, desatou a lançar pacotes, a tomar medidas, a criar leis e o diabo a sete (por acaso, o que eu acho é que o país precisa de ir para a reforma que já tem mais que idade para isso...). Agora ninguém lhe tira da ideia que o país já está a sair da recessão, que já se começam a ver os grandiosos efeitos da sua esclarecida governação, que, enfim, se vê a luz ao fundo do túnel. Pois. Só espero é que não estejamos numa linha férrea de sentido único e que a luz que se vê não seja a de um qualquer combóio de alta velocidade, vulgo TGV. Em sentido contrário ao nosso.

quarta-feira, julho 16, 2003

As férias da Justiça

Começaram, e de que maneira (!), as férias judiciais em Portugal. Logo pela manhã, ouvimos, na TSF, o Dr. José Miguel Júdice, bastonário da Ordem dos Advogados, advogar (lindo...) penas de prisão para os funcionários judicais que quebrem o famigerado segredo de justiça. Depois lá acrescentou que também achava que se o autor da maldita quebra fosse um advogado, um magistrado do ministério público ou até um juíz, "cadeia com eles! E eu [ele, José Miguel Júdice, claro...] estarei na primeira filar a bater palmas" . Foi o bom e o bonito ao longo do dia... E depois a malta - nós, os cidadãos - ainda se admira de a Justiça, em Portugal, não funcionar! E acha a malta, perdão, o cidadão que a culpa é toda, exclusivamente ou principalmente, dos sucessivos governos que nada fazem para melhorar a situação (ou que quando fazem algo, o fazem pouco e mal...). Depois de tudo o que ouvi ao longo do dia de hoje - e que nem foi muito - já mudei radicalmente de opinião: quando funcionários judiciais, advogados, magistrados do Ministério Público e juízes se tratam como inimigos e trocam acusações e insultos na praça pública, isso só pode significar que esta gente toda se preocupa unicamente com a defesa dos interesses corporativos das respectivas classes profissionais. Começo a achar que se a Justiça em Portugal não funciona, isso se deve ao facto de haver demasiados, digamos, interesses comodamente instalados cujo único objectivo é que nada, no sistema judicial, mude. E todos sabemos, ou devíamos saber, que quando a inércia de todo um sistema se opõe à mudança, não há Ministro, por mais bem-intencionado, que consiga impor as suas ideias ou projectos. Obviamente, quem se lixa é o mexilhão... E já agora, num país em que os processos acumulam toneladas de pó nos tribunais, porque vai a Justiça de férias durante 2 (DOIS) meses? Ou seja, durante 10 (DEZ) meses, fazem de conta que trabalham, nos outros 2 (DOIS!!!) vão de férias... Abençoado país.

terça-feira, julho 15, 2003

A Criação de Municípios

Após um longo período de abstinência bloguística, a Coluna Vertebral volta à carga. Desta vez a propósito do mais que provável veto de Jorge Sampaio à Lei Quadro de Criação de Municípios. Acho que o nosso Presidente, na melhor das hipóteses e com o devido respeito, se está a passar. Então se neste país se pode criar tudo e mais alguma coisa, desde aves a gado bovino passando por espécies exóticas e animais perigosos, porque carga de água não hão-de os nossos deputados dedicar-se à criação de municípios? Pelo menos, enquanto criam os seus municipiozitos estão entretidos e não corremos o risco de que aprovem leis estafúrdias que só podem prejudicar o normal funcionamento do país. Sampaio amigo, deixe lá os nossos eleitos em paz e atarefados na sua criação de municípios. Olhe que lhes podia dar para pior: imagine que eles se lembravam de criar elefantes brancos!?

Adeus Compay e Benny

Há tristes coincidências. Num curtíssimo lapso de tempo, o Mundo e a Música perdem dois dos seus mais talentosos artistas, ambos nascidos em 1907: Compay Segundo e Benny Carter. Um cubano, outro norte-americano. Com estas duas mortes, Carter no Sábado e Segundo no Domingo, não é só a música cubana ou o Jazz que ficam mais pobres, é a própria Música. Adeus.

sábado, julho 05, 2003

Quase 860 anos depois

Depois de um qualquer castelhano ter ontem invadido este blog, hoje acordei muito mal disposto. Nem foi por causa do post que o tipo cá deixou, isso ainda é o menos. Acontece que, sabe D. Afonso Henriques porquê, acordei a pensar que Portugal vai fazer este ano 860 - oitocentos e sessenta - anos! É obra, caramba! Uma péssima obra, é certo, mas é obra. Temos um Estado ineficaz, gerido por incompetentes cujo único mérito é possuirem um cartão partidário (do PSD ou do PS, de preferência, e até já ouvi dizer que há uns quantos que têm ambos os cartões, pelo sim pelo não que isto da alternância democrática levanta graves problemas...). Temos um sistema de Saúde minado por múltiplas doenças terminais. Temos um sistema de Justiça emperrado e atulhado em milhões de processos e toneladas de papel. Temos um sistema Educativo que produz alguns dos analfabetos com mais habilitações literárias do planeta (sei de jovens que concluem o 9º ano de escolaridade a saber soletrar e contar até dez pelos dedos das mãos). Temos um tecido empresarial todo roto e cheio de traça. Temos uma Administração Pública que, obviamente, não consegue administrar nada disto. Qual é a solução? Reformas estruturais? Esqueçam! Está mais que provada a nossa genética incapacidade para as reformas. Pedir mais fundos comunitários? Nem pensar! Acham que a malta da UE é parva e que vai continuar a enterrar dinheiro em Porugal? Emigrar? É uma hipótese, mas pouco viável - o que está in actualmente são os imigrantes de leste. Desesperar? Suicídio colectivo? Nada disso. Eu - sim, eu - tenho a solução. Se em 859 anos a única coisa que conseguimos foi construir este país que temos, o melhor é reconhecer que fracassámos miseravelmente e entregar isto a quem realmente sabe o que é construir um país. Entreguemos a Agricultura e Pescas aos Espanhóis; ofereça-se a Indústria (a pouca que existe...) aos Japoneses; convidemos o Suecos (ou os Dinamarqueses ou os Finlandeses ou os Noruegueses) para gerir a Segurança Social; chamemos os Alemães para administrar o Estado; que venham os Holandeses para tomar conta da Justiça. E que fazer com os Portugueses? Isso não sei. Mas alguma se há-de arranjar. Sei lá, podíamos passar a ser Espanhóis!

sexta-feira, julho 04, 2003

El estado de la nacion

Coño! La nacion se queda muy bien, gracias! Mejor que nuestros hermanos, los franceses... La Liga de Fútbol de nosotros es solamiente la mejor del mundo, con los mejores jugadores (y ahora mas una estrella, David Beckham, que lo ficho el Real Madrid); la economia se mueve a pesar de la parte sud de la província Galicia-Portugal no se encontrar muy bien; el turismo se queda muy bien tambien (y mismo el Algarve no se queda muy mal esse año...); la ETA ha acalmado; y etc, y etc, y etc... Y viva España!

quarta-feira, julho 02, 2003

Uma agulha no palheiro

Resolvi fazer no site de um dos mais importantes jornais do mundo (o palheiro), The New York Times, uma pequena busca. Introduzi simplesmente a palavra "Portugal" (a agulha) no motor de busca desse site, seleccionando a opção "noticias da última semana". Os resultados foram avassaladores... Uma tristeza: aparece um artigo sobre a ida de David Beckham para o Real Madrid (por portas travessas, lá deve haver uma menção a uns tais de Luís Figo e Carlos Queiroz, que, consta, são empregados do clube de Madrid); outro intitulado "With Capital In Hand, Spain Revisits Its Empire" (a relação com Portugal deve ter que ver com o facto de os nossos vizinhos estarem a usar o seu "Capital" para reconquistar aquilo que perderam em 1640...); mais dois artigos sobre a reforma da PAC (um dos quais dá o resultado da votação: 14 - 1 a favor da reforma, adivinhem quem votou contra...); e finalmente uma peça sobre um (ou uma...) indiano(a) produtor(a) de vinho (!). Ah! Na página de resultados ainda aparecem três sponsored links, estes sim todos relaccionados com Portugal (Portugal Travel Portal, Learn Portuguese in 3 hrs e Flights to Portugal). Vão lá e vejam com os vossos próprios olhos. Aqui fica o link: http://query.nytimes.com/search/query?srcht=s&srchst=&query=portugal&date_select=site1week&submit.x=12&submit.y=10.
Deve ser este o tão querido protagonismo que, segundo os nossos governantes, Portugal tem vindo a assumir a nível da Politica Internacional...
Uma semana depois, regresso a este blog e só para dizer que não me apetece dizer nada... Não me tem apetecido dizer mal de Portugal. E não é que faltem motivos - as trapalhadas na área da cultura e em especial na Casa da Musica do Porto, as confusões com a Casa do Douro, a reforma da PAC, os novos concelhos, a habitual falta de dinheiro no Benfica, etc, etc, etc... E o tempo - esse cruel ditador de que passamos a vida a fugir - também não tem sobrado... Enfim... Talvez daqui a uns dias haja outros motivos para a escrita, ou talvez não. Que se lixe! Quando me apetecer regresso. Até já. Por enquanto, vou-me dedicar à leitura...

terça-feira, junho 24, 2003

Carlos Queiroz

Carlos Queiroz no Real Madrid?
Ora aqui está uma (potencial) boa notícia nestes tempos em que tudo parece correr mal a Portugal e a quase todos os Portugueses. Carlos Queirós conquistou vários títulos europeus e mundiais nas camadas jovens da Selecção Nacional de Futebol, "criou" a dita "geração de ouro" do futebol português, foi despedido do cargo de treinador do Sporting por Pedro Santana Lopes, não serviu para treinador da principal Selecção Nacional (parece que queria "limpar a porcaria toda que há na Federação"...), treinou diversos clubes nos Estados Unidos e no Japão e as selecções dos Emirados Árabes Unidos e da África do Sul (qualificando esta para um Mundial) e sagrou-se campeão inglês ao serviço do Manchester United. É este o homem que o Real Madrid (mais do que um clube de futebol, uma constelação de estrelas) deseja para orientar as suas vedetas nos próximos tempos. Ainda que acabe por não se mudar para Madrid, Queirós é já mais uma prova de que, neste país, aqueles que são verdadeiramente competentes naquilo que fazem não se safam e acabam por ir para outras paragens dar o eu melhor, sejam jogadores ou treinadores de futebol, cientistas ou gestores. E depois ainda nos admiramos de ser um dos mais atrasados paises da União Europeia...

segunda-feira, junho 23, 2003

A GNR para o Iraque, rapidamente e em força (mas sem blindados)

Falta de blindados pode adiar envio de GNR para o Iraque
Após a invasão do Iraque pelas tropas de uma pseudo-coligação internacional, o Dr. Durão Barroso ofereceu a inestimável ajuda de Portugal para colaborar na ocupação daquele país do Golfo Pérsico (por acaso, riquíssimo em petróleo...). Para tal disponibilzou 120 heróicos elementos da GNR (Guarda Nacional Republicana), o que parece uma decisão acertadíssima, fundamentalmente porque Guarda Nacional Republicana é (era?) o nome da tropa de elite do regime de Saddam Hussein; assim, a integração e o contacto com a população local está, obviamente, facilitada... Claro que a oposição, os profetas da desgraça do costume e até a Associação dos Profissionais da Guarda (APG) criticaram violentamente o nosso primeiro. Dizem eles que a nossa GNR não tem preparação para este tipo de missões, que não dispõe de meios operacionais, que é um desperdício de Euros e etc e tal. Disparates! Quanto à oposição (o seu papel é opor-se...) e aos profetas da desgraça (o seu papel é profetizar a... desgraça) ainda se entende que sejam contra, agora a APG não concordar com a ida dos nossos corajosos GNRs é que parece inconcebível! Então e a experiência enriquecedora de que irão disfrutar? E o dinheiro a mais que vão receber? E a possibilidade de contactar com povos, culturas e religião diferentes? Oh meus amigos, para o Iraque rapidamente e em força! Além do mais, segundo as notícias, o ambiente de Bagdad não é assim tão diferente de qualquer bairro degradado dos nossos subúrbios (violência, caos, lixo, contrabando, armas de fogo), o que facilita ainda mais o contacto com a população local (já para não falar nas semelhanças fisicas entre os nossos bravos GNRs e a população masculina iraquiana - baixos, morenaços, charmosas bigodaças - que é uma mais-valia para eventuais missões de infiltração entre a população). O único problema é que os sacanas dos Carabinnieri italianos, que supostamente lhes darão boleia para o Iraque, se andam a fazer esquisitos... Sempre me pareceu que os italianos não são de fiar. Já os Romanos (antepassados dos italianos, como bem sabemos) para derrotar o nosso Viriato lhe fez umas promessas só para o atrair a uma cilada e "fazer-lhe a folha". Muito cuidado com os italianos, portanto. Cá para mim, eles preparam-se para dar boleia aos nossos garbosos GNRs só para os largarem algures no meio do deserto iraquiano...

sexta-feira, junho 13, 2003

Sampaio indignado com acusações
Aquele senhor que é irmão do famoso psicólogo Daniel Sampaio ficou muito chateado com umas acusações que um tal de Armando Vara proferiu contra a sua pessoa. Ora, o marido da Srª Maria José Rita, que não é homem de levar deasaforos para casa, reagiu de imediato. Que não senhor, não tolera não sei o quê, que não admite isto e aquilo... enfim, armou uma peixeirada lá para os lados dos Açores, arquipélago por onde se passeia há alguns dias distribuindo condecorações e comendo queijo da ilha às escondidas da esposa (parece que a senhora não quer que a barriga do seu digníssimo esposo cresça mais ainda...). Toda esta polémica vem na sequência do escândalo Casa Pia e de um perdão de penas para diversos crimes (entre os quais o crime do abuso sexual de menores) aprovado há quatro anos - por unanimidade! - na Assembleia desta República à beira-mar espantada... O mais espantoso é que na altura todos - TODOS - acharam muito bem, que era uma boa ideia sim senhor, que era a melhor forma de assinalar os 25 anos do 25 de Abril, e etc e etc... Agora, ninguém teve nada a ver com o perdão, a ideia não foi de ninguém, ninguém assume a porra da responsabilidade. Enfim, nada de novo a oeste de Espanha...

Entretanto, na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, uma tal de Fátima Felgueiras quase chorou baba e ranho. A dita senhora, que até há bem pouco tempo morava algures em Felgueiras, diz-se vitima de uma perseguição politica e afirmou peremptoriamente que é a "a primeira exilada politica do Portugal democrático"! Acrescentou até que está disposta a tudo esclarecer no local próprio e a provar a sua inocência. Só não explicou exactamente qual o local próprio... Eu sempre pensei que seria nos tribunais, mas fiquei com a impressão que para ela o "local próprio" deve ser algures no Rio de Janeiro, talvez em Copacabana, entre um mergulho no mar e uma caipirinha numa esplanada... Por mim a senhora pode dizer o que lhe passar pela cabeça, afinal de contas tanto o Brasil como Portugal são democracias onde existe o direito constitucional à livre expressão do pensamento (por mais absurdo ou idiota que ele seja...). Mas há algo que me faz uma tremenda confusão: porque é que os canais televisivos nacionais transmitiram em directo e na abertura dos seus principais blocos de noticias o espectáculo montado no Rio de Janeiro? Não teria sido melhor fazê-lo no horário das telenovelas? E de que é a senhora acusada, afinal? De possuir um saco azul, distribuir dinheiro pelo clube de futebol local (F.C. Felgueiras) e facilitar umas licenças a construtores civis... Quanto a sacos azuis, por mim cada um tem sacos da cor que quiser e isso não é crime (a menos que seja um crime contra o bom-gosto...). Se dar dinheiro a clubes de futebol é crime, então prendam o governo (ouvi dizer que o Estado está a ajudar a pagar uns estádios que se andam por aí a construir...). Quanto às ajudas aos construtores civis, também não vejo qualquer problema: afinal a senhora estava a ajudar a economia nacional, auxiliando um dos seus mais activos sectores, já para não falar do cariz social do negócio da construção civil - sim, o que seria de milhares de africanos e Europeus de Leste sem o seu empregozito nas obras?

sábado, junho 07, 2003

Viver na Ucrânia como em Portugal

Ouvi esta semana, numa reportagem premiada da SIC, um imigrante ucraniano dizer que o seu maior sonho é que o seu país se desenvolva e que um dia seja possível viver lá como se vive em Portugal. Absolutamente espantoso. Claro que isto deveria ser motivo de orgulho para todos os portugueses, não fosse dar-se o caso de muitos portugueses olharem para o lado, para Espanha, e verem o nível de vida de que os nossos vizinhos disfrutam... Não sei o que passa pela cabeça daquele cidadão ucraniano, mas acho que muitos ucranianos, e não só, têm o mesmo sonho. O pior é se eles descobrem que, afinal, Portugal não um paraíso. E se eles realmente descobrirem que Espanha, Bélgica, Holanda ou Alemanha têm níveis de desenvolvimento bem superiores ao nosso? Acho que desaparecem daqui rapidamente. E quem fica a perder somos nós...

sexta-feira, junho 06, 2003

Sophia de Mello Breyner Andresen

A "bailarina" que "paira sobre a vida", como ouvi o seu filho descreve-la há uns dias, foi galardoada esta semana com o importantíssimo Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana. Justo. Justíssimo. A senhora merece esse prémio, e todos os outros que já recebeu e aqueles que ainda há-de receber. Merece até o Prémio Nobel, muito mais do que o mereceu José Saramago, digo eu... Por mais um prémio, parabéns. Por todas as palavras que insistes em partilhar connosco, meros e vulgares mortais, OBRIGADO, Sophia.

Poesia


Se todo o ser ao vento abandonamos

E sem medo nem dó nos destruímos,

Se morremos em tudo o que sentimos

E podemos cantar, é porque estamos

Nus em sangue, embalando a própria dor

Em frente às madrugadas do amor.

Quando a manhã brilhar refloriremos

E a alma possuirá esse esplendor

Prometido nas formas que perdemos.