O optimista Primeiro
Ontem à noite, em entrevista transmitida pela RTP e pela TSF, o Primeiro Cherne da Nação voltou a deslumbrar o país com o seu persistente optimismo. O Cherne é de facto um homem de convicções. Um dia meteu-se-lhe na cabeça que havia de chegar a Primeiro Cherne e conseguiu-o (claro que só o conseguiu porque um tal de António, que continua dado como desaparecido pela Policia Judiciária, fugiu de sua casa numa noite de Dezembro...). Depois, mal se tornou no Primeiro Cherne declarou, para grande alegria da população feminina, que "o país estava de tanga" (pessoalmente não me incomoda nada, embora deva confessar que preferia ver a Suécia ou a Noruega ou a Dinamarca de fio dental, sempre são mais desenvolvidas...). Entretanto convenceu-se de que era preciso reformar o país e, vai daí, desatou a lançar pacotes, a tomar medidas, a criar leis e o diabo a sete (por acaso, o que eu acho é que o país precisa de ir para a reforma que já tem mais que idade para isso...). Agora ninguém lhe tira da ideia que o país já está a sair da recessão, que já se começam a ver os grandiosos efeitos da sua esclarecida governação, que, enfim, se vê a luz ao fundo do túnel. Pois. Só espero é que não estejamos numa linha férrea de sentido único e que a luz que se vê não seja a de um qualquer combóio de alta velocidade, vulgo TGV. Em sentido contrário ao nosso.
quinta-feira, julho 17, 2003
quarta-feira, julho 16, 2003
As férias da Justiça
Começaram, e de que maneira (!), as férias judiciais em Portugal. Logo pela manhã, ouvimos, na TSF, o Dr. José Miguel Júdice, bastonário da Ordem dos Advogados, advogar (lindo...) penas de prisão para os funcionários judicais que quebrem o famigerado segredo de justiça. Depois lá acrescentou que também achava que se o autor da maldita quebra fosse um advogado, um magistrado do ministério público ou até um juíz, "cadeia com eles! E eu [ele, José Miguel Júdice, claro...] estarei na primeira filar a bater palmas" . Foi o bom e o bonito ao longo do dia... E depois a malta - nós, os cidadãos - ainda se admira de a Justiça, em Portugal, não funcionar! E acha a malta, perdão, o cidadão que a culpa é toda, exclusivamente ou principalmente, dos sucessivos governos que nada fazem para melhorar a situação (ou que quando fazem algo, o fazem pouco e mal...). Depois de tudo o que ouvi ao longo do dia de hoje - e que nem foi muito - já mudei radicalmente de opinião: quando funcionários judiciais, advogados, magistrados do Ministério Público e juízes se tratam como inimigos e trocam acusações e insultos na praça pública, isso só pode significar que esta gente toda se preocupa unicamente com a defesa dos interesses corporativos das respectivas classes profissionais. Começo a achar que se a Justiça em Portugal não funciona, isso se deve ao facto de haver demasiados, digamos, interesses comodamente instalados cujo único objectivo é que nada, no sistema judicial, mude. E todos sabemos, ou devíamos saber, que quando a inércia de todo um sistema se opõe à mudança, não há Ministro, por mais bem-intencionado, que consiga impor as suas ideias ou projectos. Obviamente, quem se lixa é o mexilhão... E já agora, num país em que os processos acumulam toneladas de pó nos tribunais, porque vai a Justiça de férias durante 2 (DOIS) meses? Ou seja, durante 10 (DEZ) meses, fazem de conta que trabalham, nos outros 2 (DOIS!!!) vão de férias... Abençoado país.
Começaram, e de que maneira (!), as férias judiciais em Portugal. Logo pela manhã, ouvimos, na TSF, o Dr. José Miguel Júdice, bastonário da Ordem dos Advogados, advogar (lindo...) penas de prisão para os funcionários judicais que quebrem o famigerado segredo de justiça. Depois lá acrescentou que também achava que se o autor da maldita quebra fosse um advogado, um magistrado do ministério público ou até um juíz, "cadeia com eles! E eu [ele, José Miguel Júdice, claro...] estarei na primeira filar a bater palmas" . Foi o bom e o bonito ao longo do dia... E depois a malta - nós, os cidadãos - ainda se admira de a Justiça, em Portugal, não funcionar! E acha a malta, perdão, o cidadão que a culpa é toda, exclusivamente ou principalmente, dos sucessivos governos que nada fazem para melhorar a situação (ou que quando fazem algo, o fazem pouco e mal...). Depois de tudo o que ouvi ao longo do dia de hoje - e que nem foi muito - já mudei radicalmente de opinião: quando funcionários judiciais, advogados, magistrados do Ministério Público e juízes se tratam como inimigos e trocam acusações e insultos na praça pública, isso só pode significar que esta gente toda se preocupa unicamente com a defesa dos interesses corporativos das respectivas classes profissionais. Começo a achar que se a Justiça em Portugal não funciona, isso se deve ao facto de haver demasiados, digamos, interesses comodamente instalados cujo único objectivo é que nada, no sistema judicial, mude. E todos sabemos, ou devíamos saber, que quando a inércia de todo um sistema se opõe à mudança, não há Ministro, por mais bem-intencionado, que consiga impor as suas ideias ou projectos. Obviamente, quem se lixa é o mexilhão... E já agora, num país em que os processos acumulam toneladas de pó nos tribunais, porque vai a Justiça de férias durante 2 (DOIS) meses? Ou seja, durante 10 (DEZ) meses, fazem de conta que trabalham, nos outros 2 (DOIS!!!) vão de férias... Abençoado país.
terça-feira, julho 15, 2003
A Criação de Municípios
Após um longo período de abstinência bloguística, a Coluna Vertebral volta à carga. Desta vez a propósito do mais que provável veto de Jorge Sampaio à Lei Quadro de Criação de Municípios. Acho que o nosso Presidente, na melhor das hipóteses e com o devido respeito, se está a passar. Então se neste país se pode criar tudo e mais alguma coisa, desde aves a gado bovino passando por espécies exóticas e animais perigosos, porque carga de água não hão-de os nossos deputados dedicar-se à criação de municípios? Pelo menos, enquanto criam os seus municipiozitos estão entretidos e não corremos o risco de que aprovem leis estafúrdias que só podem prejudicar o normal funcionamento do país. Sampaio amigo, deixe lá os nossos eleitos em paz e atarefados na sua criação de municípios. Olhe que lhes podia dar para pior: imagine que eles se lembravam de criar elefantes brancos!?
Adeus Compay e Benny
Há tristes coincidências. Num curtíssimo lapso de tempo, o Mundo e a Música perdem dois dos seus mais talentosos artistas, ambos nascidos em 1907: Compay Segundo e Benny Carter. Um cubano, outro norte-americano. Com estas duas mortes, Carter no Sábado e Segundo no Domingo, não é só a música cubana ou o Jazz que ficam mais pobres, é a própria Música. Adeus.
Após um longo período de abstinência bloguística, a Coluna Vertebral volta à carga. Desta vez a propósito do mais que provável veto de Jorge Sampaio à Lei Quadro de Criação de Municípios. Acho que o nosso Presidente, na melhor das hipóteses e com o devido respeito, se está a passar. Então se neste país se pode criar tudo e mais alguma coisa, desde aves a gado bovino passando por espécies exóticas e animais perigosos, porque carga de água não hão-de os nossos deputados dedicar-se à criação de municípios? Pelo menos, enquanto criam os seus municipiozitos estão entretidos e não corremos o risco de que aprovem leis estafúrdias que só podem prejudicar o normal funcionamento do país. Sampaio amigo, deixe lá os nossos eleitos em paz e atarefados na sua criação de municípios. Olhe que lhes podia dar para pior: imagine que eles se lembravam de criar elefantes brancos!?
Adeus Compay e Benny
Há tristes coincidências. Num curtíssimo lapso de tempo, o Mundo e a Música perdem dois dos seus mais talentosos artistas, ambos nascidos em 1907: Compay Segundo e Benny Carter. Um cubano, outro norte-americano. Com estas duas mortes, Carter no Sábado e Segundo no Domingo, não é só a música cubana ou o Jazz que ficam mais pobres, é a própria Música. Adeus.
sábado, julho 05, 2003
Quase 860 anos depois
Depois de um qualquer castelhano ter ontem invadido este blog, hoje acordei muito mal disposto. Nem foi por causa do post que o tipo cá deixou, isso ainda é o menos. Acontece que, sabe D. Afonso Henriques porquê, acordei a pensar que Portugal vai fazer este ano 860 - oitocentos e sessenta - anos! É obra, caramba! Uma péssima obra, é certo, mas é obra. Temos um Estado ineficaz, gerido por incompetentes cujo único mérito é possuirem um cartão partidário (do PSD ou do PS, de preferência, e até já ouvi dizer que há uns quantos que têm ambos os cartões, pelo sim pelo não que isto da alternância democrática levanta graves problemas...). Temos um sistema de Saúde minado por múltiplas doenças terminais. Temos um sistema de Justiça emperrado e atulhado em milhões de processos e toneladas de papel. Temos um sistema Educativo que produz alguns dos analfabetos com mais habilitações literárias do planeta (sei de jovens que concluem o 9º ano de escolaridade a saber soletrar e contar até dez pelos dedos das mãos). Temos um tecido empresarial todo roto e cheio de traça. Temos uma Administração Pública que, obviamente, não consegue administrar nada disto. Qual é a solução? Reformas estruturais? Esqueçam! Está mais que provada a nossa genética incapacidade para as reformas. Pedir mais fundos comunitários? Nem pensar! Acham que a malta da UE é parva e que vai continuar a enterrar dinheiro em Porugal? Emigrar? É uma hipótese, mas pouco viável - o que está in actualmente são os imigrantes de leste. Desesperar? Suicídio colectivo? Nada disso. Eu - sim, eu - tenho a solução. Se em 859 anos a única coisa que conseguimos foi construir este país que temos, o melhor é reconhecer que fracassámos miseravelmente e entregar isto a quem realmente sabe o que é construir um país. Entreguemos a Agricultura e Pescas aos Espanhóis; ofereça-se a Indústria (a pouca que existe...) aos Japoneses; convidemos o Suecos (ou os Dinamarqueses ou os Finlandeses ou os Noruegueses) para gerir a Segurança Social; chamemos os Alemães para administrar o Estado; que venham os Holandeses para tomar conta da Justiça. E que fazer com os Portugueses? Isso não sei. Mas alguma se há-de arranjar. Sei lá, podíamos passar a ser Espanhóis!
Depois de um qualquer castelhano ter ontem invadido este blog, hoje acordei muito mal disposto. Nem foi por causa do post que o tipo cá deixou, isso ainda é o menos. Acontece que, sabe D. Afonso Henriques porquê, acordei a pensar que Portugal vai fazer este ano 860 - oitocentos e sessenta - anos! É obra, caramba! Uma péssima obra, é certo, mas é obra. Temos um Estado ineficaz, gerido por incompetentes cujo único mérito é possuirem um cartão partidário (do PSD ou do PS, de preferência, e até já ouvi dizer que há uns quantos que têm ambos os cartões, pelo sim pelo não que isto da alternância democrática levanta graves problemas...). Temos um sistema de Saúde minado por múltiplas doenças terminais. Temos um sistema de Justiça emperrado e atulhado em milhões de processos e toneladas de papel. Temos um sistema Educativo que produz alguns dos analfabetos com mais habilitações literárias do planeta (sei de jovens que concluem o 9º ano de escolaridade a saber soletrar e contar até dez pelos dedos das mãos). Temos um tecido empresarial todo roto e cheio de traça. Temos uma Administração Pública que, obviamente, não consegue administrar nada disto. Qual é a solução? Reformas estruturais? Esqueçam! Está mais que provada a nossa genética incapacidade para as reformas. Pedir mais fundos comunitários? Nem pensar! Acham que a malta da UE é parva e que vai continuar a enterrar dinheiro em Porugal? Emigrar? É uma hipótese, mas pouco viável - o que está in actualmente são os imigrantes de leste. Desesperar? Suicídio colectivo? Nada disso. Eu - sim, eu - tenho a solução. Se em 859 anos a única coisa que conseguimos foi construir este país que temos, o melhor é reconhecer que fracassámos miseravelmente e entregar isto a quem realmente sabe o que é construir um país. Entreguemos a Agricultura e Pescas aos Espanhóis; ofereça-se a Indústria (a pouca que existe...) aos Japoneses; convidemos o Suecos (ou os Dinamarqueses ou os Finlandeses ou os Noruegueses) para gerir a Segurança Social; chamemos os Alemães para administrar o Estado; que venham os Holandeses para tomar conta da Justiça. E que fazer com os Portugueses? Isso não sei. Mas alguma se há-de arranjar. Sei lá, podíamos passar a ser Espanhóis!
sexta-feira, julho 04, 2003
El estado de la nacion
Coño! La nacion se queda muy bien, gracias! Mejor que nuestros hermanos, los franceses... La Liga de Fútbol de nosotros es solamiente la mejor del mundo, con los mejores jugadores (y ahora mas una estrella, David Beckham, que lo ficho el Real Madrid); la economia se mueve a pesar de la parte sud de la província Galicia-Portugal no se encontrar muy bien; el turismo se queda muy bien tambien (y mismo el Algarve no se queda muy mal esse año...); la ETA ha acalmado; y etc, y etc, y etc... Y viva España!
Coño! La nacion se queda muy bien, gracias! Mejor que nuestros hermanos, los franceses... La Liga de Fútbol de nosotros es solamiente la mejor del mundo, con los mejores jugadores (y ahora mas una estrella, David Beckham, que lo ficho el Real Madrid); la economia se mueve a pesar de la parte sud de la província Galicia-Portugal no se encontrar muy bien; el turismo se queda muy bien tambien (y mismo el Algarve no se queda muy mal esse año...); la ETA ha acalmado; y etc, y etc, y etc... Y viva España!
quarta-feira, julho 02, 2003
Uma agulha no palheiro
Resolvi fazer no site de um dos mais importantes jornais do mundo (o palheiro), The New York Times, uma pequena busca. Introduzi simplesmente a palavra "Portugal" (a agulha) no motor de busca desse site, seleccionando a opção "noticias da última semana". Os resultados foram avassaladores... Uma tristeza: aparece um artigo sobre a ida de David Beckham para o Real Madrid (por portas travessas, lá deve haver uma menção a uns tais de Luís Figo e Carlos Queiroz, que, consta, são empregados do clube de Madrid); outro intitulado "With Capital In Hand, Spain Revisits Its Empire" (a relação com Portugal deve ter que ver com o facto de os nossos vizinhos estarem a usar o seu "Capital" para reconquistar aquilo que perderam em 1640...); mais dois artigos sobre a reforma da PAC (um dos quais dá o resultado da votação: 14 - 1 a favor da reforma, adivinhem quem votou contra...); e finalmente uma peça sobre um (ou uma...) indiano(a) produtor(a) de vinho (!). Ah! Na página de resultados ainda aparecem três sponsored links, estes sim todos relaccionados com Portugal (Portugal Travel Portal, Learn Portuguese in 3 hrs e Flights to Portugal). Vão lá e vejam com os vossos próprios olhos. Aqui fica o link: http://query.nytimes.com/search/query?srcht=s&srchst=&query=portugal&date_select=site1week&submit.x=12&submit.y=10.
Deve ser este o tão querido protagonismo que, segundo os nossos governantes, Portugal tem vindo a assumir a nível da Politica Internacional...
Resolvi fazer no site de um dos mais importantes jornais do mundo (o palheiro), The New York Times, uma pequena busca. Introduzi simplesmente a palavra "Portugal" (a agulha) no motor de busca desse site, seleccionando a opção "noticias da última semana". Os resultados foram avassaladores... Uma tristeza: aparece um artigo sobre a ida de David Beckham para o Real Madrid (por portas travessas, lá deve haver uma menção a uns tais de Luís Figo e Carlos Queiroz, que, consta, são empregados do clube de Madrid); outro intitulado "With Capital In Hand, Spain Revisits Its Empire" (a relação com Portugal deve ter que ver com o facto de os nossos vizinhos estarem a usar o seu "Capital" para reconquistar aquilo que perderam em 1640...); mais dois artigos sobre a reforma da PAC (um dos quais dá o resultado da votação: 14 - 1 a favor da reforma, adivinhem quem votou contra...); e finalmente uma peça sobre um (ou uma...) indiano(a) produtor(a) de vinho (!). Ah! Na página de resultados ainda aparecem três sponsored links, estes sim todos relaccionados com Portugal (Portugal Travel Portal, Learn Portuguese in 3 hrs e Flights to Portugal). Vão lá e vejam com os vossos próprios olhos. Aqui fica o link: http://query.nytimes.com/search/query?srcht=s&srchst=&query=portugal&date_select=site1week&submit.x=12&submit.y=10.
Deve ser este o tão querido protagonismo que, segundo os nossos governantes, Portugal tem vindo a assumir a nível da Politica Internacional...
Uma semana depois, regresso a este blog e só para dizer que não me apetece dizer nada... Não me tem apetecido dizer mal de Portugal. E não é que faltem motivos - as trapalhadas na área da cultura e em especial na Casa da Musica do Porto, as confusões com a Casa do Douro, a reforma da PAC, os novos concelhos, a habitual falta de dinheiro no Benfica, etc, etc, etc... E o tempo - esse cruel ditador de que passamos a vida a fugir - também não tem sobrado... Enfim... Talvez daqui a uns dias haja outros motivos para a escrita, ou talvez não. Que se lixe! Quando me apetecer regresso. Até já. Por enquanto, vou-me dedicar à leitura...
terça-feira, junho 24, 2003
Carlos Queiroz
Carlos Queiroz no Real Madrid?
Ora aqui está uma (potencial) boa notícia nestes tempos em que tudo parece correr mal a Portugal e a quase todos os Portugueses. Carlos Queirós conquistou vários títulos europeus e mundiais nas camadas jovens da Selecção Nacional de Futebol, "criou" a dita "geração de ouro" do futebol português, foi despedido do cargo de treinador do Sporting por Pedro Santana Lopes, não serviu para treinador da principal Selecção Nacional (parece que queria "limpar a porcaria toda que há na Federação"...), treinou diversos clubes nos Estados Unidos e no Japão e as selecções dos Emirados Árabes Unidos e da África do Sul (qualificando esta para um Mundial) e sagrou-se campeão inglês ao serviço do Manchester United. É este o homem que o Real Madrid (mais do que um clube de futebol, uma constelação de estrelas) deseja para orientar as suas vedetas nos próximos tempos. Ainda que acabe por não se mudar para Madrid, Queirós é já mais uma prova de que, neste país, aqueles que são verdadeiramente competentes naquilo que fazem não se safam e acabam por ir para outras paragens dar o eu melhor, sejam jogadores ou treinadores de futebol, cientistas ou gestores. E depois ainda nos admiramos de ser um dos mais atrasados paises da União Europeia...
Ora aqui está uma (potencial) boa notícia nestes tempos em que tudo parece correr mal a Portugal e a quase todos os Portugueses. Carlos Queirós conquistou vários títulos europeus e mundiais nas camadas jovens da Selecção Nacional de Futebol, "criou" a dita "geração de ouro" do futebol português, foi despedido do cargo de treinador do Sporting por Pedro Santana Lopes, não serviu para treinador da principal Selecção Nacional (parece que queria "limpar a porcaria toda que há na Federação"...), treinou diversos clubes nos Estados Unidos e no Japão e as selecções dos Emirados Árabes Unidos e da África do Sul (qualificando esta para um Mundial) e sagrou-se campeão inglês ao serviço do Manchester United. É este o homem que o Real Madrid (mais do que um clube de futebol, uma constelação de estrelas) deseja para orientar as suas vedetas nos próximos tempos. Ainda que acabe por não se mudar para Madrid, Queirós é já mais uma prova de que, neste país, aqueles que são verdadeiramente competentes naquilo que fazem não se safam e acabam por ir para outras paragens dar o eu melhor, sejam jogadores ou treinadores de futebol, cientistas ou gestores. E depois ainda nos admiramos de ser um dos mais atrasados paises da União Europeia...
segunda-feira, junho 23, 2003
A GNR para o Iraque, rapidamente e em força (mas sem blindados)
Falta de blindados pode adiar envio de GNR para o Iraque
Após a invasão do Iraque pelas tropas de uma pseudo-coligação internacional, o Dr. Durão Barroso ofereceu a inestimável ajuda de Portugal para colaborar na ocupação daquele país do Golfo Pérsico (por acaso, riquíssimo em petróleo...). Para tal disponibilzou 120 heróicos elementos da GNR (Guarda Nacional Republicana), o que parece uma decisão acertadíssima, fundamentalmente porque Guarda Nacional Republicana é (era?) o nome da tropa de elite do regime de Saddam Hussein; assim, a integração e o contacto com a população local está, obviamente, facilitada... Claro que a oposição, os profetas da desgraça do costume e até a Associação dos Profissionais da Guarda (APG) criticaram violentamente o nosso primeiro. Dizem eles que a nossa GNR não tem preparação para este tipo de missões, que não dispõe de meios operacionais, que é um desperdício de Euros e etc e tal. Disparates! Quanto à oposição (o seu papel é opor-se...) e aos profetas da desgraça (o seu papel é profetizar a... desgraça) ainda se entende que sejam contra, agora a APG não concordar com a ida dos nossos corajosos GNRs é que parece inconcebível! Então e a experiência enriquecedora de que irão disfrutar? E o dinheiro a mais que vão receber? E a possibilidade de contactar com povos, culturas e religião diferentes? Oh meus amigos, para o Iraque rapidamente e em força! Além do mais, segundo as notícias, o ambiente de Bagdad não é assim tão diferente de qualquer bairro degradado dos nossos subúrbios (violência, caos, lixo, contrabando, armas de fogo), o que facilita ainda mais o contacto com a população local (já para não falar nas semelhanças fisicas entre os nossos bravos GNRs e a população masculina iraquiana - baixos, morenaços, charmosas bigodaças - que é uma mais-valia para eventuais missões de infiltração entre a população). O único problema é que os sacanas dos Carabinnieri italianos, que supostamente lhes darão boleia para o Iraque, se andam a fazer esquisitos... Sempre me pareceu que os italianos não são de fiar. Já os Romanos (antepassados dos italianos, como bem sabemos) para derrotar o nosso Viriato lhe fez umas promessas só para o atrair a uma cilada e "fazer-lhe a folha". Muito cuidado com os italianos, portanto. Cá para mim, eles preparam-se para dar boleia aos nossos garbosos GNRs só para os largarem algures no meio do deserto iraquiano...
Após a invasão do Iraque pelas tropas de uma pseudo-coligação internacional, o Dr. Durão Barroso ofereceu a inestimável ajuda de Portugal para colaborar na ocupação daquele país do Golfo Pérsico (por acaso, riquíssimo em petróleo...). Para tal disponibilzou 120 heróicos elementos da GNR (Guarda Nacional Republicana), o que parece uma decisão acertadíssima, fundamentalmente porque Guarda Nacional Republicana é (era?) o nome da tropa de elite do regime de Saddam Hussein; assim, a integração e o contacto com a população local está, obviamente, facilitada... Claro que a oposição, os profetas da desgraça do costume e até a Associação dos Profissionais da Guarda (APG) criticaram violentamente o nosso primeiro. Dizem eles que a nossa GNR não tem preparação para este tipo de missões, que não dispõe de meios operacionais, que é um desperdício de Euros e etc e tal. Disparates! Quanto à oposição (o seu papel é opor-se...) e aos profetas da desgraça (o seu papel é profetizar a... desgraça) ainda se entende que sejam contra, agora a APG não concordar com a ida dos nossos corajosos GNRs é que parece inconcebível! Então e a experiência enriquecedora de que irão disfrutar? E o dinheiro a mais que vão receber? E a possibilidade de contactar com povos, culturas e religião diferentes? Oh meus amigos, para o Iraque rapidamente e em força! Além do mais, segundo as notícias, o ambiente de Bagdad não é assim tão diferente de qualquer bairro degradado dos nossos subúrbios (violência, caos, lixo, contrabando, armas de fogo), o que facilita ainda mais o contacto com a população local (já para não falar nas semelhanças fisicas entre os nossos bravos GNRs e a população masculina iraquiana - baixos, morenaços, charmosas bigodaças - que é uma mais-valia para eventuais missões de infiltração entre a população). O único problema é que os sacanas dos Carabinnieri italianos, que supostamente lhes darão boleia para o Iraque, se andam a fazer esquisitos... Sempre me pareceu que os italianos não são de fiar. Já os Romanos (antepassados dos italianos, como bem sabemos) para derrotar o nosso Viriato lhe fez umas promessas só para o atrair a uma cilada e "fazer-lhe a folha". Muito cuidado com os italianos, portanto. Cá para mim, eles preparam-se para dar boleia aos nossos garbosos GNRs só para os largarem algures no meio do deserto iraquiano...
sexta-feira, junho 13, 2003
Sampaio indignado com acusações
Aquele senhor que é irmão do famoso psicólogo Daniel Sampaio ficou muito chateado com umas acusações que um tal de Armando Vara proferiu contra a sua pessoa. Ora, o marido da Srª Maria José Rita, que não é homem de levar deasaforos para casa, reagiu de imediato. Que não senhor, não tolera não sei o quê, que não admite isto e aquilo... enfim, armou uma peixeirada lá para os lados dos Açores, arquipélago por onde se passeia há alguns dias distribuindo condecorações e comendo queijo da ilha às escondidas da esposa (parece que a senhora não quer que a barriga do seu digníssimo esposo cresça mais ainda...). Toda esta polémica vem na sequência do escândalo Casa Pia e de um perdão de penas para diversos crimes (entre os quais o crime do abuso sexual de menores) aprovado há quatro anos - por unanimidade! - na Assembleia desta República à beira-mar espantada... O mais espantoso é que na altura todos - TODOS - acharam muito bem, que era uma boa ideia sim senhor, que era a melhor forma de assinalar os 25 anos do 25 de Abril, e etc e etc... Agora, ninguém teve nada a ver com o perdão, a ideia não foi de ninguém, ninguém assume a porra da responsabilidade. Enfim, nada de novo a oeste de Espanha...
Entretanto, na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, uma tal de Fátima Felgueiras quase chorou baba e ranho. A dita senhora, que até há bem pouco tempo morava algures em Felgueiras, diz-se vitima de uma perseguição politica e afirmou peremptoriamente que é a "a primeira exilada politica do Portugal democrático"! Acrescentou até que está disposta a tudo esclarecer no local próprio e a provar a sua inocência. Só não explicou exactamente qual o local próprio... Eu sempre pensei que seria nos tribunais, mas fiquei com a impressão que para ela o "local próprio" deve ser algures no Rio de Janeiro, talvez em Copacabana, entre um mergulho no mar e uma caipirinha numa esplanada... Por mim a senhora pode dizer o que lhe passar pela cabeça, afinal de contas tanto o Brasil como Portugal são democracias onde existe o direito constitucional à livre expressão do pensamento (por mais absurdo ou idiota que ele seja...). Mas há algo que me faz uma tremenda confusão: porque é que os canais televisivos nacionais transmitiram em directo e na abertura dos seus principais blocos de noticias o espectáculo montado no Rio de Janeiro? Não teria sido melhor fazê-lo no horário das telenovelas? E de que é a senhora acusada, afinal? De possuir um saco azul, distribuir dinheiro pelo clube de futebol local (F.C. Felgueiras) e facilitar umas licenças a construtores civis... Quanto a sacos azuis, por mim cada um tem sacos da cor que quiser e isso não é crime (a menos que seja um crime contra o bom-gosto...). Se dar dinheiro a clubes de futebol é crime, então prendam o governo (ouvi dizer que o Estado está a ajudar a pagar uns estádios que se andam por aí a construir...). Quanto às ajudas aos construtores civis, também não vejo qualquer problema: afinal a senhora estava a ajudar a economia nacional, auxiliando um dos seus mais activos sectores, já para não falar do cariz social do negócio da construção civil - sim, o que seria de milhares de africanos e Europeus de Leste sem o seu empregozito nas obras?
Aquele senhor que é irmão do famoso psicólogo Daniel Sampaio ficou muito chateado com umas acusações que um tal de Armando Vara proferiu contra a sua pessoa. Ora, o marido da Srª Maria José Rita, que não é homem de levar deasaforos para casa, reagiu de imediato. Que não senhor, não tolera não sei o quê, que não admite isto e aquilo... enfim, armou uma peixeirada lá para os lados dos Açores, arquipélago por onde se passeia há alguns dias distribuindo condecorações e comendo queijo da ilha às escondidas da esposa (parece que a senhora não quer que a barriga do seu digníssimo esposo cresça mais ainda...). Toda esta polémica vem na sequência do escândalo Casa Pia e de um perdão de penas para diversos crimes (entre os quais o crime do abuso sexual de menores) aprovado há quatro anos - por unanimidade! - na Assembleia desta República à beira-mar espantada... O mais espantoso é que na altura todos - TODOS - acharam muito bem, que era uma boa ideia sim senhor, que era a melhor forma de assinalar os 25 anos do 25 de Abril, e etc e etc... Agora, ninguém teve nada a ver com o perdão, a ideia não foi de ninguém, ninguém assume a porra da responsabilidade. Enfim, nada de novo a oeste de Espanha...
Entretanto, na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, uma tal de Fátima Felgueiras quase chorou baba e ranho. A dita senhora, que até há bem pouco tempo morava algures em Felgueiras, diz-se vitima de uma perseguição politica e afirmou peremptoriamente que é a "a primeira exilada politica do Portugal democrático"! Acrescentou até que está disposta a tudo esclarecer no local próprio e a provar a sua inocência. Só não explicou exactamente qual o local próprio... Eu sempre pensei que seria nos tribunais, mas fiquei com a impressão que para ela o "local próprio" deve ser algures no Rio de Janeiro, talvez em Copacabana, entre um mergulho no mar e uma caipirinha numa esplanada... Por mim a senhora pode dizer o que lhe passar pela cabeça, afinal de contas tanto o Brasil como Portugal são democracias onde existe o direito constitucional à livre expressão do pensamento (por mais absurdo ou idiota que ele seja...). Mas há algo que me faz uma tremenda confusão: porque é que os canais televisivos nacionais transmitiram em directo e na abertura dos seus principais blocos de noticias o espectáculo montado no Rio de Janeiro? Não teria sido melhor fazê-lo no horário das telenovelas? E de que é a senhora acusada, afinal? De possuir um saco azul, distribuir dinheiro pelo clube de futebol local (F.C. Felgueiras) e facilitar umas licenças a construtores civis... Quanto a sacos azuis, por mim cada um tem sacos da cor que quiser e isso não é crime (a menos que seja um crime contra o bom-gosto...). Se dar dinheiro a clubes de futebol é crime, então prendam o governo (ouvi dizer que o Estado está a ajudar a pagar uns estádios que se andam por aí a construir...). Quanto às ajudas aos construtores civis, também não vejo qualquer problema: afinal a senhora estava a ajudar a economia nacional, auxiliando um dos seus mais activos sectores, já para não falar do cariz social do negócio da construção civil - sim, o que seria de milhares de africanos e Europeus de Leste sem o seu empregozito nas obras?
sábado, junho 07, 2003
Viver na Ucrânia como em Portugal
Ouvi esta semana, numa reportagem premiada da SIC, um imigrante ucraniano dizer que o seu maior sonho é que o seu país se desenvolva e que um dia seja possível viver lá como se vive em Portugal. Absolutamente espantoso. Claro que isto deveria ser motivo de orgulho para todos os portugueses, não fosse dar-se o caso de muitos portugueses olharem para o lado, para Espanha, e verem o nível de vida de que os nossos vizinhos disfrutam... Não sei o que passa pela cabeça daquele cidadão ucraniano, mas acho que muitos ucranianos, e não só, têm o mesmo sonho. O pior é se eles descobrem que, afinal, Portugal não um paraíso. E se eles realmente descobrirem que Espanha, Bélgica, Holanda ou Alemanha têm níveis de desenvolvimento bem superiores ao nosso? Acho que desaparecem daqui rapidamente. E quem fica a perder somos nós...
sexta-feira, junho 06, 2003
Sophia de Mello Breyner Andresen
A "bailarina" que "paira sobre a vida", como ouvi o seu filho descreve-la há uns dias, foi galardoada esta semana com o importantíssimo Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana. Justo. Justíssimo. A senhora merece esse prémio, e todos os outros que já recebeu e aqueles que ainda há-de receber. Merece até o Prémio Nobel, muito mais do que o mereceu José Saramago, digo eu... Por mais um prémio, parabéns. Por todas as palavras que insistes em partilhar connosco, meros e vulgares mortais, OBRIGADO, Sophia.
Poesia
Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Poesia
Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
sábado, maio 31, 2003
Agora é o Herman?
Herman terá tido contacto com menores através de "Bibi"
Até o Herman? Será que esta história nunca mais tem fim? E se todas estas (e quantas mais?) figuras públicas tiverem mesmo cometido estes pecados tão pouco privados? Quanto tempo demorá este país a confiar nas suas "personalidades", supostos role-models? E se nada disto for verdade e a Justiça estiver a cometer um tremendo engano? Mas será possível isso realmente possível? A PJ, o Ministério Público e o TIC todos enganados? No meio de todo este sórdido caso, abundam as perguntas. As respostas a algumas talvez surjam lá mais para a frente... No meio de tudo isto, só tenho uma certeza: está muito difícil confiar e acreditar seja em quem for.
E agora, para algo completamente diferente... Naguib Mahfuz, As Noites das Mil e Uma Noites
Até o Herman? Será que esta história nunca mais tem fim? E se todas estas (e quantas mais?) figuras públicas tiverem mesmo cometido estes pecados tão pouco privados? Quanto tempo demorá este país a confiar nas suas "personalidades", supostos role-models? E se nada disto for verdade e a Justiça estiver a cometer um tremendo engano? Mas será possível isso realmente possível? A PJ, o Ministério Público e o TIC todos enganados? No meio de todo este sórdido caso, abundam as perguntas. As respostas a algumas talvez surjam lá mais para a frente... No meio de tudo isto, só tenho uma certeza: está muito difícil confiar e acreditar seja em quem for.
E agora, para algo completamente diferente... Naguib Mahfuz, As Noites das Mil e Uma Noites
sexta-feira, maio 30, 2003
A vã guarda do Mundo
O aumento da escolaridade obrigatória "coloca-nos na vanguarda do Mundo. Muito poucos países do Mundo têm este grau de exigência"
Ora aqui está finalmente Portugal na vanguarda. Depois de termos estado na primeiríssima linha da bajulação ao amigo americano na questão da invasão do Iraque, eis-nos agora na vanguarda da educação. O nosso magnífico governo liderado pelo sempre diligente Durão Burroso decidiu que os infantes portugueses terão que frequentar a escola durante 12 - doze! - anos. E qual o grande objectivo desta medida? Pois claro! Colocar-nos na "vanguarda do Mundo". Claro que os velhos do Restelo do costume já começaram a zurzir nesta inovadora medida - que é um disparate, que o nosso subdesenvolvimento a nível educativo não se resolve assim, que não sei quê e não sei que mais... Enfim, minudências... Pensem bem, usem o cérebro, meditem e chegarão à conclusão que a malta do governo sabe bem o que anda a fazer. Na pior das hipóteses, o resultado prático desta medida pode não nos colocar na "vanguarda do Mundo", mas por certo teremos os analfabetos com mais habilitações do Mundo!
P.S.: lembram-se daquele senhor algarvio que há uns anos ocupou o lugar que agora pertence ao seu delfim, o sempre diligente Durão? Eu não me esqueço... Aliás, se alguém vir por aí o "novo homem português" que a sua douta governação iria criar, avisem-me... É que esta ideia do seu delfim cheira-me a mais um "novo homem portugês"... na "vanguarda do Mundo", obviamente! Em bom e velho Português: epá, não me lixem!!!
Ora aqui está finalmente Portugal na vanguarda. Depois de termos estado na primeiríssima linha da bajulação ao amigo americano na questão da invasão do Iraque, eis-nos agora na vanguarda da educação. O nosso magnífico governo liderado pelo sempre diligente Durão Burroso decidiu que os infantes portugueses terão que frequentar a escola durante 12 - doze! - anos. E qual o grande objectivo desta medida? Pois claro! Colocar-nos na "vanguarda do Mundo". Claro que os velhos do Restelo do costume já começaram a zurzir nesta inovadora medida - que é um disparate, que o nosso subdesenvolvimento a nível educativo não se resolve assim, que não sei quê e não sei que mais... Enfim, minudências... Pensem bem, usem o cérebro, meditem e chegarão à conclusão que a malta do governo sabe bem o que anda a fazer. Na pior das hipóteses, o resultado prático desta medida pode não nos colocar na "vanguarda do Mundo", mas por certo teremos os analfabetos com mais habilitações do Mundo!
P.S.: lembram-se daquele senhor algarvio que há uns anos ocupou o lugar que agora pertence ao seu delfim, o sempre diligente Durão? Eu não me esqueço... Aliás, se alguém vir por aí o "novo homem português" que a sua douta governação iria criar, avisem-me... É que esta ideia do seu delfim cheira-me a mais um "novo homem portugês"... na "vanguarda do Mundo", obviamente! Em bom e velho Português: epá, não me lixem!!!
quarta-feira, maio 28, 2003
Relatório da Amnistia Internacional volta a denunciar maus tratos policiais
Apesar de todas as convulsões que têm afectado a sociedade portuguesa nos últimos meses, é reconfortante saber que a instituição policial se mantém fiél aos seus velhos valores e princípios de actuação - que se podem resumir na expressão "arrear primeiro e, eventulamente, perguntar depois" , ou, se quiserem de um modo mais diplomático, "todo e qualquer cidadão é um potencial criminoso, culpado até prova em contrário e uns valentes tabefes nunca fizeram mal a ninguém, antes pelo contrário". Só os chatos da Amnistia Internacional é que continuam a implicar connosco... Não percebem nada das tradições e usos deste povo de brandos costumes, é o que é...
segunda-feira, maio 26, 2003
Juventude sónica (e inquieta)
Depois dos magníficos espectáculos do último fim de semana (Massive Attack, 23, e Sonic Youth, 25) o regresso ao mundo real está a ser nada menos que penoso. Recuso-me... Deixem-me ficar aqui, no mundo virtual a dissertar sobre a revolução eléctrica que alastrou a partir do Coliseu dos Recreios ontem à noite. Os Sonic Youth foram absolutamente... Esqueçam os adjectivos. Thurston Moore flirtando com a audiência, Kim Gordon saltando do baixo para a guitarra, fazendo-nos ouvir por vezes a sua voz, Lee Ranaldo endiabrado (e por aqui me fico...), Steve Shelley lançando a base para a devastação sónica e o novo elemento Jim O´Rourke a comportar-se como se sempre tivesse feito parte da familia. Apesar das mais de duas décadas de carreira, os Sonic Youth continuam a actuar como se vivessem num permanente motim juvenil.
Nos próximos dias talvez regresse ao mundo real...
Nos próximos dias talvez regresse ao mundo real...
sábado, maio 24, 2003
Ataques e revoluções
Vamos ignorar olimpicamente todos os últimos desenvolvimentos das diversas comédias da vida real que têm agitado o País surreal - os caceteiros da Felgueiras, os arrufos entre Pinto da Costa, Rui Rio e Scolari, os abusos casapianos e as presidenciais.
Estamo-nos nas tintas para tudo isso.
Vamos ao que realmente importa. De quarta a sexta-feira os Massive Attack encheram o Coliseu dos Recreios em Lisboa, dinamitando os ouvidos (e a consciência ecológico-sócio-politico-económica de todos os que assistiram a essas três noites de música). Os Massive Attack, apenas e só uma das mais importantes bandas surgidas nos anos 90, presentearam os muitos admiradores portugueses com um espectáculo durante o qual os seus temas foram sendo ilustrados com um autêntico bombardeamento de informação: no écran matrixiano ao fundo do palco foram exibidas as mais variadas mensagens ecológicas, politicas e económicas, slogans, mensagens de fans, ou estatísticas em tempo real para todos os gostos. Uma verdadeira guerra cirurgicamente planeada: petardos sonoros atingiam os corpos, entrando pelos ouvidos e perfurando até à alma; a forte mensagem global penetrando pelos olhos, processada no cérebro e, espera-se, provocando danos nas consciências. Numa época de globalização, os Massive Attack apresentaram em Lisboa um espectáculo global. Sóbrio e eficaz, para que a inércia não nos contamine definitivamente.
E a revolução promete continuar, precisamente na mesma sala. É que a mais importante banda Rock das últimas décadas ocupa o Coliseu dos Recreios (amanhã Domingo, 25) para um concerto que se espera à altura do seu estatuto. Com uma carreira que já leva mais de duas décadas, Thruston Moore, Lee Ranaldo, Kim Gordon e Steve Shelley – ou seja, Sonic Youth - constituem apenas e só a mais importante formação Rock deste lado dos Velvet Underground (desculpem lá o fanatismo!). Confusion Is Sex, Evol, Daydream Nation ou Goo são apenas alguns dos títulos mais importantes das últimas décadas. Com os Sonic Youth, o Rock ascendeu a um patamar artístico nunca antes atingido, estilhaçando os limites que anteriormente apenas os Velvet Underground de Reed e Cale haviam explorado. Absolutamente imperdível!
Estamo-nos nas tintas para tudo isso.
Vamos ao que realmente importa. De quarta a sexta-feira os Massive Attack encheram o Coliseu dos Recreios em Lisboa, dinamitando os ouvidos (e a consciência ecológico-sócio-politico-económica de todos os que assistiram a essas três noites de música). Os Massive Attack, apenas e só uma das mais importantes bandas surgidas nos anos 90, presentearam os muitos admiradores portugueses com um espectáculo durante o qual os seus temas foram sendo ilustrados com um autêntico bombardeamento de informação: no écran matrixiano ao fundo do palco foram exibidas as mais variadas mensagens ecológicas, politicas e económicas, slogans, mensagens de fans, ou estatísticas em tempo real para todos os gostos. Uma verdadeira guerra cirurgicamente planeada: petardos sonoros atingiam os corpos, entrando pelos ouvidos e perfurando até à alma; a forte mensagem global penetrando pelos olhos, processada no cérebro e, espera-se, provocando danos nas consciências. Numa época de globalização, os Massive Attack apresentaram em Lisboa um espectáculo global. Sóbrio e eficaz, para que a inércia não nos contamine definitivamente.
E a revolução promete continuar, precisamente na mesma sala. É que a mais importante banda Rock das últimas décadas ocupa o Coliseu dos Recreios (amanhã Domingo, 25) para um concerto que se espera à altura do seu estatuto. Com uma carreira que já leva mais de duas décadas, Thruston Moore, Lee Ranaldo, Kim Gordon e Steve Shelley – ou seja, Sonic Youth - constituem apenas e só a mais importante formação Rock deste lado dos Velvet Underground (desculpem lá o fanatismo!). Confusion Is Sex, Evol, Daydream Nation ou Goo são apenas alguns dos títulos mais importantes das últimas décadas. Com os Sonic Youth, o Rock ascendeu a um patamar artístico nunca antes atingido, estilhaçando os limites que anteriormente apenas os Velvet Underground de Reed e Cale haviam explorado. Absolutamente imperdível!
sexta-feira, maio 16, 2003
Presidenciais 2006
Pois é, meus amigos... As Presidenciais estão aí à porta. Os candidatos perfilam-se, os partidos agitam-se, os comentadores políticos comentam, os meios de comunicação social babam-se – literalmente – na perspectiva de mais um embate eleitoral de proporções épicas. Só os Portugueses parecem estar-se nas tintas para esta premente questão – principalmente os Portugueses com mais de 18 anos e portadores de cartão de eleitor, e entre estes há um que não está mesmo nada interessado neste premente assunto da vida política nacional (vocês sabem quem ele é... um bom rapaz, um pouco tímido até... mora ali para os lados de Belém). Mas enfim, os Portugueses, como todos bem sabemos são um povo pouco informado, que não lê jornais nem se interessa pela actividade política (vá-se lá saber porquê...). Nós aqui na Coluna Vertebral estamos, obviamente, muito interessados no assunto. E até temos opiniões sobre os potenciais candidatos. Bem sobre alguns – aqueles de que nos lembramos, é que já são tantos que temos alguma dificuldade em lembrarmo-nos de todos. Consultando a imprensa dos últimos dias chegámos, porém, a uma lista de potenciais candidatos ao cargo de mais alto magistrado da nação (lista que, pelo andar da carruagem, não é de todo definitiva). E até a ordenámos por ordem de favoritismo. E opinamos sobre a malta que se perfila! Aqui vai:
1º Aquele senhor já com idade para ter juízo, cujo filho foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Parece ser o mais forte candidato, mas nós não concordamos com esta sua candidatura. Porquê? Ora, é simples: o homem devia ser Rei de Portugal, dos Algarves e dos Açores (da Madeira não, que esse território já tem dono...) e nunca presidente. Além disso já teve muito tempo para brincar aos presidentes (10 anos, parece...).
2º Um algarvio, cujo nome esquecemos, com algumas dificuldades de dicção, que durante alguns anos ocupou o cargo de líder daquele partido fundado por um tal de Sá Carneiro. Também rejeitamos liminarmente esta possibilidade. O homem não é atraente, só sabe falar de Economia e Finanças e além disso já uma vez foi candidato e perdeu. Perdeu, está perdido e pronto. Reforme-se e vá para casa cultivar laranjeiras.
3º O ex-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, ex-presidente dos Sporting Club de Portugal e actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Não. Nunca. Jamais. Em tempo algum! Três presidências são mais do que suficientes para um homem só. Não seja açambarcador que há muitos Portugueses na lista de espera para uma presidência qualquer!!!
4º O antigo presidente da Assembleia Geral da ONU (seja lá o que isso for...) e ex-presidente daquele partido muito giro-sei-lá que já foi CDS e depois foi PP e agora é CDS/PP. Não, não e não! Também já teve uma oportunidade de lá chegar e não conseguiu. Vá para casa escrever peças de teatro sobre o Estado Novo...
5º Aquele tipo muito simpático, sempre muito bem penteado, aquele adepto do diálogo que tratava por tudo uma carrada de líderes europeus e deixou brilhantes frases para a posteridade (“No jobs for the boys!”, “O PIB? Então 3% de.. 3%... pois... então,. é fazer as contas”). Devem estar a gozar!!! Não metam o homem em confusões, deixem-no estar sossegadinho lá onde quer que seja que ele se escondeu...
6º O big boss do canal de televisão de Carnaxide. Esta é nitidamente uma piada (e de muito mau gosto!): o tipo tem o cabelo comprido demais, despediu esse guru da televisão que dá pelo nome de Emídio Rangel e também é dono de um jornal enoooooorme e chato como a potassa. Chega?
7º O Coelho. Aquele senhor que há anos serve ao balcão do bar da Associação Académica de Coimbra. Um belo candidato sem dúvida mas... nem pensar! Os estudantes de Coimbra precisam dele ao leme do seu bar, quer dizer, à torneira da imperial (que em Coimbra se chama fino, coitados...).
8º Ilda Figueiredo. Pois, nós também não sabemos quem é... Se for boa, quer dizer, boa pessoa, força Ilda! Estamos contigo! Vai-te a eles! Ou então, não...
9º Empate técnico entre vários candidatos menores: Pacheco Pereira, Padre Vítor Melícias, Jaime Pacheco, Xanana Gusmão, George W. Bush, Saddam Hussein. Laslo Boloni, todos os concorrentes que foram corridos da Operação Triunfo da RTP1, D. Duarte Nuno e Zé Maria. Mas porque é que estes são potenciais candidatos? Está-se mesmo a ver: uns estão sem emprego (pois... eles e mais uns milhares de portugueses), outros com poucas perspectivas de manter os actuais e outros com vontade de mudar de carreira.
10º And the winner is… Fátima Felgueiras! Uma heroína nacional, sem sombra de dúvida. A mulher indicada para o lugar, até porque a Nossa Senhora de Fátima (essa sim, uma candidata imbatível!) já fez saber que não está interessada no cargo. Lamentavelmente a senhora é muito modesta e vai daí fugiu. Não à Justiça como maldosamente se diz por aí, mas à árdua e espinhosa tarefa de liderar esta velha e ingrata nação. Fosse ela candidata e era trigo limpo farinha amparo. Ah, pois era!...
1º Aquele senhor já com idade para ter juízo, cujo filho foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Parece ser o mais forte candidato, mas nós não concordamos com esta sua candidatura. Porquê? Ora, é simples: o homem devia ser Rei de Portugal, dos Algarves e dos Açores (da Madeira não, que esse território já tem dono...) e nunca presidente. Além disso já teve muito tempo para brincar aos presidentes (10 anos, parece...).
2º Um algarvio, cujo nome esquecemos, com algumas dificuldades de dicção, que durante alguns anos ocupou o cargo de líder daquele partido fundado por um tal de Sá Carneiro. Também rejeitamos liminarmente esta possibilidade. O homem não é atraente, só sabe falar de Economia e Finanças e além disso já uma vez foi candidato e perdeu. Perdeu, está perdido e pronto. Reforme-se e vá para casa cultivar laranjeiras.
3º O ex-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, ex-presidente dos Sporting Club de Portugal e actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Não. Nunca. Jamais. Em tempo algum! Três presidências são mais do que suficientes para um homem só. Não seja açambarcador que há muitos Portugueses na lista de espera para uma presidência qualquer!!!
4º O antigo presidente da Assembleia Geral da ONU (seja lá o que isso for...) e ex-presidente daquele partido muito giro-sei-lá que já foi CDS e depois foi PP e agora é CDS/PP. Não, não e não! Também já teve uma oportunidade de lá chegar e não conseguiu. Vá para casa escrever peças de teatro sobre o Estado Novo...
5º Aquele tipo muito simpático, sempre muito bem penteado, aquele adepto do diálogo que tratava por tudo uma carrada de líderes europeus e deixou brilhantes frases para a posteridade (“No jobs for the boys!”, “O PIB? Então 3% de.. 3%... pois... então,. é fazer as contas”). Devem estar a gozar!!! Não metam o homem em confusões, deixem-no estar sossegadinho lá onde quer que seja que ele se escondeu...
6º O big boss do canal de televisão de Carnaxide. Esta é nitidamente uma piada (e de muito mau gosto!): o tipo tem o cabelo comprido demais, despediu esse guru da televisão que dá pelo nome de Emídio Rangel e também é dono de um jornal enoooooorme e chato como a potassa. Chega?
7º O Coelho. Aquele senhor que há anos serve ao balcão do bar da Associação Académica de Coimbra. Um belo candidato sem dúvida mas... nem pensar! Os estudantes de Coimbra precisam dele ao leme do seu bar, quer dizer, à torneira da imperial (que em Coimbra se chama fino, coitados...).
8º Ilda Figueiredo. Pois, nós também não sabemos quem é... Se for boa, quer dizer, boa pessoa, força Ilda! Estamos contigo! Vai-te a eles! Ou então, não...
9º Empate técnico entre vários candidatos menores: Pacheco Pereira, Padre Vítor Melícias, Jaime Pacheco, Xanana Gusmão, George W. Bush, Saddam Hussein. Laslo Boloni, todos os concorrentes que foram corridos da Operação Triunfo da RTP1, D. Duarte Nuno e Zé Maria. Mas porque é que estes são potenciais candidatos? Está-se mesmo a ver: uns estão sem emprego (pois... eles e mais uns milhares de portugueses), outros com poucas perspectivas de manter os actuais e outros com vontade de mudar de carreira.
10º And the winner is… Fátima Felgueiras! Uma heroína nacional, sem sombra de dúvida. A mulher indicada para o lugar, até porque a Nossa Senhora de Fátima (essa sim, uma candidata imbatível!) já fez saber que não está interessada no cargo. Lamentavelmente a senhora é muito modesta e vai daí fugiu. Não à Justiça como maldosamente se diz por aí, mas à árdua e espinhosa tarefa de liderar esta velha e ingrata nação. Fosse ela candidata e era trigo limpo farinha amparo. Ah, pois era!...
quinta-feira, maio 15, 2003
Estreia
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida, diria Sérgio Godinho (que belo clichet em que este verso se tornou...). Parafraseando Godinho, hoje é o primeiro dia do resto do meu Blog. Ainda não decidi exactamente o que fazer da Coluna Vertebral... Provavelmente servirá como forma de dizer o pior possível de uma série de coisas e pessoas. Provavelmente dizer infinitamente bem de algumas coisas e pessoas. Veremos. O futuro a Deus pertence (e sai mais um clichet pra mesa do canto, s.f.f.), mas este Blog é meu e só meu... e de quem mais o quiser partilhar!
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